Sábado, 25 de Maio, 2019
Media

… e consolidam-se os lucros da Impresa

Nos primeiros nove meses de 2018 a Impresa apresentou lucros na ordem dos 1,4 milhões de euros, registando uma melhoria no EBITDA, de 52,4% relativamente ao período homólogo no ano anterior. Os lucros obtidos pelo Grupo mostram que há “uma forte melhoria face ao período homólogo de 2017, no qual o resultado líquido foi negativo em 165 mil euros”.

Mas os resultados do período compreendido entre os meses de Janeiro a Setembro, comparativamente com o período homólogo, foram preparados "expurgando os rendimentos e gastos que se estima serem imputáveis ao portfólio de revistas alienado em 2018 e considerando impacto da IFRS 15 e da IFRS 9, como se tivessem sido aplicadas em 2017".

Com esta base, a Impresa registou uma melhoria de 52,4% no EBITDA, com uma subida de perto de 8,1 milhões de euros, para os 12,3 milhões de euros, nestes primeiros nove meses de 2018.

No mesmo período, as receitas consolidadas do Grupo registam um ligeiro recuo dos 127 milhões de euros para os 126,2 milhões, uma diminuição de 0,7% comparativamente ao período homólogo em 2017, se considerarmos as contas pró-forma, que excluem os rendimentos que seriam imputados às revistas alienadas.

Quanto aos custos operacionais, o Grupo apresenta um corte de 4,3% face aos custos estimados nos primeiros nove meses de 2017 de acordo com as contas pró-forma enviadas pela Impresa à CMVM. Uma descida que é justificada como “resultado da descida dos custos com programação e com pessoal e da menor actividade dos IVR’s”.

Analisando os resultados por segmento, a área de televisão chega ao fim destes primeiros nove meses do ano com um EBITDA de 13,9 milhões de euros. Este crescimento do EBITDA é conseguido apesar de uma quebra de 2,9% nas receitas totais do segmento e justifica-se pelo corte a rondar os 7,5 milhões de euros nos custos operacionais da área da televisão, que terão passado dos 99,1 milhões de euros estimados para cerca de 91,5 milhões de euros, uma redução na ordem dos 7,7%.

Já no segmento de publishing, o Grupo viu as receitas crescerem 10%, passando dos 17,2 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2017 para cerca de 18,9 milhões de euros no mesmo período do ano presente, uma subida para a qual contribuiu sobretudo o crescimento de 10,8% (de 9,1 milhões para 10,1 milhões de euros) nas receitas publicitárias.

Com estas alterações, apesar da já referida quebra de 3,4% registada nas receitas de circulação, e além do crescimento das receitas publicitárias, o segmento viu os resultados alavancados com as subidas de 57,6% na venda de produtos associados (de 288 mil euros para 454 mil euros) e de 127,6% no item Outras Receitas (de 645 mil euros para perto de 1,5 milhões de euros).

Também do lado dos custos se regista uma subida para os 18,6 milhões de euros, um aumento de 11,7% face à estimativa de 16,6 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2017.

“Os resultados obtidos até Setembro de 2018 permitem reiterar o objectivo traçado pelo Grupo Impresa para o ano de 2018: prosseguir o reforço da rentabilidade, com um crescimento em termos do EBITDA e dos resultados líquidos”, sublinha o grupo liderado por Francisco Pedro Balsemão, onde se destaca ainda que “a dívida remunerada líquida atingiu 189,6 milhões de euros no final de Setembro de 2018, uma descida de 3,1 milhões de euros em termos homólogos.

No relatório, que apresentou, há uma redução ligeira da dívida face ao trimestre anterior. O Grupo justificou “a redução da divida mais lenta” com o “financiamento do projecto de expansão do edifício Impresa, e ainda, os novos estúdios”. Recorde-se que no passado mês de Junho, o Grupo que detém a SIC e o Expresso promoveu uma operação de financiamento suportada no Edifício Impresa, em Paço de Arcos.

O edifício, que em breve albergará todos os meios detidos pelo Grupo dono da SIC e do Expresso, com a transferência dos estúdios da estação de televisão de Carnaxide para Paço de Arcos, “foi tomado em locação financeira pela Impresa, por um período de 10 anos”, sendo que “o montante envolvido na operação foi de 24,2 milhões de euros” e permitirá pagar o empréstimo obrigacionista que vence no próximo mês de Novembro.

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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