null, 24 de Março, 2019
Media

Três jornalistas turcos vítimas de "linchamento judiciário" para os RSF

Três dos mais famosos jornalistas turcos detidos  - os dois irmãos Ahmet e Mehemet Altan, e a escritora e ex-deputada Nazli Ilicak, foram agora condenados, pelo Tribunal regional de Istambul, a prisão perpétua agravada  - o que significa em isolamento. A acusação é de terem tentado “derrubar a ordem constitucional”, tendo o procurador especificado que Ahmet Altan tinha passado “mensagens subliminares” aos responsáveis pelo golpe falhado de Julho de 2016.

O secretário-geral dos Repórteres sem Fronteiras, Christophe Deloire, denuncia esta sentença como um “autêntico linchamento judiciário”, acrescentando que “a comunidade internacional deve redobrar esforços para pôr fim à arbitrariedade total que prevalece na Turquia”. Há um último recurso ainda possível, ao nível do Tribunal de Cassação.

“Detidos em Setembro de 2016, os irmãos Altan e Nazli Ilicak já tinham sido condenados, em primeira instância, a prisão perpétua agravada. O motivo invocado eram as suas actividades jornalísticas, nomeadamente as suas críticas às autoridades, durante uma emissão de televisão difundida na véspera da tentativa de golpe de Julho de 2016.” 

“Marcado por múltiplas irregularidades, o seu processo chegou a impasse por acto vinculativo do Tribunal Constitucional, segundo o qual a detenção de Mehmet Altan era uma violação injustificada dos seus direitos. Só depois de seis meses de resistência a justiça acabou por devolver Mehmet Altan a uma liberdade condicional, em Junho. Vai, no entanto, regressar à prisão, desde que a pena seja confirmada no Tribunal de Cassação.” 

Durante o julgamento, o procurador esforçou-se ainda por demonstrar que os jornalistas tinham feito “uso da força” (...) “de forma imaterial”.

 

A Turquia ocupa o 157º lugar entre os 180 países mencionados na classificação mundial de liberdade de Imprensa de 2018, dos Repórteres sem Fronteiras. Desde a tentativa de golpe de 2016, muitos meios de comunicação foram suprimidos sem qualquer recurso e o país mantém o recorde mundial do número de jornalistas profissionais na prisão.

Mais informação no texto dos RSF,  aqui citado da Agência News Press, e no site do CPI

Connosco
O jornalismo entre os "apóstolos da certeza" e a "política da dúvida" Ver galeria

Há uma grande diferença entre um jornalismo “de elite” e aquele que vive dependente do clickbait. Há uma grande diferença, temporal, entre o que se faz hoje e o que se fazia há poucos anos  - tratando-se de tecnologia digital, “o que aconteceu há cinco anos é história”. E há uma grande diferença entre entender o que está a acontecer aos jornalistas e entender o que os jornalistas acham que lhes está a acontecer.

A reflexão inicial é de C.W. Anderson, que se define como um etnógrafo dedicado a estudar o modo como o jornalismo está a mudar com o tempo. Foi co-autor, com Emily Bell e Clay Shirky, do Relatório do Jornalismo Pós-Industrial, em 2012, na Universidade de Columbia. O seu trabalho mais recente é Apóstolos da Certeza: Jornalismo de Dados e a Política da Dúvida, livro em que analisa como a ideia de jornalismo de dados mudou ao longo do tempo.

Cidadão dos EUA, C.W. Anderson é hoje professor na Escola de Jornalismo da Universidade de Leeds, no Reino Unido. A entrevista que aqui citamos foi publicada no Farol Jornalismo, do Medium, e reproduzida no Obervatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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