null, 26 de Maio, 2019
Media

UNESCO publica manual contra a desinformação, para jornalistas

O séc. XXI está a assistir à “armamentização” da informação a uma escala sem precedentes, mas o jornalismo pode contra-atacar. É nestes termos que é apresentado um documento agora tornado disponível pela UNESCO, concebido como um guia prático para editores, jornalistas no terreno e docentes, intitulado Journalism, ‘Fake News’ & Disinformation.

“Este novo manual baseia-se nas percepções e conselhos de especialistas de todo o mundo para lançar luz sobre a poluição da informação e explicar de que modo pode o jornalismo contra-atacar”  - explica Guy Berger, director do departamento de Liberdade de Expressão e Desenvolvimento dos Media da UNESCO.

Segundo a apresentação do texto, que aqui citamos da International Journalists’ Network, trata-se de um guia que descreve as melhores práticas a seguir numa variedade de tópicos, desde regras básicas de fact-checking e verificção das redes sociais até à literacia para os media e o combate à agressão online.

Os docentes de jornalismo podem servir-se dos sete módulos nele desenvolvidos como estrutura de um currículo a usar em aulas, com destaques, exercícios, trabalhos e leituras propostas. 

Os referidos módulos são:  -  Verdade, Confiança e Jornalismo: porque são importantes;  -  Reflexão sobre a “desordem da informação”;  -  Mudanças no jornalismo: a tecnologia digital, as redes sociais e a desinformação;  -  Combate à desinformação pela Literacia para os Media;  -  “Fact checking”;  6  -  Verificação das redes sociais;  -  Combate à agressão online: quando jornalistas e fontes são alvos de ataque. 

“A presente crise da desinformação exige competências avançadas de combate”  - afirma a co-editora do manual, Julie Posetti, do Instituto Reuters, na Universidade de Oxford: 

“Estas implicam a necessidade de ferramentas de alto nível para verificar as fontes, textos, vídeos e imagens das redes sociais, bem como de estratégias de combate ao assédio online, que é cada vez mais obra de campanhas orquestradas de desinformação, apontadas contrra os jornalistas.” 

Julie Posetti foi também co-autora, no início de 2018, do “Breve Guia sobre a História das ‘Fake News’ e Desinformação”, elaborado para o IJN. Segundo explica, estas práticas existem desde a antiga Roma, mas o que é novo hoje “é a velocidade a que circula a desinformação por meio das redes sociais”: 

“A capacidade de qualquer propagandista divulgar material que imita enganosamente o jornalismo, distorce a verdade ou fabrica de alto a baixo palavras e actos, é hoje ilimitada”  - afirmou. 

Sobre o combate às fake news, o documento cita o exemplo criativo de um teste interactivo, usado nas páginas do diário britânico The Guardian, em que são apresentadas diversas afirmações, redigidas pelos jornalistas da casa, entre as quais o leitor deverá idenficar as que são flagrantemente enganosas. 

O Instituto Reuters promove um debate público, em painel, para assinalar o lançamento deste manual pela UNESCO, estando presente, entre outros especialistas, Julie Posetti.

 

O texto aqui citado, no site da IJNet;  e o manual lançado pela UNESCO

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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