Sábado, 25 de Maio, 2019
Media

... e jornais portugueses também vendem menos

A circulação impressa paga da Imprensa generalista continua em queda, segundo os dados da APCT – Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação, relativos aos primeiros oito meses de 2018. Em comparação com o período homólogo do ano anterior, o conjunto dos jornais de informação generalista viu a sua circulação impressa cair 8%. Segundo a notícia de Meios & Publicidade, que aqui citamos, “nenhum dos títulos generalistas conseguiu escapar à erosão da sua circulação paga”  -  enquanto, por outro lado, “o tímido crescimento do digital revela-se insuficiente para colocar o segmento em números positivos”.

O Correio da Manhã mantém o seu lugar de líder destacado de vendas, com 81.744 exemplares por dia, número que significa, no entanto, uma quebra de 7,8% em comparação com a sua média de 88.670 no mesmo período do ano anterior. 

O segundo diário mais vendido continua a ser o Jornal de Notícias, embora com uma quebra de 7,1%, tendo descido de uma circulação impressa paga de 46.177 para 42.897 exemplares por dia. 

O terceiro lugar é do Público, com 17.700 exemplares vendidos por dia  - e, neste contexto, com a quebra menos acentuada: perdeu apenas 1,9%, tendo descido dos 18.038 do ano passado. 

O Diário de Notícias, que iniciou o ano como título diário mas passou a ser publicado exclusivamente aos domingos nos últimos dois meses do período em análise (mantendo a edição online), regista uma quebra de 16,4%, passando de 10.168 exemplares vendidos por edição para os 8.498 exemplares/edição. O título passou a semanário em Julho, mês em que o número de exemplares vendidos por edição se situou acima da média, com 10.607. Em Agosto, o DN vendeu em média 8.993 exemplares por edição. 

Nas newsmagaines, a Visão segura a liderança do segmento, apesar de uma quebra de circulação impressa paga na ordem dos 28,9%, descendo dos 57.810 exemplares vendidos por edição para os 41.104 exemplares. 

Ainda segundo o artigo que citamos, “a circulação digital paga continua a não ser suficiente para assumir o papel de balão de oxigénio da Imprensa generalista, com números de crescimento tímidos. Na soma dos cinco jornais generalistas auditados pela APCT, a circulação digital paga regista um crescimento de apenas 1,5% comparando os períodos de Janeiro a Agosto de 2017 e 2018, com alguns dos títulos a verem, inclusivamente, a sua circulação digital paga diminuir”. (...) 

“O Expresso, que lidera em circulação total paga com 86.373 e foi o título que mais cresceu em termos absolutos no digital, não teve nesse crescimento o volume suficiente para fazer face às quebras na edição impressa e regista, ainda assim, uma quebra de 4,8% na soma da circulação impressa paga e da circulação digital paga, comparativamente aos 90.726 que registava entre Janeiro e Agosto de 2017.”

 

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Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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