Sábado, 20 de Outubro, 2018
Opinião

O que é o"Cord-Cutting"?

por Manuel Falcão

Volta e meia defrontamo-nos com a expressão “cord-cutting”, em referência à alteração de comportamentos nos espectadores de televisão. Que quer isto dizer? Muito simplesmente a expressão indica a decisão de deixar de ter um serviço de televisão paga por cabo, para passar a ver TV somente através de streaming – seja na Netflix, na Amazon ou numa das outras plataformas que começam a proliferar.

Nos Estados Unidos o número de lares que abandonou serviços de cabo cresce a um ritmo exponencial, na Europa é mais reduzido – mas por exemplo em Portugal, este ano, e apenas com o Netflix e YouTube como principais players no país, as estimativas apontam, em alguns fins de semana, para valores que se estimam próximos dos 12% do total de espectadores de televisão. E o tempo médio de visionamento da Netflix em Portugal tem sempre vindo a aumentar.

Sinal dos tempos: este ano o Festival de Veneza abriu as portas a filmes produzidos e exibidos em estreia na Netflix – um movimento inédito entre os grandes festivais de cinema, que só aceitavam filmes produzidos para salas de cinema ; Cannes havia recusado aceitar produções de plataformas de streaming e esta decisão do prestigiado festival de Veneza vem modificar. Mais conhecidas pela produção de séries e documenários, o território pioneiro das plataformas de streaming, aos poucos começam a surgir produções de filmes que optam por não estrear em salas de cinema.

De facto a exibição de “Roma”, do mexicano Alfonso Cuarón, foi o grande destaque da abertura do 75º Festival de Veneza, marcando a estreia da Netflix na competição. A empresa está no centro da polêmica entre o streaming pela TV e os festivais de cinema. Excluída de Cannes por não lançar seus filmes em salas de cinema, ela tem outros seis títulos espalhados pelas seções do certame italiano, entre eles dois candidatos ao Leão de Ouro: “The Ballad of Buster Scruggs”, de Ethan e Joel Coen, e “22 July”, de Paul Greengrass. “Roma” não tem elenco internacional, foi filmado em preto e branco e é falado em espanhol. É um tipo de projeto que teria enormes dificuldades para encontrar espaço no mercado – defendeu o diretor mexicano, elogiando a atitude da Netflix.

A Amazon entretanto começou no terreno das grandes produções – entre as quais se destaca uma série sobre os derradeiros czares, os Romannoff. A Netflix não perdeu tempo e criou uma série documental, e não de ficção, em torno do mesmo tema. Tudo isto vai acelerar a transição de mais espectadores para o streaming – e esse movimento vai rapidamente ser relevante na Europa.

Claro que isto coloca um grande desafio: com a diminuição dos espectadores em televisão tradicional a publicidade tem que pensar em novos caminhos.

 

O IMPACTO DO COMÉRCIO ELECTRONICO NA INDUSTRIA DO PAPEL

Nos últimos anos a digitalização de muita documentação e os esforços nas empresas para diminuir o impacto da utilização do papel vieram colocar à indústria papeleira a questão de encontrar produtos alternativos. Na Finlândia, um dos maiores produtores mundiais de pasta de papel, a solução encontrada foi fazer a transição para a produção de cartão de embalagem.

Porquê? – Porque o incremento do comércio eléctrónico fez aumentar a procura por embalagens feitas de cartão – nalguns casos com a procura a superar a oferta.

Mas, além disso, constatando que na área do comércio electrónico os produtos de luxo – roupas, acessórios, cosmética – começavam a ganhar um peso considerável, a indústria finladesa, incorporou no seu processo uma área de design que, em colaboração com algumas marcas, está a criar embalagens exclusivas no formato e no tipo de tratamento gráfico que podem suportar. Aqui está um caso em que o desenvolvimento da nova economia digital abriu uma oportunidade de reconversão a uma indústria tradicional.

