Quarta-feira, 23 de Outubro, 2019
Media

Agrava-se o risco para jornalismo e jornalistas em todo o mundo

Já foram mortos em 2018, até este momento, pelo menos 43 jornalistas em todo o mundo, o que ultrapassa o total de 2017  - não incluindo aqui outras 17 mortes cujo motivo não foi esclarecido. O alerta é do Committee do Protect Journalists, que chama a atenção para o facto de haver cada vez mais casos destes em espaços “anteriormente considerados bastiões da liberdade de Imprensa”, como os EUA e a Europa Ocidental, ao mesmo tempo que se desenvolve “uma retórica contra a Imprensa”.

A organização Repórteres sem Fronteiras faz o mesmo balanço sobre o facto de os jornalistas mortos nos primeiros nove meses do ano serem já mais que os de todo o ano anterior  - mas põe o número um pouco acima, declarando um total de 56 até ao dia 1 de Outubro (foram 55 em 2017). A reportagem que citamos é do diário The New York Times, que afirma:

“Este ano, os Estados Unidos tiveram o terceiro lugar no número de jornalistas assassinados em todo o mundo, em parte devido ao ataque contra a redacção da The Capital Gazette, em Annapolis, que deixou cinco jornalistas mortos.”

O Committee to Protect Journalists já tinha documentado a morte de mais de 70 jornalistas, em quatro anos separados, ao longo da última década  - muitos deles apanhados sob fogo cruzado. Em áreas onde há conflitos armados em curso, ou crime organizado endémico, a ameaça que pesa sobre os jornalistas é bem conhecida. 

“Doze jornalistas, por exemplo, foram mortos este ano no Afeganistão. E pelo menos seis no México, há muito tempo conhecido como um sítio perigoso para se ser jornalista.” Mas os números deste ano expõem “uma nova tendência preocupante”, segundo Courtney Radsch, do CPJ

“Há um aumento de ataques aos jornalistas e ao jornalismo, como instituição que é importante para a democracia e para a fundação dos direitos humanos”  - afirmou. “E vemos que isto está a ser abalado em todo o mundo.” (...) 

“Estamos a assistir à instalação de um clima de impunidade em muitos mais países do que víamos antes”  - afirma Margaux Ewen, directora dos Repórteres sem Fronteiras nos EUA. “É preocupante o que aconteceu a Jamal Khashoggi, se os relatos se confirmarem  - que uma pessoa possa desaparecer desta forma descarada.” (...) 

Entrevistado pelo semanário francês L’Express, o secretário-geral dos RSF, Christophe Deloire, lamenta que, “embora a Europa seja o continente que melhor garante a liberdade de Imprensa, é um desastre que jornalistas de investigação sejam impedidos de trabalhar nela”: 

“Há algum tempo que verificamos a erosão da liberdade de Imprensa, bem como a erosão institucional, quando são os poderes estabelecidos que tentam pôr uma chapa de chumbo sobre os media do seu país, como na Hungria ou na Polónia. Esta erosão é acompanhada de uma escalada do ódio e da violência.” (...) 

“Penso nomeadamente na Eslováquia, e no Primeiro-Ministro Robert Fico [entre Abril de 2012 e Março de 2018], que alimentou este ódio contra os jornalistas, insultando-os durante anos. Estamos numa escalada muito forte deste desprezo pelo pluralismo, e há quem pense que as nossas liberdades seriam melhor garantidas sem o trabalho dos jornalistas...” 

Entretanto, e segundo o diário britânico The Guardian, já há patrocinadores do chamado “Davos no Deserto”  - um importante encontro de investidores marcado para Riyadh, no final de Outubro -  a serem pressionados a desligar-se do mesmo, depois do sucedido com o desaparecimento e possível assassínio do jornalista dissidente Jamal Khashoggi. 

The New York Times, que desempenhava o papel de media sponsor, já se demarcou, bem como a directora da revista The Economist, Zanny Minton Beddoes, que iria falar na conferência. 

Segundo The Guardian, o encontro está previsto para “o mesmo hotel Ritz-Carlton onde o príncipe Mohammed bin Salman prendeu, no ano passado, dúzias de sauditas abastados, naquilo que classificou como uma campanha contra a corrupção”. (...)

 

Mais informação no NYT,  em The Guardian  e no L’Express

Connosco
Jornalistas deverão estar prevenidos para identificar e corrigir notícias falsas... Ver galeria

Existem várias lacunas na pesquisa de desinformação política e os debates contínuos sobre o que constitui as fake news e a sua classificação acabam por ser uma distracção, desviando as atenções das “questões críticas” relacionadas com o problema.

É importante reconhecer que as fake news existem, que estamos expostos a essas falsas informações, mas, se quisermos combatê-las, é indispensável procurar a sua origem, a sua forma de disseminação e analisar as consequências sociais e políticas.

É, ainda, imprescindível que os jornalistas estejam preparados e informados para não colaborarem na propagação deste tipo de informação.

Por vezes, o objectivo que se esconde em algumas fake news é que os media acabem por disseminá-las, acelerando a sua difusão. Por esse motivo, foi identificado o chamado “ponto de inflexão”, que representa o momento em que a história deixa de ser partilhada exclusivamente em “nichos” e acaba por atingir uma dimensão maior, alcançando várias comunidades. 

A jornalista Laura Hazard Owen abordou o tema num texto publicado no NiemanLab, no qual também faz referências à melhor forma de reconhecer os de conteúdos manipulados.

Suspensão de acordo do “Brexit” dividiu a imprensa britânica Ver galeria

Suspensa a aprovação do acordo no Parlamento britânico até que haja a regulamentação apropriada, a imprensa londrina apresentou-se dividida em relação ao Brexit.

Por um lado, a esperança de evitar um “não acordo” e uma saída abrupta, por outro a exaltação em relação à votação. 

Os media ingleses evidenciaram posições antagónicas em relação aos últimos acontecimentos e isso foi claro pela forma como abordaram a situação. 

Enquanto que o Sunday Express assumiu uma postura pró-Brexit e foi mais hostil com os deputados, acusando-os de atrasarem o processo, o Independent preferiu focar-se nas ruas, onde perto de um milhão de cidadãos se manifestaram para exigir que lhes seja dada a palavra final. Por sua vez, o Observer realçou a derrota do primeiro ministro, que se viu forçado a suspender a aprovação do acordo.

Le Monde publicou, entretanto, um texto no qual é feita uma análise dos media britânicos neste contexto.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
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Fotojornalismo e Direitos de Autor
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01
Nov
1º Congresso Internacional de Rádios Lusófonas
14:30 @ Angra do Heroísmo, Açores
19
Nov
Connections Europe
09:00 @ Marriott Hotel, Amsterdão
21
Nov