Segunda-feira, 10 de Dezembro, 2018
Media

Texto europeu sobre jornalismo contraria delegação russa...

A Comissão sobre Media e Comunidade da Informação, do Conselho da Europa, debateu em Estrasburgo uma proposta de declaração sobre a sustentabilidade financeira do jornalismo de qualidade na era digital, que propõe, entre outras medidas, a criação de “mecanismos de redistribuição entre as plataformas online e as empresas de media” e o apoio a “medidas para contrariar a deterioração progressiva das condições de trabalho dos jornalistas”.

Segundo a Federação Europeia de Jornalistas, a maioria dos participantes esteve de acordo com a definição contida no preâmbulo do documento sobre o que é “jornalismo de qualidade”, mas o texto acabou por ser aceite com “reservas” da delegação russa.

No referido preâmbulo é dito que “o jornalismo de qualidade abrange o espaço de uma informação diversificada, credível, de interesse e actualizada, acessível ao público, e contrasta com a propaganda, a desinformação [misinformation e disinformation] que proliferam, especialmente, nas redes sociais”.  


A delegação russa contestou as referências à propaganda e à desinformação, alegando que estes termos não estão legalmente definidos pelo próprio Conselho da Europa.  


Ainda segundo a notícia da Federação Europeia de Jornalistas, que aqui citamos, isto ocorre no contexto da suspensão da contribuição financeira da Federação Russa para o Conselho da Europa, decorrente da suspensão do seu direito de voto na Assembleia Parlamentar, depois da anexação da Crimeia em 2014.  


“Esta crise financeira tem um impacto significativo sobre os recursos do Conselho da Europa (com redução de 10% dos meios humanos) e alguns receiam mesmo um potencial “afastamento” da Rússia desta organização.”  


O encontro examinou também o presente e as perspectivas da Plataforma para a Protecção do Jornalismo e Segurança dos Jornalistas, que reune informação sobre a luta contra as violações da Liberdade de Imprensa. Ficou registado que, tendo embora já produzido e enviado 500 alertas desde a sua criação, há quatro anos, metade deles não foram seguidos por qualquer resposta pelos Estados membros.  


O Committee to Protect Journalists e o International Media Support, que têm trabalhado em cooperação com a Federação Europeia de Jornalistas, foram aceites como novos observadores.

 

O texto citado, no site da FEJ

Connosco
O fascínio pelas imagens de motins como nova cultura dos Media Ver galeria

Um pequeno video das manifestações em Paris, feito na manhã de 2 de Dezembro e colocado no Twitter, mostra umas dezenas de indivíduos de capuz, a correr na rua, com um fogo em segundo plano. Uma legenda diz que os desordeiros [casseurs, no original] põem a polícia em fuga. Três horas depois de ser publicada, a sequência já teve 45 mil visualizações. À tarde, o contador regista 145 mil e no dia seguinte o dobro, sem contar com a sua reprodução nos media. No YouTube, no Reddit e outros meios semelhantes, estes vídeos chegam facilmente aos milhões.

“Este fascínio pelas imagens de motins  - ou de revolta, segundo o ponto de vista -  é agora chamado riot porn  - designando o prazer (um pouco culpado) de ver ou partilhar um certo tipo de imagens, como o food porn, de pratos de comida, ou o sky porn para imagens do céu e de cenas de pôr-de-sol.”

A reflexão é de Emilie Tôn, em L’Express, num trabalho que aborda o voyeurisme da violência nas ruas, em que todos podemos ser protagonistas, mesmo que involuntários, espectadores ou realizadores de documentário, com um telemóvel na mão.

A “missão impossível” dos repórteres árabes de investigação Ver galeria

A auto-confiança com que actuaram os executores de Jamal Khashoggi tem várias razões, e uma delas tem a ver connosco, jornalistas. Quando chegou, finalmente, a admissão do crime, jornalistas por todo o mundo árabe vieram em defesa de Riade. “Eles não sabiam nada  - mas escreveram o que lhes foi dito que escrevessem. E de cada vez que mudava a versão oficial, eles mudavam a sua para se ajustar, sem embaraço ou hesitação.”

“E não estavam sozinhos. Os sauditas tinham uma segunda linha de defesa: um grupo menor, mas não menos influente, de jornalistas do Ocidente, que tinham passado mais de um ano a contar a história de uma Arábia Saudita reformista, acabada de retocar, de ventos de mudança soprando no deserto, com as suas visões e ambições comoventes louvadas por todo o mundo.”

A reflexão é da jornalista jordana Rana Sabbagh, que está à frente da Rede de Jornalismo de Investigação Árabe (membro da Global Investigative Journalism Network) e foi a primeira mulher árabe a dirigir um jornal político no Médio Oriente, o Jordan Times.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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