Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Media

A reportagem que os jornalistas não puderam publicar em vida

Um repórter do jornal equatoriano El Comercio, o fotógrafo e o condutor que os levou à fronteira com a Colômbia, foram mortos, em Março de 2018, quando faziam investigação sobre ligações entre as autoridades e os cartéis de droga. Agora, 19 repórteres independentes de ambos os países investigam, a coberto de anonimato, para saber o que aconteceu e de que modo. São apoiados pela organização Forbidden Stories (Histórias Proibidas), que procura continuar o trabalho dos jornalistas que já não o podem fazer.

Por coincidência trágica, o primeiro trabalho empreendido sob os auspícios do movimento de solidariedade Forbidden Stories, faz agora um ano, era precisamente para prosseguir a investigação de outros três jornalistas mortos pelos cartéis de droga, neste caso mexicanos. Outra equipa trabalha sobre a reportagem interrompida de Caruana Galizia, morta em atentado à bomba na ilha de Malta.

Javier Ortega, de 32 anos, procurava desenredar a meada do “novelo de relações criminosas, comunidades pobres e o Estado, como factor desequilibrante numa guerra que parece uma espiral sem fim”. 

O condutor Efraín Segarra, de 60 anos, era um veterano de El Comercio. Já não estava empregado no jornal, desde 2013, mas tinha tanto apego ao trabalho de reportagem que trazia consigo, ele mesmo, uma máquina fotográfica, que gostava de usar em viagens deste tipo. 

O fotógrafo Paúl Rivas, de 45 anos, outro “veterano” do jornal, tinha-se especializado na região de fronteira e gostava muito do que fazia. O objectivo, desta vez, era chegar a Mataje, uma localidade minúscula a 100 passos da Colômbia. Tinha havido um atentado com explosivos artesanais, a 20 de Março, que matou quatro militares, e muitos jornalistas estavam a tentar chegar ao local exacto do crime, procurar testemunhas, ver como vive a população. 

A sua companheira, Yadira Aguagallo, tinha-lhe dito: “Por favor, não vás desta vez. Sinto que é muito perigoso.” 

A última imagem dos três homens, em liberdade, é das videocâmaras do Hotel El Pedregal, em San Lorenzo, quando saíam para viajar na direcção de Mataje. Os seus corpos, crivados de balas, foram encontrados três meses mais tarde, na região de Nariño, já do lado colombiano, onde operam vários grupos de narcotraficantes. 

A imagem que aqui reproduzimos, da reportagem de Le Monde, é colhida de um vídeo divulgado pelos sequestradores, quando pretendiam negociar com as autoridades do Equador os termos da entrega dos três homens. 

Basicamente, a Frente Oliver Sinisterra, grupo dissidente das FARC, exigia uma troca de prisioneiros (três dos seus membros estavam detidos em Latacunga, no Equador, bem como o cancelamento do acordo de luta contra o narcotráfico entre os dois países. 

Havia um canal de comunicação estabelecido entre a polícia do Equador e grupos dissidentes das FARC, Javier Ortega sabia disso e era este um dos objectivos da sua investigação  - para além do atentado à bomba que matara os quatro militares. Era a reportagem exclusiva que nunca pôde terminar.

 

Mais informação em Le Monde e no site de Forbidden Stories

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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