Quinta-feira, 22 de Agosto, 2019
Media

... e jornais portugueses também vendem menos

A circulação impressa paga da Imprensa generalista continua em queda, segundo os dados da APCT – Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação, relativos aos primeiros oito meses de 2018. Em comparação com o período homólogo do ano anterior, o conjunto dos jornais de informação generalista viu a sua circulação impressa cair 8%. Segundo a notícia de Meios & Publicidade, que aqui citamos, “nenhum dos títulos generalistas conseguiu escapar à erosão da sua circulação paga”  -  enquanto, por outro lado, “o tímido crescimento do digital revela-se insuficiente para colocar o segmento em números positivos”.

O Correio da Manhã mantém o seu lugar de líder destacado de vendas, com 81.744 exemplares por dia, número que significa, no entanto, uma quebra de 7,8% em comparação com a sua média de 88.670 no mesmo período do ano anterior. 

O segundo diário mais vendido continua a ser o Jornal de Notícias, embora com uma quebra de 7,1%, tendo descido de uma circulação impressa paga de 46.177 para 42.897 exemplares por dia. 

O terceiro lugar é do Público, com 17.700 exemplares vendidos por dia  - e, neste contexto, com a quebra menos acentuada: perdeu apenas 1,9%, tendo descido dos 18.038 do ano passado. 

O Diário de Notícias, que iniciou o ano como título diário mas passou a ser publicado exclusivamente aos domingos nos últimos dois meses do período em análise (mantendo a edição online), regista uma quebra de 16,4%, passando de 10.168 exemplares vendidos por edição para os 8.498 exemplares/edição. O título passou a semanário em Julho, mês em que o número de exemplares vendidos por edição se situou acima da média, com 10.607. Em Agosto, o DN vendeu em média 8.993 exemplares por edição. 

Nas newsmagaines, a Visão segura a liderança do segmento, apesar de uma quebra de circulação impressa paga na ordem dos 28,9%, descendo dos 57.810 exemplares vendidos por edição para os 41.104 exemplares. 

Ainda segundo o artigo que citamos, “a circulação digital paga continua a não ser suficiente para assumir o papel de balão de oxigénio da Imprensa generalista, com números de crescimento tímidos. Na soma dos cinco jornais generalistas auditados pela APCT, a circulação digital paga regista um crescimento de apenas 1,5% comparando os períodos de Janeiro a Agosto de 2017 e 2018, com alguns dos títulos a verem, inclusivamente, a sua circulação digital paga diminuir”. (...) 

“O Expresso, que lidera em circulação total paga com 86.373 e foi o título que mais cresceu em termos absolutos no digital, não teve nesse crescimento o volume suficiente para fazer face às quebras na edição impressa e regista, ainda assim, uma quebra de 4,8% na soma da circulação impressa paga e da circulação digital paga, comparativamente aos 90.726 que registava entre Janeiro e Agosto de 2017.”

 

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História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

"Jornalismo de soluções" como mito ou alternativa Ver galeria

Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

O Clube

É tempo de férias. E este site do Clube Português de Imprensa (CPI) não foge à regra e volta a respeitar Agosto,  como o mês mais procurado pelos seus visitantes para uma pausa nos afazeres. Suspendemos, por isso,  a  actualização diária,  a partir do  fim de semana. 

Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


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