Segunda-feira, 25 de Março, 2019
Media

A reportagem que os jornalistas não puderam publicar em vida

Um repórter do jornal equatoriano El Comercio, o fotógrafo e o condutor que os levou à fronteira com a Colômbia, foram mortos, em Março de 2018, quando faziam investigação sobre ligações entre as autoridades e os cartéis de droga. Agora, 19 repórteres independentes de ambos os países investigam, a coberto de anonimato, para saber o que aconteceu e de que modo. São apoiados pela organização Forbidden Stories (Histórias Proibidas), que procura continuar o trabalho dos jornalistas que já não o podem fazer.

Por coincidência trágica, o primeiro trabalho empreendido sob os auspícios do movimento de solidariedade Forbidden Stories, faz agora um ano, era precisamente para prosseguir a investigação de outros três jornalistas mortos pelos cartéis de droga, neste caso mexicanos. Outra equipa trabalha sobre a reportagem interrompida de Caruana Galizia, morta em atentado à bomba na ilha de Malta.

Javier Ortega, de 32 anos, procurava desenredar a meada do “novelo de relações criminosas, comunidades pobres e o Estado, como factor desequilibrante numa guerra que parece uma espiral sem fim”. 

O condutor Efraín Segarra, de 60 anos, era um veterano de El Comercio. Já não estava empregado no jornal, desde 2013, mas tinha tanto apego ao trabalho de reportagem que trazia consigo, ele mesmo, uma máquina fotográfica, que gostava de usar em viagens deste tipo. 

O fotógrafo Paúl Rivas, de 45 anos, outro “veterano” do jornal, tinha-se especializado na região de fronteira e gostava muito do que fazia. O objectivo, desta vez, era chegar a Mataje, uma localidade minúscula a 100 passos da Colômbia. Tinha havido um atentado com explosivos artesanais, a 20 de Março, que matou quatro militares, e muitos jornalistas estavam a tentar chegar ao local exacto do crime, procurar testemunhas, ver como vive a população. 

A sua companheira, Yadira Aguagallo, tinha-lhe dito: “Por favor, não vás desta vez. Sinto que é muito perigoso.” 

A última imagem dos três homens, em liberdade, é das videocâmaras do Hotel El Pedregal, em San Lorenzo, quando saíam para viajar na direcção de Mataje. Os seus corpos, crivados de balas, foram encontrados três meses mais tarde, na região de Nariño, já do lado colombiano, onde operam vários grupos de narcotraficantes. 

A imagem que aqui reproduzimos, da reportagem de Le Monde, é colhida de um vídeo divulgado pelos sequestradores, quando pretendiam negociar com as autoridades do Equador os termos da entrega dos três homens. 

Basicamente, a Frente Oliver Sinisterra, grupo dissidente das FARC, exigia uma troca de prisioneiros (três dos seus membros estavam detidos em Latacunga, no Equador, bem como o cancelamento do acordo de luta contra o narcotráfico entre os dois países. 

Havia um canal de comunicação estabelecido entre a polícia do Equador e grupos dissidentes das FARC, Javier Ortega sabia disso e era este um dos objectivos da sua investigação  - para além do atentado à bomba que matara os quatro militares. Era a reportagem exclusiva que nunca pôde terminar.

 

Mais informação em Le Monde e no site de Forbidden Stories

Connosco
José Ribeiro e Castro em Abril no jantar-debate do CPI Ver galeria

Advogado de profissão, político por vocação com um pé na Comunicação Social, José Ribeiro e Castro é o próximo orador–convidado no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, marcado para 16 de Abril, na Sala da Biblioteca do Grémio Literário.

Deputado, eurodeputado, governante , membro da equipa fundadora da TVI com Roberto Carneiro e antigo líder do CDS,  José Ribeiro e Castro começou cedo a respirar a política em casa.

Filho de Fernando Santos e Castro, que presidiu à Camara Municipal de Lisboa e foi o último governador português em Angola, Ribeiro e Castro nasceu em Lisboa  a 24 de Dezembro de 1953. É casado e tem três filhas e um filho.

