Quinta-feira, 22 de Agosto, 2019
Media

UNESCO lança Observatório sobre jornalistas assassinados

No contexto do Dia Internacional pelo fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas, recentemente comemorado em todo o mundo, a UNESCO anunciou o lançamento do Observatório dos Jornalistas Assassinados, na forma de uma base de dados online, que divulga informação sobre o estado em que se encontra a investigação conduzida sobre cada um dos casos. O ponto de partida são os 1.293 assassínios cometidos desde 1993 (80 dos quais desde o início deste ano), que constam do registo elaborado pela UNESCO, sobre informação fornecida pelos países onde sucederam.

Segundo o mais recente relatório da directora-geral da organização, Audrey Azuley, sobre a segurança dos jornalistas e o risco de impunidade, um jornalista ou outro profissional dos media é morto no mundo todos os quatro dias.

Se os enviados especiais são muitas vezes mortos em território em guerra, são os jornalistas locais que investigam corrupção, a criminalidade e a política que constituem de longe o maior número de vítimas. Representam 90% dos jornalistas assassinados em 2017, de acordo com a agência da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura. 

A situação mostra de forma “trágica os riscos que correm muitos jornalistas no exercício das suas funções e as últimas estatísticas da UNESCO indicam que em 89% dos casos, os autores destes actos permanecem impunes”, salienta a organização. 

A base de dados permite “aos jornalistas, aos pesquisadores e ao grande público obter informações sobre jornalistas mortos e fazer pesquisas por nacionalidade, por país onde ocorreu o assassínio, por nome, por género, por tipo de media e por estatuto profissional”, indicou.

 

Mais informação no DN e a nota de Imprensa da UNESCO

Connosco
História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

"Jornalismo de soluções" como mito ou alternativa Ver galeria

Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

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Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


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