Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Estudo

Jovens europeus lêem menos jornais, mas confiam nos seus "sites"

Embora menos propensos a ler a Imprensa em papel, os jovens são capazes de nomear o título de um jornal impresso, quando se lhes pede que indiquem a sua principal fonte de notícias  - sugerindo que procuram o noticiário em que confiam nos sites de alguns jornais tradicionais. Os leitores na faixa etária dos 18 aos 29 anos concordam com os mais velhos em que os media “são importantes para o funcionamento da sociedade”, mas afastam-se deles sobre o modo como avaliam a sua prestação em determinados temas concretos, como a imigração, o crime ou a política do governo do seu país. Estes dados são de um estudo recente, realizado pelo Pew Research Centre em oito países da Europa Ocidental  - Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Holanda, Espanha, Suíça e Reino Unido.

No caso do Reino Unido, o primeiro jornal nomeado, em termos de confiança, é o diário The Guardian, seguido de perto por The Times. Em Espanha é El País. Na Holanda, 53% mencionam De Telegraaf. O inquérito cobriu mais de 16 mil adultos dos oito países referidos  - que, no seu conjunto, representam cerca de 69% da população da União Europeia e 75% da sua economia.

Os jovens britânicos sentem-se mais insatisfeitos sobre o modo como os media, em geral, se comportam a respeito da responsabilização do governo, e do tratamento de temas como o da imigração. Na Dinamarca, por exemplo, quase metade (49%) admitem que os media procedem bem neste ponto (imigração), o que fica longe dos 74% registados pelos leitores de 50 anos para cima  - uma distância de 25 pontos percentuais. 

Ainda no Reino Unido, dois terços dos que estão entre os 18 e os 29 anos dizem que nunca ouvem as notícias pela rádio, e 19% nunca as vêem pela televisão, preferindo procurá-las nos sites noticiosos e nas redes sociais. Por contraste, um terço dos que ficam acima dos 50 anos nunca procura notícias online

Mas a BBC continua a ser a fonte de notícias dominante para o conjunto de todas as gerações de britânicos, com 44% dos jovens a nomeá-la como a sua principal origem de informação. The Guardian é a segunda fonte mais popular entre os jovens, vindo a seguir o MailOnline

“No entanto, o estudo revela que a BBC está a ficar menos usada e menos acreditada pelas audiências mais jovens  - o que a própria BBC reconhece, e desencadeou discussões internas sobre como recuperar este segmento da população.” (...) 

Em todos estes países, os jovens são duas vezes mais inclinados a procurar notícias online do que pela televisão, ao contrário dos de mais de 50 anos, para quem a TV continua a ser a fonte principal. Os que ficam entre os 30 e os 49 anos  - que fazem a ponte entre os mais novos e os mais velhos -  também a fazem entre as duas plataformas, com 61% procurando as notícias na TV e 68% online.

 

 

Mais informação em The Guardian e no Pew Research Centre

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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