Quarta-feira, 22 de Setembro, 2021
Mundo

A Internet pode partir-se em duas, uma chinesa e outra americana

Desde que chegou a Internet, qualquer pessoa pessoa pode, a partir de um computador, ou de um telemóvel que se leva no bolso, aceder a uma fonte de notícias em qualquer parte do mundo.
Dir-se-ia que ela aboliu as fronteiras. Mas, por via dos extremismos políticos que circulam nas redes sociais, mesmo as fronteiras físicas de antigamente estão a recuperar a sua “idade de ouro”. O que vem a seguir pode ser mais inquietante: seguindo as linhas de clivagem da nova “guerra fria” entre os Estados Unidos e a China, podemos estar a caminho de um mundo da comunicação repartido entre duas Internets. A reflexão é de Miguel Ossorio Vega, em Media-tics.
O autor parte da afirmação de que, já hoje, a Internet ocidental e a chinesa são muito diferentes. Como conta, o gigantesco mercado chinês começou por desenvolver as suas próprias versões dos êxitos criados nos EUA: desde o Twitter (Weibo na China) até ao Youtube (Youku), passando pela Amazon (Alibaba), pela Google (Baidu), WhatsApp (WeChat) e Uber (Didi Chuxing). 

 “Podem ter começado como cópias grosseiras das suas homólogas norte-americanas, mas o sector digital chinês actual já não tem nada a ver com o que era quando se levantou o “Escudo Dourado”  - o Grande Corta-Fogos -  por volta de 1996: o plano do governo chinês para proteger o país dos conteúdos sensíveis do ponto de vista político.” 

Por paradoxos da vida, como escreve Ossorio Vega, “a censura chinesa converteu o país num líder tecnológico global em que entraram, em partes iguais, tanto a dificuldade das empresas ocidentais para funcionarem no país como o sobre-esforço para compensar esta ausência com produtos locais que, agora, querem comer o mundo”. Em muitos casos, segundo diz, a China já vai à frente  - cita o exemplo da aplicação WeChat, pela qual é possível na China marcar uma consulta médica. 

Esta independência da China no mundo digital está a levar muitos peritos a reconhecerem como a sua Internet se distancia da que conhecemos como tal, até ao ponto em que Eric Schmidt  - que foi CEO da Google -  deu o passo de tornar pública esta ideia, “por enquanto baseada numa apreciação pessoal”. 

“Creio que o cenário mais provável, agora, não é uma divisão, mas uma bifurcação entre uma Internet dirigida por chineses e uma Internet não chinesa liderada pelos Estados Unidos”  -  disse há poucos dias num evento privado, em San Francisco.

Nesse encontro, terá também falado das consequências possíveis: da “escala das empresas que estão a ser construídas” no gigante asiático e da riqueza “fenomenal” que está a ser criada graças à tecnologia. 

“A globalização significa que eles também podem entrar no jogo”  - reconhece Schmidt, e que vamos assistir “a uma liderança fantástica por produtos e serviços da China”. 

Estas previsões chegam numa altura em que o sucessor de Schmidt à frente da Google, Sundar Pichai, tem sido questionado sobre a disponibilidade da empresa para ajustar o seu motor de busca às regras impostas pelo governo chinês.

 

Mais informação em Media-tics e na notícia sobre as declarações de Eric Schmidt, na CNBC

Connosco
World Press Photo em exposição no Parque dos Poetas em Oeiras Ver galeria

A 64.ª edição da World Press Photo estará patente no Parque dos Poetas, Entrada do Templo da Poesia, até ao dia 15 de Outubro, com entrada gratuita

Além da visita à exposição, haverá “workshops” de fotografia aos sábados, com fotojornalistas de renome. Estão já confirmados, nesta iniciativa, Arlindo Camacho, Rita Ferro Alvim, Gonçalo F. Santos e Marcos Borga.

Criado em 1955 pela organização homónima, o concurso World Press Photo premeia, anualmente, fotografias que dão a conhecer ao público questões e momentos cruciais e fracturantes, que marcam a actualidade de povos e de sociedades em todo o mundo.

Neste ano, o concurso recebeu 4 315 fotógrafos de 130 países, com 74 470 imagens inscritas. Os vencedores do concurso anual de fotografia World Press Photo são 45 fotógrafos de 28 países: Argentina, Arménia, Austrália, Bangladesh, Bielorrússia, Brasil, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos da América, França, Grécia, Holanda, Índia, Indonésia, Itália, Irão, Irlanda, México, Myanmar, Peru, Filipinas, Polónia, Portugal, Rússia, Eslovénia, Espanha, Suécia e Suíça.

Publicações "online" devem diversificar oferta de conteúdos para captar jovens Ver galeria

Com a chegada da era digital, os jornais “online” passaram a focar-se na retenção de uma audiência jovem, como forma de conquistar a sua lealdade enquanto consumidores de notícias e de garantir a sustentabilidade financeira a longo prazo.

