Segunda-feira, 10 de Dezembro, 2018
Opinião

O que é o"Cord-Cutting"?

por Manuel Falcão

Volta e meia defrontamo-nos com a expressão “cord-cutting”, em referência à alteração de comportamentos nos espectadores de televisão. Que quer isto dizer? Muito simplesmente a expressão indica a decisão de deixar de ter um serviço de televisão paga por cabo, para passar a ver TV somente através de streaming – seja na Netflix, na Amazon ou numa das outras plataformas que começam a proliferar.

Nos Estados Unidos o número de lares que abandonou serviços de cabo cresce a um ritmo exponencial, na Europa é mais reduzido – mas por exemplo em Portugal, este ano, e apenas com o Netflix e YouTube como principais players no país, as estimativas apontam, em alguns fins de semana, para valores que se estimam próximos dos 12% do total de espectadores de televisão. E o tempo médio de visionamento da Netflix em Portugal tem sempre vindo a aumentar.

Sinal dos tempos: este ano o Festival de Veneza abriu as portas a filmes produzidos e exibidos em estreia na Netflix – um movimento inédito entre os grandes festivais de cinema, que só aceitavam filmes produzidos para salas de cinema ; Cannes havia recusado aceitar produções de plataformas de streaming e esta decisão do prestigiado festival de Veneza vem modificar. Mais conhecidas pela produção de séries e documenários, o território pioneiro das plataformas de streaming, aos poucos começam a surgir produções de filmes que optam por não estrear em salas de cinema.

De facto a exibição de “Roma”, do mexicano Alfonso Cuarón, foi o grande destaque da abertura do 75º Festival de Veneza, marcando a estreia da Netflix na competição. A empresa está no centro da polêmica entre o streaming pela TV e os festivais de cinema. Excluída de Cannes por não lançar seus filmes em salas de cinema, ela tem outros seis títulos espalhados pelas seções do certame italiano, entre eles dois candidatos ao Leão de Ouro: “The Ballad of Buster Scruggs”, de Ethan e Joel Coen, e “22 July”, de Paul Greengrass. “Roma” não tem elenco internacional, foi filmado em preto e branco e é falado em espanhol. É um tipo de projeto que teria enormes dificuldades para encontrar espaço no mercado – defendeu o diretor mexicano, elogiando a atitude da Netflix.

A Amazon entretanto começou no terreno das grandes produções – entre as quais se destaca uma série sobre os derradeiros czares, os Romannoff. A Netflix não perdeu tempo e criou uma série documental, e não de ficção, em torno do mesmo tema. Tudo isto vai acelerar a transição de mais espectadores para o streaming – e esse movimento vai rapidamente ser relevante na Europa.

Claro que isto coloca um grande desafio: com a diminuição dos espectadores em televisão tradicional a publicidade tem que pensar em novos caminhos.

 

O IMPACTO DO COMÉRCIO ELECTRONICO NA INDUSTRIA DO PAPEL

Nos últimos anos a digitalização de muita documentação e os esforços nas empresas para diminuir o impacto da utilização do papel vieram colocar à indústria papeleira a questão de encontrar produtos alternativos. Na Finlândia, um dos maiores produtores mundiais de pasta de papel, a solução encontrada foi fazer a transição para a produção de cartão de embalagem.

Porquê? – Porque o incremento do comércio eléctrónico fez aumentar a procura por embalagens feitas de cartão – nalguns casos com a procura a superar a oferta.

Mas, além disso, constatando que na área do comércio electrónico os produtos de luxo – roupas, acessórios, cosmética – começavam a ganhar um peso considerável, a indústria finladesa, incorporou no seu processo uma área de design que, em colaboração com algumas marcas, está a criar embalagens exclusivas no formato e no tipo de tratamento gráfico que podem suportar. Aqui está um caso em que o desenvolvimento da nova economia digital abriu uma oportunidade de reconversão a uma indústria tradicional.

 

COMO VÃO AS AUDIÊNCIAS DOS CANAIS DE TELEVISÃO

A resposta a esta pergunta só pode ser uma: as audiências não estão famosas. Vamos aos números obtidos até final de Agosto. A RTP1 começou o ano com um share de 12% e em Agosto obteve 10,8%; na RTP 2 a variação é de 2,5% para 1,7%, enquanto na SIC foi de 16,7% para 14,8% e na TVI de 20,6% para 18,4% - portanto todos os canais de sinal aberto perderam share de audiência nos primeiros oito meses do ano.

 No cabo a coisa já não é assim: a CMTV cresceu dos 2,9 iniciais para os 3,5% actuais, a Sic Notícias foi de 1,8% para 2%, a TVI24 passou de 1,6% para 1,9% e a Globo deu o salto de 1.8% para 2,3%.

O cabo é liderado claramente pela CMTV, normalmente seguido pela Globo e depois, alternadamente, pelo Disney Channel ou o Hollywood. Nas séries, a Fox está na liderança.

Connosco
O fascínio pelas imagens de motins como nova cultura dos Media Ver galeria

Um pequeno video das manifestações em Paris, feito na manhã de 2 de Dezembro e colocado no Twitter, mostra umas dezenas de indivíduos de capuz, a correr na rua, com um fogo em segundo plano. Uma legenda diz que os desordeiros [casseurs, no original] põem a polícia em fuga. Três horas depois de ser publicada, a sequência já teve 45 mil visualizações. À tarde, o contador regista 145 mil e no dia seguinte o dobro, sem contar com a sua reprodução nos media. No YouTube, no Reddit e outros meios semelhantes, estes vídeos chegam facilmente aos milhões.

“Este fascínio pelas imagens de motins  - ou de revolta, segundo o ponto de vista -  é agora chamado riot porn  - designando o prazer (um pouco culpado) de ver ou partilhar um certo tipo de imagens, como o food porn, de pratos de comida, ou o sky porn para imagens do céu e de cenas de pôr-de-sol.”

A reflexão é de Emilie Tôn, em L’Express, num trabalho que aborda o voyeurisme da violência nas ruas, em que todos podemos ser protagonistas, mesmo que involuntários, espectadores ou realizadores de documentário, com um telemóvel na mão.

A “missão impossível” dos repórteres árabes de investigação Ver galeria

A auto-confiança com que actuaram os executores de Jamal Khashoggi tem várias razões, e uma delas tem a ver connosco, jornalistas. Quando chegou, finalmente, a admissão do crime, jornalistas por todo o mundo árabe vieram em defesa de Riade. “Eles não sabiam nada  - mas escreveram o que lhes foi dito que escrevessem. E de cada vez que mudava a versão oficial, eles mudavam a sua para se ajustar, sem embaraço ou hesitação.”

“E não estavam sozinhos. Os sauditas tinham uma segunda linha de defesa: um grupo menor, mas não menos influente, de jornalistas do Ocidente, que tinham passado mais de um ano a contar a história de uma Arábia Saudita reformista, acabada de retocar, de ventos de mudança soprando no deserto, com as suas visões e ambições comoventes louvadas por todo o mundo.”

A reflexão é da jornalista jordana Rana Sabbagh, que está à frente da Rede de Jornalismo de Investigação Árabe (membro da Global Investigative Journalism Network) e foi a primeira mulher árabe a dirigir um jornal político no Médio Oriente, o Jordan Times.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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