Quarta-feira, 19 de Junho, 2019
Media

Prémios Liberdade de Imprensa dos Repórteres sem Fronteiras

O Prémio pela Liberdade de Imprensa de 2018, dos Repórteres sem Fronteiras, foi atribuído, na categoria de Coragem, à jornalista indiana Swati Chaturvedi; na de Impacto, ao jornalista de Malta Matthew Caruana Galizia; e na de Independência, à jornalista filipina Inday Espina-Varona. Um Prémio especial, denominado “O espírito dos RSF”, foi atribuído à jornalista britânica Carole Cadwalladr.

Pela primeira vez na sua história, estes prémios foram declarados em Londres, no decurso de uma cerimónia realizada na Getty Images Gallery e apresentada por Lindsey Hilsum, da Channel 4 News. Entre os presentes encontravam-se Eve Pollard, da delegação dos RSF em Londres, Lyse Doucet, da BBC, o dissidente chinês Wu’er Kaixi e dois anteriores laureados, o jornalista turco Can Dündar e a jornalista síria Zaina Erhaim.

O Prémio de Coragem (que distingue um profissional que tenha revelado especial coragem no exercício, defesa ou promoção do jornalismo) coube a Swati Chaturvedi pelo modo como, mesmo sendo alvo de violentas campanhas de intimidação online pela sua investigação da “célula IT”, do partido do primeiro-ministro Narendra Modi, soube revelar o seu funcionamento.


Recolhendo testemunhos do próprio interior da referida célula  - que mantém um “exército” de trolls agressivos -  mostrou como esses milhões de yoddhas (“guerreiros” na língua hindi) são encarregados de atacar, nas redes sociais, os jornalistas apontados pelo partido nacionalista indiano.

O Prémio de Impacto distingue este ano Matthew Caruana Galizia (filho da jornalista Daphne Caruana Galizia, assassinada em Malta em Outubro de 2017)  - o qual, tendo recebido, nesse mesmo ano, o Prémio Pulitzer 2017 pelo seu trabalho sobre os Panama Papers, no contexto do Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação, deixou o ICIJ “para conduzir uma campanha por uma justiça plena” em relação ao atentado e pelos casos “que ela tinha exposto nas suas investigações, e que lhe custaram a vida”. 

O Prémio de Independência coube à filipina Inday Espina-Varona pelo seu trabalho sobre questões muito sensíveis na sociedade filipina, “como a prostituição de menores, a violência contra as mulheres, as questões LGBT ou ainda a Frente Moro de Libertação Islâmica na ilha de Mindanau”. Defensora empenhada da liberdade de informar, “representa hoje a resistência à ‘democratura’ do Presidente Rodrigo Duterte, que, desde a sua chegada ao poder em 2016, lanou uma guerra aberta contra os media independentes”. 

O Prémio especial “O espírito dos RSF”, destinado a um jornalista, um órgão de comunicação ou uma ONG britânica, vai para Carole Cadwaladr (The Guardian e The Observer), “pela sua reportagem sobre a manipulação dos processos democráticos nos Estados Unidos e no Reino Unido”, com destaque para as revelações sobre o papel da Cambridge Analytica nas campanhas de Donald Trump e do Brexit. “Por essas reportagens, continua a ser alvo de pressões e de assédio.”

 

Mais informação nos RSF e em The Guardian

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
Ao longo do último ano os jornais britânicos The Times e The Sunday Times têm desenvolvido esforços consideráveis para conseguir manter os assinantes digitais que foram angariando ao longo do tempo. A renovação das assinaturas digitais é uma das crónicas dores de cabeça que os editores de publicações enfrentam, tanto mais que estudos recentes comprovam que uma sólida base de assinantes e leitores...
“Fake news”, ontem e hoje
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