Sábado, 25 de Maio, 2019
Media

Jornalistas são mortos quando ninguém se importa

“Há pessoas que sentem que têm o direito de matar outras porque não concordam com elas. Se estes crimes ficam sem resposta, os assassinos são encorajados. Se ninguém levanta um alarido, então [é porque] não tem importância.”

A reflexão é de Kathleen Carroll  - que dirigiu a Associated Press durante 14 anos e preside agora ao Committee to Protect Journalists -  a respeito dos mais recentes casos de jornalistas assassinados. Carroll louva a abordagem de The Washington Post na cobertura do que se passou com Jamal Khashoggi, acrescentando que todos devíamos estar a perguntar: “O que é que lhe aconteceu? E o que é que vai acontecer aos que lhe fizeram aquilo que fizeram?” Louva também o empenhamento da Reuters em manter o foco sobre o encarceramento, no Myanmar, de dois dos seus repórteres, Wa Lone e Kyaw Soe Oo, por terem documentado o genocídio da minoria Rohingya.

Figuras poderosas silenciaram, no espaço de um ano, vários repórteres de investigação, entre eles Daphne Caruana Galizia, de Malta, Viktoria Marinova, da Bulgária, Ján Kuciak, da Eslováquia, e Mario Gomez Sanchez, um dos muitos jornalistas mortos no México. 

O movimento de combate à corrupção Transparency International diz que nove em cada dez jornalistas assassinados desde 2012 foram mortos em nações consideradas muito corruptas. O crime encomendado de Kuciak e da sua noiva, ambos com 27 anos, levou à queda do primeiro-ministro da Eslováquia. 

“Quando é morto um jornalista, toda a sociedade sofre”  - disse a escritora Margaret Atwood no primeiro aniversário do atentado à bomba que matou Caruana Galizia, na ilha de Malta. “Perdemos o nosso direito de saber, de falar, de aprender.” 

Anne Applebaum, comentadora no Washington Post, afirmou que as mudanças tecnológicas aumentaram a pressão sobre os políticos corruptos  - e sobre os jornalistas que os denunciam. Essas mudanças tornam mais fácil aos primeiros a colocação do dinheiro fora dos seus países, mas podem também capacitar os jornalistas a seguirem o seu rasto. 

“Os autocratas estavam habituados a amordaçar a circulação de notícias nos seus próprios países, mas a tecnologia permite hoje a qualquer pessoa com um smartphone, na Arábia Saudita, ler o que Khashoggi escreveu no Post”  - acrescenta. 

O Committee to Protect Journalists costumava dar formação, a repórters em locais perigosos, sobre como escapar de raptores  - disse ainda Kathleen Carroll. Actualmente, essa formação pode ser, também, sobre spyware dos governos a tentar infectar o telefone e o computador, ou a procurar acesso às suas contas online

Segundo Margaret Atwood, o memorial que tinha sido plantado, como exigência de justiça no caso de Caruana Galizia, “foi repetidas vezes demolido por trabalhadores do governo”. 

Foram necessários activistas a guardarem o memorial, durante a noite de sábado e no domingo passado, quando centenas de pessoas vieram homenagear a memória da jornalista assassinada.

 

O texto aqui citado, na íntegra, no site Poynter.org

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Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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