null, 24 de Março, 2019
Media

... e jornais portugueses também vendem menos

A circulação impressa paga da Imprensa generalista continua em queda, segundo os dados da APCT – Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação, relativos aos primeiros oito meses de 2018. Em comparação com o período homólogo do ano anterior, o conjunto dos jornais de informação generalista viu a sua circulação impressa cair 8%. Segundo a notícia de Meios & Publicidade, que aqui citamos, “nenhum dos títulos generalistas conseguiu escapar à erosão da sua circulação paga”  -  enquanto, por outro lado, “o tímido crescimento do digital revela-se insuficiente para colocar o segmento em números positivos”.

O Correio da Manhã mantém o seu lugar de líder destacado de vendas, com 81.744 exemplares por dia, número que significa, no entanto, uma quebra de 7,8% em comparação com a sua média de 88.670 no mesmo período do ano anterior. 

O segundo diário mais vendido continua a ser o Jornal de Notícias, embora com uma quebra de 7,1%, tendo descido de uma circulação impressa paga de 46.177 para 42.897 exemplares por dia. 

O terceiro lugar é do Público, com 17.700 exemplares vendidos por dia  - e, neste contexto, com a quebra menos acentuada: perdeu apenas 1,9%, tendo descido dos 18.038 do ano passado. 

O Diário de Notícias, que iniciou o ano como título diário mas passou a ser publicado exclusivamente aos domingos nos últimos dois meses do período em análise (mantendo a edição online), regista uma quebra de 16,4%, passando de 10.168 exemplares vendidos por edição para os 8.498 exemplares/edição. O título passou a semanário em Julho, mês em que o número de exemplares vendidos por edição se situou acima da média, com 10.607. Em Agosto, o DN vendeu em média 8.993 exemplares por edição. 

Nas newsmagaines, a Visão segura a liderança do segmento, apesar de uma quebra de circulação impressa paga na ordem dos 28,9%, descendo dos 57.810 exemplares vendidos por edição para os 41.104 exemplares. 

Ainda segundo o artigo que citamos, “a circulação digital paga continua a não ser suficiente para assumir o papel de balão de oxigénio da Imprensa generalista, com números de crescimento tímidos. Na soma dos cinco jornais generalistas auditados pela APCT, a circulação digital paga regista um crescimento de apenas 1,5% comparando os períodos de Janeiro a Agosto de 2017 e 2018, com alguns dos títulos a verem, inclusivamente, a sua circulação digital paga diminuir”. (...) 

“O Expresso, que lidera em circulação total paga com 86.373 e foi o título que mais cresceu em termos absolutos no digital, não teve nesse crescimento o volume suficiente para fazer face às quebras na edição impressa e regista, ainda assim, uma quebra de 4,8% na soma da circulação impressa paga e da circulação digital paga, comparativamente aos 90.726 que registava entre Janeiro e Agosto de 2017.”

 

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O jornalismo entre os "apóstolos da certeza" e a "política da dúvida" Ver galeria

Há uma grande diferença entre um jornalismo “de elite” e aquele que vive dependente do clickbait. Há uma grande diferença, temporal, entre o que se faz hoje e o que se fazia há poucos anos  - tratando-se de tecnologia digital, “o que aconteceu há cinco anos é história”. E há uma grande diferença entre entender o que está a acontecer aos jornalistas e entender o que os jornalistas acham que lhes está a acontecer.

A reflexão inicial é de C.W. Anderson, que se define como um etnógrafo dedicado a estudar o modo como o jornalismo está a mudar com o tempo. Foi co-autor, com Emily Bell e Clay Shirky, do Relatório do Jornalismo Pós-Industrial, em 2012, na Universidade de Columbia. O seu trabalho mais recente é Apóstolos da Certeza: Jornalismo de Dados e a Política da Dúvida, livro em que analisa como a ideia de jornalismo de dados mudou ao longo do tempo.

Cidadão dos EUA, C.W. Anderson é hoje professor na Escola de Jornalismo da Universidade de Leeds, no Reino Unido. A entrevista que aqui citamos foi publicada no Farol Jornalismo, do Medium, e reproduzida no Obervatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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