Quarta-feira, 19 de Setembro, 2018
Memória

O papel de Otavio Frias Filho na história da crítica dos Media no Brasil

A história de vida do jornalista Otavio Frias Filho, cujo prematuro desaparecimento aqui referimos, “é representativa não só da valorização do jornalismo como instituição fundamental à democracia, como também da necessidade de crítica constante sobre os media e o fazer jornalístico”. A afirmação é da equipa do Observatório da Imprensa do Brasil, que recentemente celebrou com abundância de testemunhos a sua milésima edição digital, e agora presta justiça ao lugar que o director da Folha de S.Paulo teve nessa história.

O texto de apresentação recorda que, quando Alberto Dines criou nesse diário a coluna pioneira Jornal dos Jornais, Otavio Frias era um jovem de 18 anos que já escrevia editoriais e aprendia, com o pai e com Cláudio Abramo, “as intrincadas relações entre jornalismo e poder”.

Numa entrevista datada de 2013, em que Alberto Dines recebe no Observatório o então já director da Folha de S.Paulo, Otavio Frias Filho defende a coexistência de tendências políticas no mesmo jornal e admite que os governos “só enaltecem a Imprensa se forem elogiados”. O vídeo desta entrevista encontra-se acessível no texto que citamos, no Observatório da Imprensa  - com o qual mantemos um acordo de parceria -  abrindo o respectivo link.

“No meu entendimento, o Ombudsman dentro de um jornal, ou de uma televisão, de uma revista, funciona como um mecanismo de freio e contrapeso aos abusos de poder”, dizia Frias Filho a Alberto Dines, em Maio de 2013. A crítica que funciona, diz ainda, é a que incomoda. 

“Quando a Imprensa começa a noticiar aspectos que são vistos como desfavoráveis ou opiniões que incomodam por serem críticas, a reacção de todo governo, aí não importa se um governo de direita, liberal, de esquerda, é quase invariavelmente a mesma, que é uma reacção de defesa e, quando o governo tem força, de ataque”. (...) 

“Frias, mesmo dizendo-se um pessimista por convicção e prudência, faz um balanço dos mais de 30 anos de sua actividade como director editorial do grupo Folha para demonstrar sinais de uma evolução na vida pública brasileira e no planeta.” 

“Há menos guerra, menos ditadura, há mais liberdade de escolha, o Brasil experimentou uma melhora em termos institucionais, um progresso notável, económico, social”  - diz, para concluir que o jornalismo teve algum papel na obtenção de todas essas melhorias. 

Alberto Dines, antevendo o cenário disruptivo que iria se acentuar nos anos seguintes, sobretudo pelas novas formas de circulação e produção de informação na sociedade midiatizada, quer saber do entrevistado qual o cenário possível para o jornalismo. Otavio Frias Filho recorre a uma boutade atribuída a Xico Sá: “Jornalismo é que nem barata, não acaba nunca”. (...)

 

 

O texto citado, no Observatório da Imprensa

Connosco
Plataformas tecnológicas estão a sentar-se no coração do jornalismo Ver galeria

Na relação difícil que se tem desenvolvido, nestes últimos anos, entre as plataformas tecnológicas e os publishers dos media, a iniciativa foi sempre das primeiras e a intimidade nunca foi tanta como agora, com as plataformas “a tomarem mais decisões deliberadas que afectam o jornalismo e a colocação e distribuição das notícias”. Embora já haja editores a praticarem um “desacoplamento consciente” da sua dependência das plataformas, do lado destas vem um movimento muito claro de se envolverem cada vez mais no “apoio financeiro directo a determinados tipos de jornalismo”. Isto significa que plataformas “movidas pelo lucro” estão a “sentar-se desconfortavelmente no coração do jornalismo e das notícias”.

É esta a reflexão inicial de Emily Bell, directora do Tow Center for Digital Journalism  - que esteve em Lisboa, na cimeira da Global Editors Network -  no texto de apresentação de um relatório sobre o estado das relações entre publishers e plataformas.

Empresas de Media alimentam monstros que as fazem passar fome... Ver galeria

Tanto a Google como o Facebook têm estado a enviar dinheiro para apoio a projectos jornalísticos. Só nestes últimos três anos, as duas empresas juntas já destinaram mais de 500 milhões de dólares a vários programas ou parcerias com os media. Estas mega plataformas contam-se agora entre as maiores financiadoras do jornalismo. A ironia é que foi o desmantelamento da publicidade tradicional, em grande parte cometido por elas, que deixou as empresas jornalísticas neste sufoco de necessidade. O resultado é uma aliança disfuncional. Mesmo os que recebem estes apoios acham que as doações são “dinheiro culpado”, enquanto as gigantes tecnológicas procuram melhorar a imagem e conquistar amigos numa comunidade jornalística que  - sobretudo agora -  parece abertamente hostil.

O Clube

Lançado em Novembro de 2015, este site do Clube Português de Imprensa tem desenvolvido, desde então, um trabalho de acompanhamento das tendências dominantes, quer no mercado de Imprensa, quer nos media audiovisuais em geral e na Internet em particular.

Interessa-nos, também, debater o jornalismo e o modo como é exercido, em Portugal e fora de fronteiras,  cumprindo um objectivo que está na génese desta Associação.


ver mais >
Opinião
Costuma dizer-se que “no melhor pano cai a nódoa”. E assim aconteceu com o prestigiado jornal americano “The New New York Times” ao decidir publicar, como opinião, um artigo não assinado com o sugestivo titulo “I Am Part of the Resistance Inside the Trump Administration”, que dispensa tradução. Depois do saudável movimento, que congregou, recentemente, 350 jornais americanos, em resposta ao apelo do The Boston Globe,...
Trump contra o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
Agenda
20
Set
Google Analytics para Jornalistas
09:00 @ Cenjor,Lisboa
24
Set
Ateliê de Jornalismo Televisivo
09:00 @ Cenjor, Lisboa
24
Set
25
Set
The Radio Show
09:00 @ Orlando, Florida, USA