 

COMO VÃO AS AUDIÊNCIAS DOS CANAIS DE TELEVISÃO

A resposta a esta pergunta só pode ser uma: as audiências não estão famosas. Vamos aos números obtidos até final de Agosto. A RTP1 começou o ano com um share de 12% e em Agosto obteve 10,8%; na RTP 2 a variação é de 2,5% para 1,7%, enquanto na SIC foi de 16,7% para 14,8% e na TVI de 20,6% para 18,4% - portanto todos os canais de sinal aberto perderam share de audiência nos primeiros oito meses do ano.

 No cabo a coisa já não é assim: a CMTV cresceu dos 2,9 iniciais para os 3,5% actuais, a Sic Notícias foi de 1,8% para 2%, a TVI24 passou de 1,6% para 1,9% e a Globo deu o salto de 1.8% para 2,3%.

O cabo é liderado claramente pela CMTV, normalmente seguido pela Globo e depois, alternadamente, pelo Disney Channel ou o Hollywood. Nas séries, a Fox está na liderança.

Connosco
Editorial de Khashoggi defende liberdade de expressão no mundo árabe Ver galeria

O mundo árabe “encheu-se de esperança durante a Primavera de 2011; jornalistas, académicos e a população estavam cheios de entusiasmo por uma sociedade árabe livre nos seus países”, mas as expectativas foram frustradas e “estas sociedades voltaram ao antigo status quo, ou tiveram que enfrentar condições ainda mais duras do que tinham antes”.

É esta a reflexão do último editorial de Jamal Khashoggi, o jornalista saudita interrogado e morto no consulado do seu país em Istambul, segundo apontam cada vez mais as informações que vão chegando. A editora de opinião do jornal The Washington Post, do qual era colaborador regular há um ano, conta que recebeu o texto do seu tradutor e ajudante, um dia depois do desaparecimento. Foi decidido adiar a publicação, na esperança de que ele voltasse e a edição final fosse feita por ambos. Segundo Karen Attiah, o texto “capta na perfeição a sua dedicação e paixão pela liberdade no mundo árabe, uma liberdade pela qual, aparentemente, deu a sua vida”.

Como vivem (e bem) da publicidade os “sites” de desinformação Ver galeria

Os sites que usam e abusam da desinformação são sustentados, em última instância, pela mesma publicidade que todos desejam conservar, incluindo os media tradicionais. Postas as coisas nestes termos, a situação parece paradoxal. Mas uma investigação feita pela equipa Décodex, do diário francês Le Monde, revela que, “mesmo sendo apontados a dedo como nocivos ao debate público, os sites de desinformação não têm dificuldades em encontrar parceiros comerciais”.

Em consequência das mutações ocorridas no funcionamento do mercado digital, “em França há centenas de anunciantes que ainda pagam para aparecerem em sites de desinformação”  - sem necessariamente terem consciência disso, como explica Pierre-Albert Ruquier, da empresa Storyzy. Alertadas por Le Monde, pelo menos duas redes publicitárias, Ligatus e Taboola, declararam ter cortado colaboração com um dos mais populares sites desta natureza, o Santeplusmag.com.

Mas há muito trabalho a fazer, porque os actores do mercado têm relutância em intervir a montante do problema  - fazendo-o, sobretudo, quando são apanhados.

O Clube

Terminou o prazo de recepção dos trabalhos concorrentes ao  Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído há um ano por iniciativa do jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias.

Nesta segunda edição, o Prémio foi desdobrado em duas modalidades:  uma  aberta a textos originais, que passou a designar-se o Prémio Ensaio da Lusofonia; e outra que manteve  o título de Prémio de Jornalismo da Lusofonia, destinado a textos já publicados, em suporte papel ou digital.


ver mais >
Opinião
Agenda
24
Out
Medientage München
09:00 @ Munique, Alemanha
07
Nov
newsrewired
09:00 @ Londres, UK
10
Nov
LinkedIn para Jornalistas
09:00 @ Cenjor,Lisboa
21
Nov