Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
Tecnologias

Internet livre e segura como proposta comum na Web Summit

É necessário que todos  - governos, empresas tecnológicas e utentes individuais -  cheguemos a um consenso internacional sobre uma Magna Carta de princípios básicos, uma espécie de Constituição para a Internet. Só assim será possível resolver problemas como os das fake news e do abuso de privacidade e dos dados dos internautas, para “manter a Internet livre e aberta”  - declarou na abertura da Web Summit Tim Berners-Lee, o inventor da World Wide Web e director da Fundação com o mesmo nome, chamado o “pai” da Internet.

Por seu lado, numa intervenção sobre “um futuro digital que seja seguro e benéfico para todos”, António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, sublinhou que não foi a Internet “que criou o populismo e a polarização do mundo”, mas “está a ampliar esses movimentos”. Mostrou-se preocupado com o “impacto social que a quarta revolução industrial vai ter”, com desemprego em larga escala e “conflitos com impacto na coesão das sociedades”, admitindo que “não estamos preparados para isso e não nos estamos a preparar suficientemente rápido para isso”.

Noutro momento alto desta cimeira, Christopher Wylie, o programador canadiano que denunciou o escândalo do abuso de dados pessoais de utilizadores do Facebook pela empresa Cambridge Analytica, chamou a atenção para a urgência de mecanismos de controlo das empresas tecnológicas.

 

“Como sociedade, não estamos a ver aquilo que se está a fazer. Estamos a deixar estas empresas colonizar a nossa sociedade”, questiona Wylie, assegurando que as empresas de tecnologia estão a fazer o papel de colonizadoras, mas dos tempos modernos: 

“Isto é uma história de colonialismo. A questão é que os nossos governos não estão preparados para lidar com isto”  - lamenta Wylie. 

“O Facebook tem tanto poder, está a fazer um clone digital da nossa sociedade. O que é que vai acontecer quando os sistemas de IA – inteligência artificial começarem a comunicar entre si?” 

“Estamos a brincar com o fogo e, quando isso acontece, as pessoas magoam-se”  - afirmou ainda. 

Em dois dias de Web Summit foram realizadas mais de 2,7 milhões de sessões únicas de wi-fi, mais do que em todo o evento do ano passado, tendo os milhares de participantes na cimeira gerado mais 25 TB de tráfego do que em relação a 2016. A rede wi-fi  Web Summit Legacy, criada para equipamentos mais antigos, já registou, no entanto, alguns problemas, como admitiu a Altice Portugal ao Dinheiro Vivo.

 

Os participantes do evento têm, a nível de wi-fi, duas opções quando se ligam, a Web Summit (rede de alto débito que opera na frequência 5GHz e cobre todo o recinto) e a Web Summit Legacy, uma rede standard de 2,4 GHz que pretende ligar equipamentos com tecnologia mais antiga, que não conseguem ligar-se à rede principal do evento.

 

Mas, quando “há ruído” (muitos acessos em simultâneo, sendo que muitos dos stands funcionam na frequência 2,4 GHZ), baixa a capacidade da rede e o acesso pode não se concretizar.



Mais informação na Exame Informática  

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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