Sábado, 25 de Maio, 2019
Media

Um quiosque de “notícias falsas” no coração de Nova Iorque

Abriu em Manhattan, “na esquina mais movimentada de Bryant Park”, um quiosque de “notícias falsas”  - e é administrado pela prestigiada Columbia Journalism Review. Os jornais apresentados parecem normais, mas vistos de perto nota-se que são imitações dos autênticos. Os títulos são bombásticos:

“Estrelas de Hollywood que bebem sangue de bebés, a presença de analgésicos na água, Trump a declarar que os EUA nunca deviam ter dado a independência ao Canadá, ‘compra’ de manifestantes contra o Presidente norte-americano. Estrondosas, portanto, mas não inéditas: todas foram reproduzidas em sites de fake news e fizeram muitos acreditar que eram verdade.”

Kyle Pope, o chefe da redacção da Columbia Journalism Review, explica que se trata de uma campanha intencional, pedagógica:

“Embarcámos nesta iniciativa para ajudar as pessoas a identificar a desinformação. Pela primeira vez, estamos a levar histórias falsas do espaço digital para o espaço físico e a colocá-las directamente nas mãos de pessoas reais. Isso torna essas histórias tangíveis de uma forma que obriga as pessoas a pensarem sobre a fonte da informação.”

Segundo o Público, que aqui citamos, “o fenómeno não é novo, mas apresenta contornos cada vez mais complexos e ganhou notoriedade durante as eleições presidenciais nos EUA e, mais recentemente, no Brasil. Em Portugal, o problema também ganha espaço. Como revelou uma investigação do Diário de Notícias, uma empresa de Santo Tirso será o epicentro de uma rede de imagens falsas espalhadas pela Internet. Por causa dela, muitos partilharam, por exemplo, a fotografia do relógio da líder bloquista Catarina Martins, uma compra de 21 milhões”. 

“O quiosque americano está repleto de capas cheias de notícias falsas. Mas dentro cabe algo importante: uma espécie de manual de combate às fake news, também disponível online, com dicas para os leitores aprenderem a distinguir o verdadeiro do falso.”

 

“Oitenta por cento dos americanos acreditam que as notícias falsas são nocivas para o país, mas apenas 30% conseguem identificar a desinformação”  - disse Chris Beresfors-Hill, da agência TBWA\Chiat\Day New York, que executa esta campanha da CJR

“Este quiosque e os seus conteúdos salientam a importância crucial de um noticiário bem fundamentado, e os jornalistas e meios de comunicação credíveis que o produzem.”

 

 

 

Mais informação no Público e na Columbia Journalism Review

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Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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