Sexta-feira, 16 de Novembro, 2018
Media

Três jornalistas turcos vítimas de "linchamento judiciário" para os RSF

Três dos mais famosos jornalistas turcos detidos  - os dois irmãos Ahmet e Mehemet Altan, e a escritora e ex-deputada Nazli Ilicak, foram agora condenados, pelo Tribunal regional de Istambul, a prisão perpétua agravada  - o que significa em isolamento. A acusação é de terem tentado “derrubar a ordem constitucional”, tendo o procurador especificado que Ahmet Altan tinha passado “mensagens subliminares” aos responsáveis pelo golpe falhado de Julho de 2016.

O secretário-geral dos Repórteres sem Fronteiras, Christophe Deloire, denuncia esta sentença como um “autêntico linchamento judiciário”, acrescentando que “a comunidade internacional deve redobrar esforços para pôr fim à arbitrariedade total que prevalece na Turquia”. Há um último recurso ainda possível, ao nível do Tribunal de Cassação.

“Detidos em Setembro de 2016, os irmãos Altan e Nazli Ilicak já tinham sido condenados, em primeira instância, a prisão perpétua agravada. O motivo invocado eram as suas actividades jornalísticas, nomeadamente as suas críticas às autoridades, durante uma emissão de televisão difundida na véspera da tentativa de golpe de Julho de 2016.” 

“Marcado por múltiplas irregularidades, o seu processo chegou a impasse por acto vinculativo do Tribunal Constitucional, segundo o qual a detenção de Mehmet Altan era uma violação injustificada dos seus direitos. Só depois de seis meses de resistência a justiça acabou por devolver Mehmet Altan a uma liberdade condicional, em Junho. Vai, no entanto, regressar à prisão, desde que a pena seja confirmada no Tribunal de Cassação.” 

Durante o julgamento, o procurador esforçou-se ainda por demonstrar que os jornalistas tinham feito “uso da força” (...) “de forma imaterial”.

 

A Turquia ocupa o 157º lugar entre os 180 países mencionados na classificação mundial de liberdade de Imprensa de 2018, dos Repórteres sem Fronteiras. Desde a tentativa de golpe de 2016, muitos meios de comunicação foram suprimidos sem qualquer recurso e o país mantém o recorde mundial do número de jornalistas profissionais na prisão.

Mais informação no texto dos RSF,  aqui citado da Agência News Press, e no site do CPI

Connosco
Bettany Hugues, prémio Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hugues, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hugues como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Para Alberto Dines, “o jornalismo era o próprio sentido da vida” Ver galeria

Cada história é uma vida, e algumas delas são muito especiais. “Alberto Dines foi autor e protagonista de uma dessas trajectórias incomuns: um intelectual visceral, que usou a sua inteligência e lucidez não para disputar uma partida, mas para mudar o jogo.” Sob o título “Uma vida sem ponto final”, um dos seus numerosos discípulos, Bruno Thys, evoca com a saudade de uma relação muito pessoal o percurso e obra de Alberto Dines, falecido em São Paulo em Maio deste ano.

O autor do texto que citamos valoriza uma parte da biografia menos mencionada de Alberto Dines, a que o coloca numa linhagem de judeus emigrados de uma Europa em várias convulsões:

“Dines tornou-se uma das mais cintilantes estrelas de sua geração, a primeira de judeus nascidos no Brasil. (...) Da geração de seus pais, herdou a cultura ancestral. Dines tinha sólida formação humanística e as suas raízes remontam à Haskalá, o iluminismo judaico que floresceu na Europa Ocidental nos séculos XVIII e XIX. Este movimento pregava a interacção da sabedoria judaica com a cultura europeia e produziu nomes como Einstein, Freud, Herzel e Stefan Zweig, o grande biógrafo austríaco, que, muitos anos depois, seria biografado por Dines.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Francisco Sarsfield Cabral
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