Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Media

Diário digital da Guatemala edita guia de jornalismo de investigação

O jornal digital Plaza Pública, da Guatemala, editou e tornou acessível um manual de jornalismo e protocolos de segurança que condensa a sua própria experiência de seis anos de vida. “Assim investigamos (e assim nos cuidamos)” é o título do guia proposto, sobre a investigação jornalística tradicional, métodos de utilização de registos públicos e como trabalhar com dados. Também trata dos procedimentos editoriais internos e dos seus mecanismos de controlo de qualidade.

Fundado em 2011 por iniciativa de um grupo de jornalistas, com o apoio da Universidade Rafael Landívar, Plaza Pública tornou-se uma referência no meio do jornalismo de investigação na América Central. No site da Global Investigative Journalism Network é apresentado como “um laboratório de notícias com uma identidade narrativa baseada em investigações longas e aprofundadas; a sua ênfase incide sobre questões de justiça social e temas que não são habitualmente tratados pelos jornais tradicionais do país”.

“Decidimos fazer o manual [no início de 2017], porque Plaza Pública já tinha adquirido uma certa maturidade nos seus procedimentos e necessitávamos, por um lado, de ordená-la para que ficasse claro como trabalhamos”  -  disse ao Centro Knight o jornalista espanhol Enrique Naveda, coordenador-geral e co-fundador de Plaza Pública

Conforme explicou, “pensaram na realização do documento como uma ferramenta catalisadora que lhes permitiria acelerar os processos de aprendizagem de uma maneira ordenada e sistematizada para aqueles que chegam pela primeira vez à equipa.
Além disso, de acordo com Naveda, é um texto que poderia ser muito útil para pesquisadores e jornalistas da região em geral, pelas estruturas institucionais afins dos países vizinhos e, também, para jornalistas estrangeiros que querem fazer investigações na América Central”.

O texto inclui protocolos de segurança para aqueles que estão em zonas de conflito, como denunciar agressões ou intimidação de jornalistas por outros, como para cobrir o crime organizado, assuntos civis e desastres ambientais. Também inclui um guia de protecção para mulheres jornalistas.

O manual traz o passo a passo de como obter informações, não apenas com base na teoria de como se investiga, mas incluindo detalhes sobre como investigar nos arquivos públicos da Guatemala. 

Naveda disse que, com a explicação dada no manual, qualquer pesquisador pode obter informações sobre uma pessoa, as suas propriedades, as suas redes, ou estabelecer se possuem testas-de-ferro, entre outros dados. “Para nós, os dados são o ponto de partida, não o ponto de chegada”  - disse o coordenador-geral de Plaza Pública

A redacção do manual foi concluída no fim de 2017. “A versão em PDF do texto foi publicada em 4 de Julho no site e não foi divulgada até Setembro, quando os primeiros mil exemplares foram impressos. Estes foram em grande parte distribuídos entre estudantes de jornalismo, jornalistas regionais e professores universitários da Guatemala.”

 

Mais informação em Media-tics  e no Knight Center for Journalism in the Americas.

O manual “Assim investigamos (e nos cuidamos)”, em PDF

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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Opinião
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