null, 24 de Março, 2019
Media

… e consolidam-se os lucros da Impresa

Nos primeiros nove meses de 2018 a Impresa apresentou lucros na ordem dos 1,4 milhões de euros, registando uma melhoria no EBITDA, de 52,4% relativamente ao período homólogo no ano anterior. Os lucros obtidos pelo Grupo mostram que há “uma forte melhoria face ao período homólogo de 2017, no qual o resultado líquido foi negativo em 165 mil euros”.

Mas os resultados do período compreendido entre os meses de Janeiro a Setembro, comparativamente com o período homólogo, foram preparados "expurgando os rendimentos e gastos que se estima serem imputáveis ao portfólio de revistas alienado em 2018 e considerando impacto da IFRS 15 e da IFRS 9, como se tivessem sido aplicadas em 2017".

Com esta base, a Impresa registou uma melhoria de 52,4% no EBITDA, com uma subida de perto de 8,1 milhões de euros, para os 12,3 milhões de euros, nestes primeiros nove meses de 2018.

No mesmo período, as receitas consolidadas do Grupo registam um ligeiro recuo dos 127 milhões de euros para os 126,2 milhões, uma diminuição de 0,7% comparativamente ao período homólogo em 2017, se considerarmos as contas pró-forma, que excluem os rendimentos que seriam imputados às revistas alienadas.

Quanto aos custos operacionais, o Grupo apresenta um corte de 4,3% face aos custos estimados nos primeiros nove meses de 2017 de acordo com as contas pró-forma enviadas pela Impresa à CMVM. Uma descida que é justificada como “resultado da descida dos custos com programação e com pessoal e da menor actividade dos IVR’s”.

Analisando os resultados por segmento, a área de televisão chega ao fim destes primeiros nove meses do ano com um EBITDA de 13,9 milhões de euros. Este crescimento do EBITDA é conseguido apesar de uma quebra de 2,9% nas receitas totais do segmento e justifica-se pelo corte a rondar os 7,5 milhões de euros nos custos operacionais da área da televisão, que terão passado dos 99,1 milhões de euros estimados para cerca de 91,5 milhões de euros, uma redução na ordem dos 7,7%.

Já no segmento de publishing, o Grupo viu as receitas crescerem 10%, passando dos 17,2 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2017 para cerca de 18,9 milhões de euros no mesmo período do ano presente, uma subida para a qual contribuiu sobretudo o crescimento de 10,8% (de 9,1 milhões para 10,1 milhões de euros) nas receitas publicitárias.

Com estas alterações, apesar da já referida quebra de 3,4% registada nas receitas de circulação, e além do crescimento das receitas publicitárias, o segmento viu os resultados alavancados com as subidas de 57,6% na venda de produtos associados (de 288 mil euros para 454 mil euros) e de 127,6% no item Outras Receitas (de 645 mil euros para perto de 1,5 milhões de euros).

Também do lado dos custos se regista uma subida para os 18,6 milhões de euros, um aumento de 11,7% face à estimativa de 16,6 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2017.

“Os resultados obtidos até Setembro de 2018 permitem reiterar o objectivo traçado pelo Grupo Impresa para o ano de 2018: prosseguir o reforço da rentabilidade, com um crescimento em termos do EBITDA e dos resultados líquidos”, sublinha o grupo liderado por Francisco Pedro Balsemão, onde se destaca ainda que “a dívida remunerada líquida atingiu 189,6 milhões de euros no final de Setembro de 2018, uma descida de 3,1 milhões de euros em termos homólogos.

No relatório, que apresentou, há uma redução ligeira da dívida face ao trimestre anterior. O Grupo justificou “a redução da divida mais lenta” com o “financiamento do projecto de expansão do edifício Impresa, e ainda, os novos estúdios”. Recorde-se que no passado mês de Junho, o Grupo que detém a SIC e o Expresso promoveu uma operação de financiamento suportada no Edifício Impresa, em Paço de Arcos.

O edifício, que em breve albergará todos os meios detidos pelo Grupo dono da SIC e do Expresso, com a transferência dos estúdios da estação de televisão de Carnaxide para Paço de Arcos, “foi tomado em locação financeira pela Impresa, por um período de 10 anos”, sendo que “o montante envolvido na operação foi de 24,2 milhões de euros” e permitirá pagar o empréstimo obrigacionista que vence no próximo mês de Novembro.

Connosco
O jornalismo entre os "apóstolos da certeza" e a "política da dúvida" Ver galeria

Há uma grande diferença entre um jornalismo “de elite” e aquele que vive dependente do clickbait. Há uma grande diferença, temporal, entre o que se faz hoje e o que se fazia há poucos anos  - tratando-se de tecnologia digital, “o que aconteceu há cinco anos é história”. E há uma grande diferença entre entender o que está a acontecer aos jornalistas e entender o que os jornalistas acham que lhes está a acontecer.

A reflexão inicial é de C.W. Anderson, que se define como um etnógrafo dedicado a estudar o modo como o jornalismo está a mudar com o tempo. Foi co-autor, com Emily Bell e Clay Shirky, do Relatório do Jornalismo Pós-Industrial, em 2012, na Universidade de Columbia. O seu trabalho mais recente é Apóstolos da Certeza: Jornalismo de Dados e a Política da Dúvida, livro em que analisa como a ideia de jornalismo de dados mudou ao longo do tempo.

Cidadão dos EUA, C.W. Anderson é hoje professor na Escola de Jornalismo da Universidade de Leeds, no Reino Unido. A entrevista que aqui citamos foi publicada no Farol Jornalismo, do Medium, e reproduzida no Obervatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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