Quinta-feira, 22 de Agosto, 2019
Media

Jornais espanhóis perderam 73% das vendas na última década...

Que os jornais impressos estão em crise é uma evidência  - já não é uma notícia. Mas os números ajudam a compreender a “sangria” destes últimos dez anos. Em Setembro de 2008, o diário espanol El País vendia uma média de 332 mil exemplares por dia. Hoje, a soma diária dos exemplares vendidos dos seis títulos principais  - além dele, El Mundo, ABC, La Razón, El Periódico e La Vanguardia -  chega apenas aos 316 mil. Tudo começou em Setembro de 2008, “o ano zero da crise”, como conta em Media-tics Miguel Ossorio Vega, que aqui citamos.

 “À crise económica, que feriu de modo brutal a Espanha e a Europa, juntou-se a imprevisível e mutante transição digital, que modifica as regras do jogo da noite para o dia, sem dar tempo de reagir  - o que irremediavelmente se soma a um necessário [processo de] tentativa e erro para sobreviver num ambiente digital que ainda está em construção.”

Segundo o autor, El País vendia então 332.808 exemplares por dia: “Era líder absoluto, a 1,10 euros de preço de capa. Agora custa 1,50 e distribui 123.153 exemplares por dia (dos quais vende pouco mais de 89 mil, segundo a Dircomfidencial). São 74% a menos do que há uma década.” 

As coisas não são melhores com os outros jornais: “El Mundo  passou dos 225.397 exemplares que vendia em Setembro de 2008 para os pouco mais de 56.500 que vende agora. Uma queda de 75%. Percentagem semelhante às que perderam El Peródico (-72%), que passou dos 114.101 exemplares, em 2008, para os actuais 32.008,  ou La Vanguardia (-70,3%), que passou dos 78.992 exemplares em 2008 para 23.511 dez anos depois.” 

“Os generalistas que sofreram menos nesta década foram o ABC, que caíu 60% (de 136.158 exemplares vendidos por dia, para 54.866) e La Razón, que perdeu 42,5%, caindo dos 106.144 para os 60.938 exemplares.” 

Tudo somado, perderam-se 838 mil exemplares diários, visto que naquela altura era ultrapassado o milhão de exemplares por dia. 

E o o jornalista conclui: 

“Nenhuma das estratégias seguida, durante estes anos, pelos editores destes jornais, conseguiu os resultados esperados, pelo que a Imprensa em papel se encaminha lentamente para o desaparecimento total, ou parcial  - enquanto se prepara o caminho para novos meios de financiamento que permitam ao jornalismo sobreviver, o que é mais necessário do que nunca, perante o impulso de notícias falsas que encontraram o seu caldo de cultura na mesma Net chamada a salvar a profissão.”

 

Mais informação no texto de Media-tics  e em Dircomfidencial

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História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

"Jornalismo de soluções" como mito ou alternativa Ver galeria

Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

O Clube

É tempo de férias. E este site do Clube Português de Imprensa (CPI) não foge à regra e volta a respeitar Agosto,  como o mês mais procurado pelos seus visitantes para uma pausa nos afazeres. Suspendemos, por isso,  a  actualização diária,  a partir do  fim de semana. 

Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


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