Quinta-feira, 18 de Julho, 2019
Evento

A Deontologia do Jornalismo definha nas Faculdades espanholas

A ética e a moral são necessárias a todas as actividades humanas “que se exercem como projecção pública e têm uma dimensão social  - como o jornalismo e a política, cujo desenvolvimento mais florescente, em liberdade, foi historicamente conseguido em ambiente democrático”. Mas a “estrela polar” das novas gerações, nesta “sociedade medíocre”, é hoje “o enriquecimento económico rápido, sem esforço nem criatividade, num clima de relativismo moral”.

“Num tempo em que assistimos a este deslize pelo declive do fácil e do cómodo dizem-me que nas nossas faculdades de Ciências da Comunicação, qualquer que seja a sua denominação concreta, definham as cadeiras de Deontologia do Jornalismo ou desaparecem mesmo e, em definitivo, perdem peso específico no currículo académico.”

A reflexão é de Rafael de Mendizábal Allende, presidente da Comissão de Arbitragem, Queixas e Deontologia do Jornalismo, em Espanha, nas bodas de prata do Código Deontológico da FAPE – Federación de Asociaciones de Periodistas de España, aqui citada de Cuadernos de Periodistas, da APM – Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

O autor afirma que é tempo de inverter esta tendência em queda livre e multiplicar estes “postos estratégicos que tão expressivamente se chamam ‘cátedras’, núcleos de atracção intelectual e de experiências humanas para serem transmitidas aos jornalistas [em formação].” 

“O bom jornalismo, como a boa música, é feito tanto de palavras, ou sons, como de silêncios. Não pode chamar-se bom ao jornalismo sem limites nem lei ‘a oeste do rio Pecos’, em que valha tudo. O ‘cidadão Kane’  - ou aqueles que perto ou longe, ontem ou hoje, o imitem -  não pode ser o modelo.” 

“Os jovens que, com o entusiasmo virgem dos verdes anos, vêm a estas faculdades e escolas para obter a sua formação, devem ficar conscientes disto; e para lho fazer saber estão os professores, os quais, aperfeiçoando ao máximo o seu conhecimento da profissão, prestarão um serviço transcendente ao povo, quando se situem na vanguarda do Estado de Direito, síntese da democracia e da justiça, e cumpram a sua missão de informar e ensinar.” (...) 

“Finalmente, o futuro do jornalismo, como o de todas as manifestações do ser humano, não está fora de nós, mas sim nas nossas mãos. O amanhã pertence-nos.” 

Na mesma edição de Cuadernos de Periodistas, e no mesmo local, é reproduzida, antes do texto de Rafael Allende, o discurso do filósofo Javier Gomá, pronunciado no XXV aniversário do Código Deontológico da FAPE.

 

Os textos referidos, na íntegra, no site da APM

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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09:00 @ Lagos, Nigéria
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Set