Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
Media

Saiba quem são os donos dos grupos de Media portugueses

Há uma diversidade de grupos de media em Portugal, que se desenvolveram, historicamente, a partir dos jornais, depois das rádios, vindo mais tarde as estações e canais de televisão, e sendo mais recentes os “nativos digitais”. Esta sequência natural não impede que várias empresas tenham alargado a sua actividade a mais do que um suporte e sejam hoje, de facto, grupos multimédia.

Para actualização descritiva do ponto em que se encontra este ecossistema, o Correio da Manhã publicou recentemente uma série de textos intitulados “Conheça quem manda...”, seguindo-se a referência ao grupo tratado. Aqui os reproduzimos, em síntese, começando pelos que têm a sua origem na Imprensa escrita: o Grupo Cofina (do jornal que citamos), a Global Media, o Grupo Impresa, a Sonaecom e o Observador. São depois citadas as redes de rádio e de rádio-televisão e algumas empresas individuais.

A descrição é bastante completa, no que se refere às participações accionistas e história recente destas empresas, pelo que se aconselha, aos interessados, a abertura dos textos completos, cujos links se acrescentam no final.

O Grupo Cofina tem um núcleo accionista praticamente inalterado, que nos últimos anos reforçou a sua posição no capital da empresa. Em conjunto, os cinco maiores investidores do grupo (Ana Menéres de Mendonça, João Borges de Oliveira, Paulo Fernandes, Pedro Borges de Oliveira e Domingos Vieira de Matos) controlam 67,66% do capital da Cofina SGPS que, por sua vez, detém a Cofina Media. 

Presidido por Paulo Fernandes, este é o maior grupo de Imprensa português, detendo diversos títulos de informação, desde jornais diários (Correio da Manhã, Record, Jornal de Negócios e Destak, a revistas como a Sábado, a TV Guia e a Máxima, além de projectos exclusivamente online como Aquela Máquina e Flash

Desde 2013 o grupo Cofina está presente na televisão, com o lançamento da CMTV na posição 8 do MEO. 

Dos principais grupos privados portugueses de comunicação social, o único que não está cotado em Bolsa é a Global Media.  
Assim, esta é a única empresa cuja informação sobre accionistas e contas não pode ser verificada pelos seus consumidores.

Em termos de imprensa e online, e além de participação em títulos regionais como o Açoriano Oriental e o Diário de Notícias da Madeira, conta com títulos como o Jornal de Notícias, Diário de Notícias (que este ano passou a semanário, mantemdo a edição diária online), O Jogo, Dinheiro Vivo, Delas, Evasões e Volta ao Mundo. A Global Media detém ainda a Rádio Notícias que, através de várias frequências, emite a rádio TSF Press. O grupo é ainda o maior accionista privado da agência Lusa, em que detém uma participação de 23,36%. 

O Grupo Impresa, criado em março de 1991  - cerca de um ano e meio antes de se tornar no primeiro operador a lançar um canal privado de televisão em Portugal -  é controlado por Francisco Pinto Balsemão. O jornalista (tem a carteira profissional número 18A), que actualmente ocupa o cargo de presidente do conselho de administração da Impresa, detém 99,99% da Balseger que, por sua vez, controla 58,8% da Impreger. É esta sociedade a maior accionista da Impresa, com uma participação de 50,31%. 

Por sua vez, o grupo Impresa, que tem na sua presidência executiva Francisco Pedro Balsemão, filho do fundador, detém oito canais de televisão (SIC, SIC Caras, SIC Internacional, SIC K, SIC Mulher, SIC Notícias, SIC Radical e DStv – estação emitida apenas em África), o jornal Expresso e as publicações Blitz e Volante. A Impresa é também accionista da agência de notícias Lusa, na qual tem uma participação de 22,35%. 

No início deste ano, a Impresa alienou à Trust in News uma série de publicações (Activa, Caras, Caras Decoração, Courrier Internacional, Exame, Exame Informática, Jornal de Letras, Telenovelas, TV Mais, Visão, Visão História e Visão Júnior), tendo encaixado 10,2 milhões de euros com este negócio. 

