Sábado, 17 de Novembro, 2018
Mundo

Editorial de Khashoggi defende liberdade de expressão no mundo árabe

O mundo árabe “encheu-se de esperança durante a Primavera de 2011; jornalistas, académicos e a população estavam cheios de entusiasmo por uma sociedade árabe livre nos seus países”, mas as expectativas foram frustradas e “estas sociedades voltaram ao antigo status quo, ou tiveram que enfrentar condições ainda mais duras do que tinham antes”.

É esta a reflexão do último editorial de Jamal Khashoggi, o jornalista saudita interrogado e morto no consulado do seu país em Istambul, segundo apontam cada vez mais as informações que vão chegando. A editora de opinião do jornal The Washington Post, do qual era colaborador regular há um ano, conta que recebeu o texto do seu tradutor e ajudante, um dia depois do desaparecimento. Foi decidido adiar a publicação, na esperança de que ele voltasse e a edição final fosse feita por ambos. Segundo Karen Attiah, o texto “capta na perfeição a sua dedicação e paixão pela liberdade no mundo árabe, uma liberdade pela qual, aparentemente, deu a sua vida”.

Jamal Kashoggi parte do mais recente relatório sobre a liberdade no mundo, publicado pela Freedom House, para manifestar o seu choque por ter encontrado apenas um país árabe na categoria de “livre”: a Tunísia. A Jordânia, Marrocos e o Kuwait vêm na segunda posição, como “parcialmente livres”, e os restantes países árabes como “não livres”. 

Menciona depois o caso de um seu amigo saudita, o escritor Saleh al-Shehi, que redigiu uma das colunas de opinião mais famosas jamais publicadas na imprensa saudita. “Infelizmente, hoje cumpre uma pena de cinco anos de prisão por supostos comentários contra o establishment saudita.” 

Segundo o autor, o silêncio da comunidade internacional está a dar aos governos árabes “carta branca para continuarem a silenciar os meios de comunicação a um ritmo cada vez mais rápido”: 

“Houve um tempo em que os jornalistas pensaram que a Internet libertaria a informação da censura e do controlo que se exerciam sobre os media impressos, Mas estes governos, cuja própria existência depende do controlo da informação, bloquearam agressivamente a Internet e detiveram jornalistas locais, pressionando os anunciantes a reduzirem as receitas de determinadas publicações.” (...) 

Khashoggi aponta como oásis onde ainda se vive o espírito da Primavera árabe o caso do Qatar, que continua a apoiar a cobertura de notícias internacionais. Mesmo na Tunísia e no Kuweit, como afirma, “os media centram-se em temas locais, não em temas que digam respeito ao conjunto do mundo árabe, e são avessos a proporcionar uma plataforma para os jornalistas da Arábia Saudita, Egipto e Iémen.” 

“Mesmo o Líbano, a jóia da coroa do mundo árabe no que se refere à liberdade de Imprensa, caíu vítima da polarização e da influência do Hezbolah pró-iraniano.” (...) 

A terminar, Khashoggi salienta a importância de os seus artigos serem traduzidos do inglês para o árabe e agradece ao Washington Post por isso. 

“O mundo árabe precisa de uma versão moderna dos antigos meios de comunicação transnacionais, para que os cidadãos possam ser informados sobre acontecimentos mundiais. E, o que é mais importante, temos de proporcionar uma plataforma às vozes árabes.” 

“Sofremos de pobreza, má gestão e educação deficiente. Por meio da criação de um fórum internacional independente, protegido da influência de governos nacionalistas que espalham o ódio pela propaganda, as pessoas normais e correntes do mundo árabe poderiam abordar os problemas estruturais com que se debatem as suas sociedades.”


O último editorial de Jamal Khashoggi, aqui traduzido por El País

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Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

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O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

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O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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