Sábado, 17 de Novembro, 2018
Opinião

A indigência mediática

por Dinis de Abreu

Há cerca de um ano, António Barreto  costumava assinar uma assertiva coluna de opinião no Diário de Noticias, entretanto desaparecida como outras, sem deixar rasto.

Numa delas,  reconhecia ser “simplesmente desmoralizante. Ver e ouvir os serviços de notícias das três ou quatro estações de televisão” . E comentava, a propósito,  que  “a vulgaridade é sinal de verdade. A boçalidade é prova do que é genuíno. A submissão ao poder e aos partidos é democracia. A falta de cultura e de inteligência é isenção profissional”.

A situação mediática, de então para cá, não melhorou. Pelo contrário, conheceu um agravamento que salta à vista do mais desprevenido, afectando a televisão, a Imprensa e a Rádio.

Os “comentadores” encartados saltitam de um estúdio para outro e têm espaços cativos em jornais, desde políticos na reforma ou no activo, a jornalistas que não escondem as suas capelinhas ideológicas, actuando  em função delas.

A preguiça instalou-se nas redacções – incluindo os escassos meios que ainda se reclamam de “referência” - e raras são aquelas onde ainda subsiste agenda, para simular algum esforço de reportagem, de pesquisa e de tratamento qualificado da informação, longe da obsessão das redes sociais..

A situação descrita por Barreto continua, infelizmente, a pontuar  a realidade mediática : “Quem marca a agenda dos noticiários são os partidos, os ministros e os treinadores de futebol. Quem estabelece os horários são as conferências de imprensa, as inaugurações, as visitas de ministros e os jogadores de futebol.”

O seguidismo militante, que tem contaminado o jornalismo português, nota-se pela forma como o primeiro ministro ou o Presidente da República são acompanhados  aonde quer que se desloquem, e abordados sistematicamente,  de uma forma acrítica, como se fossem mais dois comentadores.

A agenda mediática confunde-se com a agenda política. Em vez de se documentarem e reflectirem seriamente sobre os problemas que vicejam no espaço público, sobram os jornalistas que  preferem “surfar” a onda que estiver na moda do “politicamente correcto”.

“A concepção do pluralismo é de uma total indigência (…)”, acusava  ainda Barreto. E com razão.  Quem poderá contestar essa leitura pessimista e sombria , quando se observam múltiplos fenómenos  de  mediocridade impante,  que desfila nos telejornais e nos painéis de pseudo-debates nas televisões ?

A imbecilização do País, através de doses maciças de  futebol  - servidas em estúdio e em “directos” dos relvados -, e de gente promovida a “comentador”  político, sem nada que a recomende para tal,  é assustadora. 

Falta o critério profissional, escasseiam o rigor e a independência, e sobeja o enfeudamento ao poder do dia.

A fragilidade da maior parte das empresas jornalísticas deu nisto. E a democracia ressente-se.

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


ver mais >
Opinião
Agenda
19
Nov
21
Nov
22
Nov
Westminster Forum Projects
09:00 @ Londres, Reino Unido
23
Nov
#6COBCIBER – VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo
09:00 @ Faculdade de Letras da Universidade do Porto