Quarta-feira, 14 de Novembro, 2018
Media

“Polígrafo” vai fazer “fact checking” em tempo real

Foi anunciado, durante a Web Summit, o lançamento do Polígrafo, um novo jornal digital especializado em verificação de factos. Conforme explica o seu fundador, o jornalista Fernando Esteves, é “imperioso neste momento, porque 60% da informação que as pessoas consomem vem a partir das redes sociais”, sem qualquer triagem jornalística, e “onde corre muita desinformação, alguma por negligência do cidadão comum, outra que é posta a circular por fontes profissionais”.

A prática do fact checking “nasceu há cerca de 12 anos nos EUA, com uma experiência chamada Politifact, neste momento o maior site de fact checking do mundo e uma espécie de farol para todos os outros”. Em Portugal, o novo site Polígrafo “vai classificar a informação dita por políticos e líderes de opinião em cinco categorias:  verdadeira;  verdadeira, mas;  imprecisa;  falsa; e pimenta na língua (quando a mentira é escandalosa)”.

A informação é do próprio Fernando Esteves, em entrevista ao Expresso, que aqui citamos.

Em resposta à pergunta sobre se a função do Polígrafo será “descontruir as fake news”, responde: 

“O termo fake news [notícias falsas] também tem muito que se lhe diga. É uma expressão que está a ser, cada vez mais, banida, porque se é fake [falso] não é new [notícia] e se é new não é fake. Não vamos desconstruir notícias, vamos desconstruir o que está na base das notícias. Não vamos fazer fact checking de notícias, mas de protagonistas. Quero focar-me na mensagem, não no mensageiro.” (...) 

Sobre o que torna diferente este projecto, Fernando Esteves compara-o com “a Imprensa tradicional que tem vindo a ser esvaziada de capacidade nos últimos anos, por não segurar as pessoas com mais experiência”: 

“As redacções perderam também porque encolheram, não têm tantos meios humanos para fazer uma triagem mais séria e mais aguda da informação que chega. Não estou a falar de falta de seriedade, estou a falar de falta de meios. Se à falta de meios da Imprensa tradicional se junta a desinformação que circula nas redes sociais, então temos um fenómeno explosivo para o cidadão deixar de acreditar na informação que lhe chega.” (...) 

“Há um estudo do Poynter Institute, feito depois das eleições americanas, que concluiu que se uma pessoa for impactada três vezes por uma informação falsa, acaba por acreditar nela. Isto se a informação falsa for contra as suas convicções, porque se for ao encontro das suas convicções acredita à primeira. Isto é muito perigoso, pode ser utilizado por candidatos a ditadores.” (...) 

Sobre o modo como vai funcionar o Polígrafo

“Vai ser fact checking puro. Vamos avaliar dezenas de protagonistas em permanência, primeiro-ministro, membros do Governo, líderes da oposição, deputados. Estamos a falar de influenciadores, personagens com capacidade de gerar debate nas redes sociais, como Marques Mendes ou Francisco Louçã. No fundo, todas as pessoas que têm uma voz na sociedade portuguesa.” 

“Imaginemos a cobertura do debate no Parlamento, nós vamos lá estar numa lógica diferente. Fazemos um estudo prévio, vamos já com dados muito concretos, vamos ter um interlocutor especialista dentro de cada bancada parlamentar. Vamos fazer fact checking em tempo real. É colocar exigência em cima das pessoas que se movimentam no espaço público.” (...) 

Sobre as fontes de financiamento do projecto, afirma: 

“A maior parte destes projectos são financiados por fundações e ONG, mas também há projectos comerciais. No caso do Polígrafo, percebi que as fundações privadas não têm capacidade financeira para um projecto destes. Vai ser um projecto comercial, associei-me ao Sapo, a Altice vai tomar conta do departamento comercial do site.” 

“Como nos outros jornais, as receitas vêm da publicidade, patrocínios, conferências, vamos fazer o que qualquer órgão de comunicação social faz. Mas vamos acrescentar uma faceta nova, temos um programa chamado Polígrafo Educação, que consiste em workshops de literacia mediática em escolas do ensino básico e secundário.” 

“O problema das crianças é que acreditam em tudo o que lhes chega através dos youtubers, têm de aprender a duvidar. Estou a preparar uma parceria com o maior site de fact checking do Brasil, a agência Lupa, que tem um programa semelhante. 60% dos lucros vem da realização destes workshops.” (...)

 

Mais informação na entrevista ao Expresso e no ECO - Economia Online

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Agravam-se as ameças sobre os jornalistas na Europa Ver galeria

Jornalistas queimados em efígie, insultados e ameaçados, desacreditados pelos dirigentes dos seus próprios países. Processados, assaltados, alvo de ameaças de violação ou de morte, e em vários casos efectivamente assassinados. É este, hoje, o ambiente em que trabalham muitos jornalistas na Europa.

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Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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