Quarta-feira, 19 de Junho, 2019
Media

Agrava-se o risco para jornalismo e jornalistas em todo o mundo

Já foram mortos em 2018, até este momento, pelo menos 43 jornalistas em todo o mundo, o que ultrapassa o total de 2017  - não incluindo aqui outras 17 mortes cujo motivo não foi esclarecido. O alerta é do Committee do Protect Journalists, que chama a atenção para o facto de haver cada vez mais casos destes em espaços “anteriormente considerados bastiões da liberdade de Imprensa”, como os EUA e a Europa Ocidental, ao mesmo tempo que se desenvolve “uma retórica contra a Imprensa”.

A organização Repórteres sem Fronteiras faz o mesmo balanço sobre o facto de os jornalistas mortos nos primeiros nove meses do ano serem já mais que os de todo o ano anterior  - mas põe o número um pouco acima, declarando um total de 56 até ao dia 1 de Outubro (foram 55 em 2017). A reportagem que citamos é do diário The New York Times, que afirma:

“Este ano, os Estados Unidos tiveram o terceiro lugar no número de jornalistas assassinados em todo o mundo, em parte devido ao ataque contra a redacção da The Capital Gazette, em Annapolis, que deixou cinco jornalistas mortos.”

O Committee to Protect Journalists já tinha documentado a morte de mais de 70 jornalistas, em quatro anos separados, ao longo da última década  - muitos deles apanhados sob fogo cruzado. Em áreas onde há conflitos armados em curso, ou crime organizado endémico, a ameaça que pesa sobre os jornalistas é bem conhecida. 

“Doze jornalistas, por exemplo, foram mortos este ano no Afeganistão. E pelo menos seis no México, há muito tempo conhecido como um sítio perigoso para se ser jornalista.” Mas os números deste ano expõem “uma nova tendência preocupante”, segundo Courtney Radsch, do CPJ

“Há um aumento de ataques aos jornalistas e ao jornalismo, como instituição que é importante para a democracia e para a fundação dos direitos humanos”  - afirmou. “E vemos que isto está a ser abalado em todo o mundo.” (...) 

“Estamos a assistir à instalação de um clima de impunidade em muitos mais países do que víamos antes”  - afirma Margaux Ewen, directora dos Repórteres sem Fronteiras nos EUA. “É preocupante o que aconteceu a Jamal Khashoggi, se os relatos se confirmarem  - que uma pessoa possa desaparecer desta forma descarada.” (...) 

Entrevistado pelo semanário francês L’Express, o secretário-geral dos RSF, Christophe Deloire, lamenta que, “embora a Europa seja o continente que melhor garante a liberdade de Imprensa, é um desastre que jornalistas de investigação sejam impedidos de trabalhar nela”: 

“Há algum tempo que verificamos a erosão da liberdade de Imprensa, bem como a erosão institucional, quando são os poderes estabelecidos que tentam pôr uma chapa de chumbo sobre os media do seu país, como na Hungria ou na Polónia. Esta erosão é acompanhada de uma escalada do ódio e da violência.” (...) 

“Penso nomeadamente na Eslováquia, e no Primeiro-Ministro Robert Fico [entre Abril de 2012 e Março de 2018], que alimentou este ódio contra os jornalistas, insultando-os durante anos. Estamos numa escalada muito forte deste desprezo pelo pluralismo, e há quem pense que as nossas liberdades seriam melhor garantidas sem o trabalho dos jornalistas...” 

Entretanto, e segundo o diário britânico The Guardian, já há patrocinadores do chamado “Davos no Deserto”  - um importante encontro de investidores marcado para Riyadh, no final de Outubro -  a serem pressionados a desligar-se do mesmo, depois do sucedido com o desaparecimento e possível assassínio do jornalista dissidente Jamal Khashoggi. 

The New York Times, que desempenhava o papel de media sponsor, já se demarcou, bem como a directora da revista The Economist, Zanny Minton Beddoes, que iria falar na conferência. 

Segundo The Guardian, o encontro está previsto para “o mesmo hotel Ritz-Carlton onde o príncipe Mohammed bin Salman prendeu, no ano passado, dúzias de sauditas abastados, naquilo que classificou como uma campanha contra a corrupção”. (...)

 

Mais informação no NYT,  em The Guardian  e no L’Express

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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Ao longo do último ano os jornais britânicos The Times e The Sunday Times têm desenvolvido esforços consideráveis para conseguir manter os assinantes digitais que foram angariando ao longo do tempo. A renovação das assinaturas digitais é uma das crónicas dores de cabeça que os editores de publicações enfrentam, tanto mais que estudos recentes comprovam que uma sólida base de assinantes e leitores...
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
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