Sábado, 25 de Maio, 2019
Media

Jornais espanhóis perderam 73% das vendas na última década...

Que os jornais impressos estão em crise é uma evidência  - já não é uma notícia. Mas os números ajudam a compreender a “sangria” destes últimos dez anos. Em Setembro de 2008, o diário espanol El País vendia uma média de 332 mil exemplares por dia. Hoje, a soma diária dos exemplares vendidos dos seis títulos principais  - além dele, El Mundo, ABC, La Razón, El Periódico e La Vanguardia -  chega apenas aos 316 mil. Tudo começou em Setembro de 2008, “o ano zero da crise”, como conta em Media-tics Miguel Ossorio Vega, que aqui citamos.

 “À crise económica, que feriu de modo brutal a Espanha e a Europa, juntou-se a imprevisível e mutante transição digital, que modifica as regras do jogo da noite para o dia, sem dar tempo de reagir  - o que irremediavelmente se soma a um necessário [processo de] tentativa e erro para sobreviver num ambiente digital que ainda está em construção.”

Segundo o autor, El País vendia então 332.808 exemplares por dia: “Era líder absoluto, a 1,10 euros de preço de capa. Agora custa 1,50 e distribui 123.153 exemplares por dia (dos quais vende pouco mais de 89 mil, segundo a Dircomfidencial). São 74% a menos do que há uma década.” 

As coisas não são melhores com os outros jornais: “El Mundo  passou dos 225.397 exemplares que vendia em Setembro de 2008 para os pouco mais de 56.500 que vende agora. Uma queda de 75%. Percentagem semelhante às que perderam El Peródico (-72%), que passou dos 114.101 exemplares, em 2008, para os actuais 32.008,  ou La Vanguardia (-70,3%), que passou dos 78.992 exemplares em 2008 para 23.511 dez anos depois.” 

“Os generalistas que sofreram menos nesta década foram o ABC, que caíu 60% (de 136.158 exemplares vendidos por dia, para 54.866) e La Razón, que perdeu 42,5%, caindo dos 106.144 para os 60.938 exemplares.” 

Tudo somado, perderam-se 838 mil exemplares diários, visto que naquela altura era ultrapassado o milhão de exemplares por dia. 

E o o jornalista conclui: 

“Nenhuma das estratégias seguida, durante estes anos, pelos editores destes jornais, conseguiu os resultados esperados, pelo que a Imprensa em papel se encaminha lentamente para o desaparecimento total, ou parcial  - enquanto se prepara o caminho para novos meios de financiamento que permitam ao jornalismo sobreviver, o que é mais necessário do que nunca, perante o impulso de notícias falsas que encontraram o seu caldo de cultura na mesma Net chamada a salvar a profissão.”

 

Mais informação no texto de Media-tics  e em Dircomfidencial

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Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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