Quinta-feira, 22 de Agosto, 2019
Tecnologias

Internet livre e segura como proposta comum na Web Summit

É necessário que todos  - governos, empresas tecnológicas e utentes individuais -  cheguemos a um consenso internacional sobre uma Magna Carta de princípios básicos, uma espécie de Constituição para a Internet. Só assim será possível resolver problemas como os das fake news e do abuso de privacidade e dos dados dos internautas, para “manter a Internet livre e aberta”  - declarou na abertura da Web Summit Tim Berners-Lee, o inventor da World Wide Web e director da Fundação com o mesmo nome, chamado o “pai” da Internet.

Por seu lado, numa intervenção sobre “um futuro digital que seja seguro e benéfico para todos”, António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, sublinhou que não foi a Internet “que criou o populismo e a polarização do mundo”, mas “está a ampliar esses movimentos”. Mostrou-se preocupado com o “impacto social que a quarta revolução industrial vai ter”, com desemprego em larga escala e “conflitos com impacto na coesão das sociedades”, admitindo que “não estamos preparados para isso e não nos estamos a preparar suficientemente rápido para isso”.

Noutro momento alto desta cimeira, Christopher Wylie, o programador canadiano que denunciou o escândalo do abuso de dados pessoais de utilizadores do Facebook pela empresa Cambridge Analytica, chamou a atenção para a urgência de mecanismos de controlo das empresas tecnológicas.

 

“Como sociedade, não estamos a ver aquilo que se está a fazer. Estamos a deixar estas empresas colonizar a nossa sociedade”, questiona Wylie, assegurando que as empresas de tecnologia estão a fazer o papel de colonizadoras, mas dos tempos modernos: 

“Isto é uma história de colonialismo. A questão é que os nossos governos não estão preparados para lidar com isto”  - lamenta Wylie. 

“O Facebook tem tanto poder, está a fazer um clone digital da nossa sociedade. O que é que vai acontecer quando os sistemas de IA – inteligência artificial começarem a comunicar entre si?” 

“Estamos a brincar com o fogo e, quando isso acontece, as pessoas magoam-se”  - afirmou ainda. 

Em dois dias de Web Summit foram realizadas mais de 2,7 milhões de sessões únicas de wi-fi, mais do que em todo o evento do ano passado, tendo os milhares de participantes na cimeira gerado mais 25 TB de tráfego do que em relação a 2016. A rede wi-fi  Web Summit Legacy, criada para equipamentos mais antigos, já registou, no entanto, alguns problemas, como admitiu a Altice Portugal ao Dinheiro Vivo.

 

Os participantes do evento têm, a nível de wi-fi, duas opções quando se ligam, a Web Summit (rede de alto débito que opera na frequência 5GHz e cobre todo o recinto) e a Web Summit Legacy, uma rede standard de 2,4 GHz que pretende ligar equipamentos com tecnologia mais antiga, que não conseguem ligar-se à rede principal do evento.

 

Mas, quando “há ruído” (muitos acessos em simultâneo, sendo que muitos dos stands funcionam na frequência 2,4 GHZ), baixa a capacidade da rede e o acesso pode não se concretizar.



Mais informação na Exame Informática  

Connosco
História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

"Jornalismo de soluções" como mito ou alternativa Ver galeria

Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

O Clube

É tempo de férias. E este site do Clube Português de Imprensa (CPI) não foge à regra e volta a respeitar Agosto,  como o mês mais procurado pelos seus visitantes para uma pausa nos afazeres. Suspendemos, por isso,  a  actualização diária,  a partir do  fim de semana. 

Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


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