Segunda-feira, 10 de Dezembro, 2018
Tecnologia

Inteligência Artificial debatida no I Fórum em Madrid

A inteligência artificial vai chegar a ser igual, diferente ou superior à inteligência humana? Foi por estes patamares que passaram alguns dos debates ocorridos durante o primeiro Fórum sobre Inteligência Artificial realizado em Madrid, por iniciativa da revista de divulgação de ciência e tecnologia Muy Interesante. Estavam presentes muitos especialistas do sector, além de representação da empresa Huawei, que está a desenvolver esta tecnologia nos seus smartphones e patrocinou o evento.

A inteligência artificial “está a escrever o prólogo da sua própria história, pelo que há mais perguntas do que certezas” num tema que “desperta tantas paixões como temores”. É nestes termos que se situa o debate, segundo a introdução do texto de Media-tics, que aqui citamos

Talvez a opinião mais contundente sobre uma das grandes questões que dizem respeito à inteligência artificial tenha sido a de José Luis Cordeiro, polémico engenheiro do MIT – Massachusetts Institute of Technology e docente na Singularity University:
“Vamos ter máquinas mais inteligentes do que os humanos, e trata-se de uma questão de tempo.” 

A isto respondeu Fabio Arena, da Huawei, para quem as máquinas nunca irão “ultrapassar o ser humano, ou pô-lo de lado”, basicamente porque ambas trabalham a par e “são precisas pessoas para configurar este machine learning”. 

Opinião semelhante foi defendida por Juan Manuel Nieves, jornalista de tecnologia no ABC, que sublinhou a importância da “vantagem adaptativa”; neste caso, são as pessoas que têm a capacidade de reagir instantaneamente aos estímulos do ambiente, o que as máquinas não são capazes de fazer. 

Nuria Oliver, docente no Media Lab do MIT e recentemente nomeada a Engenheira do Ano pelo Colegio Oficial de Ingenieros de Telecomunicaciones, explicou que “não é necessário reproduzir a inteligência humana para que a IA já esteja a transformar as nossas vidas e experiência vital”, como uma tecnologia “transversal”, que obriga a trabalhar com equipas multidisciplinares, envolvendo não só os informáticos mas também “especialistas em ética, psicologia, antropologia, economia ou direito”. (...) 

José Luis Cordeiro, autor da primeira intervenção citada, segue esta linha de que a IA não tem de ser uma inteligência igual à humana, mas nos seguintes termos: 

“Os aviões voam  - não como os pássaros, mas voam. Os submarinos navegam  - não nadam como os peixes, mas navegam. A inteligência artificial vai ser distinta da inteligência humana, mas superior.” 

Ficam as dúvidas. 


O artigo citado, em Media-tics

Connosco
O fascínio pelas imagens de motins como nova cultura dos Media Ver galeria

Um pequeno video das manifestações em Paris, feito na manhã de 2 de Dezembro e colocado no Twitter, mostra umas dezenas de indivíduos de capuz, a correr na rua, com um fogo em segundo plano. Uma legenda diz que os desordeiros [casseurs, no original] põem a polícia em fuga. Três horas depois de ser publicada, a sequência já teve 45 mil visualizações. À tarde, o contador regista 145 mil e no dia seguinte o dobro, sem contar com a sua reprodução nos media. No YouTube, no Reddit e outros meios semelhantes, estes vídeos chegam facilmente aos milhões.

“Este fascínio pelas imagens de motins  - ou de revolta, segundo o ponto de vista -  é agora chamado riot porn  - designando o prazer (um pouco culpado) de ver ou partilhar um certo tipo de imagens, como o food porn, de pratos de comida, ou o sky porn para imagens do céu e de cenas de pôr-de-sol.”

A reflexão é de Emilie Tôn, em L’Express, num trabalho que aborda o voyeurisme da violência nas ruas, em que todos podemos ser protagonistas, mesmo que involuntários, espectadores ou realizadores de documentário, com um telemóvel na mão.

A “missão impossível” dos repórteres árabes de investigação Ver galeria

A auto-confiança com que actuaram os executores de Jamal Khashoggi tem várias razões, e uma delas tem a ver connosco, jornalistas. Quando chegou, finalmente, a admissão do crime, jornalistas por todo o mundo árabe vieram em defesa de Riade. “Eles não sabiam nada  - mas escreveram o que lhes foi dito que escrevessem. E de cada vez que mudava a versão oficial, eles mudavam a sua para se ajustar, sem embaraço ou hesitação.”

“E não estavam sozinhos. Os sauditas tinham uma segunda linha de defesa: um grupo menor, mas não menos influente, de jornalistas do Ocidente, que tinham passado mais de um ano a contar a história de uma Arábia Saudita reformista, acabada de retocar, de ventos de mudança soprando no deserto, com as suas visões e ambições comoventes louvadas por todo o mundo.”

A reflexão é da jornalista jordana Rana Sabbagh, que está à frente da Rede de Jornalismo de Investigação Árabe (membro da Global Investigative Journalism Network) e foi a primeira mulher árabe a dirigir um jornal político no Médio Oriente, o Jordan Times.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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