Segunda-feira, 23 de Setembro, 2019
Estudo

Jovens europeus lêem menos jornais, mas confiam nos seus "sites"

Embora menos propensos a ler a Imprensa em papel, os jovens são capazes de nomear o título de um jornal impresso, quando se lhes pede que indiquem a sua principal fonte de notícias  - sugerindo que procuram o noticiário em que confiam nos sites de alguns jornais tradicionais. Os leitores na faixa etária dos 18 aos 29 anos concordam com os mais velhos em que os media “são importantes para o funcionamento da sociedade”, mas afastam-se deles sobre o modo como avaliam a sua prestação em determinados temas concretos, como a imigração, o crime ou a política do governo do seu país. Estes dados são de um estudo recente, realizado pelo Pew Research Centre em oito países da Europa Ocidental  - Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Holanda, Espanha, Suíça e Reino Unido.

No caso do Reino Unido, o primeiro jornal nomeado, em termos de confiança, é o diário The Guardian, seguido de perto por The Times. Em Espanha é El País. Na Holanda, 53% mencionam De Telegraaf. O inquérito cobriu mais de 16 mil adultos dos oito países referidos  - que, no seu conjunto, representam cerca de 69% da população da União Europeia e 75% da sua economia.

Os jovens britânicos sentem-se mais insatisfeitos sobre o modo como os media, em geral, se comportam a respeito da responsabilização do governo, e do tratamento de temas como o da imigração. Na Dinamarca, por exemplo, quase metade (49%) admitem que os media procedem bem neste ponto (imigração), o que fica longe dos 74% registados pelos leitores de 50 anos para cima  - uma distância de 25 pontos percentuais. 

Ainda no Reino Unido, dois terços dos que estão entre os 18 e os 29 anos dizem que nunca ouvem as notícias pela rádio, e 19% nunca as vêem pela televisão, preferindo procurá-las nos sites noticiosos e nas redes sociais. Por contraste, um terço dos que ficam acima dos 50 anos nunca procura notícias online

Mas a BBC continua a ser a fonte de notícias dominante para o conjunto de todas as gerações de britânicos, com 44% dos jovens a nomeá-la como a sua principal origem de informação. The Guardian é a segunda fonte mais popular entre os jovens, vindo a seguir o MailOnline

“No entanto, o estudo revela que a BBC está a ficar menos usada e menos acreditada pelas audiências mais jovens  - o que a própria BBC reconhece, e desencadeou discussões internas sobre como recuperar este segmento da população.” (...) 

Em todos estes países, os jovens são duas vezes mais inclinados a procurar notícias online do que pela televisão, ao contrário dos de mais de 50 anos, para quem a TV continua a ser a fonte principal. Os que ficam entre os 30 e os 49 anos  - que fazem a ponte entre os mais novos e os mais velhos -  também a fazem entre as duas plataformas, com 61% procurando as notícias na TV e 68% online.

 

 

Mais informação em The Guardian e no Pew Research Centre

Connosco
Estudo revela cepticismo sobre cobrança generalizada de conteúdos Ver galeria

Num relatório da KMPG intitulado “Presente e futuro do sector intermediário”, os empresários de media concordam que, a transição progressiva para um sistema de pagamento de conteúdos é necessária.

No entanto, apenas 38% desses executivos estão convencidos de que a cobrança pelos conteúdos digitais será generalizada nos próximos três anos. Entretanto, 62% acreditam que o modelo aberto e de pagamento coexistirá nesse período.

O relatório vem publicado no site da APM com quem a CPI tem um acordo de parceria.
Segundo o mesmo relatório, as cinco tendências que marcarão a agenda do sector dos media são as seguintes: a busca de um modelo de negócios rentável e sustentável, o potencial da publicidade digital, o compromisso com a qualidade, a análise de dados e alianças entre empresas jornalísticas.
A necessidade proteger o jornalismo do discurso inflamado Ver galeria

Os media e os jornalistas, parecem ter sido dominados pela energia estonteante dos discursos inflamados, da ofensa ao adversário e da mentira persuasiva que apelam á emoção em vez da razão, defende José Antonio Zarzalejos , nos  Cuadernos de Periodismo  da  APM, com a qual o CPI tem um acordo de parceria.

Especialmente, em período de eleições, a transmissão de mensagens “tornou-se um exercício de impostura e num território onde tudo é permitido, incluindo o insulto e a mentira”.

Nesta lógica comunicacional,  a transformação do estrangeiro em inimigo, e da dissidência em dissidente, são procedimentos  na arena política, segundo  o autor.
A receptividade para acolher  argumentos contrários  ou partilhar pensamentos diversos,  de acordo com   Zarzalejos, passou a ser entendido como uma abordagem fraca, sem convicção.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
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