Segunda-feira, 10 de Dezembro, 2018
Media

Prémios Liberdade de Imprensa dos Repórteres sem Fronteiras

O Prémio pela Liberdade de Imprensa de 2018, dos Repórteres sem Fronteiras, foi atribuído, na categoria de Coragem, à jornalista indiana Swati Chaturvedi; na de Impacto, ao jornalista de Malta Matthew Caruana Galizia; e na de Independência, à jornalista filipina Inday Espina-Varona. Um Prémio especial, denominado “O espírito dos RSF”, foi atribuído à jornalista britânica Carole Cadwalladr.

Pela primeira vez na sua história, estes prémios foram declarados em Londres, no decurso de uma cerimónia realizada na Getty Images Gallery e apresentada por Lindsey Hilsum, da Channel 4 News. Entre os presentes encontravam-se Eve Pollard, da delegação dos RSF em Londres, Lyse Doucet, da BBC, o dissidente chinês Wu’er Kaixi e dois anteriores laureados, o jornalista turco Can Dündar e a jornalista síria Zaina Erhaim.

O Prémio de Coragem (que distingue um profissional que tenha revelado especial coragem no exercício, defesa ou promoção do jornalismo) coube a Swati Chaturvedi pelo modo como, mesmo sendo alvo de violentas campanhas de intimidação online pela sua investigação da “célula IT”, do partido do primeiro-ministro Narendra Modi, soube revelar o seu funcionamento.


Recolhendo testemunhos do próprio interior da referida célula  - que mantém um “exército” de trolls agressivos -  mostrou como esses milhões de yoddhas (“guerreiros” na língua hindi) são encarregados de atacar, nas redes sociais, os jornalistas apontados pelo partido nacionalista indiano.

O Prémio de Impacto distingue este ano Matthew Caruana Galizia (filho da jornalista Daphne Caruana Galizia, assassinada em Malta em Outubro de 2017)  - o qual, tendo recebido, nesse mesmo ano, o Prémio Pulitzer 2017 pelo seu trabalho sobre os Panama Papers, no contexto do Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação, deixou o ICIJ “para conduzir uma campanha por uma justiça plena” em relação ao atentado e pelos casos “que ela tinha exposto nas suas investigações, e que lhe custaram a vida”. 

O Prémio de Independência coube à filipina Inday Espina-Varona pelo seu trabalho sobre questões muito sensíveis na sociedade filipina, “como a prostituição de menores, a violência contra as mulheres, as questões LGBT ou ainda a Frente Moro de Libertação Islâmica na ilha de Mindanau”. Defensora empenhada da liberdade de informar, “representa hoje a resistência à ‘democratura’ do Presidente Rodrigo Duterte, que, desde a sua chegada ao poder em 2016, lanou uma guerra aberta contra os media independentes”. 

O Prémio especial “O espírito dos RSF”, destinado a um jornalista, um órgão de comunicação ou uma ONG britânica, vai para Carole Cadwaladr (The Guardian e The Observer), “pela sua reportagem sobre a manipulação dos processos democráticos nos Estados Unidos e no Reino Unido”, com destaque para as revelações sobre o papel da Cambridge Analytica nas campanhas de Donald Trump e do Brexit. “Por essas reportagens, continua a ser alvo de pressões e de assédio.”

 

Mais informação nos RSF e em The Guardian

Connosco
O fascínio pelas imagens de motins como nova cultura dos Media Ver galeria

Um pequeno video das manifestações em Paris, feito na manhã de 2 de Dezembro e colocado no Twitter, mostra umas dezenas de indivíduos de capuz, a correr na rua, com um fogo em segundo plano. Uma legenda diz que os desordeiros [casseurs, no original] põem a polícia em fuga. Três horas depois de ser publicada, a sequência já teve 45 mil visualizações. À tarde, o contador regista 145 mil e no dia seguinte o dobro, sem contar com a sua reprodução nos media. No YouTube, no Reddit e outros meios semelhantes, estes vídeos chegam facilmente aos milhões.

