Segunda-feira, 29 de Novembro, 2021
Media

Saiba quem são os donos dos grupos de Media portugueses

Há uma diversidade de grupos de media em Portugal, que se desenvolveram, historicamente, a partir dos jornais, depois das rádios, vindo mais tarde as estações e canais de televisão, e sendo mais recentes os “nativos digitais”. Esta sequência natural não impede que várias empresas tenham alargado a sua actividade a mais do que um suporte e sejam hoje, de facto, grupos multimédia.

Para actualização descritiva do ponto em que se encontra este ecossistema, o Correio da Manhã publicou recentemente uma série de textos intitulados “Conheça quem manda...”, seguindo-se a referência ao grupo tratado. Aqui os reproduzimos, em síntese, começando pelos que têm a sua origem na Imprensa escrita: o Grupo Cofina (do jornal que citamos), a Global Media, o Grupo Impresa, a Sonaecom e o Observador. São depois citadas as redes de rádio e de rádio-televisão e algumas empresas individuais.

A descrição é bastante completa, no que se refere às participações accionistas e história recente destas empresas, pelo que se aconselha, aos interessados, a abertura dos textos completos, cujos links se acrescentam no final.

O Grupo Cofina tem um núcleo accionista praticamente inalterado, que nos últimos anos reforçou a sua posição no capital da empresa. Em conjunto, os cinco maiores investidores do grupo (Ana Menéres de Mendonça, João Borges de Oliveira, Paulo Fernandes, Pedro Borges de Oliveira e Domingos Vieira de Matos) controlam 67,66% do capital da Cofina SGPS que, por sua vez, detém a Cofina Media. 

Presidido por Paulo Fernandes, este é o maior grupo de Imprensa português, detendo diversos títulos de informação, desde jornais diários (Correio da Manhã, Record, Jornal de Negócios e Destak, a revistas como a Sábado, a TV Guia e a Máxima, além de projectos exclusivamente online como Aquela Máquina e Flash

Desde 2013 o grupo Cofina está presente na televisão, com o lançamento da CMTV na posição 8 do MEO. 

Dos principais grupos privados portugueses de comunicação social, o único que não está cotado em Bolsa é a Global Media.  
Assim, esta é a única empresa cuja informação sobre accionistas e contas não pode ser verificada pelos seus consumidores.

Em termos de imprensa e online, e além de participação em títulos regionais como o Açoriano Oriental e o Diário de Notícias da Madeira, conta com títulos como o Jornal de Notícias, Diário de Notícias (que este ano passou a semanário, mantemdo a edição diária online), O Jogo, Dinheiro Vivo, Delas, Evasões e Volta ao Mundo. A Global Media detém ainda a Rádio Notícias que, através de várias frequências, emite a rádio TSF Press. O grupo é ainda o maior accionista privado da agência Lusa, em que detém uma participação de 23,36%. 

O Grupo Impresa, criado em março de 1991  - cerca de um ano e meio antes de se tornar no primeiro operador a lançar um canal privado de televisão em Portugal -  é controlado por Francisco Pinto Balsemão. O jornalista (tem a carteira profissional número 18A), que actualmente ocupa o cargo de presidente do conselho de administração da Impresa, detém 99,99% da Balseger que, por sua vez, controla 58,8% da Impreger. É esta sociedade a maior accionista da Impresa, com uma participação de 50,31%. 

Por sua vez, o grupo Impresa, que tem na sua presidência executiva Francisco Pedro Balsemão, filho do fundador, detém oito canais de televisão (SIC, SIC Caras, SIC Internacional, SIC K, SIC Mulher, SIC Notícias, SIC Radical e DStv – estação emitida apenas em África), o jornal Expresso e as publicações Blitz e Volante. A Impresa é também accionista da agência de notícias Lusa, na qual tem uma participação de 22,35%. 

No início deste ano, a Impresa alienou à Trust in News uma série de publicações (Activa, Caras, Caras Decoração, Courrier Internacional, Exame, Exame Informática, Jornal de Letras, Telenovelas, TV Mais, Visão, Visão História e Visão Júnior), tendo encaixado 10,2 milhões de euros com este negócio. 

O Grupo Sonaecom, que é controlado em quase 90% por empresas do universo Sonae, da família Azevedo, é o único accionista da Público - Comunicação Social, que detém o jornal diário com o mesmo nome, além de 50% da Sociedade Independente de Radiodifusão Sonora (SIRS), a empresa que controla a Rádio Nova (os restantes 50% são detidos, em partes iguais, pelos empresários Álvaro Covões e Luís Montez) e 1,38% da agência Lusa

De referir ainda que a Sonaecom tem 50% da Zopt (os restantes são da empresária angolana Isabel dos Santos) que, por sua vez, controla 52,15% da NOS, que tem 25% da Sport TV

Lançado em Maio de 2014, o Observador nasceu como um jornal generalista digital, uma linha que mantém até hoje apesar de já ter colocado à venda nas bancas cinco edições especiais em papel. A publicação online é detida pela empresa Observador On Time, que tem no empresário português Luís Amaral o seu grande accionista. 

