Sexta-feira, 22 de Fevereiro, 2019
Media

Jornalista saudita desaparecido no seu consulado em Istambul

O jornalista da Arábia Saudita Jamal Khashoggi, que se tinha exilado nos EUA em Junho de 2017, depois de ser intimado pelas autoridades a deixar de escrever, desapareceu durante uma ida ao consulado do seu país em Istambul. As primeiras notícias, vindas da própria polícia turca, admitiam que teria sido morto lá dentro, por um grupo de sauditas vindo ao local para esse efeito.

A Arábia Saudita desmente esta alegação e o Presidente Erdogan diz que o consulado terá de provar, com imagens, que o jornalista saiu de facto das instalações, como afirmou. Alastra entre os jornalistas que o conhecem o receio de que tenha sucedido o pior.
Jamal Khashoggi, que escrevia ultimamente para The Washington Post e The Guardian, tinha ido ao consulado, no dia 2 deste mês, tratar dos documentos pessoais necessários para o seu próximo casamento com uma cidadã turca. Segundo este diário britânico, as autoridades locais procuram identificar uma carrinha preta, de um conjunto de viaturas utilizadas pelo grupo saudita, na suspeita de que tenha transportado o corpo do jornalista.  

O embaixador saudita em Ankara foi chamado por duas vezes ao ministério turco dos Negócios Estrangeiros, sendo-lhe requerida a total cooperação com a investigação em curso. 

Segundo a revista L’Obs, Jamal Khashoggi é um jornalista de renome, conhecido pela sua franqueza de escrita e, nos últimos tempos, pela sua atitude crítica em relação ao regime saudita, apesar do programa de reformas em curso pelo príncipe Mohammed bin Salman. 

Numa entrevista concedida, em Março, à Columbia Journalism Review, afirmou que ele próprio tinha lutado por essas reformas, mas que a política mais recente agravou a intimidação, a concentração do poder e as restrições à liberdade de expressão, incluindo prisão de jornalistas e intelectuais. 

Ainda segundo L’Obs, Jamal Khashoggi “teve uma carreira movimentada. Cobriu vários conflitos e entrevistou várias vezes, no Afeganistão e no Sudão, o antigo dirigente da Al-Qaida, Osama Bin Laden”. 

“Considerado demasiado progressista, tinha sido forçado à demissão, em 2003, das funções de chefe de redacção do diário saudita Al-Watan. Voltou em 2007, mas teve de sair outra vez em 2010, depois de um editorial considerado ofensivo para os salafistas, corrente rigorista do Islão que preconiza uma obediência total ao governante.” 

“Manteve durante muito tempo relações ambíguas com o poder saudita, tendo ocupado postos de conselheiro, nomeadamente junto do antigo embaixador em Washington, o príncipe Turki al-Faiçal, que dirigiu também os serviços de informações sauditas.” (...) 

O próprio Khashoggi descreve a sua experiência na referida entrevista à CJR

“Fui repórter de uma quantidade de jornais, cobrindo a guerra no Afeganistão e a guerra do Golfo. Especializei-me no Islão político e consegui muitos exclusivos. Mais tarde fui editor do jornal Al-Watan. Também trabalhei nos meios diplomáticos, como conselheiro do embaixador no Reino Unido e nos Estados Unidos. Tentei fundar um canal noticioso. Falhei. Tive-o a transmitir durante onze horas, e chegou uma ordem para o fechar. Acredito no jornalismo livre, apesar de todas as limitações que tivémos. Sempre procurei forçar os limites. Sempre desejei ter mais espaço.” (...)

 

Mais informação em L’Obs,  na CJR  e em The Guardian

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A imagem de Mário Cruz, intitulada “Viver entre o que foi deixado para trás”, mostra uma criança recolhendo material reciclável, deitada num colchão cercado por lixo, enquanto flutua no rio Pasig, em Manila, nas Filipinas.

Os vencedores do concurso serão conhecidos na cerimónia marcada para 11 de Abril, em Amesterdão, na Holanda.

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