Segunda-feira, 23 de Setembro, 2019
Media

Universidades apoiam e investem no jornalismo de investigação

A sociedade necessita de um jornalismo de investigação que fica caro, e esta necessidade “chega num momento de grande tensão financeira para uma indústria maciçamente perturbada pelas novas tecnologias e alterações económicas”.

“Acreditamos que este tipo de jornalismo, em defesa do povo americano, é mais importante do que nunca na presente cacofonia de informação confusa, contraditória e enganadora, já para não falar de cepticismo  - ou por vezes rejeição absoluta -  dos factos.”

Esta reflexão é assinada por Christopher Callahan e Leonard Downie Jr., docentes na Universidade Estatal do Arizona, sobre a criação de dois centros de ensino de jornalismo de investigação, um na Universidade referida, outro na de Maryland. Tendo em conta a “proliferação de centros de reportagem de investigação independentes, sem objectivo de lucro, em grande parte financiados por [mecenato] filantrópico”, as universidades “estão prontas a assumir funções de liderança neste novo ecossistema de jornalismo de investigação”  - afirmam no seu texto.

A declaração de Christopher Callahan (vice-reitor da Arizona State University e fundador da Walter Cronkite School of Journalism and Mass Communication), e de Leonard Downie Jr. (professor de Jornalismo e antigo director do diário The Washington Post), vem a propósito da atribuição, pela Fundação Scripps Howard, de três milhões de dólares à referida Escola de Jornalismo, e de outros três milhões à Faculdade de Jornalismo Philip Merril, da Universidade de Maryland, para desenvolver a criação de dois Howard Centers for Investigative Journalism

“O objectivo destes Centros é o de promover a formação de grandes jornalistas de investigação e de grande jornalismo de investigação. Na Conkrite, o novo Howard Center, com recrutamento [de docentes] a nível nacional, conta com cinco repórteres de investigação e editores distinguidos com o Pulitzer Prize, já pertencentes à Arizona State University.” (...) 

“O jornalismo produzido nas Universidades não é novo, mas está em crescimento. Na última década, só a Cronkite School já lançou uma dúzia de programas que reproduzem o modelo dos hospitais universitários, na educação médica  - onde profissionais de topo se juntam às faculdades para formar jovens brilhantes em centros profissionais, criando um ambiente de ensino imersivo, enquanto servem a comunidade exterior à Universidade.” 

“Para as escolas de Medicina, o serviço é a saúde pública; para as escolas de Jornalismo, são as notícias e Informação.”

“Por exemplo, a Cronkite News, uma plataforma noticiosa com delegações em Phoenix, Washington e Los Angeles, concentra-se em grandes temas de interesse público que afectam o Sudoeste, em áreas como a saúde, a lei e o meio ambiente.”

“Informa sobre populações e comunidades na região, frequentemente menos representadas nos media, tais como os índios americanos e os que vivem nas regiões de fronteira.” (...)

 

Mais informação em Media-tics  e o texto acima citado

Connosco
Estudo revela cepticismo sobre cobrança generalizada de conteúdos Ver galeria

Num relatório da KMPG intitulado “Presente e futuro do sector intermediário”, os empresários de media concordam que, a transição progressiva para um sistema de pagamento de conteúdos é necessária.

No entanto, apenas 38% desses executivos estão convencidos de que a cobrança pelos conteúdos digitais será generalizada nos próximos três anos. Entretanto, 62% acreditam que o modelo aberto e de pagamento coexistirá nesse período.

O relatório vem publicado no site da APM com quem a CPI tem um acordo de parceria.
Segundo o mesmo relatório, as cinco tendências que marcarão a agenda do sector dos media são as seguintes: a busca de um modelo de negócios rentável e sustentável, o potencial da publicidade digital, o compromisso com a qualidade, a análise de dados e alianças entre empresas jornalísticas.
A necessidade proteger o jornalismo do discurso inflamado Ver galeria

Os media e os jornalistas, parecem ter sido dominados pela energia estonteante dos discursos inflamados, da ofensa ao adversário e da mentira persuasiva que apelam á emoção em vez da razão, defende José Antonio Zarzalejos , nos  Cuadernos de Periodismo  da  APM, com a qual o CPI tem um acordo de parceria.

Especialmente, em período de eleições, a transmissão de mensagens “tornou-se um exercício de impostura e num território onde tudo é permitido, incluindo o insulto e a mentira”.

Nesta lógica comunicacional,  a transformação do estrangeiro em inimigo, e da dissidência em dissidente, são procedimentos  na arena política, segundo  o autor.
A receptividade para acolher  argumentos contrários  ou partilhar pensamentos diversos,  de acordo com   Zarzalejos, passou a ser entendido como uma abordagem fraca, sem convicção.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
Uma das coisas em que a informação sobre o mercado publicitário português peca é na análise das contas que são ganhas pelas agências de meios aqui em Portugal. Volta e meia vejo notícias do género a marca X decidiu atribuir a sua conta de publicidade em Portugal à agência Y. Quando se vai a ver, o que aconteceu é que a marca internacional X decidiu num qualquer escritório em Londres, Paris ou Berlim,...
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