Sexta-feira, 22 de Fevereiro, 2019
Media

Agravam-se as ameaças sobre os jornalistas na Europa

Jornalistas queimados em efígie, insultados e ameaçados, desacreditados pelos dirigentes dos seus próprios países. Processados, assaltados, alvo de ameaças de violação ou de morte, e em vários casos efectivamente assassinados. É este, hoje, o ambiente em que trabalham muitos jornalistas na Europa.

A organização Index on Censorship, com o apoio da Federação Europeia de Jornalistas, reuniu no relatório Mapping Media Freedom mais de três mil episódios de situações deste tipo, registadas desde Maio de 2004. A informação recolhida apresenta os jornalistas e os media onde trabalham como alvos de dirigentes políticos, empresas e mesmo o público em geral  -  mas algumas tendências principais são destacadas e apontadas neste trabalho. O objectivo é fornecer indicações úteis aos legisladores e a quantos desejem continuar a defender o ambiente favorável a uma Imprensa independente e pluralista.

São cinco as tendências-chave assinaladas pelo relatório:

  1.  -  Legislação de segurança anti-terrorista.  Uma legislação bem intencionada, que pretende proteger os cidadãos e instituições de um país, é muitas vezes “cega ao jornalismo de interesse público”. Nos piores casos, é “deliberadamente usada para impedir a divulgação de informação de interesse público”. Em 39 casos referidos, jornalistas foram processados por terem publicado “informação que os governos tinham decidido que não era para debate público”. (...)
  2.   -  Interferência política.  Pode ser interferência directa no trabalho dos media, para alterar ou impedir a divulgação da reportagem indesejada, eventualmente conseguindo a substituição de profissionais. Ou pode ser mais insidiosa, desacreditando os media, os jornalistas e, em alguns casos, toda a “indústria” da Informação, para semear dúvidas sobre a veracidade do seu trabalho. (...)
  3.   -  Assédio pelas redes sociais.  Muitos jornalistas têm aproveitado as novas vias abertas pelas redes sociais, para uma interacção com os seus leitores e debates construtivos sobre temas actuais. Mas o outro lado é uma crescente hostilidade contra os jornalistas, manifestada online por muitas formas de assédio ou ameaça. Os profissionais confrontam-se com ela todos os dias, sabendo que essa agressão é também potenciada pelos dirigentes políticos de muitos Estados. As mulheres são as mais visadas.
  4.   -  Manifestações de rua.  Quando há manifestantes enchendo as ruas, os jornalistas são, necessariamente, dos primeiros a comparecer, como parte do seu dever profissional. Encontram-se também entre os primeiros a serem acossados e insultados. Os incidentes descritos no Mapping Media Freedom dão testemunho das ameaças com que se confrontam em serviço, incluindo falta de compreensão, por parte de algumas forças policiais, sobre o seu papel no local. (...)
  5.   -  Televisão pública.  Uma tendência significativa, mas com menos destaque durante este período, é a ameaça às emissoras de serviço público.  Muitas estações nacionais foram submetidas a um estrito controlo governamental. No seu conjunto, estes relatos sublinham a importância de manter a independência editorial deste serviço público vital.

 

 

Mais informação na Federação Europeia de Jornalistas e no site do Index on Censorship.

O relatório disponível em PDF

Connosco
Eslováquia recorda jornalista morto há um ano Ver galeria
“Esperamos respostas tão breve quanto possível, porque ainda há muitas questões”  - afirmou.
Prémios do World Press Photo 2019 já têm candidatos escolhidos... Ver galeria

Um fotojornalista português, Mário Cruz, da Agência Lusa, figura entre os nomeados para o World Press Photo 2019, o mais prestigiado prémio de fotojornalismo do mundo, cuja identidade e trabalhos a concurso foram agora conhecidos. A Fundação organizadora introduziu também uma nova categoria a ser premiada, a História do Ano, destinada a “fotógrafos cuja criatividade e habilidades visuais produziram uma história com excelente edição e sequenciamento, que captura ou representa um evento ou assunto de grande importância jornalística”.

A imagem de Mário Cruz, intitulada “Viver entre o que foi deixado para trás”, mostra uma criança recolhendo material reciclável, deitada num colchão cercado por lixo, enquanto flutua no rio Pasig, em Manila, nas Filipinas.

Os vencedores do concurso serão conhecidos na cerimónia marcada para 11 de Abril, em Amesterdão, na Holanda.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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