Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Media

Universidades apoiam e investem no jornalismo de investigação

A sociedade necessita de um jornalismo de investigação que fica caro, e esta necessidade “chega num momento de grande tensão financeira para uma indústria maciçamente perturbada pelas novas tecnologias e alterações económicas”.

“Acreditamos que este tipo de jornalismo, em defesa do povo americano, é mais importante do que nunca na presente cacofonia de informação confusa, contraditória e enganadora, já para não falar de cepticismo  - ou por vezes rejeição absoluta -  dos factos.”

Esta reflexão é assinada por Christopher Callahan e Leonard Downie Jr., docentes na Universidade Estatal do Arizona, sobre a criação de dois centros de ensino de jornalismo de investigação, um na Universidade referida, outro na de Maryland. Tendo em conta a “proliferação de centros de reportagem de investigação independentes, sem objectivo de lucro, em grande parte financiados por [mecenato] filantrópico”, as universidades “estão prontas a assumir funções de liderança neste novo ecossistema de jornalismo de investigação”  - afirmam no seu texto.

A declaração de Christopher Callahan (vice-reitor da Arizona State University e fundador da Walter Cronkite School of Journalism and Mass Communication), e de Leonard Downie Jr. (professor de Jornalismo e antigo director do diário The Washington Post), vem a propósito da atribuição, pela Fundação Scripps Howard, de três milhões de dólares à referida Escola de Jornalismo, e de outros três milhões à Faculdade de Jornalismo Philip Merril, da Universidade de Maryland, para desenvolver a criação de dois Howard Centers for Investigative Journalism

“O objectivo destes Centros é o de promover a formação de grandes jornalistas de investigação e de grande jornalismo de investigação. Na Conkrite, o novo Howard Center, com recrutamento [de docentes] a nível nacional, conta com cinco repórteres de investigação e editores distinguidos com o Pulitzer Prize, já pertencentes à Arizona State University.” (...) 

“O jornalismo produzido nas Universidades não é novo, mas está em crescimento. Na última década, só a Cronkite School já lançou uma dúzia de programas que reproduzem o modelo dos hospitais universitários, na educação médica  - onde profissionais de topo se juntam às faculdades para formar jovens brilhantes em centros profissionais, criando um ambiente de ensino imersivo, enquanto servem a comunidade exterior à Universidade.” 

“Para as escolas de Medicina, o serviço é a saúde pública; para as escolas de Jornalismo, são as notícias e Informação.”

“Por exemplo, a Cronkite News, uma plataforma noticiosa com delegações em Phoenix, Washington e Los Angeles, concentra-se em grandes temas de interesse público que afectam o Sudoeste, em áreas como a saúde, a lei e o meio ambiente.”

“Informa sobre populações e comunidades na região, frequentemente menos representadas nos media, tais como os índios americanos e os que vivem nas regiões de fronteira.” (...)

 

Mais informação em Media-tics  e o texto acima citado

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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Opinião
Sobre a liberdade de expressão em Portugal
Francisco Sarsfield Cabral
O caso da participação num programa matinal da TVI de um racista, já condenado e tendo cumprido pena de prisão, Mário Machado, suscitou polémica. Ainda bem, porque as questões em causa são importantes. Mas, como é costume, o debate rapidamente derivou para um confronto entre a esquerda indignada por se ter dado tempo de antena a um criminoso fascista e a direita defendendo a liberdade de expressão e a dualidade de...
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