Segunda-feira, 19 de Agosto, 2019
Media

Prémios Liberdade de Imprensa dos Repórteres sem Fronteiras

O Prémio pela Liberdade de Imprensa de 2018, dos Repórteres sem Fronteiras, foi atribuído, na categoria de Coragem, à jornalista indiana Swati Chaturvedi; na de Impacto, ao jornalista de Malta Matthew Caruana Galizia; e na de Independência, à jornalista filipina Inday Espina-Varona. Um Prémio especial, denominado “O espírito dos RSF”, foi atribuído à jornalista britânica Carole Cadwalladr.

Pela primeira vez na sua história, estes prémios foram declarados em Londres, no decurso de uma cerimónia realizada na Getty Images Gallery e apresentada por Lindsey Hilsum, da Channel 4 News. Entre os presentes encontravam-se Eve Pollard, da delegação dos RSF em Londres, Lyse Doucet, da BBC, o dissidente chinês Wu’er Kaixi e dois anteriores laureados, o jornalista turco Can Dündar e a jornalista síria Zaina Erhaim.

O Prémio de Coragem (que distingue um profissional que tenha revelado especial coragem no exercício, defesa ou promoção do jornalismo) coube a Swati Chaturvedi pelo modo como, mesmo sendo alvo de violentas campanhas de intimidação online pela sua investigação da “célula IT”, do partido do primeiro-ministro Narendra Modi, soube revelar o seu funcionamento.


Recolhendo testemunhos do próprio interior da referida célula  - que mantém um “exército” de trolls agressivos -  mostrou como esses milhões de yoddhas (“guerreiros” na língua hindi) são encarregados de atacar, nas redes sociais, os jornalistas apontados pelo partido nacionalista indiano.

O Prémio de Impacto distingue este ano Matthew Caruana Galizia (filho da jornalista Daphne Caruana Galizia, assassinada em Malta em Outubro de 2017)  - o qual, tendo recebido, nesse mesmo ano, o Prémio Pulitzer 2017 pelo seu trabalho sobre os Panama Papers, no contexto do Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação, deixou o ICIJ “para conduzir uma campanha por uma justiça plena” em relação ao atentado e pelos casos “que ela tinha exposto nas suas investigações, e que lhe custaram a vida”. 

O Prémio de Independência coube à filipina Inday Espina-Varona pelo seu trabalho sobre questões muito sensíveis na sociedade filipina, “como a prostituição de menores, a violência contra as mulheres, as questões LGBT ou ainda a Frente Moro de Libertação Islâmica na ilha de Mindanau”. Defensora empenhada da liberdade de informar, “representa hoje a resistência à ‘democratura’ do Presidente Rodrigo Duterte, que, desde a sua chegada ao poder em 2016, lanou uma guerra aberta contra os media independentes”. 

O Prémio especial “O espírito dos RSF”, destinado a um jornalista, um órgão de comunicação ou uma ONG britânica, vai para Carole Cadwaladr (The Guardian e The Observer), “pela sua reportagem sobre a manipulação dos processos democráticos nos Estados Unidos e no Reino Unido”, com destaque para as revelações sobre o papel da Cambridge Analytica nas campanhas de Donald Trump e do Brexit. “Por essas reportagens, continua a ser alvo de pressões e de assédio.”

 

Mais informação nos RSF e em The Guardian

Connosco
História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

"Jornalismo de soluções" como mito ou alternativa Ver galeria

Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

O Clube

É tempo de férias. E este site do Clube Português de Imprensa (CPI) não foge à regra e volta a respeitar Agosto,  como o mês mais procurado pelos seus visitantes para uma pausa nos afazeres. Suspendemos, por isso,  a  actualização diária,  a partir do  fim de semana. 

Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


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