Sábado, 25 de Maio, 2019
Media

Três jornalistas turcos vítimas de "linchamento judiciário" para os RSF

Três dos mais famosos jornalistas turcos detidos  - os dois irmãos Ahmet e Mehemet Altan, e a escritora e ex-deputada Nazli Ilicak, foram agora condenados, pelo Tribunal regional de Istambul, a prisão perpétua agravada  - o que significa em isolamento. A acusação é de terem tentado “derrubar a ordem constitucional”, tendo o procurador especificado que Ahmet Altan tinha passado “mensagens subliminares” aos responsáveis pelo golpe falhado de Julho de 2016.

O secretário-geral dos Repórteres sem Fronteiras, Christophe Deloire, denuncia esta sentença como um “autêntico linchamento judiciário”, acrescentando que “a comunidade internacional deve redobrar esforços para pôr fim à arbitrariedade total que prevalece na Turquia”. Há um último recurso ainda possível, ao nível do Tribunal de Cassação.

“Detidos em Setembro de 2016, os irmãos Altan e Nazli Ilicak já tinham sido condenados, em primeira instância, a prisão perpétua agravada. O motivo invocado eram as suas actividades jornalísticas, nomeadamente as suas críticas às autoridades, durante uma emissão de televisão difundida na véspera da tentativa de golpe de Julho de 2016.” 

“Marcado por múltiplas irregularidades, o seu processo chegou a impasse por acto vinculativo do Tribunal Constitucional, segundo o qual a detenção de Mehmet Altan era uma violação injustificada dos seus direitos. Só depois de seis meses de resistência a justiça acabou por devolver Mehmet Altan a uma liberdade condicional, em Junho. Vai, no entanto, regressar à prisão, desde que a pena seja confirmada no Tribunal de Cassação.” 

Durante o julgamento, o procurador esforçou-se ainda por demonstrar que os jornalistas tinham feito “uso da força” (...) “de forma imaterial”.

 

A Turquia ocupa o 157º lugar entre os 180 países mencionados na classificação mundial de liberdade de Imprensa de 2018, dos Repórteres sem Fronteiras. Desde a tentativa de golpe de 2016, muitos meios de comunicação foram suprimidos sem qualquer recurso e o país mantém o recorde mundial do número de jornalistas profissionais na prisão.

Mais informação no texto dos RSF,  aqui citado da Agência News Press, e no site do CPI

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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