Quarta-feira, 23 de Outubro, 2019
Memória

Para Alberto Dines, “o jornalismo era o próprio sentido da vida”

Cada história é uma vida, e algumas delas são muito especiais. “Alberto Dines foi autor e protagonista de uma dessas trajectórias incomuns: um intelectual visceral, que usou a sua inteligência e lucidez não para disputar uma partida, mas para mudar o jogo.” Sob o título “Uma vida sem ponto final”, um dos seus numerosos discípulos, Bruno Thys, evoca com a saudade de uma relação muito pessoal o percurso e obra de Alberto Dines, falecido em São Paulo em Maio deste ano.

O autor do texto que citamos valoriza uma parte da biografia menos mencionada de Alberto Dines, a que o coloca numa linhagem de judeus emigrados de uma Europa em várias convulsões:

“Dines tornou-se uma das mais cintilantes estrelas de sua geração, a primeira de judeus nascidos no Brasil. (...) Da geração de seus pais, herdou a cultura ancestral. Dines tinha sólida formação humanística e as suas raízes remontam à Haskalá, o iluminismo judaico que floresceu na Europa Ocidental nos séculos XVIII e XIX. Este movimento pregava a interacção da sabedoria judaica com a cultura europeia e produziu nomes como Einstein, Freud, Herzel e Stefan Zweig, o grande biógrafo austríaco, que, muitos anos depois, seria biografado por Dines.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

“Alberto Dines elevou o patamar da Imprensa no Brasil. Ele entendia que a credibilidade e a força dos [meios] de comunicação, notadamente dos jornais, seria tão maior quanto fosse a sua capacidade de se comparar aos concorrentes, acolher a crítica dos seus leitores e de se autocriticar. Ainda no JB, lançou os Cadernos de Jornalismo e Comunicação, voltados para a reflexão da Imprensa brasileira. Foi também idealizador da coluna Jornal dos jornais na Folha de S.Paulo, que daria origem à figura do ombudsman. Em 1996, criaria o Observatório da Imprensa, que já nasceu na Internet, também destinado ao debate sobre a actividade no país.” 

“Poucos profissionais se movimentavam com tanta personalidade e desembaraço pelos campos teóricos e práticos da profissão. Jornalismo para ele não era uma actividade, mas o próprio sentido da vida. Tinha conhecimento técnico e sensibilidade para escolher e editar, apurar, entender, processar, produzir e distribuir ou, mais modernamente, compartilhar. Fazia tudo isso com muita paixão. Para Dines, a função do jornalismo, pilar da sociedade moderna, era a de informar e de ajudar a formar o cidadão.” (...) 

Sobre o seu percurso académico, Bruno Thys recorda que Alberto Dines foi professor em universidades brasileiras, deu aulas na Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos, e criou o Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo, na Unicamp, que se tornou referência na América Latina. 

“Ou seja, Dines alternava sua presença no front e no quartel. Aliava visão crítica e honestidade intelectual sem filtros ideológicos, mas humanísticos. Era um ser humano com raízes profundas e muitas vezes se voltava ao passado para dirimir dúvidas do presente ou enfrentar questionamentos sobre o futuro. Costumava citar um texto de 1808 de Hipólito José da Costa, patrono da imprensa no Brasil, quando indagado sobre o papel do jornalista: ‘o primeiro dever do homem em sociedade é ser útil aos membros dela’, dizia.” (...) 

A chegar ao fim do seu texto de evocação  - e anunciando o próximo -  Bruno Thys afirma que “ainda é cedo para escrever sobre ele”: 

“A sua vida teve um ponto final, mas a sua obra é eterna. Alberto Dines foi um dos grandes nomes do jornalismo. Seu maior legado terá sido mostrar, com seu próprio exemplo, que a pauta de nossas vidas deve ser questionada e subvertida ininterruptamente e entender a evolução como uma jornada. Jamais parar de aprender.” (...)

 

 

O texto aqui citado, na íntegra, no Observatório da Imprensa do Brasil

Connosco
Jornalistas deverão estar prevenidos para identificar e corrigir notícias falsas... Ver galeria

Existem várias lacunas na pesquisa de desinformação política e os debates contínuos sobre o que constitui as fake news e a sua classificação acabam por ser uma distracção, desviando as atenções das “questões críticas” relacionadas com o problema.

É importante reconhecer que as fake news existem, que estamos expostos a essas falsas informações, mas, se quisermos combatê-las, é indispensável procurar a sua origem, a sua forma de disseminação e analisar as consequências sociais e políticas.

É, ainda, imprescindível que os jornalistas estejam preparados e informados para não colaborarem na propagação deste tipo de informação.

Por vezes, o objectivo que se esconde em algumas fake news é que os media acabem por disseminá-las, acelerando a sua difusão. Por esse motivo, foi identificado o chamado “ponto de inflexão”, que representa o momento em que a história deixa de ser partilhada exclusivamente em “nichos” e acaba por atingir uma dimensão maior, alcançando várias comunidades. 

A jornalista Laura Hazard Owen abordou o tema num texto publicado no NiemanLab, no qual também faz referências à melhor forma de reconhecer os de conteúdos manipulados.

Suspensão de acordo do “Brexit” dividiu a imprensa britânica Ver galeria

Suspensa a aprovação do acordo no Parlamento britânico até que haja a regulamentação apropriada, a imprensa londrina apresentou-se dividida em relação ao Brexit.

Por um lado, a esperança de evitar um “não acordo” e uma saída abrupta, por outro a exaltação em relação à votação. 

Os media ingleses evidenciaram posições antagónicas em relação aos últimos acontecimentos e isso foi claro pela forma como abordaram a situação. 

Enquanto que o Sunday Express assumiu uma postura pró-Brexit e foi mais hostil com os deputados, acusando-os de atrasarem o processo, o Independent preferiu focar-se nas ruas, onde perto de um milhão de cidadãos se manifestaram para exigir que lhes seja dada a palavra final. Por sua vez, o Observer realçou a derrota do primeiro ministro, que se viu forçado a suspender a aprovação do acordo.

Le Monde publicou, entretanto, um texto no qual é feita uma análise dos media britânicos neste contexto.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
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Fotojornalismo e Direitos de Autor
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Nov
Connections Europe
09:00 @ Marriott Hotel, Amsterdão
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Nov