Quinta-feira, 13 de Dezembro, 2018
Media

Jornalista saudita desaparecido no seu consulado em Istambul

O jornalista da Arábia Saudita Jamal Khashoggi, que se tinha exilado nos EUA em Junho de 2017, depois de ser intimado pelas autoridades a deixar de escrever, desapareceu durante uma ida ao consulado do seu país em Istambul. As primeiras notícias, vindas da própria polícia turca, admitiam que teria sido morto lá dentro, por um grupo de sauditas vindo ao local para esse efeito.

A Arábia Saudita desmente esta alegação e o Presidente Erdogan diz que o consulado terá de provar, com imagens, que o jornalista saiu de facto das instalações, como afirmou. Alastra entre os jornalistas que o conhecem o receio de que tenha sucedido o pior.
Jamal Khashoggi, que escrevia ultimamente para The Washington Post e The Guardian, tinha ido ao consulado, no dia 2 deste mês, tratar dos documentos pessoais necessários para o seu próximo casamento com uma cidadã turca. Segundo este diário britânico, as autoridades locais procuram identificar uma carrinha preta, de um conjunto de viaturas utilizadas pelo grupo saudita, na suspeita de que tenha transportado o corpo do jornalista.  

O embaixador saudita em Ankara foi chamado por duas vezes ao ministério turco dos Negócios Estrangeiros, sendo-lhe requerida a total cooperação com a investigação em curso. 

Segundo a revista L’Obs, Jamal Khashoggi é um jornalista de renome, conhecido pela sua franqueza de escrita e, nos últimos tempos, pela sua atitude crítica em relação ao regime saudita, apesar do programa de reformas em curso pelo príncipe Mohammed bin Salman. 

Numa entrevista concedida, em Março, à Columbia Journalism Review, afirmou que ele próprio tinha lutado por essas reformas, mas que a política mais recente agravou a intimidação, a concentração do poder e as restrições à liberdade de expressão, incluindo prisão de jornalistas e intelectuais. 

Ainda segundo L’Obs, Jamal Khashoggi “teve uma carreira movimentada. Cobriu vários conflitos e entrevistou várias vezes, no Afeganistão e no Sudão, o antigo dirigente da Al-Qaida, Osama Bin Laden”. 

“Considerado demasiado progressista, tinha sido forçado à demissão, em 2003, das funções de chefe de redacção do diário saudita Al-Watan. Voltou em 2007, mas teve de sair outra vez em 2010, depois de um editorial considerado ofensivo para os salafistas, corrente rigorista do Islão que preconiza uma obediência total ao governante.” 

“Manteve durante muito tempo relações ambíguas com o poder saudita, tendo ocupado postos de conselheiro, nomeadamente junto do antigo embaixador em Washington, o príncipe Turki al-Faiçal, que dirigiu também os serviços de informações sauditas.” (...) 

O próprio Khashoggi descreve a sua experiência na referida entrevista à CJR

“Fui repórter de uma quantidade de jornais, cobrindo a guerra no Afeganistão e a guerra do Golfo. Especializei-me no Islão político e consegui muitos exclusivos. Mais tarde fui editor do jornal Al-Watan. Também trabalhei nos meios diplomáticos, como conselheiro do embaixador no Reino Unido e nos Estados Unidos. Tentei fundar um canal noticioso. Falhei. Tive-o a transmitir durante onze horas, e chegou uma ordem para o fechar. Acredito no jornalismo livre, apesar de todas as limitações que tivémos. Sempre procurei forçar os limites. Sempre desejei ter mais espaço.” (...)

 

Mais informação em L’Obs,  na CJR  e em The Guardian

Connosco
Redes sociais destronam jornais como fonte de informação nos EUA Ver galeria

A fronteira foi passada para o lado das redes sociais. Segundo os dados mais recentes do Pew Research Center, 20% dos leitores dos EUA procuram agora, “regularmente”, informação nas redes sociais, e só 16% nos jornais impressos. Os números estavam equilibrados em 2017 e, no ano anterior, os 20% continuavam do lado dos jornais em papel, com 18% nas redes sociais.

As causas são conhecidas. A Imprensa norte-americana não está de boa saúde, e o fecho sucessivo de diários e semanários locais, nos últimos anos, criou autênticos “desertos mediáticos” em vários territórios. Por seu lado, os grandes jornais reforçaram a sua componente digital, o que também se sente no estudo aqui citado: 33% dos leitores visitam regularmente esses sites, quando eram 28% em 2016.

A televisão continua, com quase metade do universo consultado (49%), a ocupar o primeiro lugar entre os meios de informação nos Estados Unidos. As estações locais são as mais procuradas (37%), à frente das redes por cabo (30%) e dos noticiários das grandes cadeias nacionais (25%).

Porque querem os milionários comprar jornais em vez de canais de TV Ver galeria

Por que motivo é que alguns milionários que fizeram as maiores fortunas do mundo se põem a comprar jornais e revistas à beira da falência e sem modelo de negócio rentável? Por que não compram antes canais de televisão, que têm melhor saúde financeira? A pergunta é do jornalista Miguel Ángel Ossorio Vega, que apresenta meia dúzia de exemplos recentes, com Jeff Bezos à cabeça: em 2013, o fundador e proprietário da Amazon pagou 190 milhões de dólares por The Washington Post, um jornal em papel.

A moda pegou e seguiram-se outros: Marc Benioff, fundador da Salesforce, comprou a revista Time; Craig Newmark, fundador da Craiglist, tem doado grandes somas a várias iniciativas na área do jornalismo, entre elas a ProPublica e o Poynter Institute, bem como à Escola de Jornalismo da Universidade de Nova Iorque; Patrick Soon-Shiong comprou Los Angeles Times.

O autor desta reflexão lembra que os meios tradicionais continuam a ser mais influentes do que os digitais, salvo honrosas excepções, e segue esta pista citando as três componentes da estratificação social, de Max Weber, que expõe as diferenças entre os conceitos de riqueza, prestígio e poder.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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