null, 21 de Julho, 2019
Media

Jornalistas são mortos quando ninguém se importa

“Há pessoas que sentem que têm o direito de matar outras porque não concordam com elas. Se estes crimes ficam sem resposta, os assassinos são encorajados. Se ninguém levanta um alarido, então [é porque] não tem importância.”

A reflexão é de Kathleen Carroll  - que dirigiu a Associated Press durante 14 anos e preside agora ao Committee to Protect Journalists -  a respeito dos mais recentes casos de jornalistas assassinados. Carroll louva a abordagem de The Washington Post na cobertura do que se passou com Jamal Khashoggi, acrescentando que todos devíamos estar a perguntar: “O que é que lhe aconteceu? E o que é que vai acontecer aos que lhe fizeram aquilo que fizeram?” Louva também o empenhamento da Reuters em manter o foco sobre o encarceramento, no Myanmar, de dois dos seus repórteres, Wa Lone e Kyaw Soe Oo, por terem documentado o genocídio da minoria Rohingya.

Figuras poderosas silenciaram, no espaço de um ano, vários repórteres de investigação, entre eles Daphne Caruana Galizia, de Malta, Viktoria Marinova, da Bulgária, Ján Kuciak, da Eslováquia, e Mario Gomez Sanchez, um dos muitos jornalistas mortos no México. 

O movimento de combate à corrupção Transparency International diz que nove em cada dez jornalistas assassinados desde 2012 foram mortos em nações consideradas muito corruptas. O crime encomendado de Kuciak e da sua noiva, ambos com 27 anos, levou à queda do primeiro-ministro da Eslováquia. 

“Quando é morto um jornalista, toda a sociedade sofre”  - disse a escritora Margaret Atwood no primeiro aniversário do atentado à bomba que matou Caruana Galizia, na ilha de Malta. “Perdemos o nosso direito de saber, de falar, de aprender.” 

Anne Applebaum, comentadora no Washington Post, afirmou que as mudanças tecnológicas aumentaram a pressão sobre os políticos corruptos  - e sobre os jornalistas que os denunciam. Essas mudanças tornam mais fácil aos primeiros a colocação do dinheiro fora dos seus países, mas podem também capacitar os jornalistas a seguirem o seu rasto. 

“Os autocratas estavam habituados a amordaçar a circulação de notícias nos seus próprios países, mas a tecnologia permite hoje a qualquer pessoa com um smartphone, na Arábia Saudita, ler o que Khashoggi escreveu no Post”  - acrescenta. 

O Committee to Protect Journalists costumava dar formação, a repórters em locais perigosos, sobre como escapar de raptores  - disse ainda Kathleen Carroll. Actualmente, essa formação pode ser, também, sobre spyware dos governos a tentar infectar o telefone e o computador, ou a procurar acesso às suas contas online

Segundo Margaret Atwood, o memorial que tinha sido plantado, como exigência de justiça no caso de Caruana Galizia, “foi repetidas vezes demolido por trabalhadores do governo”. 

Foram necessários activistas a guardarem o memorial, durante a noite de sábado e no domingo passado, quando centenas de pessoas vieram homenagear a memória da jornalista assassinada.

 

O texto aqui citado, na íntegra, no site Poynter.org

Connosco
A formação académica do jornalismo profisional em debate Ver galeria

A FAPE – Federación de Asociaciones de Periodistas de España, que reune mais de 19 mil associados, declarou em Junho de 2019 que vai deixar de admitir nesta qualidade jornalistas que não estejam habilitados com um título académico de jornalismo, mesmo que estejam exercendo a profissão. O seu presidente, Nemesio Rodriguez, disse a eldiario.es  que o objectivo era “valorizar o título de jornalista e resolver o problema da intrusão”.

Uma consequência inesperada, entre várias críticas chegadas, foi a desvinculação, da sua pertença à FAPE, decidida pela AECC – Asociación Española de Comunicación Científica, cujos profissionais, especializados na comunicação científica, detêm maioritariamente outras licenciaturas. O seu presidente, Antonio Calvo, declarou que não fazia sentido “continuar a pertencer a uma associação onde não podem entrar metade dos nossos sócios”.

Este episódio reacendeu um debate que se alarga à própria vocação das associações de jornalistas. Sobre ambas as questões, e outras relacionadas, a  Red Ética da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano  organizou um tweet-debate marcado para 18 de Julho, de cujas conclusões daremos conta quando forem publicadas.

Apelo de investigadores contra "fake news" em divulgação científica Ver galeria

Será que a ciência é “distorcida” pelos media, por incapacidade de fazerem uma divulgação rigorosa, ou por qualquer outro motivo?
É para responder a este problema que o colectivo denominado NoFakeScience, composto por duas dezenas de cientistas e especialistas na divulgação de ciência, redigiu e publica no diário francês L’Opinion um texto que apela a um “trabalho de mãos dadas” entre jornalistas e cientistas. Juntaram-se a eles outros 230 grandes nomes da investigação, de todo o mundo, perfazendo assim um total de 250 signatários deste apelo.

“Nesta hora em que a desconfiança nos media e nas instituições chega ao extremo, apelamos a um questionamento profundo de toda a cadeia de informação, para que os temas de natureza científica possam ser restituídos a todos sem deformação sensacionalista nem ideológica, e para que a confiança possa ser, a longo prazo, restaurada entre os cientistas, os meios de comunicação e os cidadãos”  -  afirma o primeiro parágrafo do texto.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


ver mais >
Opinião
Um relatório recente sobre os princípios de actuação mais frequentes dos maiores publishers digitais dá algumas indicações que vale a pena ter em conta. O estudo “Digital Publishers Report”, divulgado pelo site Digiday, analisa as práticas de uma centena de editores e destaca alguns factores que, na sua opinião, permitem obter os melhores resultados. O estudo estima que as receitas provenientes de conteúdo digital...
E lá se foi mais um daqueles Artistas geniais que tornam a existência humana mais suportável… Guillermo Mordillo era um daqueles raríssimos autores que não precisam de palavras para nos revelarem os aspectos mais evidentes, e também os mais escondidos, das nossas vidas – os alegres, os menos alegres, os cómicos, os ridículos, até os trágicos -- com um traço redondo, que dava aos seus bonecos uma vivacidade...
Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
Agenda
01
Ago
Composição Fotográfica
09:00 @ Cenjor,Lisboa
21
Ago
Edinburgh TV Festival
09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
04
Set
Infocomm China
09:00 @ Chengdu, Sichuan Province, China