Quarta-feira, 30 de Setembro, 2020
Mundo

A Internet pode partir-se em duas, uma chinesa e outra americana

Desde que chegou a Internet, qualquer pessoa pessoa pode, a partir de um computador, ou de um telemóvel que se leva no bolso, aceder a uma fonte de notícias em qualquer parte do mundo.
Dir-se-ia que ela aboliu as fronteiras. Mas, por via dos extremismos políticos que circulam nas redes sociais, mesmo as fronteiras físicas de antigamente estão a recuperar a sua “idade de ouro”. O que vem a seguir pode ser mais inquietante: seguindo as linhas de clivagem da nova “guerra fria” entre os Estados Unidos e a China, podemos estar a caminho de um mundo da comunicação repartido entre duas Internets. A reflexão é de Miguel Ossorio Vega, em Media-tics.
O autor parte da afirmação de que, já hoje, a Internet ocidental e a chinesa são muito diferentes. Como conta, o gigantesco mercado chinês começou por desenvolver as suas próprias versões dos êxitos criados nos EUA: desde o Twitter (Weibo na China) até ao Youtube (Youku), passando pela Amazon (Alibaba), pela Google (Baidu), WhatsApp (WeChat) e Uber (Didi Chuxing). 

 “Podem ter começado como cópias grosseiras das suas homólogas norte-americanas, mas o sector digital chinês actual já não tem nada a ver com o que era quando se levantou o “Escudo Dourado”  - o Grande Corta-Fogos -  por volta de 1996: o plano do governo chinês para proteger o país dos conteúdos sensíveis do ponto de vista político.” 

Por paradoxos da vida, como escreve Ossorio Vega, “a censura chinesa converteu o país num líder tecnológico global em que entraram, em partes iguais, tanto a dificuldade das empresas ocidentais para funcionarem no país como o sobre-esforço para compensar esta ausência com produtos locais que, agora, querem comer o mundo”. Em muitos casos, segundo diz, a China já vai à frente  - cita o exemplo da aplicação WeChat, pela qual é possível na China marcar uma consulta médica. 

Esta independência da China no mundo digital está a levar muitos peritos a reconhecerem como a sua Internet se distancia da que conhecemos como tal, até ao ponto em que Eric Schmidt  - que foi CEO da Google -  deu o passo de tornar pública esta ideia, “por enquanto baseada numa apreciação pessoal”. 

“Creio que o cenário mais provável, agora, não é uma divisão, mas uma bifurcação entre uma Internet dirigida por chineses e uma Internet não chinesa liderada pelos Estados Unidos”  -  disse há poucos dias num evento privado, em San Francisco.

Nesse encontro, terá também falado das consequências possíveis: da “escala das empresas que estão a ser construídas” no gigante asiático e da riqueza “fenomenal” que está a ser criada graças à tecnologia. 

“A globalização significa que eles também podem entrar no jogo”  - reconhece Schmidt, e que vamos assistir “a uma liderança fantástica por produtos e serviços da China”. 

Estas previsões chegam numa altura em que o sucessor de Schmidt à frente da Google, Sundar Pichai, tem sido questionado sobre a disponibilidade da empresa para ajustar o seu motor de busca às regras impostas pelo governo chinês.

 

Mais informação em Media-tics e na notícia sobre as declarações de Eric Schmidt, na CNBC

Connosco
Wikipedia modifica “layout” e melhora experiência de leitura Ver galeria

Ao longo das últimas duas décadas, a Wikipédia tem servido de fórum para cidadãos de todo o mundo. 

Com mais de 53 milhões de artigos, em 300 línguas, este “site”, de acesso gratuito, tornou-se uma fonte de conhecimento, sobre os mais variados tópicos, mas os seus criadores consideram que há, ainda, espaço para melhorias.

Assim, pela primeira vez em dez anos, a Wikipédia vai alterar o seu “layout”, de forma a refinar a experiência do utilizador.

De acordo com um comunicado de Olga Vasileva, responsável na Wikimedia Foundation, o objectivo é tornar a utilização do “site” mais intuitiva, especialmente para os utilizadores que estão, agora, a iniciar-se na “navegação online”.

“Precisamos de oferecer, não só um excelente conteúdo, mas, igualmente, uma experiência de um ‘site’ moderno, digno de confiança (...) Queremos criar uma página que seja familiar para os nossos utilizadores de longa data, mas simples e intuitiva para os novos visitantes”. 

As alterações incluem um logótipo reconfigurado, barra lateral rebatível, um índice e a extensão da largura da página.


A desinformação também afecta os mais jovens Ver galeria

Os jovens, com idades compreendidas entre os 18 e os 24 anos, são duas vezes mais susceptíveis de acreditar em notícias falsas sobre a pandemia, concluiu um estudo desenvolvido nos Estados Unidos

Em causa estará a partilha de desinformação nas aplicações de mensagens instantâneas, como o Messenger e o Whatsapp,  a falta de literacia mediática, e a utilização das redes sociais. 

Em declarações ao jornal “Público”, um dos investigadores do estudo, Mathew Baum, revelou que “foi surpreendente  concluir que os cidadãos mais jovens eram os mais propensos a acreditar em desinformação”, já que “outros estudos mostram evidências de que os mais velhos têm maior probabilidade de acreditar em ‘fake news’ sobre polícia e saúde.”

A equipa de Baum acredita, igualmente, que os resultados não são exclusivos dos Estados Unidos. “A desinformação é um problema global e está longe de ser exclusiva dos EUA”, sublinhou o académico. “Existem muitos casos documentados de histórias de desinformação [sobre covid-19] que se tornaram virais em outros países e regiões.”


O Clube


Terminada a pausa de Agosto, este site do CPI  retoma a sua actividade e as  actualizações diárias, num contacto regular que faz parte da rotina de consulta dos nossos associados e parceiros, e que  tem vindo a atrair um confortável e crescente número de visitantes em Portugal e um pouco por todo o mundo, com relevo para os países lusófonos.

Sem prejuízo de  algumas alterações de estrutura funcional , o site continuará  acompanhar, a par e passo,  as iniciativas do Clube, bem como o  que de mais relevante  ocorrer no País e fora dele em matéria de jornalismo,  jornalistas e de liberdade de expressão.

Os media enfrentam uma situação complexa e, para muitos,  não se adivinha um desfecho airoso. 

O futuro dos media independentes está tingido de sombras.  E o das associações independentes de jornalistas – como é o caso do Clube Português de Imprensa – não se antevê, também, isento de dificuldades, que saberemos vencer, como vencemos outras ao longo de quase quatro décadas de história, que se completam este ano.

Desde a sua fundação, em 1980, o CPI viveu exclusivamente  com o apoio dos sócios, e de alguns mecenas que quiseram acompanhar os esforços do Clube,  identificado com uma sólida  profissão de fé em defesa do jornalismo e dos jornalistas.



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Agenda
07
Out
A perspectiva feminina em falta sobre a Covid-19
13:00 @ Sessões "online" Reuters Institute
14
Out
O que são os dados tendenciosos e como corrigi-los
13:00 @ Sessões "online" Reuters Institute
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas