Sexta-feira, 16 de Novembro, 2018
Media

Saiba quem são os donos dos grupos de Media portugueses

Há uma diversidade de grupos de media em Portugal, que se desenvolveram, historicamente, a partir dos jornais, depois das rádios, vindo mais tarde as estações e canais de televisão, e sendo mais recentes os “nativos digitais”. Esta sequência natural não impede que várias empresas tenham alargado a sua actividade a mais do que um suporte e sejam hoje, de facto, grupos multimédia.

Para actualização descritiva do ponto em que se encontra este ecossistema, o Correio da Manhã publicou recentemente uma série de textos intitulados “Conheça quem manda...”, seguindo-se a referência ao grupo tratado. Aqui os reproduzimos, em síntese, começando pelos que têm a sua origem na Imprensa escrita: o Grupo Cofina (do jornal que citamos), a Global Media, o Grupo Impresa, a Sonaecom e o Observador. São depois citadas as redes de rádio e de rádio-televisão e algumas empresas individuais.

A descrição é bastante completa, no que se refere às participações accionistas e história recente destas empresas, pelo que se aconselha, aos interessados, a abertura dos textos completos, cujos links se acrescentam no final.

O Grupo Cofina tem um núcleo accionista praticamente inalterado, que nos últimos anos reforçou a sua posição no capital da empresa. Em conjunto, os cinco maiores investidores do grupo (Ana Menéres de Mendonça, João Borges de Oliveira, Paulo Fernandes, Pedro Borges de Oliveira e Domingos Vieira de Matos) controlam 67,66% do capital da Cofina SGPS que, por sua vez, detém a Cofina Media. 

Presidido por Paulo Fernandes, este é o maior grupo de Imprensa português, detendo diversos títulos de informação, desde jornais diários (Correio da Manhã, Record, Jornal de Negócios e Destak, a revistas como a Sábado, a TV Guia e a Máxima, além de projectos exclusivamente online como Aquela Máquina e Flash

Desde 2013 o grupo Cofina está presente na televisão, com o lançamento da CMTV na posição 8 do MEO. 

Dos principais grupos privados portugueses de comunicação social, o único que não está cotado em Bolsa é a Global Media.  
Assim, esta é a única empresa cuja informação sobre accionistas e contas não pode ser verificada pelos seus consumidores.

Em termos de imprensa e online, e além de participação em títulos regionais como o Açoriano Oriental e o Diário de Notícias da Madeira, conta com títulos como o Jornal de Notícias, Diário de Notícias (que este ano passou a semanário, mantemdo a edição diária online), O Jogo, Dinheiro Vivo, Delas, Evasões e Volta ao Mundo. A Global Media detém ainda a Rádio Notícias que, através de várias frequências, emite a rádio TSF Press. O grupo é ainda o maior accionista privado da agência Lusa, em que detém uma participação de 23,36%. 

O Grupo Impresa, criado em março de 1991  - cerca de um ano e meio antes de se tornar no primeiro operador a lançar um canal privado de televisão em Portugal -  é controlado por Francisco Pinto Balsemão. O jornalista (tem a carteira profissional número 18A), que actualmente ocupa o cargo de presidente do conselho de administração da Impresa, detém 99,99% da Balseger que, por sua vez, controla 58,8% da Impreger. É esta sociedade a maior accionista da Impresa, com uma participação de 50,31%. 

Por sua vez, o grupo Impresa, que tem na sua presidência executiva Francisco Pedro Balsemão, filho do fundador, detém oito canais de televisão (SIC, SIC Caras, SIC Internacional, SIC K, SIC Mulher, SIC Notícias, SIC Radical e DStv – estação emitida apenas em África), o jornal Expresso e as publicações Blitz e Volante. A Impresa é também accionista da agência de notícias Lusa, na qual tem uma participação de 22,35%. 

No início deste ano, a Impresa alienou à Trust in News uma série de publicações (Activa, Caras, Caras Decoração, Courrier Internacional, Exame, Exame Informática, Jornal de Letras, Telenovelas, TV Mais, Visão, Visão História e Visão Júnior), tendo encaixado 10,2 milhões de euros com este negócio. 

