Segunda-feira, 16 de Dezembro, 2019
Memória

Para Alberto Dines, “o jornalismo era o próprio sentido da vida”

Cada história é uma vida, e algumas delas são muito especiais. “Alberto Dines foi autor e protagonista de uma dessas trajectórias incomuns: um intelectual visceral, que usou a sua inteligência e lucidez não para disputar uma partida, mas para mudar o jogo.” Sob o título “Uma vida sem ponto final”, um dos seus numerosos discípulos, Bruno Thys, evoca com a saudade de uma relação muito pessoal o percurso e obra de Alberto Dines, falecido em São Paulo em Maio deste ano.

O autor do texto que citamos valoriza uma parte da biografia menos mencionada de Alberto Dines, a que o coloca numa linhagem de judeus emigrados de uma Europa em várias convulsões:

“Dines tornou-se uma das mais cintilantes estrelas de sua geração, a primeira de judeus nascidos no Brasil. (...) Da geração de seus pais, herdou a cultura ancestral. Dines tinha sólida formação humanística e as suas raízes remontam à Haskalá, o iluminismo judaico que floresceu na Europa Ocidental nos séculos XVIII e XIX. Este movimento pregava a interacção da sabedoria judaica com a cultura europeia e produziu nomes como Einstein, Freud, Herzel e Stefan Zweig, o grande biógrafo austríaco, que, muitos anos depois, seria biografado por Dines.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

“Alberto Dines elevou o patamar da Imprensa no Brasil. Ele entendia que a credibilidade e a força dos [meios] de comunicação, notadamente dos jornais, seria tão maior quanto fosse a sua capacidade de se comparar aos concorrentes, acolher a crítica dos seus leitores e de se autocriticar. Ainda no JB, lançou os Cadernos de Jornalismo e Comunicação, voltados para a reflexão da Imprensa brasileira. Foi também idealizador da coluna Jornal dos jornais na Folha de S.Paulo, que daria origem à figura do ombudsman. Em 1996, criaria o Observatório da Imprensa, que já nasceu na Internet, também destinado ao debate sobre a actividade no país.” 

“Poucos profissionais se movimentavam com tanta personalidade e desembaraço pelos campos teóricos e práticos da profissão. Jornalismo para ele não era uma actividade, mas o próprio sentido da vida. Tinha conhecimento técnico e sensibilidade para escolher e editar, apurar, entender, processar, produzir e distribuir ou, mais modernamente, compartilhar. Fazia tudo isso com muita paixão. Para Dines, a função do jornalismo, pilar da sociedade moderna, era a de informar e de ajudar a formar o cidadão.” (...) 

Sobre o seu percurso académico, Bruno Thys recorda que Alberto Dines foi professor em universidades brasileiras, deu aulas na Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos, e criou o Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo, na Unicamp, que se tornou referência na América Latina. 

“Ou seja, Dines alternava sua presença no front e no quartel. Aliava visão crítica e honestidade intelectual sem filtros ideológicos, mas humanísticos. Era um ser humano com raízes profundas e muitas vezes se voltava ao passado para dirimir dúvidas do presente ou enfrentar questionamentos sobre o futuro. Costumava citar um texto de 1808 de Hipólito José da Costa, patrono da imprensa no Brasil, quando indagado sobre o papel do jornalista: ‘o primeiro dever do homem em sociedade é ser útil aos membros dela’, dizia.” (...) 

A chegar ao fim do seu texto de evocação  - e anunciando o próximo -  Bruno Thys afirma que “ainda é cedo para escrever sobre ele”: 

“A sua vida teve um ponto final, mas a sua obra é eterna. Alberto Dines foi um dos grandes nomes do jornalismo. Seu maior legado terá sido mostrar, com seu próprio exemplo, que a pauta de nossas vidas deve ser questionada e subvertida ininterruptamente e entender a evolução como uma jornada. Jamais parar de aprender.” (...)

 

 

O texto aqui citado, na íntegra, no Observatório da Imprensa do Brasil

Connosco
A cientista Fabiola Gianotti recebeu Prémio Helena Vaz da Silva Ver galeria

O Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian acolheu novamente a cerimónia de entrega do  Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, atribuído , este ano, a Fabiola Gianotti,  cientista italiana em Física de partículas e primeira mulher nomeada directora-geral do Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), por ter contribuido para a divulgação da cultura científica de uma forma atractiva e acessível.

Este Prémio Europeu,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC) em cooperação com a  Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa (CPI)  recorda a jornalista portuguesa, escritora, activista cultural e política (1939 – 2002), e a sua notável contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus. 

É atribuído anualmente a um cidadão europeu, cuja carreira se tenha distinguido pela difusão, defesa, e promoção do património cultural da Europa, quer através de obras literárias e musicais, quer através de reportagens, artigos, crónicas, fotografias, cartoons, documentários, filmes de ficção e programas de rádio e/ou televisão.

O Prémio conta com o apoio do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.

Controlo de informação agrava-se e contamina vários países Ver galeria

A China e a Rússia utilizam técnicas de controlo de informação invasivos, desde as comunicações privadas dos cidadãos à censura. 

O uso de sistemas tecnológicos autoritários, por actores estatais, com o objectivo de diminuir os direitos humanos fundamentais dos cidadãos é algo que ultrapassa todos os limites. 

Valentin Weber, do Programa de Bolsas de Estudo de Controlo de Informações do Fundo Aberto de Tecnologia, decidiu realizar uma análise sistemática dos seus drivers e obteve sintomáti cos resultados. 

Através da pesquisa, Valentin descobriu que, até ao momento, mais de cem países compraram, imitaram ou receberam treino em controlo de informação da China e da Rússia.

Verificou, ainda,  casos de países cujos objectivos de controlo e monitorização da informação são semelhantes, como a Venezuela, o Egipto e Myanmar. 

Na lista surgiram, também, países possivelmente menos suspeitos, nos quais a conectividade se está a expandir, como Sudão, Uganda e Zimbábue; várias democracias ocidentais, como Alemanha, França e Holanda; e até mesmo pequenas nações como Trinidad e Tobago. 

“Ao todo, foram detectados 110 países  com tecnologia de vigilância ou censura importada da Rússia ou da China”, refere o artigo da OpenTechnology Fund, publicado no Global Investigative Journalism Network.

O Clube

Este site do Clube, lançado em Novembro de 2016, e com  actividade regular desde então, tem-se afirmado tanto como roteiro do que acontece de novo na paisagem mediática, como ainda no aprofundamento do debate sobre as questões mais relevantes do jornalismo, além do acompanhamento e divulgação das iniciativas do CPI.

O resultado deste esforço tem sido notório, com a fixação de um crescente número de visitantes, oriundos de uma alargada panóplia de países, com relevo para os de língua portuguesa, facto que é muito estimulante e encorajador. 


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