Quarta-feira, 14 de Novembro, 2018
Media

Jornalistas são mortos quando ninguém se importa

“Há pessoas que sentem que têm o direito de matar outras porque não concordam com elas. Se estes crimes ficam sem resposta, os assassinos são encorajados. Se ninguém levanta um alarido, então [é porque] não tem importância.”

A reflexão é de Kathleen Carroll  - que dirigiu a Associated Press durante 14 anos e preside agora ao Committee to Protect Journalists -  a respeito dos mais recentes casos de jornalistas assassinados. Carroll louva a abordagem de The Washington Post na cobertura do que se passou com Jamal Khashoggi, acrescentando que todos devíamos estar a perguntar: “O que é que lhe aconteceu? E o que é que vai acontecer aos que lhe fizeram aquilo que fizeram?” Louva também o empenhamento da Reuters em manter o foco sobre o encarceramento, no Myanmar, de dois dos seus repórteres, Wa Lone e Kyaw Soe Oo, por terem documentado o genocídio da minoria Rohingya.

Figuras poderosas silenciaram, no espaço de um ano, vários repórteres de investigação, entre eles Daphne Caruana Galizia, de Malta, Viktoria Marinova, da Bulgária, Ján Kuciak, da Eslováquia, e Mario Gomez Sanchez, um dos muitos jornalistas mortos no México. 

O movimento de combate à corrupção Transparency International diz que nove em cada dez jornalistas assassinados desde 2012 foram mortos em nações consideradas muito corruptas. O crime encomendado de Kuciak e da sua noiva, ambos com 27 anos, levou à queda do primeiro-ministro da Eslováquia. 

“Quando é morto um jornalista, toda a sociedade sofre”  - disse a escritora Margaret Atwood no primeiro aniversário do atentado à bomba que matou Caruana Galizia, na ilha de Malta. “Perdemos o nosso direito de saber, de falar, de aprender.” 

Anne Applebaum, comentadora no Washington Post, afirmou que as mudanças tecnológicas aumentaram a pressão sobre os políticos corruptos  - e sobre os jornalistas que os denunciam. Essas mudanças tornam mais fácil aos primeiros a colocação do dinheiro fora dos seus países, mas podem também capacitar os jornalistas a seguirem o seu rasto. 

“Os autocratas estavam habituados a amordaçar a circulação de notícias nos seus próprios países, mas a tecnologia permite hoje a qualquer pessoa com um smartphone, na Arábia Saudita, ler o que Khashoggi escreveu no Post”  - acrescenta. 

O Committee to Protect Journalists costumava dar formação, a repórters em locais perigosos, sobre como escapar de raptores  - disse ainda Kathleen Carroll. Actualmente, essa formação pode ser, também, sobre spyware dos governos a tentar infectar o telefone e o computador, ou a procurar acesso às suas contas online

Segundo Margaret Atwood, o memorial que tinha sido plantado, como exigência de justiça no caso de Caruana Galizia, “foi repetidas vezes demolido por trabalhadores do governo”. 

Foram necessários activistas a guardarem o memorial, durante a noite de sábado e no domingo passado, quando centenas de pessoas vieram homenagear a memória da jornalista assassinada.

 

O texto aqui citado, na íntegra, no site Poynter.org

Connosco
Agravam-se as ameças sobre os jornalistas na Europa Ver galeria

Jornalistas queimados em efígie, insultados e ameaçados, desacreditados pelos dirigentes dos seus próprios países. Processados, assaltados, alvo de ameaças de violação ou de morte, e em vários casos efectivamente assassinados. É este, hoje, o ambiente em que trabalham muitos jornalistas na Europa.

A organização Index on Censorship, com o apoio da Federação Europeia de Jornalistas, reuniu no relatório Mapping Media Freedom mais de três mil episódios de situações deste tipo, registadas desde Maio de 2004. A informação recolhida apresenta os jornalistas e os media onde trabalham como alvos de dirigentes políticos, empresas e mesmo o público em geral  -  mas algumas tendências principais são destacadas e apontadas neste trabalho. O objectivo é fornecer indicações úteis aos legisladores e a quantos desejem continuar a defender o ambiente favorável a uma Imprensa independente e pluralista.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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