Através da Amaral e Hijas Holdings, o dono do grupo polaco Eurocash controla mais de 45,6% da dona do Observador que, de resto, conta com vários empresários portugueses no seu capital. Em 2003, compra à Jerónimo Martins a Eurocash (empresa de distribuição que actua em mercados como o de bens alimentares). Tem uma fortuna de centenas de milhões. 

Uma rádio online e com frequências para emitir nas zonas urbanas de Lisboa e do Porto poderá ser o novo projecto da Observador On Time

Com uma participação de 60% do Patriarcado de Lisboa e de 40% da Conferência Episcopal Portuguesa, a Renascença é um dos principais operadores de rádio em Portugal, detendo diversas frequências que são utilizadas pelas suas rádios: RFM, Renascença, Megahits e RádioSim

Detido a 100% pelo Estado português, o grupo RTP é, em termos de dimensão e recursos humanos, a maior empresa de comunicação social do País, detendo oito canais de televisão (RTP 1, RTP 2, RTP 3, RTP Memória, RTP Açores, RTP Madeira, RTP Internacional, RTP África) e oito emissoras de rádio (Antena 1, Antena 2, Antena 3, RDP Memória, RDP Açores, RDP Madeira, RDP Internacional e RDP África). 

O grupo, presidido por Gonçalo Reis, conta com um financiamento misto, já que, à Contribuição Audiovisual paga na factura da eletricidade (mais de 186 milhões ano), soma dezenas de milhões em receitas comerciais. 

A empresa espanhola Promotora de Informaciones (Prisa), através da Vertix, detém 94,69% da Media Capital (o também espanhol ABanca é dono de 5,05% das ações), um dos maiores grupos de comunicação social portugueses. 

A Media Capital detém, a 100%, seis canais de televisão, dos quais o destaque vai para a TVI, que emite em sinal aberto. No cabo, o grupo conta com a TVI 24, TVI Ficção e TVI Reality, enquanto a nível internacional a aposta passa pela TVI África e TVI Internacional

A nível editorial, e depois da venda em 2013 dos seus últimos títulos em papel (Lux, Lux Woman e Revista de Vinhos), o projecto editorial com mais notoriedade é a página online do Mais Futebol. O grupo é também um dos maiores operadores de rádio em Portugal, controlando, a 100%, cerca de 20 empresas detentoras de licenças de emissão radiofónica. As frequências controladas por estas instituições estão ao serviço das diversas emissoras do grupo: Rádio Comercial, M80, Cidade FM, Smooth FM e Vodafone FM

A Agência Lusa tem no Estado o seu accionista maioritário (50,14%). Apesar de pública e de receber anualmente uma indemnização compensatória pelo serviço que presta (em 2018 o valor foi de 15,838 milhões), a Lusa conta com vários accionistas privados, acima citados. 

Com 16,6% de capital, o empresário António Mota é o maior accionista da Swipe News, a empresa que detém o jornal online ECO. A estrutura accionista deste projecto é constituída por várias empresas e investidores que, em conjunto, controlam mais de 55% da Swipe News. 

A Sociedade Vicra Desportiva é a proprietária do jornal desportivo A Bola, assim como do canal com o mesmo nome detido pela Vicra Comunicações. O grupo controla ainda a revista de automóveis Autofoco. Segundo a ERC, Mário Arga e Lima é o accionista dominante do grupo. 

A Sport TV nasceu em 1998, sendo o primeiro canal premium português. Inserida no universo da Olivedesportos, recentemente viu a sua estrutura accionista mudar de forma significativa. Assim, o grupo detido por Joaquim Oliveira ficou com ‘apenas’ 25% da empresa de canais de desporto (oito estações, dos quais duas em exclusivo para África). As operadoras de telecomunicações MEO, NOS e Vodafone detêm, cada uma, uma fatia de 25% da Sport TV. Além dos canais em sinal fechado, o grupo lançou há dois anos a Sport TV +, a sua primeira experiência de um canal sem custos acrescidos para o consumidor.


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Jornalismo resiste apesar das restrições editoriais Ver galeria

O jornalismo no Brasil está a atravessar uma fase de grande interesse para o público, devido às disputas políticas e à gestão da crise sanitária, causada pela pandemia.

Contudo, ressalvou Carlos Wagner num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria , as publicações estão a ter dificuldades em acompanhar estes eventos, devido à falta de colaboradores e de materiais de reportagem.

De acordo com o autor, este cenário começou a surgir no início da década de 2000, quando os jornais passaram, lentamente, a desenvolver o seu processo de digitalização.

Até então, continuou Wagner, de forma a garantirem a sua sustentabilidade financeira, os títulos jornalísticos investiam em estratégias de captação de leitores e de publicidade.