Risco de nova “ordem mundial de Informação” sob modelo chinês Ver galeria

No contexto da visita do Presidente Xi Jinping a vários países europeus, para promover as “novas rotas da seda” das ambições económicas e geo-estratégicas da China, importa prestar também atenção à “nova ordem mundial da Informação” contida no projecto geral. Segundo um relatório muito recente dos Repórteres sem Fronteiras, o governo chinês, seguro do controlo que já exerce sobre os media nacionais e a Internet no seu próprio espaço, deseja impor um vocabulário “ideologicamente correcto” também fora de fronteiras.

E procura consegui-lo por uma panóplia de meios, que vão desde a sedução dos media ou jornalistas estrangeiros até várias formas de pressão ou mesmo intimidação.

“Há dez anos punha-se a questão de melhorar a situação na China. Mas, enquanto ONG de defesa da liberdade de Imprensa e dos jornalistas, encontramos cada vez mais dificuldades em ter impacto no país. A questão que se coloca hoje é: de que modo podem as democracias defender-se da influência mediática chinesa?”  - diz Cédric Alviani, presentante dos RSF para a Ásia Oriental.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


ver mais >
Opinião
A realidade choca. Um trabalho de investigação jornalística, publicado no Expresso,  apurou que Portugal tem 95 políticos a comentar nos media. É algo absolutamente inédito em qualquer parte do mundo, da Europa aos EUA. Nalguma coisa teríamos de ser inovadores, infelizmente, da pior maneira. É um “assalto”, que condiciona a opinião pública e constitui um simulacro de pluralismo, já que  o elenco...
Augusto Cid, uma obra quase monumental
António Gomes de Almeida
Com o falecimento de Augusto Cid, desaparece um dos mais conhecidos desenhadores de Humor portugueses, com uma obra que pode considerar-se quase monumental. Desenhou milhares de cartoons, fez livros, e até teve a suprema honra de ver parte da sua obra apreendida – depois do 25 de Abril (!) – e tornou-se conhecido, entre outras, por estas duas razões: pelas piadas sibilinas lançadas contra o general Ramalho Eanes, e por fazer parte do combativo grupo das...
Uma edição fraca
Manuel Falcão
Já se sabe que a revista “Monocle” é uma grande utilizadora criativa do conceito de conteúdos patrocinados, frequentemente dissimulados de forma editorial elegante e sedutora. O grafismo da revista continua contemporâneo, apesar de não ter tido muitas evoluções desde que foi lançada em 2007. Em contrapartida, o espaço ocupado por conteúdos patrocinados tem vindo sempre a aumentar, por vezes demais, até se...
Duas atitudes face ao jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
No recente encontro em Roma, no Vaticano, sobre o dramático caso dos abusos sexuais por elementos do clero católico, a vários níveis, ouviram-se vozes agradecendo a jornalistas que investigaram e divulgaram abusos. É uma justa atitude.  Dir-se-á que alguns jornalistas terão procurado o escândalo e, também, denegrir a imagem da Igreja. Talvez. Mas o verdadeiro escândalo é que padres, bispos e cardeais, em vez de...
Jornalismo a meia-haste
Graça Franco
Atropelados pela ditadura do entretenimento, podemos enquanto “informadores” desde já colocar a bandeira a meia-haste. O jornalismo não está a morrer. Está a cometer suicídio em direto. Temi que algum jornalista se oferecesse para partilhar a cadeia com Armando Vara, só para ver como este se sentia “já lá dentro”. A porta ia-se fechando, em câmara lenta, e o enxame de microfones não largava a presa. O...
Agenda
30
Mar
Google Analytics para Jornalistas
09:00 @ Cenjor,Lisboa
31
Mar
Radiodays Europe
09:00 @ Lausanne, Suiça
01
Abr
Digital Media Europe 2019
09:00 @ Viena,Áustria
08
Abr
25
Abr
Social Media Camp
09:00 @ Victoria, Canada