Quinta-feira, 13 de Dezembro, 2018
O Clube

Uma colectânea de textos em Setembro para ler ou reler

Lançado em Novembro de 2015, este site do Clube Português de Imprensa tem desenvolvido, desde então, um trabalho de acompanhamento das tendências dominantes, quer no mercado de Imprensa, quer nos media audiovisuais em geral e na Internet em particular.

Interessa-nos, também, debater o jornalismo e o modo como é exercido, em Portugal e fora de fronteiras,  cumprindo um objectivo que está na génese desta Associação.

Infelizmente, o tema, nas suas várias e complexas ramificações,  tem sido pouco tratado entre nós -  quando não mesmo bastante maltratado -, numa visão redutora e paroquial.

São escassos  os media que dedicam algum espaço ao fenómeno comunicacional  nas suas múltiplas vertentes  e, quando o fazem, esgotam-se na espuma das coisas, sem o indispensável  aprofundamento e problematização.

O acervo de textos já publicados neste site, designadamente, a  partir de contributos das parcerias que nos acompanham quase desde o fio de partida do  projecto  (o Observatório de Imprensa do Brasil, obra maior do jornalista Alberto Dines, recentemente falecido, e Cuadernos de Periodismo , editados pela APMAssociacion de la Prensa de Madrid, presidida pelo prestigiada  jornalista  Vitoria Prego), constitui já um invulgar território de propostas sobre o futuro reservado ao jornalismo e aos jornalistas, ou sobre o que espera a Imprensa tradicional, em suporte impresso, ou as televisões generalistas, em sinal aberto.

É um mundo em mudança. Uma transformação também acelerada por circunstâncias  políticas excepcionais, como aquelas que estão a ser vividas pelo jornalismo norte-americano, ou pelos profissionais sujeitos  ao regimes autoritários da Venezuela ou da Turquia, com efeitos devastadores sobre a sua independência .

A recuperação de vários textos que consideramos essenciais, publicando-os sucessivamente sob a nova rubrica Colectânea, durante o mês  de Setembro, é uma forma de “rever a matéria dada” e preparar a rentrée mediática, que já está dar sinais de agitação, incluindo transferências milionárias,  como no futebol, em busca das audiências perdidas…

Esperamos que os  associados do CPI  e todos aqueles que visitam o site com regularidade, aproveitem a oportunidade, em jeito de flashback, e partilhem este arquivo que continua actual.

Connosco
Redes sociais destronam jornais como fonte de informação nos EUA Ver galeria

A fronteira foi passada para o lado das redes sociais. Segundo os dados mais recentes do Pew Research Center, 20% dos leitores dos EUA procuram agora, “regularmente”, informação nas redes sociais, e só 16% nos jornais impressos. Os números estavam equilibrados em 2017 e, no ano anterior, os 20% continuavam do lado dos jornais em papel, com 18% nas redes sociais.

As causas são conhecidas. A Imprensa norte-americana não está de boa saúde, e o fecho sucessivo de diários e semanários locais, nos últimos anos, criou autênticos “desertos mediáticos” em vários territórios. Por seu lado, os grandes jornais reforçaram a sua componente digital, o que também se sente no estudo aqui citado: 33% dos leitores visitam regularmente esses sites, quando eram 28% em 2016.

A televisão continua, com quase metade do universo consultado (49%), a ocupar o primeiro lugar entre os meios de informação nos Estados Unidos. As estações locais são as mais procuradas (37%), à frente das redes por cabo (30%) e dos noticiários das grandes cadeias nacionais (25%).

Porque querem os milionários comprar jornais em vez de canais de TV Ver galeria

Por que motivo é que alguns milionários que fizeram as maiores fortunas do mundo se põem a comprar jornais e revistas à beira da falência e sem modelo de negócio rentável? Por que não compram antes canais de televisão, que têm melhor saúde financeira? A pergunta é do jornalista Miguel Ángel Ossorio Vega, que apresenta meia dúzia de exemplos recentes, com Jeff Bezos à cabeça: em 2013, o fundador e proprietário da Amazon pagou 190 milhões de dólares por The Washington Post, um jornal em papel.

A moda pegou e seguiram-se outros: Marc Benioff, fundador da Salesforce, comprou a revista Time; Craig Newmark, fundador da Craiglist, tem doado grandes somas a várias iniciativas na área do jornalismo, entre elas a ProPublica e o Poynter Institute, bem como à Escola de Jornalismo da Universidade de Nova Iorque; Patrick Soon-Shiong comprou Los Angeles Times.

O autor desta reflexão lembra que os meios tradicionais continuam a ser mais influentes do que os digitais, salvo honrosas excepções, e segue esta pista citando as três componentes da estratificação social, de Max Weber, que expõe as diferenças entre os conceitos de riqueza, prestígio e poder.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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