Segunda-feira, 10 de Dezembro, 2018
Media

Empresa do Diário de Notícias assume "dificuldades de tesouraria"

Na sequência de notícias relacionadas com a situação financeira do Global Media Group, e após informação aos trabalhadores sobre o adiamento do subsídio de Natal, uma delegação do Sindicato dos Jornalistas reuniu-se com o administrador do Grupo, Vítor Ribeiro, e o director-geral de conteúdos, Afonso Camões. O administrador confirmou as dificuldades de tesouraria, mas garantiu que o subsídio de Natal será pago até 7 de Dezembro. Afirmou que as referidas dificuldades “decorrem da conjuntura do mercado dos media, em Portugal e no mundo, afectado pela diminuição da circulação paga, pelo aumento do custo do papel e pela perda de receitas publicitárias”  - esta agravada pela absorção de receitas pelos gigantes tecnológicos Google e Facebook.

Segundo o comunicado do SJ, uma das apostas do novo investidor no GMG [o empresário de Macau Kevin Ho] foi a reformulação do Diário de Notícias, que passou de jornal diário a semanário. Vítor Ribeiro disse que os números de vendas não estão a corresponder às expectativas e às estimativas, mas garantiu que o DN “vai ter sempre de existir em papel, mas tem de crescer no digital”.

A delegação do Sindicato dos Jornalistas a esta reunião “era composta por três dirigentes sindicais e pela delegada sindical do jornal O Jogo (o delegado sindical do Diário de Notícias não pôde comparecer, por motivos de agenda)”. 

“O SJ questionou ainda a administração do Grupo sobre a alteração na data de pagamento aos colaboradores, que passou a ser feito ao dia 5 de cada mês, mas sobre este ponto Vítor Ribeiro não assumiu qualquer compromisso.” 

Nos termos do mesmo comunicado , o Sindicato “questionou o responsável sobre os investimentos feitos desde a entrada, no capital da empresa, há um ano, do empresário de Macau Kevin Ho”: 

“Vítor Ribeiro revelou que foram feitas apostas noutras áreas de negócios, nomeadamente no Gaming e Gambling (plataforma de jogos e apostas online) e no canal V Digital, que ainda não deram retorno financeiro: no primeiro caso devido a dificuldades burocráticas de arrancar com o negócio, que estão a ser resolvidas; no segundo, porque ‘tem só quatro meses de actividade’ e ainda não se impôs.” (...) 

“O Sindicato de Jornalistas manifestou à administração do GMG preocupação com o futuro dos trabalhadores do Grupo, sublinhando que as empresas nas quais trabalham já foram alvo, ao longo dos anos, de vários processos de despedimento, justificados por problemas financeiros decorrentes do decréscimo de receitas publicitárias e vendas de jornais, da venda de posições accionistas e da conjuntura económica desfavorável.” 

“No entender do SJ, a essas juntam-se actos de gestão tomados sem uma avisada avaliação de risco, que acabaram por comprometer a saúde financeira das empresas e, sobretudo, os postos de trabalho. O administrador admitiu que há apostas a rever e alterar e garantiu que todas as decisões foram tomadas tendo por base estudos de mercado.” (...) 

A concluir, o Sindicato apela aos trabalhadores do GMG “para se organizarem em estruturas representativas, elegendo delegados sindicais, conselhos de redacção e comissões de trabalhadores, de modo a que melhor possam assegurar a defesa dos seus direitos”.

 

Informação no Observador e na M&P  e o comunicado do SJ

Connosco
O fascínio pelas imagens de motins como nova cultura dos Media Ver galeria

Um pequeno video das manifestações em Paris, feito na manhã de 2 de Dezembro e colocado no Twitter, mostra umas dezenas de indivíduos de capuz, a correr na rua, com um fogo em segundo plano. Uma legenda diz que os desordeiros [casseurs, no original] põem a polícia em fuga. Três horas depois de ser publicada, a sequência já teve 45 mil visualizações. À tarde, o contador regista 145 mil e no dia seguinte o dobro, sem contar com a sua reprodução nos media. No YouTube, no Reddit e outros meios semelhantes, estes vídeos chegam facilmente aos milhões.

“Este fascínio pelas imagens de motins  - ou de revolta, segundo o ponto de vista -  é agora chamado riot porn  - designando o prazer (um pouco culpado) de ver ou partilhar um certo tipo de imagens, como o food porn, de pratos de comida, ou o sky porn para imagens do céu e de cenas de pôr-de-sol.”

A reflexão é de Emilie Tôn, em L’Express, num trabalho que aborda o voyeurisme da violência nas ruas, em que todos podemos ser protagonistas, mesmo que involuntários, espectadores ou realizadores de documentário, com um telemóvel na mão.

A “missão impossível” dos repórteres árabes de investigação Ver galeria

A auto-confiança com que actuaram os executores de Jamal Khashoggi tem várias razões, e uma delas tem a ver connosco, jornalistas. Quando chegou, finalmente, a admissão do crime, jornalistas por todo o mundo árabe vieram em defesa de Riade. “Eles não sabiam nada  - mas escreveram o que lhes foi dito que escrevessem. E de cada vez que mudava a versão oficial, eles mudavam a sua para se ajustar, sem embaraço ou hesitação.”

“E não estavam sozinhos. Os sauditas tinham uma segunda linha de defesa: um grupo menor, mas não menos influente, de jornalistas do Ocidente, que tinham passado mais de um ano a contar a história de uma Arábia Saudita reformista, acabada de retocar, de ventos de mudança soprando no deserto, com as suas visões e ambições comoventes louvadas por todo o mundo.”

A reflexão é da jornalista jordana Rana Sabbagh, que está à frente da Rede de Jornalismo de Investigação Árabe (membro da Global Investigative Journalism Network) e foi a primeira mulher árabe a dirigir um jornal político no Médio Oriente, o Jordan Times.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
O Presidente Marcelo é um dos poucos políticos portugueses com legitimidade para colocar a questão dos apoios do estado à produção jornalística porque ele é produtor e produto do sistema mediático.A sua biografia confunde-se com a liberdade de imprensa e a pergunta que Marcelo faz é, para ele, uma questão de consciência presidencial.Dito isto, pergunto:O que diríamos nós se fosse Donald Trump a...
Perante a bem conhecida e infelizmente bem real crise da comunicação social o Presidente da República questionou, há dias, se o Estado não tem a obrigação de intervir. Para Marcelo Rebelo de Sousa há uma "situação de emergência", que já constitui um problema democrático e de regime. A crise está longe de ser apenas portuguesa: é mundial. E tem sobretudo a ver com o facto de cada vez mais...
Há, na ideia de uma comunicação social estatizada ou ajudada pelo governo, uma contradição incontornável: como pode a imprensa depender da entidade que mais se queixa da imprensa? Uma parte da comunicação social portuguesa – televisão, rádio, imprensa escrita — é deficitária, está endividada e admite “problemas de tesouraria”. Mas acima desse, há outro problema, mais grave:...
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