null, 19 de Maio, 2019
Media

Agravam-se as ameaças sobre os jornalistas na Europa

Jornalistas queimados em efígie, insultados e ameaçados, desacreditados pelos dirigentes dos seus próprios países. Processados, assaltados, alvo de ameaças de violação ou de morte, e em vários casos efectivamente assassinados. É este, hoje, o ambiente em que trabalham muitos jornalistas na Europa.

A organização Index on Censorship, com o apoio da Federação Europeia de Jornalistas, reuniu no relatório Mapping Media Freedom mais de três mil episódios de situações deste tipo, registadas desde Maio de 2004. A informação recolhida apresenta os jornalistas e os media onde trabalham como alvos de dirigentes políticos, empresas e mesmo o público em geral  -  mas algumas tendências principais são destacadas e apontadas neste trabalho. O objectivo é fornecer indicações úteis aos legisladores e a quantos desejem continuar a defender o ambiente favorável a uma Imprensa independente e pluralista.

São cinco as tendências-chave assinaladas pelo relatório:

  1.  -  Legislação de segurança anti-terrorista.  Uma legislação bem intencionada, que pretende proteger os cidadãos e instituições de um país, é muitas vezes “cega ao jornalismo de interesse público”. Nos piores casos, é “deliberadamente usada para impedir a divulgação de informação de interesse público”. Em 39 casos referidos, jornalistas foram processados por terem publicado “informação que os governos tinham decidido que não era para debate público”. (...)
  2.   -  Interferência política.  Pode ser interferência directa no trabalho dos media, para alterar ou impedir a divulgação da reportagem indesejada, eventualmente conseguindo a substituição de profissionais. Ou pode ser mais insidiosa, desacreditando os media, os jornalistas e, em alguns casos, toda a “indústria” da Informação, para semear dúvidas sobre a veracidade do seu trabalho. (...)
  3.   -  Assédio pelas redes sociais.  Muitos jornalistas têm aproveitado as novas vias abertas pelas redes sociais, para uma interacção com os seus leitores e debates construtivos sobre temas actuais. Mas o outro lado é uma crescente hostilidade contra os jornalistas, manifestada online por muitas formas de assédio ou ameaça. Os profissionais confrontam-se com ela todos os dias, sabendo que essa agressão é também potenciada pelos dirigentes políticos de muitos Estados. As mulheres são as mais visadas.
  4.   -  Manifestações de rua.  Quando há manifestantes enchendo as ruas, os jornalistas são, necessariamente, dos primeiros a comparecer, como parte do seu dever profissional. Encontram-se também entre os primeiros a serem acossados e insultados. Os incidentes descritos no Mapping Media Freedom dão testemunho das ameaças com que se confrontam em serviço, incluindo falta de compreensão, por parte de algumas forças policiais, sobre o seu papel no local. (...)
  5.   -  Televisão pública.  Uma tendência significativa, mas com menos destaque durante este período, é a ameaça às emissoras de serviço público.  Muitas estações nacionais foram submetidas a um estrito controlo governamental. No seu conjunto, estes relatos sublinham a importância de manter a independência editorial deste serviço público vital.

 

 

Mais informação na Federação Europeia de Jornalistas e no site do Index on Censorship.

O relatório disponível em PDF

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Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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