Segunda-feira, 23 de Setembro, 2019
Media

Diário digital da Guatemala edita guia de jornalismo de investigação

O jornal digital Plaza Pública, da Guatemala, editou e tornou acessível um manual de jornalismo e protocolos de segurança que condensa a sua própria experiência de seis anos de vida. “Assim investigamos (e assim nos cuidamos)” é o título do guia proposto, sobre a investigação jornalística tradicional, métodos de utilização de registos públicos e como trabalhar com dados. Também trata dos procedimentos editoriais internos e dos seus mecanismos de controlo de qualidade.

Fundado em 2011 por iniciativa de um grupo de jornalistas, com o apoio da Universidade Rafael Landívar, Plaza Pública tornou-se uma referência no meio do jornalismo de investigação na América Central. No site da Global Investigative Journalism Network é apresentado como “um laboratório de notícias com uma identidade narrativa baseada em investigações longas e aprofundadas; a sua ênfase incide sobre questões de justiça social e temas que não são habitualmente tratados pelos jornais tradicionais do país”.

“Decidimos fazer o manual [no início de 2017], porque Plaza Pública já tinha adquirido uma certa maturidade nos seus procedimentos e necessitávamos, por um lado, de ordená-la para que ficasse claro como trabalhamos”  -  disse ao Centro Knight o jornalista espanhol Enrique Naveda, coordenador-geral e co-fundador de Plaza Pública

Conforme explicou, “pensaram na realização do documento como uma ferramenta catalisadora que lhes permitiria acelerar os processos de aprendizagem de uma maneira ordenada e sistematizada para aqueles que chegam pela primeira vez à equipa.
Além disso, de acordo com Naveda, é um texto que poderia ser muito útil para pesquisadores e jornalistas da região em geral, pelas estruturas institucionais afins dos países vizinhos e, também, para jornalistas estrangeiros que querem fazer investigações na América Central”.

O texto inclui protocolos de segurança para aqueles que estão em zonas de conflito, como denunciar agressões ou intimidação de jornalistas por outros, como para cobrir o crime organizado, assuntos civis e desastres ambientais. Também inclui um guia de protecção para mulheres jornalistas.

O manual traz o passo a passo de como obter informações, não apenas com base na teoria de como se investiga, mas incluindo detalhes sobre como investigar nos arquivos públicos da Guatemala. 

Naveda disse que, com a explicação dada no manual, qualquer pesquisador pode obter informações sobre uma pessoa, as suas propriedades, as suas redes, ou estabelecer se possuem testas-de-ferro, entre outros dados. “Para nós, os dados são o ponto de partida, não o ponto de chegada”  - disse o coordenador-geral de Plaza Pública

A redacção do manual foi concluída no fim de 2017. “A versão em PDF do texto foi publicada em 4 de Julho no site e não foi divulgada até Setembro, quando os primeiros mil exemplares foram impressos. Estes foram em grande parte distribuídos entre estudantes de jornalismo, jornalistas regionais e professores universitários da Guatemala.”

 

Mais informação em Media-tics  e no Knight Center for Journalism in the Americas.

O manual “Assim investigamos (e nos cuidamos)”, em PDF

Connosco
Estudo revela cepticismo sobre cobrança generalizada de conteúdos Ver galeria

Num relatório da KMPG intitulado “Presente e futuro do sector intermediário”, os empresários de media concordam que, a transição progressiva para um sistema de pagamento de conteúdos é necessária.

No entanto, apenas 38% desses executivos estão convencidos de que a cobrança pelos conteúdos digitais será generalizada nos próximos três anos. Entretanto, 62% acreditam que o modelo aberto e de pagamento coexistirá nesse período.

O relatório vem publicado no site da APM com quem a CPI tem um acordo de parceria.
Segundo o mesmo relatório, as cinco tendências que marcarão a agenda do sector dos media são as seguintes: a busca de um modelo de negócios rentável e sustentável, o potencial da publicidade digital, o compromisso com a qualidade, a análise de dados e alianças entre empresas jornalísticas.
A necessidade proteger o jornalismo do discurso inflamado Ver galeria

Os media e os jornalistas, parecem ter sido dominados pela energia estonteante dos discursos inflamados, da ofensa ao adversário e da mentira persuasiva que apelam á emoção em vez da razão, defende José Antonio Zarzalejos , nos  Cuadernos de Periodismo  da  APM, com a qual o CPI tem um acordo de parceria.

Especialmente, em período de eleições, a transmissão de mensagens “tornou-se um exercício de impostura e num território onde tudo é permitido, incluindo o insulto e a mentira”.

Nesta lógica comunicacional,  a transformação do estrangeiro em inimigo, e da dissidência em dissidente, são procedimentos  na arena política, segundo  o autor.
A receptividade para acolher  argumentos contrários  ou partilhar pensamentos diversos,  de acordo com   Zarzalejos, passou a ser entendido como uma abordagem fraca, sem convicção.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
Uma das coisas em que a informação sobre o mercado publicitário português peca é na análise das contas que são ganhas pelas agências de meios aqui em Portugal. Volta e meia vejo notícias do género a marca X decidiu atribuir a sua conta de publicidade em Portugal à agência Y. Quando se vai a ver, o que aconteceu é que a marca internacional X decidiu num qualquer escritório em Londres, Paris ou Berlim,...
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