Segunda-feira, 18 de Fevereiro, 2019
Media

Agrava-se o risco para jornalismo e jornalistas em todo o mundo

Já foram mortos em 2018, até este momento, pelo menos 43 jornalistas em todo o mundo, o que ultrapassa o total de 2017  - não incluindo aqui outras 17 mortes cujo motivo não foi esclarecido. O alerta é do Committee do Protect Journalists, que chama a atenção para o facto de haver cada vez mais casos destes em espaços “anteriormente considerados bastiões da liberdade de Imprensa”, como os EUA e a Europa Ocidental, ao mesmo tempo que se desenvolve “uma retórica contra a Imprensa”.

A organização Repórteres sem Fronteiras faz o mesmo balanço sobre o facto de os jornalistas mortos nos primeiros nove meses do ano serem já mais que os de todo o ano anterior  - mas põe o número um pouco acima, declarando um total de 56 até ao dia 1 de Outubro (foram 55 em 2017). A reportagem que citamos é do diário The New York Times, que afirma:

“Este ano, os Estados Unidos tiveram o terceiro lugar no número de jornalistas assassinados em todo o mundo, em parte devido ao ataque contra a redacção da The Capital Gazette, em Annapolis, que deixou cinco jornalistas mortos.”

O Committee to Protect Journalists já tinha documentado a morte de mais de 70 jornalistas, em quatro anos separados, ao longo da última década  - muitos deles apanhados sob fogo cruzado. Em áreas onde há conflitos armados em curso, ou crime organizado endémico, a ameaça que pesa sobre os jornalistas é bem conhecida. 

“Doze jornalistas, por exemplo, foram mortos este ano no Afeganistão. E pelo menos seis no México, há muito tempo conhecido como um sítio perigoso para se ser jornalista.” Mas os números deste ano expõem “uma nova tendência preocupante”, segundo Courtney Radsch, do CPJ

“Há um aumento de ataques aos jornalistas e ao jornalismo, como instituição que é importante para a democracia e para a fundação dos direitos humanos”  - afirmou. “E vemos que isto está a ser abalado em todo o mundo.” (...) 

“Estamos a assistir à instalação de um clima de impunidade em muitos mais países do que víamos antes”  - afirma Margaux Ewen, directora dos Repórteres sem Fronteiras nos EUA. “É preocupante o que aconteceu a Jamal Khashoggi, se os relatos se confirmarem  - que uma pessoa possa desaparecer desta forma descarada.” (...) 

Entrevistado pelo semanário francês L’Express, o secretário-geral dos RSF, Christophe Deloire, lamenta que, “embora a Europa seja o continente que melhor garante a liberdade de Imprensa, é um desastre que jornalistas de investigação sejam impedidos de trabalhar nela”: 

“Há algum tempo que verificamos a erosão da liberdade de Imprensa, bem como a erosão institucional, quando são os poderes estabelecidos que tentam pôr uma chapa de chumbo sobre os media do seu país, como na Hungria ou na Polónia. Esta erosão é acompanhada de uma escalada do ódio e da violência.” (...) 

“Penso nomeadamente na Eslováquia, e no Primeiro-Ministro Robert Fico [entre Abril de 2012 e Março de 2018], que alimentou este ódio contra os jornalistas, insultando-os durante anos. Estamos numa escalada muito forte deste desprezo pelo pluralismo, e há quem pense que as nossas liberdades seriam melhor garantidas sem o trabalho dos jornalistas...” 

Entretanto, e segundo o diário britânico The Guardian, já há patrocinadores do chamado “Davos no Deserto”  - um importante encontro de investidores marcado para Riyadh, no final de Outubro -  a serem pressionados a desligar-se do mesmo, depois do sucedido com o desaparecimento e possível assassínio do jornalista dissidente Jamal Khashoggi. 

The New York Times, que desempenhava o papel de media sponsor, já se demarcou, bem como a directora da revista The Economist, Zanny Minton Beddoes, que iria falar na conferência. 

Segundo The Guardian, o encontro está previsto para “o mesmo hotel Ritz-Carlton onde o príncipe Mohammed bin Salman prendeu, no ano passado, dúzias de sauditas abastados, naquilo que classificou como uma campanha contra a corrupção”. (...)

 

Mais informação no NYT,  em The Guardian  e no L’Express

Connosco
Os "clicks" são um sismógrafo de pouca confiança... Ver galeria

Num ambiente mediático saturado de notícias, os leitores valorizam mais as que lhes são pessoalmente pertinentes  - e isto não pode ser definido, numa redacção, medindo os clicks.

“As pessoas abrem frequentemente artigos que são divertidos, ou triviais, ou estranhos, sem sentido cívico evidente. Mas mantêm uma noção clara da diferença entre o que é trivial e o que é importante. De modo geral, querem estar informadas sobre o que se passa à sua volta, a nível local, nacional e internacional.”

A reflexão é de Kim Christian Schroder, um investigador dinamarquês que passou metade do ano de 2018 em Oxford, fazendo para o Reuters Institute um estudo sobre a relevância das notícias para os leitores  - e o que isso aconselha às redacções.

“Na medida em que queiram dar prioridade às notícias com valor cívico, os jornalistas fazem melhor em confiar no seu instinto do que nesse sismógrafo de pouca confiança que são as listas dos textos ‘mais lidos’.”

Jorge Soares em Fevereiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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