Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Prémio

Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia entregues em Macau

O Prémio de Jornalismo da Lusofonia de 2018 foi entregue em Macau, em cerimónia realizada no Clube Militar, à jornalista Catarina Brites Soares, distinguida pelo seu trabalho “Ler sem Limites”, publicado no semanário Plataforma. O Prémio de Ensaio, atribuído ao historiador António Aresta pelo trabalho “Miguel Torga: um poeta português em Macau”, foi  - na ausência do galardoado, que se encontra em Portugal -  simbolicamente entregue ao director do Jornal Tribuna de Macau, Sérgio Terra.

Nesta segunda edição dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos pelo Jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, foram submetidas mais de quatro dezenas de trabalhos de autores de Macau, Portugal, Brasil e outros países de Língua Portuguesa.
O júri, presidido por Dinis de Abreu, do Clube Português de Imprensa, foi ainda integrado por José Rocha Diniz, pela Tribuna de Macau, José Carlos de Vasconcelos, pelo JL, José António Silva Pires, pelo CPI, e Carlos Magno, pela Fundação Jorge Álvares.

A entrega dos Prémios foi um momento alto da cerimónia de comemoração dos 36 anos do Jornal Tribunal de Macau, durante a qual usaram da palavra o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura da RAEM, Alexis Tam, o administrador do jornal, José Rocha Diniz, e o General Garcia Leandro, antigo governador de Macau e actual presidente da Fundação Jorge Álvares. Estavam também presentes os Cônsules de Portugal, Moçambique e Angola, respectivamente Paulo Cunha Alves, Rafael Marques e Sofia Pegado da Silva.

Na sua intervenção, que proferiu em Português, Alexis Tam desejou “votos de sucesso” e garantiu envidar mais esforços para apoiar a Língua Portuguesa no território. “Vou fazer o melhor possível para conseguir mais leitores, principalmente os nossos alunos que estão a estudar a Língua Portuguesa”, disse. 

Segundo o Jornal Tribuna de Macau, que aqui citamos, o governante, reiterando a importância da Língua de Camões, em geral, e da Imprensa em Português, em particular, salientou o contributo deste segmento dos media por “conseguir divulgar informações importantes em todas as áreas – cultural, educativa, económica”. 

Por sua vez, José Rocha Diniz reafirmou a promessa da continuição do Tribuna de Macau como “um jornal sobre a vida sócio-económica e política de Macau, factual nas notícias, livre nas opiniões, e tudo isto em Língua Portuguesa e de acordo com o Código Deontológico dos Jornalistas Portugueses”. 

José Rocha Diniz salientou, também, que foi com a missão de “defesa, apoio ao ensino e à vulgarização da Língua Portuguesa” que se concretizou esta segunda edição dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos em 2017 em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e, este ano, com o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias

No mesmo contexto, o General Garcia Leandro, na qualidade de presidente da Fundação Jorge Álvares, destacou a relevância destes Prémios, que “não poderia deixar de apoiar por razões que estão relacionadas com a importância da Língua Portuguesa”. 

Para a jornalista premiada, Catarina Brites Soares, esta distinção é importante, sobretudo, por permitir transmitir a mensagem de que “em Macau existe, de facto, liberdade de expressão e acesso à informação”. 

Reconhecendo que, na fase inicial de elaboração da história, sentiu alguns receios das reacções que poderia causar, a jornalista defende a pertinência do tema, até porque “a mensagem que transmite era muito mais importante do que as repercussões eventualmente negativas que pudesse ter”. 

Quanto ao Prémio propriamente dito, Catarina Brites Soares afirmou que “vem dar visibilidade a uma área do mundo que muito tempo esteve ostracizada e que agora, de alguma forma, ganha protagonismo, também muito por responsabilidade desta terra, Macau, e da China Continental”.

 

Mais informação no Jornal Tribuna de Macau

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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