Quinta-feira, 18 de Julho, 2019
Opinião

Ironias de uma tragédia

por Francisco Sarsfield Cabral

O horrível assassinato de um jornalista saudita no consulado do seu país em Istambul tem várias e graves implicações políticas. Embaraça Trump, que logo no início do seu mandato decidiu apoiar a Arábia Saudita, contra o seu ódio de estimação, o Irão. Por outro lado, ninguém acredita que o até aqui todo poderoso príncipe herdeiro saudita, M. bin Salman, seja alheio ao crime. Pelo menos, deixa de se esperar dele uma reforma liberalizadora do Estado e da sociedade da Arábia Saudita.

Este caso envolve, também aspetos irónicos. Quem investigou, ou mandou investigar, o assassinato deste jornalista foi o presidente da Turquia, Erdogan, recordista mundial quanto à prisão de jornalistas. A liberdade de expressão, a par de outras liberdades, é cada vez menos respeitada pelo regime autocrático que Erdogan impôs no seu país, depois de quase uma década em que foi primeiro-ministro e parecia um moderado.

Erdogan hoje aposta na afirmação da Turquia no mundo muçulmano, uma vez desfeita a ilusão de uma futura integração na União Europeia. O caso de Khashoggi, o jornalista assassinado, permite-lhe iniciativa e visibilidade no plano internacional. E mostrar que possui uma poderosa e eficaz polícia secreta – que é também uma polícia política.   

Irónico é ainda o facto de este caso atrapalhar Trump – que detesta jornalistas. Há dias, o presidente americano aplaudiu vivamente, em público, um político americano que tinha sido julgado e condenado por ter deitado ao chão um jornalista do britânico The Guardian.

Esperemos que o caso Khashoggi não leve Trump, na sua “pedagógica” cruzada contra os jornalistas, a sugerir métodos mais violentos, como o agora usado pela Arábia Saudita.

 

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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01
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Composição Fotográfica
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21
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Edinburgh TV Festival
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27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
16
Set