Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
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Apelo de 25 personalidades contra "controlo político sobre a Imprensa e os Media"

Aproveitando a próxima presença em Paris, de 11 a 13 de Novembro, de seis dezenas de Chefes de Estado ou primeiros-ministros, no centenário do Armistício que formalizou o fim da I Grande Guerra, uma comissão de 25 personalidades de renome mundial, várias delas galardoadas com o Prémio Nobel, divulgou um apelo à assinatura de um “Pacto sobre a Informação e a Democracia”. Fazem parte deste grupo economistas como Amartya Sen e Joseph Stiglitz, a advogada iraniana Shirin Ebadi, o escritor Mario Vargas Llosa, o ex-Presidente do Senegal Abdou Diouf, a jornalista britânica Emily Bell e o jornalista turco Can Dundar, além do ensaista Francis Fukuyama, entre outros.

O grupo foi reunido por iniciativa da organização Repórteres sem Fronteiras, com a intenção de desencadear um processo político que leve os dirigentes mundiais à assinatura do referido pacto dentro de um ano. “Neste momento histórico crucial”  - afirmam os signatários do apelo -  é necessário este pacto para “estabelecer garantias democráticas sobre a informação e a liberdade de opinião”.
No momento presente, como afirmam os 25 signatários do apelo, “as liberdades, a concórdia civil e a paz” estão ameaçadas pelo “controlo político sobre a Imprensa e os media (...) a desinformação maciça online, a fragilização económica do jornalismo de qualidade e os ataques e violências contra os jornalistas”.

Presidida pela jurista Shirin Ebadi, Prémio Nobel da Paz em 2003, e por Christophe Deloire, secretário-geral dos RSF, esta comissão foi constituída também em referência ao aniversário dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos do Homem, proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em Paris, em Dezembro de 1948. 

O documento agora publicado, intitulado “Declaração Internacional sobre a Informação e Democracia”, é proposto como base de trabalho para os dirigentes mundiais. O texto sublinha, em seis páginas, a importância do direito a uma informação fiável, ao respeito da vida privada e à transparência dos poderes, garantias democráticas necessárias no presente “contexto de mundialização, de digitalização e de perturbação do espaço público”. 

A comissão propõe ainda a criação de “um grupo internacional de peritos sobre informação e democracia”, à semelhança do GIEC (grupo inter-governamental de peritos sobre a evolução do clima) para as questões climáticas. 

Dirige-se também às grandes empresas da Web, no sentido de respeitarem princípios fundamentais para garantia do pluralismo e da criação de “mecanismos de promoção de uma informação fiável”. 

No momento presente, como afirmam os 25 signatários do apelo, “as liberdades, a concórdia civil e a paz” estão ameaçadas pelo “controlo político sobre a Imprensa e os media (...) a desinformação maciça online, a fragilização económica do jornalismo de qualidade e os ataques e violências contra os jornalistas”.

 

 

Mais informação em Le Monde e no site dos RSF, que contém a identidade e biografia dos 25 signatários do apelo

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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Francisco Sarsfield Cabral
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