Sábado, 17 de Novembro, 2018
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"Deep Fakes", uma nova ameaça para o jornalismo "online"

A comunicação entre pessoas não se esgota na palavra (que pode ser usada para mentir), nem no tom de voz, nem na postura geral de quem fala  - embora todos estes elementos sejam úteis para detectar a falsidade intencional de alguém. Em qualquer diálogo, como nos interrogatórios de investigação judicial, ou psicológica, os olhos são especialmente reveladores. A partir destas evidências, e da natureza tecnológica da inteligência artificial, investigadores ao serviço do Departamento de Defesa dos EUA estão a desenvolver ferramentas capazes de detectar os chamados DeepFakes  - vídeos que retratam a imagem verdadeira de alguém, mas a fazer ou a dizer coisas que de facto não são autênticas.

Um exemplo conhecido é o que foi feito pelo humorista e cineasta Gordon Peele, que criou para o BuzzFeed um vídeo que, entre outras coisas, chama “completo idiota” a Donald Trump. Outros, mais correntes, apropriam-se do rosto de actrizes famosas de Hollywood e conseguem colocá-lo nos corpos de protagonistas de filmes pornográficos, realizando deste modo imitações muito realistas e, naturalmente, lesivas de quem teve a sua imagem usurpada para tais fins. 

Segundo o artigo que citamos, da Media-tics, os investigadores ao serviço da DARPA - Defense Advanced Research Projects Agency procuraram e aproveitaram uma brecha na tecnologia usada para a criação destas falsificações, a saber: os DeepFakes “nunca mostram a pessoa que foi manipulada a pestanejar, porque a inteligência artificial que os cria é baseada em imagens estáticas”. 

Ou, em casos em que haja pestanejar, “os movimentos oculares não imitam com exactidão os que são naturalmente efectuados por qualquer ser humano”. É então possível identificar “a exploração de sinais fisiológicos deste tipo, os quais – pelo menos por enquanto -  são difíceis de imitar para fazer DeepFakes”. 

“Para desmontar um DeepFake é preciso, em primeiro lugar, examinar o arquivo digital em busca de indícios que sugiram uma montagem de imagens, analisando cortes ou pequenos erros de edição. Depois, é preciso prestar atenção às distintas propriedades físicas das imagens, na busca de possíveis incongruências ou erros de junção. Neste sentido, é possível ainda verificar se o vídeo mostra características climáticas incompatíveis com a sua suposta data de realização, ou um fundo que não encaixa com a sua teórica localização de filmagem.” 

“Treinar uma ferramenta de inteligência artificial para detectar estas falhas é a tarefa que tem em mãos o projecto da agência DARPA, embora seja necessário tempo para o conseguir  -  e, de qualquer modo, o mundo digital já demonstrou que a detecção das mentiras costuma chegar depois de se terem tornado ‘virais’ e feito o seu trabalho.” 

“Esperam-nos muitas aventuras...”  - conclui o autor. 

Podemos acrescentar outro exemplo recente das possibilidades assustadoras da tecnologia digital usada por estes maus caminhos. Charlie Warzel, um jornalista do BuzzFeed, preocupado com a predição de um futuro em que essa tecnologia pode estar perto de “democratizar a capacidade de manipular a percepção e falsificar a realidade”, chegando a uma espécie de “Infocalipse”, resolveu testar as suas próprias competências neste terreno. 

Procedeu a uma recriação digital da sua voz e foi melhorando até chegar ao ponto de a tornar tão convincente que podia “enganar a pessoa que claramente conhece a minha voz melhor do que ninguém: a minha mãe”. 

Os passos técnicos seguidos estão descritos no artigo de que incluímos aqui o link, em BuzzFeedNews. O engano resultou, e ela levou tempo até aceitar que aquilo que escutou tinha sido criado por inteligência artificial: 

“Eu não sabia que uma coisa como esta era possível”  -  disse mais tarde. “Nunca duvidei, nem por um segundo, que eras tu.”

 

O artigo de Miguel Ossorio Vega, em Media-tics, e o de Charlie Warzel, em BuzzFeedNews.

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

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O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

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O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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