Sábado, 25 de Maio, 2019
Media

UNESCO lança Observatório sobre jornalistas assassinados

No contexto do Dia Internacional pelo fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas, recentemente comemorado em todo o mundo, a UNESCO anunciou o lançamento do Observatório dos Jornalistas Assassinados, na forma de uma base de dados online, que divulga informação sobre o estado em que se encontra a investigação conduzida sobre cada um dos casos. O ponto de partida são os 1.293 assassínios cometidos desde 1993 (80 dos quais desde o início deste ano), que constam do registo elaborado pela UNESCO, sobre informação fornecida pelos países onde sucederam.

Segundo o mais recente relatório da directora-geral da organização, Audrey Azuley, sobre a segurança dos jornalistas e o risco de impunidade, um jornalista ou outro profissional dos media é morto no mundo todos os quatro dias.

Se os enviados especiais são muitas vezes mortos em território em guerra, são os jornalistas locais que investigam corrupção, a criminalidade e a política que constituem de longe o maior número de vítimas. Representam 90% dos jornalistas assassinados em 2017, de acordo com a agência da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura. 

A situação mostra de forma “trágica os riscos que correm muitos jornalistas no exercício das suas funções e as últimas estatísticas da UNESCO indicam que em 89% dos casos, os autores destes actos permanecem impunes”, salienta a organização. 

A base de dados permite “aos jornalistas, aos pesquisadores e ao grande público obter informações sobre jornalistas mortos e fazer pesquisas por nacionalidade, por país onde ocorreu o assassínio, por nome, por género, por tipo de media e por estatuto profissional”, indicou.

 

Mais informação no DN e a nota de Imprensa da UNESCO

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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