Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
Evento

A Deontologia do Jornalismo definha nas Faculdades espanholas

A ética e a moral são necessárias a todas as actividades humanas “que se exercem como projecção pública e têm uma dimensão social  - como o jornalismo e a política, cujo desenvolvimento mais florescente, em liberdade, foi historicamente conseguido em ambiente democrático”. Mas a “estrela polar” das novas gerações, nesta “sociedade medíocre”, é hoje “o enriquecimento económico rápido, sem esforço nem criatividade, num clima de relativismo moral”.

“Num tempo em que assistimos a este deslize pelo declive do fácil e do cómodo dizem-me que nas nossas faculdades de Ciências da Comunicação, qualquer que seja a sua denominação concreta, definham as cadeiras de Deontologia do Jornalismo ou desaparecem mesmo e, em definitivo, perdem peso específico no currículo académico.”

A reflexão é de Rafael de Mendizábal Allende, presidente da Comissão de Arbitragem, Queixas e Deontologia do Jornalismo, em Espanha, nas bodas de prata do Código Deontológico da FAPE – Federación de Asociaciones de Periodistas de España, aqui citada de Cuadernos de Periodistas, da APM – Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

O autor afirma que é tempo de inverter esta tendência em queda livre e multiplicar estes “postos estratégicos que tão expressivamente se chamam ‘cátedras’, núcleos de atracção intelectual e de experiências humanas para serem transmitidas aos jornalistas [em formação].” 

“O bom jornalismo, como a boa música, é feito tanto de palavras, ou sons, como de silêncios. Não pode chamar-se bom ao jornalismo sem limites nem lei ‘a oeste do rio Pecos’, em que valha tudo. O ‘cidadão Kane’  - ou aqueles que perto ou longe, ontem ou hoje, o imitem -  não pode ser o modelo.” 

“Os jovens que, com o entusiasmo virgem dos verdes anos, vêm a estas faculdades e escolas para obter a sua formação, devem ficar conscientes disto; e para lho fazer saber estão os professores, os quais, aperfeiçoando ao máximo o seu conhecimento da profissão, prestarão um serviço transcendente ao povo, quando se situem na vanguarda do Estado de Direito, síntese da democracia e da justiça, e cumpram a sua missão de informar e ensinar.” (...) 

“Finalmente, o futuro do jornalismo, como o de todas as manifestações do ser humano, não está fora de nós, mas sim nas nossas mãos. O amanhã pertence-nos.” 

Na mesma edição de Cuadernos de Periodistas, e no mesmo local, é reproduzida, antes do texto de Rafael Allende, o discurso do filósofo Javier Gomá, pronunciado no XXV aniversário do Código Deontológico da FAPE.

 

Os textos referidos, na íntegra, no site da APM

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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Opinião
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