Segunda-feira, 10 de Dezembro, 2018
Opinião

Com dados certos é que a gente se entende ….

por Manuel Falcão

1.Segundo um estudo da Marktest sobre a utilização que os portugueses fazem das redes sociais 65.9% dos inquiridos referem o Facebook, 16.4% indicam o Instagram, 8.3% oWhatsApp, 4% o Youtube e 5.4% outras redes.

O estudo sublinha que esta predominância do Facebook não é transversal a toda a população: “Entre os jovens utilizadores de redes sociais, os resultados de 2018 mostram uma inversão das redes visitadas com mais frequência, com o Instagram a colocar-se na primeira posição e o Facebook na segunda”.

Assim, 44.6% dos inquiridos com idades entre os 15 e os 24 anos apontaram o Instagram como a rede social que utilizam com mais frequência, 37.7% o Facebook, 7.3% o Youtube, 5% o WhatsApp e 5.3% outras redes. A penetração do Instagram como rede usada com mais frequência é, entre os jovens, cerca de três vezes superior à média.

Finalmente o mesmo estudo indica que a maioria dos utilizadores acede às redes sociais através do smartphone: “A predominância do telemóvel é transversal a todos os períodos horários, sendo entre as 15 e as 18 que uma menor diferença relativa entre ambos é observada.

O período das 20 às 22 horas apresenta-se como o prime-time digital, com 78.6% dos utilizadores a referir aceder às redes sociais neste período.”

 2.   Os dados de 2018 do Bareme Internet, da Marktest, revelam que 5,4 milhões de portugueses costumam ler notícias online. Este valor corresponde a 63.3% do universo e significa que perto de dois em cada três portugueses tem este hábito, que tem registado um aumento gradual nos últimos anos.

 3.    Continuando no mesmo estudo realizado entre os utilizadores de redes sociais, as mulheres, os mais jovens, os residentes no Grande Porto e os que pertencem às classes média baixa e baixa são quem mais refere ser fã ou seguir empresas/marcas nas redes sociais. A marca que mais utilizadores disseram seguir nas redes sociais foi a Nike. Continente e Zara estiveram também entre as mais referidas. Os resultados deste estudo indicam ainda que 90% dos utilizadores que seguem marcas/empresas nas redes sociais dizem segui-las no Facebook, 38% no Instagram e 11% no Youtube. O Instagram é a rede que mais cresce para seguir empresas/marcas nas redes sociais, aumentando 15 vezes face a 2013. As referências ao LinkedIn também quase duplicaram no mesmo período.

 4.   Os dados do INE indicam que em 2017 existiam em Portugal 159 cidades, onde residiam 4 442 772 indivíduos. Isso significa que 43% da população nacional reside em cidades. Em concelhos como Porto, Lisboa, Funchal, Porto Santo e São João da Madeira toda a população reside em cidades. No total, 174 concelhos não têm nenhuma cidade, em 71 concelhos as cidades atraem menos de 50% da população residente e em 64 concelhos a maioria da população reside em cidades. Lisboa é a cidade mais populosa do país, com 506 mil residentes, seguida de Porto (215 mil residentes), Vila Nova de Gaia (300 mil), Amadora (179 mil) e Sintra (155 mil).

 

Connosco
O fascínio pelas imagens de motins como nova cultura dos Media Ver galeria

Um pequeno video das manifestações em Paris, feito na manhã de 2 de Dezembro e colocado no Twitter, mostra umas dezenas de indivíduos de capuz, a correr na rua, com um fogo em segundo plano. Uma legenda diz que os desordeiros [casseurs, no original] põem a polícia em fuga. Três horas depois de ser publicada, a sequência já teve 45 mil visualizações. À tarde, o contador regista 145 mil e no dia seguinte o dobro, sem contar com a sua reprodução nos media. No YouTube, no Reddit e outros meios semelhantes, estes vídeos chegam facilmente aos milhões.

“Este fascínio pelas imagens de motins  - ou de revolta, segundo o ponto de vista -  é agora chamado riot porn  - designando o prazer (um pouco culpado) de ver ou partilhar um certo tipo de imagens, como o food porn, de pratos de comida, ou o sky porn para imagens do céu e de cenas de pôr-de-sol.”

A reflexão é de Emilie Tôn, em L’Express, num trabalho que aborda o voyeurisme da violência nas ruas, em que todos podemos ser protagonistas, mesmo que involuntários, espectadores ou realizadores de documentário, com um telemóvel na mão.

A “missão impossível” dos repórteres árabes de investigação Ver galeria

A auto-confiança com que actuaram os executores de Jamal Khashoggi tem várias razões, e uma delas tem a ver connosco, jornalistas. Quando chegou, finalmente, a admissão do crime, jornalistas por todo o mundo árabe vieram em defesa de Riade. “Eles não sabiam nada  - mas escreveram o que lhes foi dito que escrevessem. E de cada vez que mudava a versão oficial, eles mudavam a sua para se ajustar, sem embaraço ou hesitação.”

“E não estavam sozinhos. Os sauditas tinham uma segunda linha de defesa: um grupo menor, mas não menos influente, de jornalistas do Ocidente, que tinham passado mais de um ano a contar a história de uma Arábia Saudita reformista, acabada de retocar, de ventos de mudança soprando no deserto, com as suas visões e ambições comoventes louvadas por todo o mundo.”

A reflexão é da jornalista jordana Rana Sabbagh, que está à frente da Rede de Jornalismo de Investigação Árabe (membro da Global Investigative Journalism Network) e foi a primeira mulher árabe a dirigir um jornal político no Médio Oriente, o Jordan Times.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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