Quarta-feira, 19 de Junho, 2019
Memória

Para Alberto Dines, “o jornalismo era o próprio sentido da vida”

Cada história é uma vida, e algumas delas são muito especiais. “Alberto Dines foi autor e protagonista de uma dessas trajectórias incomuns: um intelectual visceral, que usou a sua inteligência e lucidez não para disputar uma partida, mas para mudar o jogo.” Sob o título “Uma vida sem ponto final”, um dos seus numerosos discípulos, Bruno Thys, evoca com a saudade de uma relação muito pessoal o percurso e obra de Alberto Dines, falecido em São Paulo em Maio deste ano.

O autor do texto que citamos valoriza uma parte da biografia menos mencionada de Alberto Dines, a que o coloca numa linhagem de judeus emigrados de uma Europa em várias convulsões:

“Dines tornou-se uma das mais cintilantes estrelas de sua geração, a primeira de judeus nascidos no Brasil. (...) Da geração de seus pais, herdou a cultura ancestral. Dines tinha sólida formação humanística e as suas raízes remontam à Haskalá, o iluminismo judaico que floresceu na Europa Ocidental nos séculos XVIII e XIX. Este movimento pregava a interacção da sabedoria judaica com a cultura europeia e produziu nomes como Einstein, Freud, Herzel e Stefan Zweig, o grande biógrafo austríaco, que, muitos anos depois, seria biografado por Dines.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

“Alberto Dines elevou o patamar da Imprensa no Brasil. Ele entendia que a credibilidade e a força dos [meios] de comunicação, notadamente dos jornais, seria tão maior quanto fosse a sua capacidade de se comparar aos concorrentes, acolher a crítica dos seus leitores e de se autocriticar. Ainda no JB, lançou os Cadernos de Jornalismo e Comunicação, voltados para a reflexão da Imprensa brasileira. Foi também idealizador da coluna Jornal dos jornais na Folha de S.Paulo, que daria origem à figura do ombudsman. Em 1996, criaria o Observatório da Imprensa, que já nasceu na Internet, também destinado ao debate sobre a actividade no país.” 

“Poucos profissionais se movimentavam com tanta personalidade e desembaraço pelos campos teóricos e práticos da profissão. Jornalismo para ele não era uma actividade, mas o próprio sentido da vida. Tinha conhecimento técnico e sensibilidade para escolher e editar, apurar, entender, processar, produzir e distribuir ou, mais modernamente, compartilhar. Fazia tudo isso com muita paixão. Para Dines, a função do jornalismo, pilar da sociedade moderna, era a de informar e de ajudar a formar o cidadão.” (...) 

Sobre o seu percurso académico, Bruno Thys recorda que Alberto Dines foi professor em universidades brasileiras, deu aulas na Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos, e criou o Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo, na Unicamp, que se tornou referência na América Latina. 

“Ou seja, Dines alternava sua presença no front e no quartel. Aliava visão crítica e honestidade intelectual sem filtros ideológicos, mas humanísticos. Era um ser humano com raízes profundas e muitas vezes se voltava ao passado para dirimir dúvidas do presente ou enfrentar questionamentos sobre o futuro. Costumava citar um texto de 1808 de Hipólito José da Costa, patrono da imprensa no Brasil, quando indagado sobre o papel do jornalista: ‘o primeiro dever do homem em sociedade é ser útil aos membros dela’, dizia.” (...) 

A chegar ao fim do seu texto de evocação  - e anunciando o próximo -  Bruno Thys afirma que “ainda é cedo para escrever sobre ele”: 

“A sua vida teve um ponto final, mas a sua obra é eterna. Alberto Dines foi um dos grandes nomes do jornalismo. Seu maior legado terá sido mostrar, com seu próprio exemplo, que a pauta de nossas vidas deve ser questionada e subvertida ininterruptamente e entender a evolução como uma jornada. Jamais parar de aprender.” (...)

 

 

O texto aqui citado, na íntegra, no Observatório da Imprensa do Brasil

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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