Quarta-feira, 23 de Outubro, 2019
Estudo

Abranda a confiança dos portugueses nas notícias e conteúdos

Há sinais de esperança para a chamada indústria do jornalismo, com muitas empresas a apostarem em conteúdos de melhor qualidade e nas assinaturas como fonte de sustento económico. Mas estas mudanças continuam a ser “frágeis, distribuídas de modo desigual, e chegam por cima de muitos anos de disrupção digital, que degradou a confiança tanto dos editores como dos consumidores”.

É este o diagnóstico inicial do Digital News Report 2018, do Reuters Institute, já divulgado (e com um vídeo de apresentação de três minutos), onde se afirma também:

“Com dados cobrindo quase 40 países em cinco continentes, esta investigação é um aviso de que a revolução digital está cheia de contradições e excepções. Os países partiram de diferentes pontos, e a velocidade e extensão desta disrupção digital depende parcialmente da história, da geografia, da política e da regulação.”
O capítulo referente a Portugal reconhece que a confiança dos portugueses nas notícias em geral tem sido consistentemente elevada. Reconhece também, no entanto, que houve uma quebra significativa da confiança, quer ao nível das notícias mas, principalmente, ao nível dos conteúdos consumidos.

Uma das boas notícias é a de que o recurso às redes sociais como fonte noticiosa começa a decair em vários mercados importantes, depois de anos de crescimento contínuo. Esta queda é de seis pontos percentuais nos Estados Unidos, e está a acontecer também no Reino Unido e na França. Há um declínio específico no que se refere à pesquisa e partilha de notícias pelo Facebook (menos nove pontos nos EUA).  

 

Ao mesmo tempo, verifica-se uma subida no uso das aplicações de mensagens para este fim, à medida que os consumidores “procuram espaços de comunicação mais privados (e de menos confronto)”. O WhatsApp é usado para recolha de notícias “por cerca de metade da nossa representação de utentes digitais na Malásia (54%), no Brasil (48%) e por cerca de um terço na Espanha (36%) e na Turquia (30%)”.

 

Em todos os países, “o nível médio de confiança nas notícias mantém-se relativamente estável nos 44%, com uma percentagem pouco acima da metade (51%) afirmando que confia nos meios noticiosos que usa regularmente”.

 

“Por contraste, 34% dos inquiridos dizem confiar nas notícias que encontram por meio de pesquisa e menos de um quarto (23%) confiam nas que encontram nas redes sociais”. 

 

“Acima de metade (54%) manifestam-se preocupados (ou muito preocupados) a respeito do que é real ou falso na Internet. Isto atinge o ponto máximo em países como o Brasil (85%), Espanha (69%) e os EUA (64%), onde situações políticas polarizadas se combinam com elevados níveis de utilização das redes sociais. É mais baixo na Alemanha (37%) e na Holanda (30%), onde as eleições recentes foram menos perturbadas por preocupações a respeito de conteúdos falsos.” (...)

 

“Existe algum apetite público por intervenção governamental na repressão das fake news, principalmente na Europa (60%) e na Ásia (63%). Por contraste, só quatro em cada dez americanos (41%) acham que o governo devia fazer mais.” (...)

 

“O número médio de pessoas que pagam pelas notícias online subiu em muitos países, com aumentos significativos na Noruega (mais quatro pontos percentuais), Suécia (mais seis) e Finlândia (mais quatro). Todos estes países têm um número reduzido de publishers, que na sua maioria continuam a promover uma variedade de estratégias de paywall. Mas, em mercados mais complexos e fragmentados, há ainda muitos que editam jornais digitais de acesso gratuito.” (...)

 

Na classificação por países, o capítulo referente a Portugal reconhece que a confiança dos portugueses nas notícias em geral tem sido consistentemente elevada, mas este ano fica a par dos que se encontram no primeiro lugar do inquérito, com 62%.

Ainda assim, e “apesar dos elevados níveis de confiança, observa-se, entre 2015 e 2018, uma quebra significativa da confiança”, realçam Gustavo Cardoso, Miguel Paisana e Ana Pinto Martinho, investigadores do OberCom e do ISCTE, em comunicado  - que aqui citamos da agência Lusa.

“A confiança geral nas notícias passou, assim, de 65,6% em 2015 para 62,1% este ano, enquanto a confiança nos conteúdos consumidos baixou de 71,3% para 62,3% em 2018. Portugal é também o segundo país onde a população mais se preocupa sobre o que é real ou falso na Internet, segundo indicaram 71% dos inquiridos, logo a seguir aos do Brasil urbano.”