O Grupo Sonaecom, que é controlado em quase 90% por empresas do universo Sonae, da família Azevedo, é o único accionista da Público - Comunicação Social, que detém o jornal diário com o mesmo nome, além de 50% da Sociedade Independente de Radiodifusão Sonora (SIRS), a empresa que controla a Rádio Nova (os restantes 50% são detidos, em partes iguais, pelos empresários Álvaro Covões e Luís Montez) e 1,38% da agência Lusa

De referir ainda que a Sonaecom tem 50% da Zopt (os restantes são da empresária angolana Isabel dos Santos) que, por sua vez, controla 52,15% da NOS, que tem 25% da Sport TV

Lançado em Maio de 2014, o Observador nasceu como um jornal generalista digital, uma linha que mantém até hoje apesar de já ter colocado à venda nas bancas cinco edições especiais em papel. A publicação online é detida pela empresa Observador On Time, que tem no empresário português Luís Amaral o seu grande accionista. 

Através da Amaral e Hijas Holdings, o dono do grupo polaco Eurocash controla mais de 45,6% da dona do Observador que, de resto, conta com vários empresários portugueses no seu capital. Em 2003, compra à Jerónimo Martins a Eurocash (empresa de distribuição que actua em mercados como o de bens alimentares). Tem uma fortuna de centenas de milhões. 

Uma rádio online e com frequências para emitir nas zonas urbanas de Lisboa e do Porto poderá ser o novo projecto da Observador On Time

Com uma participação de 60% do Patriarcado de Lisboa e de 40% da Conferência Episcopal Portuguesa, a Renascença é um dos principais operadores de rádio em Portugal, detendo diversas frequências que são utilizadas pelas suas rádios: RFM, Renascença, Megahits e RádioSim

Detido a 100% pelo Estado português, o grupo RTP é, em termos de dimensão e recursos humanos, a maior empresa de comunicação social do País, detendo oito canais de televisão (RTP 1, RTP 2, RTP 3, RTP Memória, RTP Açores, RTP Madeira, RTP Internacional, RTP África) e oito emissoras de rádio (Antena 1, Antena 2, Antena 3, RDP Memória, RDP Açores, RDP Madeira, RDP Internacional e RDP África). 

O grupo, presidido por Gonçalo Reis, conta com um financiamento misto, já que, à Contribuição Audiovisual paga na factura da eletricidade (mais de 186 milhões ano), soma dezenas de milhões em receitas comerciais. 

A empresa espanhola Promotora de Informaciones (Prisa), através da Vertix, detém 94,69% da Media Capital (o também espanhol ABanca é dono de 5,05% das ações), um dos maiores grupos de comunicação social portugueses. 

A Media Capital detém, a 100%, seis canais de televisão, dos quais o destaque vai para a TVI, que emite em sinal aberto. No cabo, o grupo conta com a TVI 24, TVI Ficção e TVI Reality, enquanto a nível internacional a aposta passa pela TVI África e TVI Internacional

A nível editorial, e depois da venda em 2013 dos seus últimos títulos em papel (Lux, Lux Woman e Revista de Vinhos), o projecto editorial com mais notoriedade é a página online do Mais Futebol. O grupo é também um dos maiores operadores de rádio em Portugal, controlando, a 100%, cerca de 20 empresas detentoras de licenças de emissão radiofónica. As frequências controladas por estas instituições estão ao serviço das diversas emissoras do grupo: Rádio Comercial, M80, Cidade FM, Smooth FM e Vodafone FM

A Agência Lusa tem no Estado o seu accionista maioritário (50,14%). Apesar de pública e de receber anualmente uma indemnização compensatória pelo serviço que presta (em 2018 o valor foi de 15,838 milhões), a Lusa conta com vários accionistas privados, acima citados. 

Com 16,6% de capital, o empresário António Mota é o maior accionista da Swipe News, a empresa que detém o jornal online ECO. A estrutura accionista deste projecto é constituída por várias empresas e investidores que, em conjunto, controlam mais de 55% da Swipe News. 

A Sociedade Vicra Desportiva é a proprietária do jornal desportivo A Bola, assim como do canal com o mesmo nome detido pela Vicra Comunicações. O grupo controla ainda a revista de automóveis Autofoco. Segundo a ERC, Mário Arga e Lima é o accionista dominante do grupo. 

A Sport TV nasceu em 1998, sendo o primeiro canal premium português. Inserida no universo da Olivedesportos, recentemente viu a sua estrutura accionista mudar de forma significativa. Assim, o grupo detido por Joaquim Oliveira ficou com ‘apenas’ 25% da empresa de canais de desporto (oito estações, dos quais duas em exclusivo para África). As operadoras de telecomunicações MEO, NOS e Vodafone detêm, cada uma, uma fatia de 25% da Sport TV. Além dos canais em sinal fechado, o grupo lançou há dois anos a Sport TV +, a sua primeira experiência de um canal sem custos acrescidos para o consumidor.


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António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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