Apesar de todos os esforços, os jovens têm-se demonstrado reticentes quanto à subscrição de serviços noticiosos digitais, preferindo a consulta de informação através das redes sociais.

Agora, um estudo realizado pela Agência de Imprensa Alemã DPA, em conjunto com Associação Alemã de Editores Digitais e Editores de Jornais (BDZV), revelou o principal motivo deste fenómeno: os jovens não gostam de ser tratados como um grupo homogéneo.

Isto significa, conforme indica o documento, que, de forma a alcançarem o seu objectivo, as publicações “online” devem diversificar a sua oferta de conteúdos, indo ao encontro dos diferentes tópicos e problemáticas sociais.

Além disso, a pesquisa, atesta que há grandes diferenças dentro da mesma faixa etária. “Adolescentes e jovens têm hábitos de consumo, interesses, exigências e necessidades diferentes em relação ao conteúdo das notícias. Dentro da mesma faixa etária, as orientações são muito diferentes ”.

“Mais concretamente -- acrescenta o relatório -- enquanto alguns usam quase exclusivamente fontes jornalísticas para satisfazer a sua grande sede de informação (...), outros utilizadores preferem os conteúdos de comunicadores individuais, como actores e influenciadores”.

O estudo revela, da mesma forma, que os jovens sentem necessidade de ter uma relação próxima com as fontes de informação, como se as publicações falassem, especificamente, sobre os problemas que enfrentam no dia a dia.

O Clube


Recomeçamos. A pausa de agosto foi um tempo de análise e de reflexão sobre as delicadas circunstâncias que rodeiam e condicionam os media portugueses e as associações representativas do sector.
Enquanto as redacções encolhem e os jornais lutam pela sobrevivência, as grandes plataformas digitais tornam-se omnipresentes e absorvem a melhor publicidade.
Um estudo da ERC revela que dois terços dos inquiridos utiliza a internet, mas que, depois das televisões, as redes sociais aparecem já como fonte noticiosa preferencial, suplantando os jornais impressos.


A dificuldade da imprensa, com tiragens minguadas, influenciou a principal distribuidora de jornais e revistas no sentido de lançar uma taxa diária a cobrar aos quiosques e outros postos de venda.
Por agora, a cobrança está suspensa, no seguimento de uma providência cautelar aceite pelo tribunal, mas nada garante que o desfecho não venha a penalizar mais ainda a circulação da Imprensa.
A fragilidade das empresas de media agravou a sua dependência, e tornou-as gradualmente mais permeáveis aos desígnios do poder político.
Seja no audiovisual, seja nas publicações impressas, observa-se uma crescente uniformidade noticiosa, a par de uma actuação comprometida com as prioridades da agenda do Executivo.
Neste contexto, as associações do sector não têm a vida facilitada, quer pelo enfraquecimento do mecenato, quer pela apatia já antiga que se nota nos jornalistas no tocante ao associativismo.
Com 40 anos feitos de actividade ininterrupta, o Clube Português de Imprensa tem neste site uma forma de ligação privilegiada com associados e outros profissionais do sector, bem como com os estudantes dos cursos de jornalismo, apoiado em parcerias que são preciosas fontes complementares de informação e de análise.
Por aqui continuamos, com a consciência do desafio e do risco envolventes, e com a noção de partilha e de serviço que nos anima desde o início.


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Opinião
O impacto da pandemia no universo mediático está longe de encontrar-se esgotado, apesar das promessas de “libertação” da sociedade, ensaiadas por vários governos, entre os quais o português, em doses apreciáveis.O jornalismo tornou-se mais fechado, confirmando uma tendência que não é nova de os jornalistas recorrerem à Internet e às redes sociais como fonte predominante de informação.Os...
O que une radicais de direita e de esquerda
Francisco Sarsfield Cabral
Contra o que frequentemente se julga, um radical de direita não está a uma distância de 180 graus de um radical de esquerda. Ambos partilham um desprezo pela democracia liberal, que consideram um regime político “mole”, sem “espinha dorsal”. Não aceitam que quem pense de maneira diferente da nossa não seja um inimigo a abater.  No passado dia 1 a Eslovénia sucedeu a Portugal na presidência semestral da UE....
Uma das coisas que mais me intriga e cansa no jornalismo que se faz atualmente em Portugal é a ausência de sentido crítico, a incapacidade de arriscar e de fazer diferente. Estão todos a correr para dar as mesmas notícias e fazer as mesmas perguntas. E, quando conseguem o objetivo, ficam com a sensação de dever cumprido.Vem isto a propósito da não notícia que ocupa lugar diário nos títulos da imprensa, dos...
Venham mais 40!...
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A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
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Jornalismo durante a pandemia: o que aprendemos?
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