Quinta-feira, 4 de Junho, 2020
Estudo

Jovens europeus lêem menos jornais, mas confiam nos seus "sites"

Embora menos propensos a ler a Imprensa em papel, os jovens são capazes de nomear o título de um jornal impresso, quando se lhes pede que indiquem a sua principal fonte de notícias  - sugerindo que procuram o noticiário em que confiam nos sites de alguns jornais tradicionais. Os leitores na faixa etária dos 18 aos 29 anos concordam com os mais velhos em que os media “são importantes para o funcionamento da sociedade”, mas afastam-se deles sobre o modo como avaliam a sua prestação em determinados temas concretos, como a imigração, o crime ou a política do governo do seu país. Estes dados são de um estudo recente, realizado pelo Pew Research Centre em oito países da Europa Ocidental  - Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Holanda, Espanha, Suíça e Reino Unido.

No caso do Reino Unido, o primeiro jornal nomeado, em termos de confiança, é o diário The Guardian, seguido de perto por The Times. Em Espanha é El País. Na Holanda, 53% mencionam De Telegraaf. O inquérito cobriu mais de 16 mil adultos dos oito países referidos  - que, no seu conjunto, representam cerca de 69% da população da União Europeia e 75% da sua economia.

Os jovens britânicos sentem-se mais insatisfeitos sobre o modo como os media, em geral, se comportam a respeito da responsabilização do governo, e do tratamento de temas como o da imigração. Na Dinamarca, por exemplo, quase metade (49%) admitem que os media procedem bem neste ponto (imigração), o que fica longe dos 74% registados pelos leitores de 50 anos para cima  - uma distância de 25 pontos percentuais. 

Ainda no Reino Unido, dois terços dos que estão entre os 18 e os 29 anos dizem que nunca ouvem as notícias pela rádio, e 19% nunca as vêem pela televisão, preferindo procurá-las nos sites noticiosos e nas redes sociais. Por contraste, um terço dos que ficam acima dos 50 anos nunca procura notícias online

Mas a BBC continua a ser a fonte de notícias dominante para o conjunto de todas as gerações de britânicos, com 44% dos jovens a nomeá-la como a sua principal origem de informação. The Guardian é a segunda fonte mais popular entre os jovens, vindo a seguir o MailOnline

“No entanto, o estudo revela que a BBC está a ficar menos usada e menos acreditada pelas audiências mais jovens  - o que a própria BBC reconhece, e desencadeou discussões internas sobre como recuperar este segmento da população.” (...) 

Em todos estes países, os jovens são duas vezes mais inclinados a procurar notícias online do que pela televisão, ao contrário dos de mais de 50 anos, para quem a TV continua a ser a fonte principal. Os que ficam entre os 30 e os 49 anos  - que fazem a ponte entre os mais novos e os mais velhos -  também a fazem entre as duas plataformas, com 61% procurando as notícias na TV e 68% online.

 

 

Mais informação em The Guardian e no Pew Research Centre

Connosco
O paradoxo no Brasil entre a ética jornalística e a ética empresarial Ver galeria

Os jornalistas brasileiros estão a ser confrontados com novos obstáculos, impostos à profissão pela Covid-19. É o caso teletrabalho,  que veio alterar, profundamente, o “modus operandi” das redacções e da investigação jornalística. 

Há, contudo, outras questões, ainda mais preocupantes, a serem discutidas por estes profissionais, como é o caso da ética jornalística, reiterou Silvia Meirelles Leite num artigo publicado na revista “objETHOS” e reproduzido no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

De acordo com a autora, enquanto os jornalistas continuam a desempenhar as suas funções e a manter a população informada, as empresas detentoras dos “media” têm de garantir apoios financeiros.

Isto leva a que, não raramente, a televisão pública seja obrigada a suprimir certas peças jornalísticas. Caso contrário, este serviço deixaria de receber financiamento governamental.

A cobertura do coronavírus reforçou a credibilidade jornalística Ver galeria

A pandemia de Covid-19 afectou praticamente todos os sectores da sociedade e influenciou a vida dos cidadãos, um pouco por todo o mundo.

Assim, os jornalistas têm vindo a assumir um papel essencial, mantendo a  população informada sobre os impactos da doença, bem como sobre as suas mutações.

Desta forma, os “media” tradicionais voltaram a merecer a atenção e “lealdade” do público, que deixou de informar-se através das redes sociais que são, tendencialmente, uma plataforma de desinformação,

considerou o jornalista Michel Ribeiro num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Perante a actual crise sanitária, recorda o autor, o jornalismo televisivo conquistou uma audiência significativa e os jornais “online” registaram um tráfego sem precedentes. Da mesma forma, mais consumidores decidiram assinar fontes de informação fidedignas e ouvir rádio para se manterem informados.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas