Sábado, 20 de Outubro, 2018
Media

Como o jornalismo pode ser afectado pelas mudanças no Facebook

“Vamos proceder a uma mudança de fundo no modo como edificamos o Facebook.” Esta frase, publicada por Mark Zuckerberg a 19 de Janeiro de 2018, na sua página do Facebook, voltou a desencadear pânico entre os media. Mas não era a primeira vez que o plano de dar prioridade, no fluxo noticioso da plataforma, aos “amigos” dos utentes, em detrimento do jornalismo convencional, era anunciado. Este projecto vem, pelo menos, desde o Verão de 2016, e o seu desenvolvimento pode ser verificado em textos que reproduzimos no site do CPI.

De qualquer modo, a nova alteração feita ao algoritmo que governa estas prioridades “é um rude golpe para os meios de comunicação”. Para Zuckerberg, trata-se de devolver o Facebook à sua missão original de contribuir para “nos relacionarmos uns com os outros”. Mas os media, “atingidos pela quebra das vendas dos jornais e revistas nos quiosques, tinham encontrado nos dois mil milhões de utentes do Facebook um viveiro de leitores potenciais, com o objectivo de os atrair aos seus próprios sites e de obter receita desta audiência pela publicidade ou pelas assinaturas”.

Como se interroga o artigo de Le Monde que aqui citamos, “passados quase nove meses depois desta redistribuição das cartas, será justificado o alvoroço dos editores da Imprensa?” 

As conclusões de um trabalho muito recente do Instituto Reuters (Digital News Project, sobre o jornalismo privado, a distribuição pelas redes sociais e a mudança do algoritmo) vão neste sentido. Os investigadores estudaram o tráfego do Facebook em doze meios de comunicação de seis países europeus (Portugal não é mencionado) e concluíram que “a audiência gerada pela rede social baixou em média 9% no decurso dos três meses que se seguiram à mudança no algoritmo”  - embora o seu impacto continue a ficar “longe dos cenários apocalípticos” temidos. 

No caso de Le Monde, no entanto, a queda da página Facebook foi de 30%; a do grande diário finlandês Helsingin Sanomat foi de apenas 11%. E, de modo surpreendente, os conteúdos do site italiano TGCOM24 e do britânico The Times ganharam, respectivamente, mais 10% e 14% de interacções pelo Facebook. 

Segundo Le Monde, “os investigadores do Instituto Reuters têm ainda dificuldade em explicar estas disparidades”. 

“Para reduzirem a sua dependência da maior rede social, a maioria dos media interrogados pelo Reuters investiram noutras plataformas, como Instagram, Twitter ou Snapchat, mas o Facebook continua, de longe, a ser o maior fornecedor de leitores.” (...) 


O artigo aqui citado, na íntegra, em Le Monde
Connosco
Editorial de Khashoggi defende liberdade de expressão no mundo árabe Ver galeria

O mundo árabe “encheu-se de esperança durante a Primavera de 2011; jornalistas, académicos e a população estavam cheios de entusiasmo por uma sociedade árabe livre nos seus países”, mas as expectativas foram frustradas e “estas sociedades voltaram ao antigo status quo, ou tiveram que enfrentar condições ainda mais duras do que tinham antes”.

É esta a reflexão do último editorial de Jamal Khashoggi, o jornalista saudita interrogado e morto no consulado do seu país em Istambul, segundo apontam cada vez mais as informações que vão chegando. A editora de opinião do jornal The Washington Post, do qual era colaborador regular há um ano, conta que recebeu o texto do seu tradutor e ajudante, um dia depois do desaparecimento. Foi decidido adiar a publicação, na esperança de que ele voltasse e a edição final fosse feita por ambos. Segundo Karen Attiah, o texto “capta na perfeição a sua dedicação e paixão pela liberdade no mundo árabe, uma liberdade pela qual, aparentemente, deu a sua vida”.

Como vivem (e bem) da publicidade os “sites” de desinformação Ver galeria

Os sites que usam e abusam da desinformação são sustentados, em última instância, pela mesma publicidade que todos desejam conservar, incluindo os media tradicionais. Postas as coisas nestes termos, a situação parece paradoxal. Mas uma investigação feita pela equipa Décodex, do diário francês Le Monde, revela que, “mesmo sendo apontados a dedo como nocivos ao debate público, os sites de desinformação não têm dificuldades em encontrar parceiros comerciais”.

Em consequência das mutações ocorridas no funcionamento do mercado digital, “em França há centenas de anunciantes que ainda pagam para aparecerem em sites de desinformação”  - sem necessariamente terem consciência disso, como explica Pierre-Albert Ruquier, da empresa Storyzy. Alertadas por Le Monde, pelo menos duas redes publicitárias, Ligatus e Taboola, declararam ter cortado colaboração com um dos mais populares sites desta natureza, o Santeplusmag.com.

Mas há muito trabalho a fazer, porque os actores do mercado têm relutância em intervir a montante do problema  - fazendo-o, sobretudo, quando são apanhados.

O Clube

Terminou o prazo de recepção dos trabalhos concorrentes ao  Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído há um ano por iniciativa do jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias.

Nesta segunda edição, o Prémio foi desdobrado em duas modalidades:  uma  aberta a textos originais, que passou a designar-se o Prémio Ensaio da Lusofonia; e outra que manteve  o título de Prémio de Jornalismo da Lusofonia, destinado a textos já publicados, em suporte papel ou digital.


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Opinião
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