Sábado, 20 de Outubro, 2018
Media

Agrava-se o risco para jornalismo e jornalistas em todo o mundo

Já foram mortos em 2018, até este momento, pelo menos 43 jornalistas em todo o mundo, o que ultrapassa o total de 2017  - não incluindo aqui outras 17 mortes cujo motivo não foi esclarecido. O alerta é do Committee do Protect Journalists, que chama a atenção para o facto de haver cada vez mais casos destes em espaços “anteriormente considerados bastiões da liberdade de Imprensa”, como os EUA e a Europa Ocidental, ao mesmo tempo que se desenvolve “uma retórica contra a Imprensa”.

A organização Repórteres sem Fronteiras faz o mesmo balanço sobre o facto de os jornalistas mortos nos primeiros nove meses do ano serem já mais que os de todo o ano anterior  - mas põe o número um pouco acima, declarando um total de 56 até ao dia 1 de Outubro (foram 55 em 2017). A reportagem que citamos é do diário The New York Times, que afirma:

“Este ano, os Estados Unidos tiveram o terceiro lugar no número de jornalistas assassinados em todo o mundo, em parte devido ao ataque contra a redacção da The Capital Gazette, em Annapolis, que deixou cinco jornalistas mortos.”

O Committee to Protect Journalists já tinha documentado a morte de mais de 70 jornalistas, em quatro anos separados, ao longo da última década  - muitos deles apanhados sob fogo cruzado. Em áreas onde há conflitos armados em curso, ou crime organizado endémico, a ameaça que pesa sobre os jornalistas é bem conhecida. 

“Doze jornalistas, por exemplo, foram mortos este ano no Afeganistão. E pelo menos seis no México, há muito tempo conhecido como um sítio perigoso para se ser jornalista.” Mas os números deste ano expõem “uma nova tendência preocupante”, segundo Courtney Radsch, do CPJ

“Há um aumento de ataques aos jornalistas e ao jornalismo, como instituição que é importante para a democracia e para a fundação dos direitos humanos”  - afirmou. “E vemos que isto está a ser abalado em todo o mundo.” (...) 

“Estamos a assistir à instalação de um clima de impunidade em muitos mais países do que víamos antes”  - afirma Margaux Ewen, directora dos Repórteres sem Fronteiras nos EUA. “É preocupante o que aconteceu a Jamal Khashoggi, se os relatos se confirmarem  - que uma pessoa possa desaparecer desta forma descarada.” (...) 

Entrevistado pelo semanário francês L’Express, o secretário-geral dos RSF, Christophe Deloire, lamenta que, “embora a Europa seja o continente que melhor garante a liberdade de Imprensa, é um desastre que jornalistas de investigação sejam impedidos de trabalhar nela”: 

“Há algum tempo que verificamos a erosão da liberdade de Imprensa, bem como a erosão institucional, quando são os poderes estabelecidos que tentam pôr uma chapa de chumbo sobre os media do seu país, como na Hungria ou na Polónia. Esta erosão é acompanhada de uma escalada do ódio e da violência.” (...) 

“Penso nomeadamente na Eslováquia, e no Primeiro-Ministro Robert Fico [entre Abril de 2012 e Março de 2018], que alimentou este ódio contra os jornalistas, insultando-os durante anos. Estamos numa escalada muito forte deste desprezo pelo pluralismo, e há quem pense que as nossas liberdades seriam melhor garantidas sem o trabalho dos jornalistas...” 

Entretanto, e segundo o diário britânico The Guardian, já há patrocinadores do chamado “Davos no Deserto”  - um importante encontro de investidores marcado para Riyadh, no final de Outubro -  a serem pressionados a desligar-se do mesmo, depois do sucedido com o desaparecimento e possível assassínio do jornalista dissidente Jamal Khashoggi. 

The New York Times, que desempenhava o papel de media sponsor, já se demarcou, bem como a directora da revista The Economist, Zanny Minton Beddoes, que iria falar na conferência. 

Segundo The Guardian, o encontro está previsto para “o mesmo hotel Ritz-Carlton onde o príncipe Mohammed bin Salman prendeu, no ano passado, dúzias de sauditas abastados, naquilo que classificou como uma campanha contra a corrupção”. (...)

 

Mais informação no NYT,  em The Guardian  e no L’Express

Connosco
Editorial de Khashoggi defende liberdade de expressão no mundo árabe Ver galeria

O mundo árabe “encheu-se de esperança durante a Primavera de 2011; jornalistas, académicos e a população estavam cheios de entusiasmo por uma sociedade árabe livre nos seus países”, mas as expectativas foram frustradas e “estas sociedades voltaram ao antigo status quo, ou tiveram que enfrentar condições ainda mais duras do que tinham antes”.

É esta a reflexão do último editorial de Jamal Khashoggi, o jornalista saudita interrogado e morto no consulado do seu país em Istambul, segundo apontam cada vez mais as informações que vão chegando. A editora de opinião do jornal The Washington Post, do qual era colaborador regular há um ano, conta que recebeu o texto do seu tradutor e ajudante, um dia depois do desaparecimento. Foi decidido adiar a publicação, na esperança de que ele voltasse e a edição final fosse feita por ambos. Segundo Karen Attiah, o texto “capta na perfeição a sua dedicação e paixão pela liberdade no mundo árabe, uma liberdade pela qual, aparentemente, deu a sua vida”.

Como vivem (e bem) da publicidade os “sites” de desinformação Ver galeria

Os sites que usam e abusam da desinformação são sustentados, em última instância, pela mesma publicidade que todos desejam conservar, incluindo os media tradicionais. Postas as coisas nestes termos, a situação parece paradoxal. Mas uma investigação feita pela equipa Décodex, do diário francês Le Monde, revela que, “mesmo sendo apontados a dedo como nocivos ao debate público, os sites de desinformação não têm dificuldades em encontrar parceiros comerciais”.

Em consequência das mutações ocorridas no funcionamento do mercado digital, “em França há centenas de anunciantes que ainda pagam para aparecerem em sites de desinformação”  - sem necessariamente terem consciência disso, como explica Pierre-Albert Ruquier, da empresa Storyzy. Alertadas por Le Monde, pelo menos duas redes publicitárias, Ligatus e Taboola, declararam ter cortado colaboração com um dos mais populares sites desta natureza, o Santeplusmag.com.

Mas há muito trabalho a fazer, porque os actores do mercado têm relutância em intervir a montante do problema  - fazendo-o, sobretudo, quando são apanhados.

O Clube

Terminou o prazo de recepção dos trabalhos concorrentes ao  Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído há um ano por iniciativa do jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias.

Nesta segunda edição, o Prémio foi desdobrado em duas modalidades:  uma  aberta a textos originais, que passou a designar-se o Prémio Ensaio da Lusofonia; e outra que manteve  o título de Prémio de Jornalismo da Lusofonia, destinado a textos já publicados, em suporte papel ou digital.


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Opinião
Volta e meia defrontamo-nos com a expressão “cord-cutting”, em referência à alteração de comportamentos nos espectadores de televisão. Que quer isto dizer? Muito simplesmente a expressão indica a decisão de deixar de ter um serviço de televisão paga por cabo, para passar a ver TV somente através de streaming – seja na Netflix, na Amazon ou numa das outras plataformas que começam a...

Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

Trump contra o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
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