O Grupo Sonaecom, que é controlado em quase 90% por empresas do universo Sonae, da família Azevedo, é o único accionista da Público - Comunicação Social, que detém o jornal diário com o mesmo nome, além de 50% da Sociedade Independente de Radiodifusão Sonora (SIRS), a empresa que controla a Rádio Nova (os restantes 50% são detidos, em partes iguais, pelos empresários Álvaro Covões e Luís Montez) e 1,38% da agência Lusa

De referir ainda que a Sonaecom tem 50% da Zopt (os restantes são da empresária angolana Isabel dos Santos) que, por sua vez, controla 52,15% da NOS, que tem 25% da Sport TV

Lançado em Maio de 2014, o Observador nasceu como um jornal generalista digital, uma linha que mantém até hoje apesar de já ter colocado à venda nas bancas cinco edições especiais em papel. A publicação online é detida pela empresa Observador On Time, que tem no empresário português Luís Amaral o seu grande accionista. 

Através da Amaral e Hijas Holdings, o dono do grupo polaco Eurocash controla mais de 45,6% da dona do Observador que, de resto, conta com vários empresários portugueses no seu capital. Em 2003, compra à Jerónimo Martins a Eurocash (empresa de distribuição que actua em mercados como o de bens alimentares). Tem uma fortuna de centenas de milhões. 

Uma rádio online e com frequências para emitir nas zonas urbanas de Lisboa e do Porto poderá ser o novo projecto da Observador On Time

Com uma participação de 60% do Patriarcado de Lisboa e de 40% da Conferência Episcopal Portuguesa, a Renascença é um dos principais operadores de rádio em Portugal, detendo diversas frequências que são utilizadas pelas suas rádios: RFM, Renascença, Megahits e RádioSim

Detido a 100% pelo Estado português, o grupo RTP é, em termos de dimensão e recursos humanos, a maior empresa de comunicação social do País, detendo oito canais de televisão (RTP 1, RTP 2, RTP 3, RTP Memória, RTP Açores, RTP Madeira, RTP Internacional, RTP África) e oito emissoras de rádio (Antena 1, Antena 2, Antena 3, RDP Memória, RDP Açores, RDP Madeira, RDP Internacional e RDP África). 

O grupo, presidido por Gonçalo Reis, conta com um financiamento misto, já que, à Contribuição Audiovisual paga na factura da eletricidade (mais de 186 milhões ano), soma dezenas de milhões em receitas comerciais. 

A empresa espanhola Promotora de Informaciones (Prisa), através da Vertix, detém 94,69% da Media Capital (o também espanhol ABanca é dono de 5,05% das ações), um dos maiores grupos de comunicação social portugueses. 

A Media Capital detém, a 100%, seis canais de televisão, dos quais o destaque vai para a TVI, que emite em sinal aberto. No cabo, o grupo conta com a TVI 24, TVI Ficção e TVI Reality, enquanto a nível internacional a aposta passa pela TVI África e TVI Internacional

A nível editorial, e depois da venda em 2013 dos seus últimos títulos em papel (Lux, Lux Woman e Revista de Vinhos), o projecto editorial com mais notoriedade é a página online do Mais Futebol. O grupo é também um dos maiores operadores de rádio em Portugal, controlando, a 100%, cerca de 20 empresas detentoras de licenças de emissão radiofónica. As frequências controladas por estas instituições estão ao serviço das diversas emissoras do grupo: Rádio Comercial, M80, Cidade FM, Smooth FM e Vodafone FM

A Agência Lusa tem no Estado o seu accionista maioritário (50,14%). Apesar de pública e de receber anualmente uma indemnização compensatória pelo serviço que presta (em 2018 o valor foi de 15,838 milhões), a Lusa conta com vários accionistas privados, acima citados. 

Com 16,6% de capital, o empresário António Mota é o maior accionista da Swipe News, a empresa que detém o jornal online ECO. A estrutura accionista deste projecto é constituída por várias empresas e investidores que, em conjunto, controlam mais de 55% da Swipe News. 

