null, 26 de Maio, 2019
Media

Empresa do Diário de Notícias assume "dificuldades de tesouraria"

Na sequência de notícias relacionadas com a situação financeira do Global Media Group, e após informação aos trabalhadores sobre o adiamento do subsídio de Natal, uma delegação do Sindicato dos Jornalistas reuniu-se com o administrador do Grupo, Vítor Ribeiro, e o director-geral de conteúdos, Afonso Camões. O administrador confirmou as dificuldades de tesouraria, mas garantiu que o subsídio de Natal será pago até 7 de Dezembro. Afirmou que as referidas dificuldades “decorrem da conjuntura do mercado dos media, em Portugal e no mundo, afectado pela diminuição da circulação paga, pelo aumento do custo do papel e pela perda de receitas publicitárias”  - esta agravada pela absorção de receitas pelos gigantes tecnológicos Google e Facebook.

Segundo o comunicado do SJ, uma das apostas do novo investidor no GMG [o empresário de Macau Kevin Ho] foi a reformulação do Diário de Notícias, que passou de jornal diário a semanário. Vítor Ribeiro disse que os números de vendas não estão a corresponder às expectativas e às estimativas, mas garantiu que o DN “vai ter sempre de existir em papel, mas tem de crescer no digital”.

A delegação do Sindicato dos Jornalistas a esta reunião “era composta por três dirigentes sindicais e pela delegada sindical do jornal O Jogo (o delegado sindical do Diário de Notícias não pôde comparecer, por motivos de agenda)”. 

“O SJ questionou ainda a administração do Grupo sobre a alteração na data de pagamento aos colaboradores, que passou a ser feito ao dia 5 de cada mês, mas sobre este ponto Vítor Ribeiro não assumiu qualquer compromisso.” 

Nos termos do mesmo comunicado , o Sindicato “questionou o responsável sobre os investimentos feitos desde a entrada, no capital da empresa, há um ano, do empresário de Macau Kevin Ho”: 

“Vítor Ribeiro revelou que foram feitas apostas noutras áreas de negócios, nomeadamente no Gaming e Gambling (plataforma de jogos e apostas online) e no canal V Digital, que ainda não deram retorno financeiro: no primeiro caso devido a dificuldades burocráticas de arrancar com o negócio, que estão a ser resolvidas; no segundo, porque ‘tem só quatro meses de actividade’ e ainda não se impôs.” (...) 

“O Sindicato de Jornalistas manifestou à administração do GMG preocupação com o futuro dos trabalhadores do Grupo, sublinhando que as empresas nas quais trabalham já foram alvo, ao longo dos anos, de vários processos de despedimento, justificados por problemas financeiros decorrentes do decréscimo de receitas publicitárias e vendas de jornais, da venda de posições accionistas e da conjuntura económica desfavorável.” 

“No entender do SJ, a essas juntam-se actos de gestão tomados sem uma avisada avaliação de risco, que acabaram por comprometer a saúde financeira das empresas e, sobretudo, os postos de trabalho. O administrador admitiu que há apostas a rever e alterar e garantiu que todas as decisões foram tomadas tendo por base estudos de mercado.” (...) 

A concluir, o Sindicato apela aos trabalhadores do GMG “para se organizarem em estruturas representativas, elegendo delegados sindicais, conselhos de redacção e comissões de trabalhadores, de modo a que melhor possam assegurar a defesa dos seus direitos”.

 

Informação no Observador e na M&P  e o comunicado do SJ

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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