Sábado, 25 de Maio, 2019
Estudo

Jovens europeus lêem menos jornais, mas confiam nos seus "sites"

Embora menos propensos a ler a Imprensa em papel, os jovens são capazes de nomear o título de um jornal impresso, quando se lhes pede que indiquem a sua principal fonte de notícias  - sugerindo que procuram o noticiário em que confiam nos sites de alguns jornais tradicionais. Os leitores na faixa etária dos 18 aos 29 anos concordam com os mais velhos em que os media “são importantes para o funcionamento da sociedade”, mas afastam-se deles sobre o modo como avaliam a sua prestação em determinados temas concretos, como a imigração, o crime ou a política do governo do seu país. Estes dados são de um estudo recente, realizado pelo Pew Research Centre em oito países da Europa Ocidental  - Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Holanda, Espanha, Suíça e Reino Unido.

No caso do Reino Unido, o primeiro jornal nomeado, em termos de confiança, é o diário The Guardian, seguido de perto por The Times. Em Espanha é El País. Na Holanda, 53% mencionam De Telegraaf. O inquérito cobriu mais de 16 mil adultos dos oito países referidos  - que, no seu conjunto, representam cerca de 69% da população da União Europeia e 75% da sua economia.

Os jovens britânicos sentem-se mais insatisfeitos sobre o modo como os media, em geral, se comportam a respeito da responsabilização do governo, e do tratamento de temas como o da imigração. Na Dinamarca, por exemplo, quase metade (49%) admitem que os media procedem bem neste ponto (imigração), o que fica longe dos 74% registados pelos leitores de 50 anos para cima  - uma distância de 25 pontos percentuais. 

Ainda no Reino Unido, dois terços dos que estão entre os 18 e os 29 anos dizem que nunca ouvem as notícias pela rádio, e 19% nunca as vêem pela televisão, preferindo procurá-las nos sites noticiosos e nas redes sociais. Por contraste, um terço dos que ficam acima dos 50 anos nunca procura notícias online

Mas a BBC continua a ser a fonte de notícias dominante para o conjunto de todas as gerações de britânicos, com 44% dos jovens a nomeá-la como a sua principal origem de informação. The Guardian é a segunda fonte mais popular entre os jovens, vindo a seguir o MailOnline

“No entanto, o estudo revela que a BBC está a ficar menos usada e menos acreditada pelas audiências mais jovens  - o que a própria BBC reconhece, e desencadeou discussões internas sobre como recuperar este segmento da população.” (...) 

Em todos estes países, os jovens são duas vezes mais inclinados a procurar notícias online do que pela televisão, ao contrário dos de mais de 50 anos, para quem a TV continua a ser a fonte principal. Os que ficam entre os 30 e os 49 anos  - que fazem a ponte entre os mais novos e os mais velhos -  também a fazem entre as duas plataformas, com 61% procurando as notícias na TV e 68% online.

 

 

Mais informação em The Guardian e no Pew Research Centre

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Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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