Segunda-feira, 20 de Janeiro, 2020
Media

Prémios Liberdade de Imprensa dos Repórteres sem Fronteiras

O Prémio pela Liberdade de Imprensa de 2018, dos Repórteres sem Fronteiras, foi atribuído, na categoria de Coragem, à jornalista indiana Swati Chaturvedi; na de Impacto, ao jornalista de Malta Matthew Caruana Galizia; e na de Independência, à jornalista filipina Inday Espina-Varona. Um Prémio especial, denominado “O espírito dos RSF”, foi atribuído à jornalista britânica Carole Cadwalladr.

Pela primeira vez na sua história, estes prémios foram declarados em Londres, no decurso de uma cerimónia realizada na Getty Images Gallery e apresentada por Lindsey Hilsum, da Channel 4 News. Entre os presentes encontravam-se Eve Pollard, da delegação dos RSF em Londres, Lyse Doucet, da BBC, o dissidente chinês Wu’er Kaixi e dois anteriores laureados, o jornalista turco Can Dündar e a jornalista síria Zaina Erhaim.

O Prémio de Coragem (que distingue um profissional que tenha revelado especial coragem no exercício, defesa ou promoção do jornalismo) coube a Swati Chaturvedi pelo modo como, mesmo sendo alvo de violentas campanhas de intimidação online pela sua investigação da “célula IT”, do partido do primeiro-ministro Narendra Modi, soube revelar o seu funcionamento.


Recolhendo testemunhos do próprio interior da referida célula  - que mantém um “exército” de trolls agressivos -  mostrou como esses milhões de yoddhas (“guerreiros” na língua hindi) são encarregados de atacar, nas redes sociais, os jornalistas apontados pelo partido nacionalista indiano.

O Prémio de Impacto distingue este ano Matthew Caruana Galizia (filho da jornalista Daphne Caruana Galizia, assassinada em Malta em Outubro de 2017)  - o qual, tendo recebido, nesse mesmo ano, o Prémio Pulitzer 2017 pelo seu trabalho sobre os Panama Papers, no contexto do Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação, deixou o ICIJ “para conduzir uma campanha por uma justiça plena” em relação ao atentado e pelos casos “que ela tinha exposto nas suas investigações, e que lhe custaram a vida”. 

O Prémio de Independência coube à filipina Inday Espina-Varona pelo seu trabalho sobre questões muito sensíveis na sociedade filipina, “como a prostituição de menores, a violência contra as mulheres, as questões LGBT ou ainda a Frente Moro de Libertação Islâmica na ilha de Mindanau”. Defensora empenhada da liberdade de informar, “representa hoje a resistência à ‘democratura’ do Presidente Rodrigo Duterte, que, desde a sua chegada ao poder em 2016, lanou uma guerra aberta contra os media independentes”. 

O Prémio especial “O espírito dos RSF”, destinado a um jornalista, um órgão de comunicação ou uma ONG britânica, vai para Carole Cadwaladr (The Guardian e The Observer), “pela sua reportagem sobre a manipulação dos processos democráticos nos Estados Unidos e no Reino Unido”, com destaque para as revelações sobre o papel da Cambridge Analytica nas campanhas de Donald Trump e do Brexit. “Por essas reportagens, continua a ser alvo de pressões e de assédio.”

 

Mais informação nos RSF e em The Guardian

Connosco
Novas ferramentas para gerir os "media online" Ver galeria

O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) divulgou uma nova ferramenta para moderadores online dos media lidarem com situações de abuso que ocorrem nas redes sociais. 

As ferramentas e estratégias para gerir os debates no Facebook e no Twitter fazem parte da plataforma do IPI Newsrooms Ontheline, que reúne várias sugestões sobre como combater o assédio online contra jornalistas.

O objectivo é explicar de que forma os moderadores podem gerir as redes sociais e como devem aplicar essas ferramentas, bem como as opções disponíveis pelas próprias plataformas das redes, de forma a conseguirem dar resposta ao abuso online e às ameaças contra os media e jornalistas individuais.
As medidas definidas são o resultado de várias entrevistas com peritos em audiências dos principais media da Europa. Devido à constante evolução, estas estratégias estão sujeitas a revisão e actualização constantes.

A maioria dos peritos, consultados pela IPI, salienta que existem várias ferramentas que podem ser utilizadas para a moderação de mensagens abusivas no Twitter, entre as quais o muting e o bloqueio. 

Em relação ao Facebook, os moderadores podem apagar os comentários, esconder comentários com conteúdo abusivo, banir um utilizador das páginas do medium, remover o utilizador de uma página, desactivar os comentários, bloquear determinadas palavras ou, ainda, reportar uma página ou um post.

Crise gera em Espanha modelos jornalísticos inovadores Ver galeria

A indústria do jornalismo em Espanha está em crise há mais de uma década. O colapso do crescimento económico afectou todas as áreas. Os fabricantes reduziram orçamentos de publicidade, o desemprego reduziu o poder de compra das famílias, que, por sua vez,  diminuíram as suas despesas, incluindo as dos meios de comunicação social.
O autor analisa os novos modelos de projetos que procuram responder aos desafios informativos actuais,  com apostas diferentes dos convencionais, baseados na verificação informativa, no uso dos mecanismos de transparência, na contextualização informativa, no jornalismo de dados ou na visualização.

Os meios de comunicação social também reduziram as suas despesas, entre 2005 e 2008, pelo menos 12 200 empregos foram suprimidos, segundo dados do Relatório da Profissão Jornalística de 2015. E em 2018, o investimento em publicidade ainda era 30% inferior ao de 2008.

O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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Opinião
Apoiar a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral
O Presidente da República voltou a falar na necessidade de o Estado tomar medidas de apoio à comunicação social. Marcelo Rebelo de Sousa discursava na apresentação de um programa do “Público” para dar a estudantes universitários acesso gratuito a assinaturas daquele jornal, com o apoio de entidades privadas que pagam metade dos custos envolvidos. O Presidente entende, e bem, que o Estado tem responsabilidades neste campo e...
A “tabloidizacão” dos media portugueses parece imparável, com as televisões na dianteira, privadas e pública, sejam os canais generalistas ou temáticos. A obsessão pelos “casos” que puxem ao drama, ao pasmo ou à lágrima, tomou conta dos telejornais e da Imprensa. A frenética disputa das audiências nas TVs e a queda continuada das vendas nos jornais são, normalmente, apontadas...
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...