Sábado, 25 de Maio, 2019
Tecnologias

Internet livre e segura como proposta comum na Web Summit

É necessário que todos  - governos, empresas tecnológicas e utentes individuais -  cheguemos a um consenso internacional sobre uma Magna Carta de princípios básicos, uma espécie de Constituição para a Internet. Só assim será possível resolver problemas como os das fake news e do abuso de privacidade e dos dados dos internautas, para “manter a Internet livre e aberta”  - declarou na abertura da Web Summit Tim Berners-Lee, o inventor da World Wide Web e director da Fundação com o mesmo nome, chamado o “pai” da Internet.

Por seu lado, numa intervenção sobre “um futuro digital que seja seguro e benéfico para todos”, António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, sublinhou que não foi a Internet “que criou o populismo e a polarização do mundo”, mas “está a ampliar esses movimentos”. Mostrou-se preocupado com o “impacto social que a quarta revolução industrial vai ter”, com desemprego em larga escala e “conflitos com impacto na coesão das sociedades”, admitindo que “não estamos preparados para isso e não nos estamos a preparar suficientemente rápido para isso”.

Noutro momento alto desta cimeira, Christopher Wylie, o programador canadiano que denunciou o escândalo do abuso de dados pessoais de utilizadores do Facebook pela empresa Cambridge Analytica, chamou a atenção para a urgência de mecanismos de controlo das empresas tecnológicas.

 

“Como sociedade, não estamos a ver aquilo que se está a fazer. Estamos a deixar estas empresas colonizar a nossa sociedade”, questiona Wylie, assegurando que as empresas de tecnologia estão a fazer o papel de colonizadoras, mas dos tempos modernos: 

“Isto é uma história de colonialismo. A questão é que os nossos governos não estão preparados para lidar com isto”  - lamenta Wylie. 

“O Facebook tem tanto poder, está a fazer um clone digital da nossa sociedade. O que é que vai acontecer quando os sistemas de IA – inteligência artificial começarem a comunicar entre si?” 

“Estamos a brincar com o fogo e, quando isso acontece, as pessoas magoam-se”  - afirmou ainda. 

Em dois dias de Web Summit foram realizadas mais de 2,7 milhões de sessões únicas de wi-fi, mais do que em todo o evento do ano passado, tendo os milhares de participantes na cimeira gerado mais 25 TB de tráfego do que em relação a 2016. A rede wi-fi  Web Summit Legacy, criada para equipamentos mais antigos, já registou, no entanto, alguns problemas, como admitiu a Altice Portugal ao Dinheiro Vivo.

 

Os participantes do evento têm, a nível de wi-fi, duas opções quando se ligam, a Web Summit (rede de alto débito que opera na frequência 5GHz e cobre todo o recinto) e a Web Summit Legacy, uma rede standard de 2,4 GHz que pretende ligar equipamentos com tecnologia mais antiga, que não conseguem ligar-se à rede principal do evento.

 

Mas, quando “há ruído” (muitos acessos em simultâneo, sendo que muitos dos stands funcionam na frequência 2,4 GHZ), baixa a capacidade da rede e o acesso pode não se concretizar.



Mais informação na Exame Informática  

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Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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