Quarta-feira, 26 de Junho, 2019
O Clube

Uma colectânea de textos em Setembro para ler ou reler

Lançado em Novembro de 2015, este site do Clube Português de Imprensa tem desenvolvido, desde então, um trabalho de acompanhamento das tendências dominantes, quer no mercado de Imprensa, quer nos media audiovisuais em geral e na Internet em particular.

Interessa-nos, também, debater o jornalismo e o modo como é exercido, em Portugal e fora de fronteiras,  cumprindo um objectivo que está na génese desta Associação.

Infelizmente, o tema, nas suas várias e complexas ramificações,  tem sido pouco tratado entre nós -  quando não mesmo bastante maltratado -, numa visão redutora e paroquial.

São escassos  os media que dedicam algum espaço ao fenómeno comunicacional  nas suas múltiplas vertentes  e, quando o fazem, esgotam-se na espuma das coisas, sem o indispensável  aprofundamento e problematização.

O acervo de textos já publicados neste site, designadamente, a  partir de contributos das parcerias que nos acompanham quase desde o fio de partida do  projecto  (o Observatório de Imprensa do Brasil, obra maior do jornalista Alberto Dines, recentemente falecido, e Cuadernos de Periodismo , editados pela APMAssociacion de la Prensa de Madrid, presidida pelo prestigiada  jornalista  Vitoria Prego), constitui já um invulgar território de propostas sobre o futuro reservado ao jornalismo e aos jornalistas, ou sobre o que espera a Imprensa tradicional, em suporte impresso, ou as televisões generalistas, em sinal aberto.

É um mundo em mudança. Uma transformação também acelerada por circunstâncias  políticas excepcionais, como aquelas que estão a ser vividas pelo jornalismo norte-americano, ou pelos profissionais sujeitos  ao regimes autoritários da Venezuela ou da Turquia, com efeitos devastadores sobre a sua independência .

A recuperação de vários textos que consideramos essenciais, publicando-os sucessivamente sob a nova rubrica Colectânea, durante o mês  de Setembro, é uma forma de “rever a matéria dada” e preparar a rentrée mediática, que já está dar sinais de agitação, incluindo transferências milionárias,  como no futebol, em busca das audiências perdidas…

Esperamos que os  associados do CPI  e todos aqueles que visitam o site com regularidade, aproveitem a oportunidade, em jeito de flashback, e partilhem este arquivo que continua actual.

Connosco
"Metástases" da desinformação espalham-se pelo mundo Ver galeria

O alastrar da desinformação, potenciado pelas capacidades de contágio “viral” da revolução tecnológica, teve um impacto transformador sobre o jornalismo. Nos Estados Unidos, um dos primeiros factos surpreendentes com que os jornalistas tiveram de lidar, logo após a eleição de Donald Trump, foi a noção de que hackers russos, em “fábricas” de conteúdos, podiam semear desordem no eleitorado americano e desacreditar o jornalismo autêntico.

“Por vezes, os leitores encontravam notícias verdadeiras que Trump procurava desacreditar porque não gostava do modo como o faziam parecer;  outras vezes encontravam a deformação intencional da informação para distorcer a verdade;  em muitas ocasiões, o que encontravam era apenas completo absurdo.”  
E deixou de ser um problema local. As “metástases” da desinformação espalham-se pelo mundo e o jornalismo é arrastado para o caos:

“Vimos isso na Birmânia e no Brasil, no Sri Lanka e na Nova Zelândia, por vezes em campanhas orquestradas que trazem a dedada de agentes estatais, por vezes em manifestos individuais de mentes perturbadas. O resultado é sempre o mesmo: relatos falsos envenenam as plataformas que abrigam o verdadeiro jornalismo. Ninguém na Imprensa está a salvo de ver o seu trabalho, sério e diligente, exposto na enxurrada.”
A reflexão é de Kyle Pope, director da Columbia Journalism Review, em “Todo o jornalismo é global”.

O pesadelo dos jornalistas filipinos perseguidos pelo regime Ver galeria

A luta pela liberdade de Imprensa pode ser uma guerra de resistência entre os carcereiros e os candidatos a presos  - que são todos os jornalistas que tenham a coragem de o ser. Num dos mais recentes episódios em que foi detida, em Fevereiro de 2019, a jornalista filipina Maria Ressa, fundadora do site Rappler, comentou ironicamente à saída do tribunal:

“Esta é a sexta vez que pago fiança, e vou pagar mais do que criminosos condenados. Vou pagar mais do que Imelda Marcos.”

Como conta no artigo “Alvos de Duterte”, que aqui citamos, o Presidente das Filipinas, que “foi o primeiro político do meu país a usar as redes sociais para ganhar umas eleições, conduz uma campanha incansável de desinformação (trolling patriótico) para reduzir os críticos ao silêncio”:

“O seu governo vomita mentiras a tal velocidade que o público já não consegue saber o que é realidade. Mesmo os seus próprios membros ficam confusos.”

“Desde Junho de 2016, quando Rodrigo Duterte se tornou Presidente, houve cerca de 27 mil assassínios decorrentes da sua ‘guerra contra a droga’. Este número vem das Nações Unidas, mas não foi muito divulgado. A polícia mantém a sua própria contagem menor, pressionando os órgãos de informação a publicá-la.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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02
Jul
The Children’s Media Conference
16:00 @ Sheffield,Reino Unido
21
Ago
Edinburgh TV Festival
09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigeria