Quinta-feira, 22 de Agosto, 2019
Media

Um quiosque de “notícias falsas” no coração de Nova Iorque

Abriu em Manhattan, “na esquina mais movimentada de Bryant Park”, um quiosque de “notícias falsas”  - e é administrado pela prestigiada Columbia Journalism Review. Os jornais apresentados parecem normais, mas vistos de perto nota-se que são imitações dos autênticos. Os títulos são bombásticos:

“Estrelas de Hollywood que bebem sangue de bebés, a presença de analgésicos na água, Trump a declarar que os EUA nunca deviam ter dado a independência ao Canadá, ‘compra’ de manifestantes contra o Presidente norte-americano. Estrondosas, portanto, mas não inéditas: todas foram reproduzidas em sites de fake news e fizeram muitos acreditar que eram verdade.”

Kyle Pope, o chefe da redacção da Columbia Journalism Review, explica que se trata de uma campanha intencional, pedagógica:

“Embarcámos nesta iniciativa para ajudar as pessoas a identificar a desinformação. Pela primeira vez, estamos a levar histórias falsas do espaço digital para o espaço físico e a colocá-las directamente nas mãos de pessoas reais. Isso torna essas histórias tangíveis de uma forma que obriga as pessoas a pensarem sobre a fonte da informação.”

Segundo o Público, que aqui citamos, “o fenómeno não é novo, mas apresenta contornos cada vez mais complexos e ganhou notoriedade durante as eleições presidenciais nos EUA e, mais recentemente, no Brasil. Em Portugal, o problema também ganha espaço. Como revelou uma investigação do Diário de Notícias, uma empresa de Santo Tirso será o epicentro de uma rede de imagens falsas espalhadas pela Internet. Por causa dela, muitos partilharam, por exemplo, a fotografia do relógio da líder bloquista Catarina Martins, uma compra de 21 milhões”. 

“O quiosque americano está repleto de capas cheias de notícias falsas. Mas dentro cabe algo importante: uma espécie de manual de combate às fake news, também disponível online, com dicas para os leitores aprenderem a distinguir o verdadeiro do falso.”

 

“Oitenta por cento dos americanos acreditam que as notícias falsas são nocivas para o país, mas apenas 30% conseguem identificar a desinformação”  - disse Chris Beresfors-Hill, da agência TBWA\Chiat\Day New York, que executa esta campanha da CJR

“Este quiosque e os seus conteúdos salientam a importância crucial de um noticiário bem fundamentado, e os jornalistas e meios de comunicação credíveis que o produzem.”

 

 

 

Mais informação no Público e na Columbia Journalism Review

Connosco
História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

"Jornalismo de soluções" como mito ou alternativa Ver galeria

Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

O Clube

É tempo de férias. E este site do Clube Português de Imprensa (CPI) não foge à regra e volta a respeitar Agosto,  como o mês mais procurado pelos seus visitantes para uma pausa nos afazeres. Suspendemos, por isso,  a  actualização diária,  a partir do  fim de semana. 

Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


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