“Este fascínio pelas imagens de motins  - ou de revolta, segundo o ponto de vista -  é agora chamado riot porn  - designando o prazer (um pouco culpado) de ver ou partilhar um certo tipo de imagens, como o food porn, de pratos de comida, ou o sky porn para imagens do céu e de cenas de pôr-de-sol.”

A reflexão é de Emilie Tôn, em L’Express, num trabalho que aborda o voyeurisme da violência nas ruas, em que todos podemos ser protagonistas, mesmo que involuntários, espectadores ou realizadores de documentário, com um telemóvel na mão.

A “missão impossível” dos repórteres árabes de investigação Ver galeria

A auto-confiança com que actuaram os executores de Jamal Khashoggi tem várias razões, e uma delas tem a ver connosco, jornalistas. Quando chegou, finalmente, a admissão do crime, jornalistas por todo o mundo árabe vieram em defesa de Riade. “Eles não sabiam nada  - mas escreveram o que lhes foi dito que escrevessem. E de cada vez que mudava a versão oficial, eles mudavam a sua para se ajustar, sem embaraço ou hesitação.”

“E não estavam sozinhos. Os sauditas tinham uma segunda linha de defesa: um grupo menor, mas não menos influente, de jornalistas do Ocidente, que tinham passado mais de um ano a contar a história de uma Arábia Saudita reformista, acabada de retocar, de ventos de mudança soprando no deserto, com as suas visões e ambições comoventes louvadas por todo o mundo.”

A reflexão é da jornalista jordana Rana Sabbagh, que está à frente da Rede de Jornalismo de Investigação Árabe (membro da Global Investigative Journalism Network) e foi a primeira mulher árabe a dirigir um jornal político no Médio Oriente, o Jordan Times.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


ver mais >
Opinião
O Presidente Marcelo é um dos poucos políticos portugueses com legitimidade para colocar a questão dos apoios do estado à produção jornalística porque ele é produtor e produto do sistema mediático.A sua biografia confunde-se com a liberdade de imprensa e a pergunta que Marcelo faz é, para ele, uma questão de consciência presidencial.Dito isto, pergunto:O que diríamos nós se fosse Donald Trump a...
Perante a bem conhecida e infelizmente bem real crise da comunicação social o Presidente da República questionou, há dias, se o Estado não tem a obrigação de intervir. Para Marcelo Rebelo de Sousa há uma "situação de emergência", que já constitui um problema democrático e de regime. A crise está longe de ser apenas portuguesa: é mundial. E tem sobretudo a ver com o facto de cada vez mais...
Há, na ideia de uma comunicação social estatizada ou ajudada pelo governo, uma contradição incontornável: como pode a imprensa depender da entidade que mais se queixa da imprensa? Uma parte da comunicação social portuguesa – televisão, rádio, imprensa escrita — é deficitária, está endividada e admite “problemas de tesouraria”. Mas acima desse, há outro problema, mais grave:...
O jornalismo estará a render-se à subjetividade, rainha e senhora de certas redes sociais. As ‘fake news’ e o futuro dos media foram dos temas mais falados na edição de 2018, da Web Summit. Usadas como arma de arremesso político e de intoxicação, as notícias falsas são uma praga. Invadem o espaço público, distorcem os factos, desviam a atenção, comprometem a reflexão. E pelo caminho...
1.Segundo um estudo da Marktest sobre a utilização que os portugueses fazem das redes sociais 65.9% dos inquiridos referem o Facebook, 16.4% indicam o Instagram, 8.3% oWhatsApp, 4% o Youtube e 5.4% outras redes. O estudo sublinha que esta predominância do Facebook não é transversal a toda a população: “Entre os jovens utilizadores de redes sociais, os resultados de 2018 mostram uma inversão das redes visitadas com mais...