Além disso, cada colaborador tinha funções bem definidas, e o principal objectivo era conseguir a melhor manchete, para vender um número significativo de exemplares em cada edição.

Tudo isso mudou com a digitalização: os empresários tiveram dificuldade em adaptar-se aos novos modelos de negócio, foram forçados a fazer cortes orçamentais, e exigiram que os jornalistas produzissem conteúdos multiplataforma.

Desta forma, os colaboradores dos “media” tiveram que passar a dominar diferentes áreas -- desde o texto à fotografia, passando pelo vídeo e pelos gráficos digitais -- trabalhando mais do que nunca, e recebendo um ordenado pouco satisfatório.

 

As “fake news” no Brasil carecem de regulamentação Ver galeria

No Brasil, a maioria dos políticos e dos cidadãos considera que o combate às “fake news” é algo que necessita a intervenção regulatória do Estado, recordou Paulo Victor Melo num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Aliás, conforme apontou o autor, o Projecto de Lei Nº 2630, que institui a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet, está pronto a ser votado pelo Grupo de Trabalho (GT-NET) da Câmara dos Deputados, que foi criado para dar um parecer sobre o tema.

E, perante as “teorias da conspiração” que circulam “online”, e que podem pôr em risco a segurança e o bem-estar dos cidadãos, o articulista considera que o documento deve ser votado o mais depressa possível.

Este documento, indicou Melo, procura encontrar respostas regulatórias para as plataformas digitais, sem interferir com o direito à liberdade de expressão e à liberdade de comunicação.

Além disso, este texto quer garantir uma coordenação entre a responsabilização das empresas tecnológicas e a regulação estatal, de forma a acrescentar concepção “tecnologicamente neutra”, que concentre a atenção nas actividades desenvolvidas pelas plataformas.

O Clube


O associativismo já conheceu melhores dias. Ao contrário do que se observa aqui mesmo ao lado em Espanha, onde a APM – Associacion de la Prensa de Madrid – uma das mais antigas e conceituadas instituições ao serviço dos media, do jornalismo e dos jornalistas - desenvolve uma actividade multidisciplinar e intervém com regularidade no espaço público sobre problemas do sector, em Portugal as organizações de jornalistas são escassas e sobrevivem com não poucas dificuldades.
Há uma certa apatia dos profissionais em relação a associações onde deveriam estar representados, o que contribui para a falta de reconhecimento público da sua importância.
Claro que a precariedade que afecta as redacções e, em particular, os jornalistas mais jovens, não estimula o convívio e, menos ainda, a participação em debates regulares sobre o exercício da profissão e os seus condicionamentos.
E, no entanto, nunca foi tão urgente a análise sobre os desafios complexos que se colocam ao jornalismo, seja no plano ético, seja na interacção com os leitores/consumidores da informação, seja ainda no plano tecnológico, que tem progredido a um ritmo impressionante.
Hoje já se medem competências pelo número de “clicks” e há quem cultive a ideia de que um jornalista deverá ser remunerado em função da audiência que um seu texto mereça junto da comunidade de leitores. Uma perversão.
É para estes e outros temas conexos que o CPI continuará a olhar neste site e fora dele, porque uma democracia não se consolida sem jornais e outros media e um jornalista não pode ser substituído por um qualquer arrivista nas redes sociais.
Por isso teimamos em continuar, passados 40 anos.


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Opinião
Há bem pouco tempo, a Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) publicou um relatório alarmado com a insegurança que atinge um número crescente de jornalistas no exercício da sua actividade. E denunciou que, só este ano, já foram mortos 35 jornalistas por motivos relacionados com as suas práticas profissionais. Uma lista negra.A publicação deste documento da FIJ coincidiu com o Dia Internacional das...
O que une radicais de direita e de esquerda
Francisco Sarsfield Cabral
Contra o que frequentemente se julga, um radical de direita não está a uma distância de 180 graus de um radical de esquerda. Ambos partilham um desprezo pela democracia liberal, que consideram um regime político “mole”, sem “espinha dorsal”. Não aceitam que quem pense de maneira diferente da nossa não seja um inimigo a abater.  No passado dia 1 a Eslovénia sucedeu a Portugal na presidência semestral da UE....
Uma das coisas que mais me intriga e cansa no jornalismo que se faz atualmente em Portugal é a ausência de sentido crítico, a incapacidade de arriscar e de fazer diferente. Estão todos a correr para dar as mesmas notícias e fazer as mesmas perguntas. E, quando conseguem o objetivo, ficam com a sensação de dever cumprido.Vem isto a propósito da não notícia que ocupa lugar diário nos títulos da imprensa, dos...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
Agenda
09
Fev
Masterclass : Using data to tell stories
18:00 @ Conferência "Online" leccionada por Juliet Ferguson
06
Abr
International Journalism Festival 2022
10:00 @ Perúgia, Itália
27
Jun
12th World Conference of Science Journalists
10:00 @ Medellín, Colômbia