Sábado, 17 de Agosto, 2019
Media

… e consolidam-se os lucros da Impresa

Nos primeiros nove meses de 2018 a Impresa apresentou lucros na ordem dos 1,4 milhões de euros, registando uma melhoria no EBITDA, de 52,4% relativamente ao período homólogo no ano anterior. Os lucros obtidos pelo Grupo mostram que há “uma forte melhoria face ao período homólogo de 2017, no qual o resultado líquido foi negativo em 165 mil euros”.

Mas os resultados do período compreendido entre os meses de Janeiro a Setembro, comparativamente com o período homólogo, foram preparados "expurgando os rendimentos e gastos que se estima serem imputáveis ao portfólio de revistas alienado em 2018 e considerando impacto da IFRS 15 e da IFRS 9, como se tivessem sido aplicadas em 2017".

Com esta base, a Impresa registou uma melhoria de 52,4% no EBITDA, com uma subida de perto de 8,1 milhões de euros, para os 12,3 milhões de euros, nestes primeiros nove meses de 2018.

No mesmo período, as receitas consolidadas do Grupo registam um ligeiro recuo dos 127 milhões de euros para os 126,2 milhões, uma diminuição de 0,7% comparativamente ao período homólogo em 2017, se considerarmos as contas pró-forma, que excluem os rendimentos que seriam imputados às revistas alienadas.

Quanto aos custos operacionais, o Grupo apresenta um corte de 4,3% face aos custos estimados nos primeiros nove meses de 2017 de acordo com as contas pró-forma enviadas pela Impresa à CMVM. Uma descida que é justificada como “resultado da descida dos custos com programação e com pessoal e da menor actividade dos IVR’s”.

Analisando os resultados por segmento, a área de televisão chega ao fim destes primeiros nove meses do ano com um EBITDA de 13,9 milhões de euros. Este crescimento do EBITDA é conseguido apesar de uma quebra de 2,9% nas receitas totais do segmento e justifica-se pelo corte a rondar os 7,5 milhões de euros nos custos operacionais da área da televisão, que terão passado dos 99,1 milhões de euros estimados para cerca de 91,5 milhões de euros, uma redução na ordem dos 7,7%.

Já no segmento de publishing, o Grupo viu as receitas crescerem 10%, passando dos 17,2 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2017 para cerca de 18,9 milhões de euros no mesmo período do ano presente, uma subida para a qual contribuiu sobretudo o crescimento de 10,8% (de 9,1 milhões para 10,1 milhões de euros) nas receitas publicitárias.

Com estas alterações, apesar da já referida quebra de 3,4% registada nas receitas de circulação, e além do crescimento das receitas publicitárias, o segmento viu os resultados alavancados com as subidas de 57,6% na venda de produtos associados (de 288 mil euros para 454 mil euros) e de 127,6% no item Outras Receitas (de 645 mil euros para perto de 1,5 milhões de euros).

Também do lado dos custos se regista uma subida para os 18,6 milhões de euros, um aumento de 11,7% face à estimativa de 16,6 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2017.

“Os resultados obtidos até Setembro de 2018 permitem reiterar o objectivo traçado pelo Grupo Impresa para o ano de 2018: prosseguir o reforço da rentabilidade, com um crescimento em termos do EBITDA e dos resultados líquidos”, sublinha o grupo liderado por Francisco Pedro Balsemão, onde se destaca ainda que “a dívida remunerada líquida atingiu 189,6 milhões de euros no final de Setembro de 2018, uma descida de 3,1 milhões de euros em termos homólogos.

No relatório, que apresentou, há uma redução ligeira da dívida face ao trimestre anterior. O Grupo justificou “a redução da divida mais lenta” com o “financiamento do projecto de expansão do edifício Impresa, e ainda, os novos estúdios”. Recorde-se que no passado mês de Junho, o Grupo que detém a SIC e o Expresso promoveu uma operação de financiamento suportada no Edifício Impresa, em Paço de Arcos.

O edifício, que em breve albergará todos os meios detidos pelo Grupo dono da SIC e do Expresso, com a transferência dos estúdios da estação de televisão de Carnaxide para Paço de Arcos, “foi tomado em locação financeira pela Impresa, por um período de 10 anos”, sendo que “o montante envolvido na operação foi de 24,2 milhões de euros” e permitirá pagar o empréstimo obrigacionista que vence no próximo mês de Novembro.

Connosco
História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

"Jornalismo de soluções" como mito ou alternativa Ver galeria

Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

O Clube

É tempo de férias. E este site do Clube Português de Imprensa (CPI) não foge à regra e volta a respeitar Agosto,  como o mês mais procurado pelos seus visitantes para uma pausa nos afazeres. Suspendemos, por isso,  a  actualização diária,  a partir do  fim de semana. 

Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


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