null, 19 de Maio, 2019
Opinião

O que é o"Cord-Cutting"?

por Manuel Falcão

Volta e meia defrontamo-nos com a expressão “cord-cutting”, em referência à alteração de comportamentos nos espectadores de televisão. Que quer isto dizer? Muito simplesmente a expressão indica a decisão de deixar de ter um serviço de televisão paga por cabo, para passar a ver TV somente através de streaming – seja na Netflix, na Amazon ou numa das outras plataformas que começam a proliferar.

Nos Estados Unidos o número de lares que abandonou serviços de cabo cresce a um ritmo exponencial, na Europa é mais reduzido – mas por exemplo em Portugal, este ano, e apenas com o Netflix e YouTube como principais players no país, as estimativas apontam, em alguns fins de semana, para valores que se estimam próximos dos 12% do total de espectadores de televisão. E o tempo médio de visionamento da Netflix em Portugal tem sempre vindo a aumentar.

Sinal dos tempos: este ano o Festival de Veneza abriu as portas a filmes produzidos e exibidos em estreia na Netflix – um movimento inédito entre os grandes festivais de cinema, que só aceitavam filmes produzidos para salas de cinema ; Cannes havia recusado aceitar produções de plataformas de streaming e esta decisão do prestigiado festival de Veneza vem modificar. Mais conhecidas pela produção de séries e documenários, o território pioneiro das plataformas de streaming, aos poucos começam a surgir produções de filmes que optam por não estrear em salas de cinema.

De facto a exibição de “Roma”, do mexicano Alfonso Cuarón, foi o grande destaque da abertura do 75º Festival de Veneza, marcando a estreia da Netflix na competição. A empresa está no centro da polêmica entre o streaming pela TV e os festivais de cinema. Excluída de Cannes por não lançar seus filmes em salas de cinema, ela tem outros seis títulos espalhados pelas seções do certame italiano, entre eles dois candidatos ao Leão de Ouro: “The Ballad of Buster Scruggs”, de Ethan e Joel Coen, e “22 July”, de Paul Greengrass. “Roma” não tem elenco internacional, foi filmado em preto e branco e é falado em espanhol. É um tipo de projeto que teria enormes dificuldades para encontrar espaço no mercado – defendeu o diretor mexicano, elogiando a atitude da Netflix.

A Amazon entretanto começou no terreno das grandes produções – entre as quais se destaca uma série sobre os derradeiros czares, os Romannoff. A Netflix não perdeu tempo e criou uma série documental, e não de ficção, em torno do mesmo tema. Tudo isto vai acelerar a transição de mais espectadores para o streaming – e esse movimento vai rapidamente ser relevante na Europa.

Claro que isto coloca um grande desafio: com a diminuição dos espectadores em televisão tradicional a publicidade tem que pensar em novos caminhos.

 

O IMPACTO DO COMÉRCIO ELECTRONICO NA INDUSTRIA DO PAPEL

Nos últimos anos a digitalização de muita documentação e os esforços nas empresas para diminuir o impacto da utilização do papel vieram colocar à indústria papeleira a questão de encontrar produtos alternativos. Na Finlândia, um dos maiores produtores mundiais de pasta de papel, a solução encontrada foi fazer a transição para a produção de cartão de embalagem.

Porquê? – Porque o incremento do comércio eléctrónico fez aumentar a procura por embalagens feitas de cartão – nalguns casos com a procura a superar a oferta.

Mas, além disso, constatando que na área do comércio electrónico os produtos de luxo – roupas, acessórios, cosmética – começavam a ganhar um peso considerável, a indústria finladesa, incorporou no seu processo uma área de design que, em colaboração com algumas marcas, está a criar embalagens exclusivas no formato e no tipo de tratamento gráfico que podem suportar. Aqui está um caso em que o desenvolvimento da nova economia digital abriu uma oportunidade de reconversão a uma indústria tradicional.

 

COMO VÃO AS AUDIÊNCIAS DOS CANAIS DE TELEVISÃO

A resposta a esta pergunta só pode ser uma: as audiências não estão famosas. Vamos aos números obtidos até final de Agosto. A RTP1 começou o ano com um share de 12% e em Agosto obteve 10,8%; na RTP 2 a variação é de 2,5% para 1,7%, enquanto na SIC foi de 16,7% para 14,8% e na TVI de 20,6% para 18,4% - portanto todos os canais de sinal aberto perderam share de audiência nos primeiros oito meses do ano.

 No cabo a coisa já não é assim: a CMTV cresceu dos 2,9 iniciais para os 3,5% actuais, a Sic Notícias foi de 1,8% para 2%, a TVI24 passou de 1,6% para 1,9% e a Globo deu o salto de 1.8% para 2,3%.

O cabo é liderado claramente pela CMTV, normalmente seguido pela Globo e depois, alternadamente, pelo Disney Channel ou o Hollywood. Nas séries, a Fox está na liderança.

Connosco
Francisco George no ciclo "Portugal: que País vai a votos?" Ver galeria
O próximo orador convidado do ciclo "Portugal: que País vai a votos?", a 21 de Maio, será Francisco George, um prestigiado médico, especialista em Saúde Pública, actual presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, empossado em finais de 2017, após ter desempenhado as funções de director-geral da Saúde, a partir de 2005 e durante mais de uma década.
O ciclo é promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de cultura e o Grémio Literário.
Francisco Henrique Moura George, nascido em Lisboa a 21 de Outubro de 2947, frequentou, de acordo com a sua biografia oficial, o Colégio Valsassina.
Licenciado em Medicina, com Distinção, pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa em 1973, foi interno de Medicina Interna dos Hospitais Civis de Lisboa no Hospital de Santa Marta e completou, em 1977, o Curso de Saúde Pública na Escola Nacional de Saúde Pública de Lisboa, tornando-se especialista em Saúde Pública.
Meio século depois da alunagem o valor do jornalismo científico Ver galeria

Vai fazer 50 anos, no dia 20 de Julho, a primeira descida de uma nave com tripulação humana sobre a superfície da Lua. Seis horas depois da alunagem, já a 21, o comandante Neil Armstrong foi o primiro homem a pisar o solo do nosso satélite. O sucesso da missão Apollo 11, e das outras cinco missões lunares que a seguiram, teve um enorme impacto sobre a Humanidade.

“Do ponto de vista mediático, o colossal interesse público que o voo da Apollo 11 suscitou  — estima-se que um em cada seis habitantes do planeta assistiu pela TV ao momento em que Neil Armstrong desceu lentamente pela escada do módulo lunar até pousar os pés na superfície do satélite —  consolidou um público ávido por acompanhar a exploração do espaço.”

Cinquenta anos depois, as perspectivas de colonização do Sistema Solar continuam distantes, e a cobertura de astronomia e exploração espacial teve de mudar muito. “Mas, para quem tem o coração nas estrelas, continua sendo uma actividade apaixonante.”

A reflexão é de Pablo Nogueira, jornalista e editor da Scientific American Brasil, membro da Rede Brasileira de Jornalistas e Comunicadores de Ciência. No Observatório da Imprensa, com o qual mantemos um acordo de parceria.

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Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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