Sexta-feira, 22 de Fevereiro, 2019
Media

Como o jornalismo pode ser afectado pelas mudanças no Facebook

“Vamos proceder a uma mudança de fundo no modo como edificamos o Facebook.” Esta frase, publicada por Mark Zuckerberg a 19 de Janeiro de 2018, na sua página do Facebook, voltou a desencadear pânico entre os media. Mas não era a primeira vez que o plano de dar prioridade, no fluxo noticioso da plataforma, aos “amigos” dos utentes, em detrimento do jornalismo convencional, era anunciado. Este projecto vem, pelo menos, desde o Verão de 2016, e o seu desenvolvimento pode ser verificado em textos que reproduzimos no site do CPI.

De qualquer modo, a nova alteração feita ao algoritmo que governa estas prioridades “é um rude golpe para os meios de comunicação”. Para Zuckerberg, trata-se de devolver o Facebook à sua missão original de contribuir para “nos relacionarmos uns com os outros”. Mas os media, “atingidos pela quebra das vendas dos jornais e revistas nos quiosques, tinham encontrado nos dois mil milhões de utentes do Facebook um viveiro de leitores potenciais, com o objectivo de os atrair aos seus próprios sites e de obter receita desta audiência pela publicidade ou pelas assinaturas”.

Como se interroga o artigo de Le Monde que aqui citamos, “passados quase nove meses depois desta redistribuição das cartas, será justificado o alvoroço dos editores da Imprensa?” 

As conclusões de um trabalho muito recente do Instituto Reuters (Digital News Project, sobre o jornalismo privado, a distribuição pelas redes sociais e a mudança do algoritmo) vão neste sentido. Os investigadores estudaram o tráfego do Facebook em doze meios de comunicação de seis países europeus (Portugal não é mencionado) e concluíram que “a audiência gerada pela rede social baixou em média 9% no decurso dos três meses que se seguiram à mudança no algoritmo”  - embora o seu impacto continue a ficar “longe dos cenários apocalípticos” temidos. 

No caso de Le Monde, no entanto, a queda da página Facebook foi de 30%; a do grande diário finlandês Helsingin Sanomat foi de apenas 11%. E, de modo surpreendente, os conteúdos do site italiano TGCOM24 e do britânico The Times ganharam, respectivamente, mais 10% e 14% de interacções pelo Facebook. 

Segundo Le Monde, “os investigadores do Instituto Reuters têm ainda dificuldade em explicar estas disparidades”. 

“Para reduzirem a sua dependência da maior rede social, a maioria dos media interrogados pelo Reuters investiram noutras plataformas, como Instagram, Twitter ou Snapchat, mas o Facebook continua, de longe, a ser o maior fornecedor de leitores.” (...) 


O artigo aqui citado, na íntegra, em Le Monde
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“Esperamos respostas tão breve quanto possível, porque ainda há muitas questões”  - afirmou.
Prémios do World Press Photo 2019 já têm candidatos escolhidos... Ver galeria

Um fotojornalista português, Mário Cruz, da Agência Lusa, figura entre os nomeados para o World Press Photo 2019, o mais prestigiado prémio de fotojornalismo do mundo, cuja identidade e trabalhos a concurso foram agora conhecidos. A Fundação organizadora introduziu também uma nova categoria a ser premiada, a História do Ano, destinada a “fotógrafos cuja criatividade e habilidades visuais produziram uma história com excelente edição e sequenciamento, que captura ou representa um evento ou assunto de grande importância jornalística”.

A imagem de Mário Cruz, intitulada “Viver entre o que foi deixado para trás”, mostra uma criança recolhendo material reciclável, deitada num colchão cercado por lixo, enquanto flutua no rio Pasig, em Manila, nas Filipinas.

Os vencedores do concurso serão conhecidos na cerimónia marcada para 11 de Abril, em Amesterdão, na Holanda.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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