Sábado, 20 de Outubro, 2018
Opinião

O Expresso diz que errou

por Dinis de Abreu

Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

Uma nota editorial, contudo, nem sequer assinada pela direcção do jornal. O director, Pedro Santos Guerreiro, a quem competiria explicar e assumir a noticia, afinal falsa, que abalou de novo a credibilidade do jornal, limitou-se, pudicamente, na sua coluna da página dois, a remeter os leitores para a tal nota, como se não fosse nada com ele.

Ora a derrapagem do Expresso, como jornal de referência que se considera, exigiria que a sua direcção - e o seu director em particular - fossem claros quanto à natureza do engano em que caíram.

Afinal, foram enganados ou instrumentalizados pelas fontes consultadas?  Ou foram simplesmente incompetentes, ao não cruzarem suficientemente essas mesmas fontes, durante a investigação jornalística sobre a PGR, que durou meses, como se escreve na nota editorial?

É certo que admitem que “os mecanismos de investigação jornalística falharam e fomos induzidos em erro nas informações recolhidas”. Mas foram “induzidos em erro” por quem? Silêncio absoluto, talvez com receio que sequem as fontes que os manipularam e que mereciam ser denunciadas publicamente, em defesa da honra e do bom nome do Expresso.

Não adianta escreverem, também, piedosamente, na mesma nota, que “neste caso, foi averiguado internamente o processo editorial que levou à publicação da noticia “. E a que conclusões chegaram? Nada se diz. Lembra os inquéritos de Tancos ou de Pedrogão. 

O Expresso errou desta vez como noutras, que têm questionado a respeitabilidade do jornal e a fiabilidade das fontes que utiliza. O jornalismo preguiçoso -  ou comprometido - nunca deu bons resultados…

 

Connosco
Editorial de Khashoggi defende liberdade de expressão no mundo árabe Ver galeria

O mundo árabe “encheu-se de esperança durante a Primavera de 2011; jornalistas, académicos e a população estavam cheios de entusiasmo por uma sociedade árabe livre nos seus países”, mas as expectativas foram frustradas e “estas sociedades voltaram ao antigo status quo, ou tiveram que enfrentar condições ainda mais duras do que tinham antes”.

É esta a reflexão do último editorial de Jamal Khashoggi, o jornalista saudita interrogado e morto no consulado do seu país em Istambul, segundo apontam cada vez mais as informações que vão chegando. A editora de opinião do jornal The Washington Post, do qual era colaborador regular há um ano, conta que recebeu o texto do seu tradutor e ajudante, um dia depois do desaparecimento. Foi decidido adiar a publicação, na esperança de que ele voltasse e a edição final fosse feita por ambos. Segundo Karen Attiah, o texto “capta na perfeição a sua dedicação e paixão pela liberdade no mundo árabe, uma liberdade pela qual, aparentemente, deu a sua vida”.

Como vivem (e bem) da publicidade os “sites” de desinformação Ver galeria

Os sites que usam e abusam da desinformação são sustentados, em última instância, pela mesma publicidade que todos desejam conservar, incluindo os media tradicionais. Postas as coisas nestes termos, a situação parece paradoxal. Mas uma investigação feita pela equipa Décodex, do diário francês Le Monde, revela que, “mesmo sendo apontados a dedo como nocivos ao debate público, os sites de desinformação não têm dificuldades em encontrar parceiros comerciais”.

Em consequência das mutações ocorridas no funcionamento do mercado digital, “em França há centenas de anunciantes que ainda pagam para aparecerem em sites de desinformação”  - sem necessariamente terem consciência disso, como explica Pierre-Albert Ruquier, da empresa Storyzy. Alertadas por Le Monde, pelo menos duas redes publicitárias, Ligatus e Taboola, declararam ter cortado colaboração com um dos mais populares sites desta natureza, o Santeplusmag.com.

Mas há muito trabalho a fazer, porque os actores do mercado têm relutância em intervir a montante do problema  - fazendo-o, sobretudo, quando são apanhados.

O Clube

Terminou o prazo de recepção dos trabalhos concorrentes ao  Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído há um ano por iniciativa do jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias.

Nesta segunda edição, o Prémio foi desdobrado em duas modalidades:  uma  aberta a textos originais, que passou a designar-se o Prémio Ensaio da Lusofonia; e outra que manteve  o título de Prémio de Jornalismo da Lusofonia, destinado a textos já publicados, em suporte papel ou digital.


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