null, 26 de Maio, 2019
Media

Texto europeu sobre jornalismo contraria delegação russa...

A Comissão sobre Media e Comunidade da Informação, do Conselho da Europa, debateu em Estrasburgo uma proposta de declaração sobre a sustentabilidade financeira do jornalismo de qualidade na era digital, que propõe, entre outras medidas, a criação de “mecanismos de redistribuição entre as plataformas online e as empresas de media” e o apoio a “medidas para contrariar a deterioração progressiva das condições de trabalho dos jornalistas”.

Segundo a Federação Europeia de Jornalistas, a maioria dos participantes esteve de acordo com a definição contida no preâmbulo do documento sobre o que é “jornalismo de qualidade”, mas o texto acabou por ser aceite com “reservas” da delegação russa.

No referido preâmbulo é dito que “o jornalismo de qualidade abrange o espaço de uma informação diversificada, credível, de interesse e actualizada, acessível ao público, e contrasta com a propaganda, a desinformação [misinformation e disinformation] que proliferam, especialmente, nas redes sociais”.  


A delegação russa contestou as referências à propaganda e à desinformação, alegando que estes termos não estão legalmente definidos pelo próprio Conselho da Europa.  


Ainda segundo a notícia da Federação Europeia de Jornalistas, que aqui citamos, isto ocorre no contexto da suspensão da contribuição financeira da Federação Russa para o Conselho da Europa, decorrente da suspensão do seu direito de voto na Assembleia Parlamentar, depois da anexação da Crimeia em 2014.  


“Esta crise financeira tem um impacto significativo sobre os recursos do Conselho da Europa (com redução de 10% dos meios humanos) e alguns receiam mesmo um potencial “afastamento” da Rússia desta organização.”  


O encontro examinou também o presente e as perspectivas da Plataforma para a Protecção do Jornalismo e Segurança dos Jornalistas, que reune informação sobre a luta contra as violações da Liberdade de Imprensa. Ficou registado que, tendo embora já produzido e enviado 500 alertas desde a sua criação, há quatro anos, metade deles não foram seguidos por qualquer resposta pelos Estados membros.  


O Committee to Protect Journalists e o International Media Support, que têm trabalhado em cooperação com a Federação Europeia de Jornalistas, foram aceites como novos observadores.

 

O texto citado, no site da FEJ

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

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Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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