Segunda-feira, 23 de Setembro, 2019
Estudo

Jornalistas e “bloggers”: as diferenças que contam

Podem os blogs ser considerados meios de comunicação? E os que escrevem neles regularmente, com propósito informativo, podem ser chamados jornalistas? Em última instância: até que ponto são, realmente, diferentes uns dos outros?

Entre todas as questões colocadas ao jornalismo pela Internet, e dada a crescente popularidade das redes sociais, estas foram consideradas suficientemente importantes para merecerem uma observação mais rigorosa. Dois investigadores da Universidade de Ciências Aplicadas Ostfalia, na Alemanha, fizeram um inquérito junto de 936 jornalistas profissionais e de 463 bloggers fazendo trabalho noticioso, incluindo ainda 156 utentes da Net.

As diferenças entre uns e outros ficaram mais claras, mas as semelhanças também. E ficou a conclusão de que os bloggers não são, no futuro próximo, verdadeiramente rivais dos jornalistas  - a não ser em determinados campos de reportagem, como a moda, viagens, ou a tecnologia.

Os dois autores deste estudo, Olaf Hoffjann e Oliver Haidukiewicz, abordaram tanto os que trabalham para os media como os que escrevem em blogs como jornalistas, mas, para melhor definição, chamaram-lhes bloggers ou jornalistas profissionais, no trabalho publicado. O Observatório Europeu de Jornalismo, que aqui citamos, sintetiza as conclusões principais em sete pontos:

  1.  -  Relevância  -  Os jornalistas pensam que os bloggers não têm relevância jornalística. Um terço dos que participaram no estudo acham que os blogs não difundem informação relevante. Mas os bloggers valorizam mais os jornalistas. (...) “Ambos os lados reconhecem que o sucesso crescente dos blogs revela que as audiências estão insatisfeitas com o trabalho dos media tradicionais.”
  2.   -  Preparação profissional  -  Os bloggers são geralmente menos preparados, em termos de técnicas e teorias de jornalismo, do que os jornalistas profissionais. Mas um em cada sete estudou ciências da comunicação. Para os autores, um blogger que trabalha vinte horas por semana, ou mais, e recebe pelo seu trabalho, pode ser considerado profissional. Mas estes bloggers profissionais geralmente ganham pouco, e a sua investigação limita-se à Internet.
  3.   -  Objectivos  -  Tanto uns como os outros desejam, em primeiro lugar, divulgar informação. Mas os bloggers estão mais focados no entretenimento das suas audiências, enquanto os jornalistas desejam mais ‘controlar’ e criticar. Ambos os lados parecem estar de acordo em critérios básicos de qualidade: exactidão, credibilidade, independência e a competência para explicar temas complexos. (...)
  4.   -  Participação  -  Os bloggers investem mais em interacção pela Net com a sua audiência, por exemplo nas caixas de comentário dos seus blogs. Estar perto dos leitores chega a ser mais importante para eles do que para os jornalistas profissionais.
  5.   -  Sobre os press-releases  -  Tanto uns como outros deploram a má qualidade dos press-releases de instituições e organismos oficiais. Os bloggers queixam-se de nem sempre terem acesso a conferências de Imprensa, embora pareça que está a crescer a sua aceitação.
  6.   -  Publicidade encoberta  -  Os bloggers são muitas vezes acusados de publicidade encoberta. Mas o estudo revela que eles marcam os seus conteúdos pagos com a mesma frequência com que o fazem os jornalistas (mais de 91%). Os autores admitem que a sua consciência do que se espera deles pode ter alterado o comportamento dos bloggers na resposta às perguntas. Principalmente os conteúdos no YouTube e no Instagram podem incluir mais publicidade encoberta do que os números sugerem. (...) Mas 93% dos bloggers abordados declaram não aceitar publicidade que não se conforme à sua linha editorial.
  7.   -  Semelhanças e rivalidades  -  O estudo revela que, em muitos aspectos, jornalistas profissionais e bloggers são mais semelhantes do que se podia pensar. “Membros de ambos os grupos que vão fazer a cobertura do mesmo assunto mostram frequentemente mais semelhanças um com o outro do que com outros membros do respectivo grupo.” Segundo os autores, os bloggers não são concorrentes sérios dos jornalistas profissionais. O maior site profissional de noticiário político na Alemanha (faz.net) chega a uma audiência 50 vezes maior que a do maior blog político (netzpolitik.org). Só no que toca à reportagem de moda os blogs têm vantagem. Os jovens parecem [neste caso] preferir os blogs à oferta do jornalismo tradicional. (...)

“Os autores notam que, dada a crescente popularidade das redes sociais e da Internet, um estudo semelhante, no futuro, pode recolher resultados muito diferentes. Por enquanto, os bloggers estão em desvantagem económica, já que muitos ainda não encontraram um modelo de negócio sustentável.” (...)

 

O artigo citado, no European Journalism Observatory, e o estudo original, na língua alemã

 

Connosco
Estudo revela cepticismo sobre cobrança generalizada de conteúdos Ver galeria

Num relatório da KMPG intitulado “Presente e futuro do sector intermediário”, os empresários de media concordam que, a transição progressiva para um sistema de pagamento de conteúdos é necessária.

No entanto, apenas 38% desses executivos estão convencidos de que a cobrança pelos conteúdos digitais será generalizada nos próximos três anos. Entretanto, 62% acreditam que o modelo aberto e de pagamento coexistirá nesse período.

O relatório vem publicado no site da APM com quem a CPI tem um acordo de parceria.
Segundo o mesmo relatório, as cinco tendências que marcarão a agenda do sector dos media são as seguintes: a busca de um modelo de negócios rentável e sustentável, o potencial da publicidade digital, o compromisso com a qualidade, a análise de dados e alianças entre empresas jornalísticas.
A necessidade proteger o jornalismo do discurso inflamado Ver galeria

Os media e os jornalistas, parecem ter sido dominados pela energia estonteante dos discursos inflamados, da ofensa ao adversário e da mentira persuasiva que apelam á emoção em vez da razão, defende José Antonio Zarzalejos , nos  Cuadernos de Periodismo  da  APM, com a qual o CPI tem um acordo de parceria.

Especialmente, em período de eleições, a transmissão de mensagens “tornou-se um exercício de impostura e num território onde tudo é permitido, incluindo o insulto e a mentira”.

Nesta lógica comunicacional,  a transformação do estrangeiro em inimigo, e da dissidência em dissidente, são procedimentos  na arena política, segundo  o autor.
A receptividade para acolher  argumentos contrários  ou partilhar pensamentos diversos,  de acordo com   Zarzalejos, passou a ser entendido como uma abordagem fraca, sem convicção.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
Uma das coisas em que a informação sobre o mercado publicitário português peca é na análise das contas que são ganhas pelas agências de meios aqui em Portugal. Volta e meia vejo notícias do género a marca X decidiu atribuir a sua conta de publicidade em Portugal à agência Y. Quando se vai a ver, o que aconteceu é que a marca internacional X decidiu num qualquer escritório em Londres, Paris ou Berlim,...
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