Desde que chegou a Internet, qualquer pessoa pessoa pode, a partir de um computador, ou de um telemóvel que se leva no bolso, aceder a uma fonte de notícias em qualquer parte do mundo.
Dir-se-ia que ela aboliu as fronteiras. Mas, por via dos extremismos políticos que circulam nas redes sociais, mesmo as fronteiras físicas de antigamente estão a recuperar a sua “idade de ouro”. O que vem a seguir pode ser mais inquietante: seguindo as linhas de clivagem da nova “guerra fria” entre os Estados Unidos e a China, podemos estar a caminho de um mundo da comunicação repartido entre duas Internets. A reflexão é de Miguel Ossorio Vega, em Media-tics.
O autor parte da afirmação de que, já hoje, a Internet ocidental e a chinesa são muito diferentes. Como conta, o gigantesco mercado chinês começou por desenvolver as suas próprias versões dos êxitos criados nos EUA: desde o Twitter (Weibo na China) até ao Youtube (Youku), passando pela Amazon (Alibaba), pela Google (Baidu), WhatsApp (WeChat) e Uber (Didi Chuxing).
“Podem ter começado como cópias grosseiras das suas homólogas norte-americanas, mas o sector digital chinês actual já não tem nada a ver com o que era quando se levantou o “Escudo Dourado” - o Grande Corta-Fogos - por volta de 1996: o plano do governo chinês para proteger o país dos conteúdos sensíveis do ponto de vista político.”
Por paradoxos da vida, como escreve Ossorio Vega, “a censura chinesa converteu o país num líder tecnológico global em que entraram, em partes iguais, tanto a dificuldade das empresas ocidentais para funcionarem no país como o sobre-esforço para compensar esta ausência com produtos locais que, agora, querem comer o mundo”. Em muitos casos, segundo diz, a China já vai à frente - cita o exemplo da aplicação WeChat, pela qual é possível na China marcar uma consulta médica.
Esta independência da China no mundo digital está a levar muitos peritos a reconhecerem como a sua Internet se distancia da que conhecemos como tal, até ao ponto em que Eric Schmidt - que foi CEO da Google - deu o passo de tornar pública esta ideia, “por enquanto baseada numa apreciação pessoal”.
“Creio que o cenário mais provável, agora, não é uma divisão, mas uma bifurcação entre uma Internet dirigida por chineses e uma Internet não chinesa liderada pelos Estados Unidos” - disse há poucos dias num evento privado, em San Francisco.
Nesse encontro, terá também falado das consequências possíveis: da “escala das empresas que estão a ser construídas” no gigante asiático e da riqueza “fenomenal” que está a ser criada graças à tecnologia.
“A globalização significa que eles também podem entrar no jogo” - reconhece Schmidt, e que vamos assistir “a uma liderança fantástica por produtos e serviços da China”.
Estas previsões chegam numa altura em que o sucessor de Schmidt à frente da Google, Sundar Pichai, tem sido questionado sobre a disponibilidade da empresa para ajustar o seu motor de busca às regras impostas pelo governo chinês.
Mais informação em Media-tics e na notícia sobre as declarações de Eric Schmidt, na CNBC
A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.
Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.
Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.
Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.
Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.
No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.
Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.
Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.
Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.
Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.
Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.
A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
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