Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Fórum

Apelo de 25 personalidades contra "controlo político sobre a Imprensa e os Media"

Aproveitando a próxima presença em Paris, de 11 a 13 de Novembro, de seis dezenas de Chefes de Estado ou primeiros-ministros, no centenário do Armistício que formalizou o fim da I Grande Guerra, uma comissão de 25 personalidades de renome mundial, várias delas galardoadas com o Prémio Nobel, divulgou um apelo à assinatura de um “Pacto sobre a Informação e a Democracia”. Fazem parte deste grupo economistas como Amartya Sen e Joseph Stiglitz, a advogada iraniana Shirin Ebadi, o escritor Mario Vargas Llosa, o ex-Presidente do Senegal Abdou Diouf, a jornalista britânica Emily Bell e o jornalista turco Can Dundar, além do ensaista Francis Fukuyama, entre outros.

O grupo foi reunido por iniciativa da organização Repórteres sem Fronteiras, com a intenção de desencadear um processo político que leve os dirigentes mundiais à assinatura do referido pacto dentro de um ano. “Neste momento histórico crucial”  - afirmam os signatários do apelo -  é necessário este pacto para “estabelecer garantias democráticas sobre a informação e a liberdade de opinião”.
No momento presente, como afirmam os 25 signatários do apelo, “as liberdades, a concórdia civil e a paz” estão ameaçadas pelo “controlo político sobre a Imprensa e os media (...) a desinformação maciça online, a fragilização económica do jornalismo de qualidade e os ataques e violências contra os jornalistas”.

Presidida pela jurista Shirin Ebadi, Prémio Nobel da Paz em 2003, e por Christophe Deloire, secretário-geral dos RSF, esta comissão foi constituída também em referência ao aniversário dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos do Homem, proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em Paris, em Dezembro de 1948. 

O documento agora publicado, intitulado “Declaração Internacional sobre a Informação e Democracia”, é proposto como base de trabalho para os dirigentes mundiais. O texto sublinha, em seis páginas, a importância do direito a uma informação fiável, ao respeito da vida privada e à transparência dos poderes, garantias democráticas necessárias no presente “contexto de mundialização, de digitalização e de perturbação do espaço público”. 

A comissão propõe ainda a criação de “um grupo internacional de peritos sobre informação e democracia”, à semelhança do GIEC (grupo inter-governamental de peritos sobre a evolução do clima) para as questões climáticas. 

Dirige-se também às grandes empresas da Web, no sentido de respeitarem princípios fundamentais para garantia do pluralismo e da criação de “mecanismos de promoção de uma informação fiável”. 

No momento presente, como afirmam os 25 signatários do apelo, “as liberdades, a concórdia civil e a paz” estão ameaçadas pelo “controlo político sobre a Imprensa e os media (...) a desinformação maciça online, a fragilização económica do jornalismo de qualidade e os ataques e violências contra os jornalistas”.

 

 

Mais informação em Le Monde e no site dos RSF, que contém a identidade e biografia dos 25 signatários do apelo

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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