A Sociedade Vicra Desportiva é a proprietária do jornal desportivo A Bola, assim como do canal com o mesmo nome detido pela Vicra Comunicações. O grupo controla ainda a revista de automóveis Autofoco. Segundo a ERC, Mário Arga e Lima é o accionista dominante do grupo. 

A Sport TV nasceu em 1998, sendo o primeiro canal premium português. Inserida no universo da Olivedesportos, recentemente viu a sua estrutura accionista mudar de forma significativa. Assim, o grupo detido por Joaquim Oliveira ficou com ‘apenas’ 25% da empresa de canais de desporto (oito estações, dos quais duas em exclusivo para África). As operadoras de telecomunicações MEO, NOS e Vodafone detêm, cada uma, uma fatia de 25% da Sport TV. Além dos canais em sinal fechado, o grupo lançou há dois anos a Sport TV +, a sua primeira experiência de um canal sem custos acrescidos para o consumidor.


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Bettany Hugues defendeu a importância da memória na construção do futuro e da paz Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hugues, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hugues como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Para Alberto Dines, “o jornalismo era o próprio sentido da vida” Ver galeria

Cada história é uma vida, e algumas delas são muito especiais. “Alberto Dines foi autor e protagonista de uma dessas trajectórias incomuns: um intelectual visceral, que usou a sua inteligência e lucidez não para disputar uma partida, mas para mudar o jogo.” Sob o título “Uma vida sem ponto final”, um dos seus numerosos discípulos, Bruno Thys, evoca com a saudade de uma relação muito pessoal o percurso e obra de Alberto Dines, falecido em São Paulo em Maio deste ano.

O autor do texto que citamos valoriza uma parte da biografia menos mencionada de Alberto Dines, a que o coloca numa linhagem de judeus emigrados de uma Europa em várias convulsões:

“Dines tornou-se uma das mais cintilantes estrelas de sua geração, a primeira de judeus nascidos no Brasil. (...) Da geração de seus pais, herdou a cultura ancestral. Dines tinha sólida formação humanística e as suas raízes remontam à Haskalá, o iluminismo judaico que floresceu na Europa Ocidental nos séculos XVIII e XIX. Este movimento pregava a interacção da sabedoria judaica com a cultura europeia e produziu nomes como Einstein, Freud, Herzel e Stefan Zweig, o grande biógrafo austríaco, que, muitos anos depois, seria biografado por Dines.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
O jornalismo estará a render-se à subjetividade, rainha e senhora de certas redes sociais. As ‘fake news’ e o futuro dos media foram dos temas mais falados na edição de 2018, da Web Summit. Usadas como arma de arremesso político e de intoxicação, as notícias falsas são uma praga. Invadem o espaço público, distorcem os factos, desviam a atenção, comprometem a reflexão. E pelo caminho...
As notícias falsas e a internet
Francisco Sarsfield Cabral
As redes sociais são, hoje, a principal fonte de informação, se não mesmo a única, para imensa gente. O combate às “fake news” tem que ser feito, não pela censura, mas pela consciencialização dos utilizadores da net. Jair Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil graças à utilização maciça das redes sociais. A maioria dos jornais brasileiros de referência não o apoiou, o...
1.Segundo um estudo da Marktest sobre a utilização que os portugueses fazem das redes sociais 65.9% dos inquiridos referem o Facebook, 16.4% indicam o Instagram, 8.3% oWhatsApp, 4% o Youtube e 5.4% outras redes. O estudo sublinha que esta predominância do Facebook não é transversal a toda a população: “Entre os jovens utilizadores de redes sociais, os resultados de 2018 mostram uma inversão das redes visitadas com mais...
Há cerca de um ano, António Barreto  costumava assinar uma assertiva coluna de opinião no Diário de Noticias, entretanto desaparecida como outras, sem deixar rasto. Numa delas,  reconhecia ser “simplesmente desmoralizante. Ver e ouvir os serviços de notícias das três ou quatro estações de televisão” . E comentava, a propósito,  que  “a vulgaridade é sinal de verdade. A...