Quarta-feira, 13 de Novembro, 2019
Media

Diário digital da Guatemala edita guia de jornalismo de investigação

O jornal digital Plaza Pública, da Guatemala, editou e tornou acessível um manual de jornalismo e protocolos de segurança que condensa a sua própria experiência de seis anos de vida. “Assim investigamos (e assim nos cuidamos)” é o título do guia proposto, sobre a investigação jornalística tradicional, métodos de utilização de registos públicos e como trabalhar com dados. Também trata dos procedimentos editoriais internos e dos seus mecanismos de controlo de qualidade.

Fundado em 2011 por iniciativa de um grupo de jornalistas, com o apoio da Universidade Rafael Landívar, Plaza Pública tornou-se uma referência no meio do jornalismo de investigação na América Central. No site da Global Investigative Journalism Network é apresentado como “um laboratório de notícias com uma identidade narrativa baseada em investigações longas e aprofundadas; a sua ênfase incide sobre questões de justiça social e temas que não são habitualmente tratados pelos jornais tradicionais do país”.

“Decidimos fazer o manual [no início de 2017], porque Plaza Pública já tinha adquirido uma certa maturidade nos seus procedimentos e necessitávamos, por um lado, de ordená-la para que ficasse claro como trabalhamos”  -  disse ao Centro Knight o jornalista espanhol Enrique Naveda, coordenador-geral e co-fundador de Plaza Pública

Conforme explicou, “pensaram na realização do documento como uma ferramenta catalisadora que lhes permitiria acelerar os processos de aprendizagem de uma maneira ordenada e sistematizada para aqueles que chegam pela primeira vez à equipa.
Além disso, de acordo com Naveda, é um texto que poderia ser muito útil para pesquisadores e jornalistas da região em geral, pelas estruturas institucionais afins dos países vizinhos e, também, para jornalistas estrangeiros que querem fazer investigações na América Central”.

O texto inclui protocolos de segurança para aqueles que estão em zonas de conflito, como denunciar agressões ou intimidação de jornalistas por outros, como para cobrir o crime organizado, assuntos civis e desastres ambientais. Também inclui um guia de protecção para mulheres jornalistas.

O manual traz o passo a passo de como obter informações, não apenas com base na teoria de como se investiga, mas incluindo detalhes sobre como investigar nos arquivos públicos da Guatemala. 

Naveda disse que, com a explicação dada no manual, qualquer pesquisador pode obter informações sobre uma pessoa, as suas propriedades, as suas redes, ou estabelecer se possuem testas-de-ferro, entre outros dados. “Para nós, os dados são o ponto de partida, não o ponto de chegada”  - disse o coordenador-geral de Plaza Pública

A redacção do manual foi concluída no fim de 2017. “A versão em PDF do texto foi publicada em 4 de Julho no site e não foi divulgada até Setembro, quando os primeiros mil exemplares foram impressos. Estes foram em grande parte distribuídos entre estudantes de jornalismo, jornalistas regionais e professores universitários da Guatemala.”

 

Mais informação em Media-tics  e no Knight Center for Journalism in the Americas.

O manual “Assim investigamos (e nos cuidamos)”, em PDF

Connosco
Onde se fala de jornalismo mais factual e menos negativo Ver galeria

Os meios de comunicação social exibem um enviesamento em relação a tudo aquilo que é negativo, seja nas notícias, seja no comentário. 

O jornalismo parece ter uma tendência para o negativo. Aparentemente, só o que é repentino e mau é digno de notícia, verificando-se que as coisas positivas são vistas como uma maçada.

O jornalismo acaba por ampliar a negatividade sempre que opta por não considerar os acontecimentos positivos.

A opinião é de Steven Pinker, professor de psicologia em Harvard e autor, numa crónica na revista POLITICO Magazine, do livro “Enlightenment Now: The Case for Reason, Science, Humanism, and Progress”. 

O autor apela a um jornalismo mais factual e considera que a governação democrática não pode funcionar se ninguém acreditar nisso, e o pessimismo jornalístico semeou o fatalismo e o radicalismo nas nossas instituições.

Jovens privilegiam “infotainment” em vez de notícias Ver galeria

Um estudo encomendado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism (RISJ) à agência Flamingo – especializada na concepção de estratégias culturais –, revela que a forma como as audiências mais jovens nos Estados Unidos e no Reino Unido abordam as notícias é diferente das gerações anteriores. 

Os jovens procuram, principalmente, o progresso, o que influencia a forma como pesquisam e recebem notícias.

As audiências mais jovens, por norma, não procuram notícias e não se informam de forma proactiva, são indiretamente expostas à informação através de redes sociais, conteúdos digitais, programas de televisão e conversas online

Ao mesmo tempo, focam-se noutros tipos de conteúdos, como a combinação de informação e entretenimento (infotainment), histórias de lifestyle ou conteúdos de bloggers.

Em suma, as gerações mais jovens estão cada vez mais desconectadas das formas tradicionais de consumo de notícias, por considerarem que são menos relevantes para si.

APM, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria, publicou no seu site um artigo no qual realiza a análise do estudo.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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