Segunda-feira, 18 de Fevereiro, 2019
Media

“Desinformação” é a nova palavra do ano

“Desinformação” (misinformation) é a palavra do ano, prosseguindo uma evolução que coloca a questão da verdade  - divulgada ou traída -  no centro dos problemas da comunicação digital. Em 2016, o Dicionário de Oxford tinha escolhido post-truth, a “pós-verdade”. No ano seguinte, o Dicionário Collins votou em fake-news, habitualmente traduzida por “notícias falsas”  - mas significando, de facto, notícias “fictícias”. Agora, o Dictionary.com, um dicionário online fundado em Maio de 1995, escolheu misinformation  - aqui traduzida por “desinformação” à falta de melhor, mas com uma nuance proposta pelos autores:

Assim, misinformation é uma informação falsa mas não intencional, partilhada por pessoas que acreditam no seu conteúdo, enquanto disinformation é intencionalmente enganosa. A notícia é de Daniel Funke, investigador de fact-checking no Poynter Institute.

 “A explosão recente de desinformação e o vocabulário crescente de que nos servimos para a compreender aparecem cada vez mais no trabalho nos nossos lexicógrafos”  - afirma Jane Solomon, linguista no Dictionary.com. “Nos últimos anos temos estado a definir palavras e a actualizar termos relacionados com a evolução do entendimento de desinformação.” (...) 

A empresa cita vários acontecimentos que contribuíram para a escolha de “desinformação” como palavra do ano. Entre eles figuram o continuado papel desempenhado pelo Facebook na divulgação de notícias enganosas, o crescimento da teoria de conspiração QAnon, os boatos espalhados pelo WhatsApp que levaram a motins violentos na Índia e a desinformação generalizada durante as eleições brasileiras. 

O texto desenvolvido no site de Dictionary.com procura esclarecer a diferença entre o sentido das duas palavras, na língua inglesa: 

O termo disinformation designa uma “informação deliberadamente enganosa ou tendenciosa, uma narrativa ou factos manipulados, e propaganda”. Assim, a diferença entre os dois termos tem a ver com a intenção.

“Quando as pessoas espalham misinformation, frequentemente acreditam na informação que estão a partilhar. Por contraste, a disinformation é espalhada com a intenção de enganar os outros. (...) Tudo depende de quem faz a partilha, e por que motivo.”

Para complicar as coisas, “se um político espalha estrategicamente informação que sabe ser falsa, na forma de artigos, fotos, ou outra, isso é disinformation. Mas quando um indivíduo a encontra, acredita nela e a partilha, está a fazer misinformation.” (...)

O texto que citamos, de Dictionary.com, recorda ainda que os que se dedicam a combater a desinformação expõem-se a ser atacados online:

Claire Ward, co-fundadora e directora do site de combate à desinformação First Dratf, contou à Columbia Journalism Review que os jornalistas que aí trabalham não assinam os seus tabalhos, por causa da ameaça de agressão online. “De cada vez que uma pessoa tenta dizer  - ‘Isto não é verdade!’ -  arranja uma quantidade de inimigos.” [haters, no original]

“Num mundo cheio de desinformação, é fácil recusar os factos que não confirmam os nossos próprios pontos de vista.”

 

O artigo original, no poynter.org, e a exposição em dictionary.com, que abre com um vídeo explicativo

Connosco
Os "clicks" são um sismógrafo de pouca confiança... Ver galeria

Num ambiente mediático saturado de notícias, os leitores valorizam mais as que lhes são pessoalmente pertinentes  - e isto não pode ser definido, numa redacção, medindo os clicks.

“As pessoas abrem frequentemente artigos que são divertidos, ou triviais, ou estranhos, sem sentido cívico evidente. Mas mantêm uma noção clara da diferença entre o que é trivial e o que é importante. De modo geral, querem estar informadas sobre o que se passa à sua volta, a nível local, nacional e internacional.”

A reflexão é de Kim Christian Schroder, um investigador dinamarquês que passou metade do ano de 2018 em Oxford, fazendo para o Reuters Institute um estudo sobre a relevância das notícias para os leitores  - e o que isso aconselha às redacções.

“Na medida em que queiram dar prioridade às notícias com valor cívico, os jornalistas fazem melhor em confiar no seu instinto do que nesse sismógrafo de pouca confiança que são as listas dos textos ‘mais lidos’.”

Jorge Soares em Fevereiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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