Sábado, 25 de Maio, 2019
Media

Diário digital da Guatemala edita guia de jornalismo de investigação

O jornal digital Plaza Pública, da Guatemala, editou e tornou acessível um manual de jornalismo e protocolos de segurança que condensa a sua própria experiência de seis anos de vida. “Assim investigamos (e assim nos cuidamos)” é o título do guia proposto, sobre a investigação jornalística tradicional, métodos de utilização de registos públicos e como trabalhar com dados. Também trata dos procedimentos editoriais internos e dos seus mecanismos de controlo de qualidade.

Fundado em 2011 por iniciativa de um grupo de jornalistas, com o apoio da Universidade Rafael Landívar, Plaza Pública tornou-se uma referência no meio do jornalismo de investigação na América Central. No site da Global Investigative Journalism Network é apresentado como “um laboratório de notícias com uma identidade narrativa baseada em investigações longas e aprofundadas; a sua ênfase incide sobre questões de justiça social e temas que não são habitualmente tratados pelos jornais tradicionais do país”.

“Decidimos fazer o manual [no início de 2017], porque Plaza Pública já tinha adquirido uma certa maturidade nos seus procedimentos e necessitávamos, por um lado, de ordená-la para que ficasse claro como trabalhamos”  -  disse ao Centro Knight o jornalista espanhol Enrique Naveda, coordenador-geral e co-fundador de Plaza Pública

Conforme explicou, “pensaram na realização do documento como uma ferramenta catalisadora que lhes permitiria acelerar os processos de aprendizagem de uma maneira ordenada e sistematizada para aqueles que chegam pela primeira vez à equipa.
Além disso, de acordo com Naveda, é um texto que poderia ser muito útil para pesquisadores e jornalistas da região em geral, pelas estruturas institucionais afins dos países vizinhos e, também, para jornalistas estrangeiros que querem fazer investigações na América Central”.

O texto inclui protocolos de segurança para aqueles que estão em zonas de conflito, como denunciar agressões ou intimidação de jornalistas por outros, como para cobrir o crime organizado, assuntos civis e desastres ambientais. Também inclui um guia de protecção para mulheres jornalistas.

O manual traz o passo a passo de como obter informações, não apenas com base na teoria de como se investiga, mas incluindo detalhes sobre como investigar nos arquivos públicos da Guatemala. 

Naveda disse que, com a explicação dada no manual, qualquer pesquisador pode obter informações sobre uma pessoa, as suas propriedades, as suas redes, ou estabelecer se possuem testas-de-ferro, entre outros dados. “Para nós, os dados são o ponto de partida, não o ponto de chegada”  - disse o coordenador-geral de Plaza Pública

A redacção do manual foi concluída no fim de 2017. “A versão em PDF do texto foi publicada em 4 de Julho no site e não foi divulgada até Setembro, quando os primeiros mil exemplares foram impressos. Estes foram em grande parte distribuídos entre estudantes de jornalismo, jornalistas regionais e professores universitários da Guatemala.”

 

Mais informação em Media-tics  e no Knight Center for Journalism in the Americas.

O manual “Assim investigamos (e nos cuidamos)”, em PDF

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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