Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
Media

“Polígrafo” vai fazer “fact checking” em tempo real

Foi anunciado, durante a Web Summit, o lançamento do Polígrafo, um novo jornal digital especializado em verificação de factos. Conforme explica o seu fundador, o jornalista Fernando Esteves, é “imperioso neste momento, porque 60% da informação que as pessoas consomem vem a partir das redes sociais”, sem qualquer triagem jornalística, e “onde corre muita desinformação, alguma por negligência do cidadão comum, outra que é posta a circular por fontes profissionais”.

A prática do fact checking “nasceu há cerca de 12 anos nos EUA, com uma experiência chamada Politifact, neste momento o maior site de fact checking do mundo e uma espécie de farol para todos os outros”. Em Portugal, o novo site Polígrafo “vai classificar a informação dita por políticos e líderes de opinião em cinco categorias:  verdadeira;  verdadeira, mas;  imprecisa;  falsa; e pimenta na língua (quando a mentira é escandalosa)”.

A informação é do próprio Fernando Esteves, em entrevista ao Expresso, que aqui citamos.

Em resposta à pergunta sobre se a função do Polígrafo será “descontruir as fake news”, responde: 

“O termo fake news [notícias falsas] também tem muito que se lhe diga. É uma expressão que está a ser, cada vez mais, banida, porque se é fake [falso] não é new [notícia] e se é new não é fake. Não vamos desconstruir notícias, vamos desconstruir o que está na base das notícias. Não vamos fazer fact checking de notícias, mas de protagonistas. Quero focar-me na mensagem, não no mensageiro.” (...) 

Sobre o que torna diferente este projecto, Fernando Esteves compara-o com “a Imprensa tradicional que tem vindo a ser esvaziada de capacidade nos últimos anos, por não segurar as pessoas com mais experiência”: 

“As redacções perderam também porque encolheram, não têm tantos meios humanos para fazer uma triagem mais séria e mais aguda da informação que chega. Não estou a falar de falta de seriedade, estou a falar de falta de meios. Se à falta de meios da Imprensa tradicional se junta a desinformação que circula nas redes sociais, então temos um fenómeno explosivo para o cidadão deixar de acreditar na informação que lhe chega.” (...) 

“Há um estudo do Poynter Institute, feito depois das eleições americanas, que concluiu que se uma pessoa for impactada três vezes por uma informação falsa, acaba por acreditar nela. Isto se a informação falsa for contra as suas convicções, porque se for ao encontro das suas convicções acredita à primeira. Isto é muito perigoso, pode ser utilizado por candidatos a ditadores.” (...) 

Sobre o modo como vai funcionar o Polígrafo

“Vai ser fact checking puro. Vamos avaliar dezenas de protagonistas em permanência, primeiro-ministro, membros do Governo, líderes da oposição, deputados. Estamos a falar de influenciadores, personagens com capacidade de gerar debate nas redes sociais, como Marques Mendes ou Francisco Louçã. No fundo, todas as pessoas que têm uma voz na sociedade portuguesa.” 

“Imaginemos a cobertura do debate no Parlamento, nós vamos lá estar numa lógica diferente. Fazemos um estudo prévio, vamos já com dados muito concretos, vamos ter um interlocutor especialista dentro de cada bancada parlamentar. Vamos fazer fact checking em tempo real. É colocar exigência em cima das pessoas que se movimentam no espaço público.” (...) 

Sobre as fontes de financiamento do projecto, afirma: 

“A maior parte destes projectos são financiados por fundações e ONG, mas também há projectos comerciais. No caso do Polígrafo, percebi que as fundações privadas não têm capacidade financeira para um projecto destes. Vai ser um projecto comercial, associei-me ao Sapo, a Altice vai tomar conta do departamento comercial do site.” 

“Como nos outros jornais, as receitas vêm da publicidade, patrocínios, conferências, vamos fazer o que qualquer órgão de comunicação social faz. Mas vamos acrescentar uma faceta nova, temos um programa chamado Polígrafo Educação, que consiste em workshops de literacia mediática em escolas do ensino básico e secundário.” 

“O problema das crianças é que acreditam em tudo o que lhes chega através dos youtubers, têm de aprender a duvidar. Estou a preparar uma parceria com o maior site de fact checking do Brasil, a agência Lupa, que tem um programa semelhante. 60% dos lucros vem da realização destes workshops.” (...)

 

Mais informação na entrevista ao Expresso e no ECO - Economia Online

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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