Segunda-feira, 10 de Dezembro, 2018
Media

Aumentam leitores de jornais somando digital e papel

Pelo terceiro ano consecutivo, é possível registar um aumento dos leitores da Imprensa em Espanha, que em 2018 ultrapassam os 17,5 milhões  - ou seja, 1,7% acima dos do ano passado. Somando os leitores exclusivos das edições digitais aos que combinam o impresso e o digital, chega-se a 66% do total  - uma subida de quase 6% em relação a 2017. E a audiência digital dos meios de informação situa-se agora nos 331 milhões de utentes únicos em todas as plataformas, o que significa mais 54% do que há três anos.

Estes dados  - que parecem contradizer os que que se referem aos números de circulação -  pertencem ao relatório Claves de la Información 2018, divulgado em Madrid por Javier Moll, presidente da AMI - Asociación de Medios de Información, durante a respectiva Conferência Anual, sob o título de “Conteúdos de qualidade, Jornalismo de verdade”.

Outro ponto positivo é a relativa estabilização do investimento publicitário na Imprensa, devido, sobretudo, ao impulso da publicidade digital, que cresceu mais de 14%. Um dos autores do estudo, Enrique Yarza, presidente da Media Hotline, afirma que, “pela primeira vez depois dos últimos dois anos, o sector consegue travar a queda, mas o êxito dos editores vai depender, em boa medida, da aposta que façam por conteúdos de qualidade, de movimentos corporativos e alianças estratégicas, do arranque de plataformas de comercialização publicitária ou da implantação de paywalls por conteúdos”. 

Por seu lado, a outra co-autora, Concha Iglesias, responsável pelos Media na empresa Deloitte, sublinhou que, “embora o modelo de negócio tradicional se tenha reduzido, no seguimento dos exercícios anteriores, os editores conseguiram manter o seu resultado operativo nos dois últimos anos e, previsivelmente, no exercício de 2018”. 

“E puderam fazê-lo  - acrescentou -  alavancados na sua diferença em relação aos grandes agregadores e oferecendo um serviço de informação integral que mantém 6.909 empregos directos dedicados ao jornalismo de qualidade.” 

Concha Iglesias destacou ainda que a boa gestão e o fortalecimento das marcas tem sido conseguido ao mesmo tempo que evoluem as estruturas de custos: “Podemos dizer que, do ponto de vista empresarial, o sector preparou-se para a esperada concentração e o lançamento das paywalls.”

 

 

Mais informação na EuropaPress,  em La Vanguardia  e Media-tics

Connosco
O fascínio pelas imagens de motins como nova cultura dos Media Ver galeria

Um pequeno video das manifestações em Paris, feito na manhã de 2 de Dezembro e colocado no Twitter, mostra umas dezenas de indivíduos de capuz, a correr na rua, com um fogo em segundo plano. Uma legenda diz que os desordeiros [casseurs, no original] põem a polícia em fuga. Três horas depois de ser publicada, a sequência já teve 45 mil visualizações. À tarde, o contador regista 145 mil e no dia seguinte o dobro, sem contar com a sua reprodução nos media. No YouTube, no Reddit e outros meios semelhantes, estes vídeos chegam facilmente aos milhões.

“Este fascínio pelas imagens de motins  - ou de revolta, segundo o ponto de vista -  é agora chamado riot porn  - designando o prazer (um pouco culpado) de ver ou partilhar um certo tipo de imagens, como o food porn, de pratos de comida, ou o sky porn para imagens do céu e de cenas de pôr-de-sol.”

A reflexão é de Emilie Tôn, em L’Express, num trabalho que aborda o voyeurisme da violência nas ruas, em que todos podemos ser protagonistas, mesmo que involuntários, espectadores ou realizadores de documentário, com um telemóvel na mão.

A “missão impossível” dos repórteres árabes de investigação Ver galeria

A auto-confiança com que actuaram os executores de Jamal Khashoggi tem várias razões, e uma delas tem a ver connosco, jornalistas. Quando chegou, finalmente, a admissão do crime, jornalistas por todo o mundo árabe vieram em defesa de Riade. “Eles não sabiam nada  - mas escreveram o que lhes foi dito que escrevessem. E de cada vez que mudava a versão oficial, eles mudavam a sua para se ajustar, sem embaraço ou hesitação.”

“E não estavam sozinhos. Os sauditas tinham uma segunda linha de defesa: um grupo menor, mas não menos influente, de jornalistas do Ocidente, que tinham passado mais de um ano a contar a história de uma Arábia Saudita reformista, acabada de retocar, de ventos de mudança soprando no deserto, com as suas visões e ambições comoventes louvadas por todo o mundo.”

A reflexão é da jornalista jordana Rana Sabbagh, que está à frente da Rede de Jornalismo de Investigação Árabe (membro da Global Investigative Journalism Network) e foi a primeira mulher árabe a dirigir um jornal político no Médio Oriente, o Jordan Times.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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Perante a bem conhecida e infelizmente bem real crise da comunicação social o Presidente da República questionou, há dias, se o Estado não tem a obrigação de intervir. Para Marcelo Rebelo de Sousa há uma "situação de emergência", que já constitui um problema democrático e de regime. A crise está longe de ser apenas portuguesa: é mundial. E tem sobretudo a ver com o facto de cada vez mais...
Há, na ideia de uma comunicação social estatizada ou ajudada pelo governo, uma contradição incontornável: como pode a imprensa depender da entidade que mais se queixa da imprensa? Uma parte da comunicação social portuguesa – televisão, rádio, imprensa escrita — é deficitária, está endividada e admite “problemas de tesouraria”. Mas acima desse, há outro problema, mais grave:...
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