null, 26 de Maio, 2019
Media

Agravou-se o declínio global da liberdade de expressão e o perigo do exercício do jornalismo

A liberdade de expressão encontra-se no seu ponto mais baixo desde há dez anos, afirma a organização britânica de defesa dos direitos humanos Article 19  - o que significa que a prática do jornalismo se tornou mais perigosa. Pelo menos 78 jornalistas foram mortos em serviço durante o ano de 2017, e 326 metidos na prisão, mas a organização reconhece que a recolha de dados peca por defeito na identificação de todos os casos de violência contra os jornalistas.

“O preço a pagar pela defesa do direito à liberdade de expressão e informação tornou-se extremamente elevado: morte, prisão e medo tomam grandes proporções diante de comunicadores e activistas por todo o mundo, e o espaço para comunicação e debate significativos está sob cerco”  -  afirmou Thomas Hughes, o director-executivo de Article 19, sobre os dados revelados pelo seu mais recente relatório.

Um dos indicadores de medida utilizados pela organização mostra que “a liberdade de expressão está em declínio desde há dez anos, e que esta degradação acelerou nos últimos três anos”  - disse ainda Thomas Hughes. “Trata-se de um fenómeno global, com muitas violações a acontecer em países onde a liberdade de expressão era tradicionalmente protegida.” 

O relatório identifica 48 países onde este declínio foi verificado, entre os anos de 2014 e 2017. A organização conclui que a hostilidade  contra os media está a tornar-se “normal” em todo o mundo, com a proliferação de “homens fortes” populistas, que fazem eco da linguagem do Presidente dos EUA e denigrem os jornalistas simplesmente pelo trabalho que fazem. 

Há evidência crescente de que a sua atitude encoraja outros, da Hungria às Filipinas, à Albânia e ao Canadá. O relatório recorda que, em pouco mais de um ano, foram mortos repórteres na Bulgária, Eslováquia, Rússia e Malta. 

O diário britânico The Guardian, que aqui citamos, complementa os dados da Article 19 com os do Committee to Protect Journalists, segundo o qual 2018 não vai revelar-se como tendo sido melhor para os jornalistas. O caso de Jamal Kashoggi, morto por forças de segurança sauditas em Istambul, é apenas um entre 31 jornalistas assassinados neste ano. 

A Dinamarca surge em primeiro lugar na classificação de liberdade de expressão e informação da Article 19, juntamente com a Noruega, Suíça, Alemanha e Finlândia. 

“Houve declínio substancial na capacidade dos jornalistas fazerem o seu trabalho no Iémen, Burundi, Roménia, Zanzibar e na Turquia  - onde os repórteres admitem em privado que se abstêm de escrever sobre o Presidente Recep Tayyip Erdogan, pelo receio de consequências judiciais.”  (...)

 

 

Mais informação em The Guardian  e a síntese do relatório no site da Article 19

 

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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