Como relata o Expresso, “afirmar que se tem, regra geral, confiança nas notícias não é o mesmo que confiar numa determinada marca ou produtor. ‘Os portugueses podem consumir notícias, ter confiança genérica nelas e, simultaneamente, ter opinião negativa face às marcas que as divulgam’, lê-se no comunicado de Imprensa”.

“A forma como acedem a estas também tem impacto, com os motores de busca a oferecerem maior segurança aos consumidores do que as redes sociais. Quase metade (48,2%) dos portugueses afirma confiar em notícias acedidas através de motores de busca, mas apenas 28,9% diz confiar nelas se forem obtidas através de redes sociais.” (...)  

E cerca de metade dos inquiridos declara ter encontrado exemplos de mau jornalismo na semana anterior; 38% afirmam mesmo ter visto conteúdos que consideram “manipulados para seguirem uma agenda específica”.

“A televisão e a Internet são as principais fontes noticiosas, mas a primeira continua a conquistar 55% dos portugueses inquiridos no estudo (e a Internet, incluindo redes sociais, apenas 34%). O domínio da televisão é também evidente ao verificar-se que as marcas mais utilizadas pelos portugueses são todas estações televisivas: SIC Notícias e SIC estão na liderança, seguidas pela TVI24, TVI e RTP.

“Se analisarmos apenas o universo online, é o portal Sapo que está na linha da frente, seguido pela SIC Notícias, Notícias ao Minuto, Jornal de Notícias e Público. E no caso dos jornais em papel, os diários Jornal de Notícias e Correio da Manhã foram os mais lidos na semana anterior à resposta do inquérito.” (...) 


Mais informação em sapo.pt e no ExpressoO relatório no site do Reuters Institute

Connosco
Jornalistas deverão estar prevenidos para identificar e corrigir notícias falsas... Ver galeria

Existem várias lacunas na pesquisa de desinformação política e os debates contínuos sobre o que constitui as fake news e a sua classificação acabam por ser uma distracção, desviando as atenções das “questões críticas” relacionadas com o problema.

É importante reconhecer que as fake news existem, que estamos expostos a essas falsas informações, mas, se quisermos combatê-las, é indispensável procurar a sua origem, a sua forma de disseminação e analisar as consequências sociais e políticas.

É, ainda, imprescindível que os jornalistas estejam preparados e informados para não colaborarem na propagação deste tipo de informação.

Por vezes, o objectivo que se esconde em algumas fake news é que os media acabem por disseminá-las, acelerando a sua difusão. Por esse motivo, foi identificado o chamado “ponto de inflexão”, que representa o momento em que a história deixa de ser partilhada exclusivamente em “nichos” e acaba por atingir uma dimensão maior, alcançando várias comunidades. 

A jornalista Laura Hazard Owen abordou o tema num texto publicado no NiemanLab, no qual também faz referências à melhor forma de reconhecer os de conteúdos manipulados.

Suspensão de acordo do “Brexit” dividiu a imprensa britânica Ver galeria

Suspensa a aprovação do acordo no Parlamento britânico até que haja a regulamentação apropriada, a imprensa londrina apresentou-se dividida em relação ao Brexit.

Por um lado, a esperança de evitar um “não acordo” e uma saída abrupta, por outro a exaltação em relação à votação. 

Os media ingleses evidenciaram posições antagónicas em relação aos últimos acontecimentos e isso foi claro pela forma como abordaram a situação. 

Enquanto que o Sunday Express assumiu uma postura pró-Brexit e foi mais hostil com os deputados, acusando-os de atrasarem o processo, o Independent preferiu focar-se nas ruas, onde perto de um milhão de cidadãos se manifestaram para exigir que lhes seja dada a palavra final. Por sua vez, o Observer realçou a derrota do primeiro ministro, que se viu forçado a suspender a aprovação do acordo.

Le Monde publicou, entretanto, um texto no qual é feita uma análise dos media britânicos neste contexto.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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Fotojornalismo e Direitos de Autor
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1º Congresso Internacional de Rádios Lusófonas
14:30 @ Angra do Heroísmo, Açores
19
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Connections Europe
09:00 @ Marriott Hotel, Amsterdão
21
Nov