Segunda-feira, 18 de Fevereiro, 2019
Tecnologia

Inteligência Artificial debatida no I Fórum em Madrid

A inteligência artificial vai chegar a ser igual, diferente ou superior à inteligência humana? Foi por estes patamares que passaram alguns dos debates ocorridos durante o primeiro Fórum sobre Inteligência Artificial realizado em Madrid, por iniciativa da revista de divulgação de ciência e tecnologia Muy Interesante. Estavam presentes muitos especialistas do sector, além de representação da empresa Huawei, que está a desenvolver esta tecnologia nos seus smartphones e patrocinou o evento.

A inteligência artificial “está a escrever o prólogo da sua própria história, pelo que há mais perguntas do que certezas” num tema que “desperta tantas paixões como temores”. É nestes termos que se situa o debate, segundo a introdução do texto de Media-tics, que aqui citamos

Talvez a opinião mais contundente sobre uma das grandes questões que dizem respeito à inteligência artificial tenha sido a de José Luis Cordeiro, polémico engenheiro do MIT – Massachusetts Institute of Technology e docente na Singularity University:
“Vamos ter máquinas mais inteligentes do que os humanos, e trata-se de uma questão de tempo.” 

A isto respondeu Fabio Arena, da Huawei, para quem as máquinas nunca irão “ultrapassar o ser humano, ou pô-lo de lado”, basicamente porque ambas trabalham a par e “são precisas pessoas para configurar este machine learning”. 

Opinião semelhante foi defendida por Juan Manuel Nieves, jornalista de tecnologia no ABC, que sublinhou a importância da “vantagem adaptativa”; neste caso, são as pessoas que têm a capacidade de reagir instantaneamente aos estímulos do ambiente, o que as máquinas não são capazes de fazer. 

Nuria Oliver, docente no Media Lab do MIT e recentemente nomeada a Engenheira do Ano pelo Colegio Oficial de Ingenieros de Telecomunicaciones, explicou que “não é necessário reproduzir a inteligência humana para que a IA já esteja a transformar as nossas vidas e experiência vital”, como uma tecnologia “transversal”, que obriga a trabalhar com equipas multidisciplinares, envolvendo não só os informáticos mas também “especialistas em ética, psicologia, antropologia, economia ou direito”. (...) 

José Luis Cordeiro, autor da primeira intervenção citada, segue esta linha de que a IA não tem de ser uma inteligência igual à humana, mas nos seguintes termos: 

“Os aviões voam  - não como os pássaros, mas voam. Os submarinos navegam  - não nadam como os peixes, mas navegam. A inteligência artificial vai ser distinta da inteligência humana, mas superior.” 

Ficam as dúvidas. 


O artigo citado, em Media-tics

Connosco
Os "clicks" são um sismógrafo de pouca confiança... Ver galeria

Num ambiente mediático saturado de notícias, os leitores valorizam mais as que lhes são pessoalmente pertinentes  - e isto não pode ser definido, numa redacção, medindo os clicks.

“As pessoas abrem frequentemente artigos que são divertidos, ou triviais, ou estranhos, sem sentido cívico evidente. Mas mantêm uma noção clara da diferença entre o que é trivial e o que é importante. De modo geral, querem estar informadas sobre o que se passa à sua volta, a nível local, nacional e internacional.”

A reflexão é de Kim Christian Schroder, um investigador dinamarquês que passou metade do ano de 2018 em Oxford, fazendo para o Reuters Institute um estudo sobre a relevância das notícias para os leitores  - e o que isso aconselha às redacções.

“Na medida em que queiram dar prioridade às notícias com valor cívico, os jornalistas fazem melhor em confiar no seu instinto do que nesse sismógrafo de pouca confiança que são as listas dos textos ‘mais lidos’.”

Jorge Soares em Fevereiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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