Sexta-feira, 22 de Fevereiro, 2019
Media

Quando os responsáveis de comunicação "dispensam" a Imprensa...

Há uma frase atribuída a um dirigente do regime franquista, em Espanha, que terá dito num evento oficial: “Já chegaram os jornalistas? Coitados, que venham e comam qualquer coisa.” Era a imagem que tinha a profissão, dos “pobres” que, além de submetidos a uma censura rigorosa, vinham de um estatuto social muito baixo. Nesta era digital, podemos estar a voltar a coisas piores. Já não temos censura, mas poucas vezes na História a verdade foi tão maltratada. A reflexão é de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics, que começa por citar um estudo do Washington Post, segundo o qual são agora as empresas que “dispensam” a Imprensa e o no comment se tornou a resposta mais habitual.

O mesmo jornal refere uma outra frase, esta de Alan Murray, que trabalhou em The Wall Street Journal, antes de assumir a direcção da Fortune, e resume deste modo o estado de coisas: “Primeiro, não confiam em nós. Segundo, não precisam de nós.”

Como explica a seguir, a forma mais habitual hoje em dia, nos EUA, para contactar com as empresas, é mandar um e-mail a uma caixa de correio que pergunta, automaticamente, qual é o “ângulo” da história, e pede que ponha as perguntas por escrito. “Agora é assim 60% ou 70% das vezes”  - diz Joe Nocera, da Bloomberg

“Os jornalistas têm a impressão de que as empresas evitam o acesso e mantêm a Imprensa à distância. A reportagem cita uma grande lista de empresas que se negaram a responder às perguntas de um repórter. E sublinha que as tecnológicas são das que mostram pior comportamento. A consultora CEB fez um inquérito em que verificou que só 17% do tempo dos directores de comunicação é utilizado em relações com os media  - e esta percentagem está a diminuir.” 

O jornal The Washington Post destaca que os executivos de topo vivem num meio em que não é tolerado um risco como aquele que representam as histórias negativas colhidas nas redes sociais. 

Esta situação está a levar cada vez mais jornalistas para a comunicação institucional ou empresarial, como se constata também no Relatório Anual da Profissão Jornalística, elaborado pela APM - Asociación de la Prensa de Madrid

E um estudo de Cégolène Frisque, da Universidade de Nantes, revela outra coisa talvez pior, a de muitos jornalistas franceses estarem a fazer trabalhos de comunicação empresarial ao mesmo tempo que se dedicam ao jornalismo de Informação geral. 

Miguel Ormaetxea conclui o seu texto com referência a “sintomas preocupantes” no seu país, como as conferências de Imprensa sem perguntas e a apresentação de resultados por parte das grandes empresas sem ter em conta as coincidências que dificultam o trabalho dos jornalistas  -  como tem denunciado a APIE - Asociación de Periodistas de Información Económica.

 

 

O artigo citado, em Media-tics

Connosco
Jorge Soares em Fevereiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

Expressiva manifestação em Bratislava evocando jornalista morto Ver galeria
“Esperamos respostas tão breve quanto possível, porque ainda há muitas questões”  - afirmou.
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


ver mais >
Opinião
Adoro imprensa…
Manuel Falcão
Sou um apaixonado leitor de imprensa, quer de jornais quer de revistas, e gosto de seguir o que se publica. A edição mais recente da revista Time tem por título de capa "The Art Of Optimism" e apresenta 34 pessoas que são relevantes e inspiracionais, na sociedade norte-americana, mostrando o que estão a fazer. A edição é cuidada e permite-nos ter de forma sintética um retrato daquilo que tantas vezes passa despercebido. O...
Os actuais detentores da Global Media, proprietária do Diário de Noticias e do Jornal de Noticias, além da TSF e de outros títulos, parecem estar a especializar-se como uma espécie  de “comissão  liquidatária” da empresa. Depois de alienarem  o edifício-sede histórico do Diário de Noticias , construído de raiz para albergar aquele jornal centenário,  segundo um projecto de Pardal...
Zé Manel, o talento e a sensualidade
António Gomes de Almeida
Geralmente considerado um dos mais talentosos ilustradores portugueses, a sua arte manifestou-se sob várias facetas, desde as Capas e as Ilustrações de Livros à Banda Desenhada, aos Cartazes, ao Cartoon, à Caricatura e, até, ao Vitral. E será, provavelmente, essa dispersão por tantos meios de expressão da sua Arte que fez com que demorasse algum tempo, antes de ser tão conhecido do grande público, e de ter a...
Jornalismo a meia-haste
Graça Franco
Atropelados pela ditadura do entretenimento, podemos enquanto “informadores” desde já colocar a bandeira a meia-haste. O jornalismo não está a morrer. Está a cometer suicídio em direto. Temi que algum jornalista se oferecesse para partilhar a cadeia com Armando Vara, só para ver como este se sentia “já lá dentro”. A porta ia-se fechando, em câmara lenta, e o enxame de microfones não largava a presa. O...
Há, na ideia de uma comunicação social estatizada ou ajudada pelo governo, uma contradição incontornável: como pode a imprensa depender da entidade que mais se queixa da imprensa? Uma parte da comunicação social portuguesa – televisão, rádio, imprensa escrita — é deficitária, está endividada e admite “problemas de tesouraria”. Mas acima desse, há outro problema, mais grave:...
Agenda
26
Fev
Digital Summit Seattle
09:00 @ Seattle, EUA
02
Mar
LinkedIn para Jornalistas
09:00 @ Cenjor, Lisboa
04
Mar
Simpósio de Radiodifusão Digital da ABU
09:00 @ Kuala Lumpur, Malásia