Sábado, 17 de Agosto, 2019
Memória

O papel de Otavio Frias Filho na história da crítica dos Media no Brasil

A história de vida do jornalista Otavio Frias Filho, cujo prematuro desaparecimento aqui referimos, “é representativa não só da valorização do jornalismo como instituição fundamental à democracia, como também da necessidade de crítica constante sobre os media e o fazer jornalístico”. A afirmação é da equipa do Observatório da Imprensa do Brasil, que recentemente celebrou com abundância de testemunhos a sua milésima edição digital, e agora presta justiça ao lugar que o director da Folha de S.Paulo teve nessa história.

O texto de apresentação recorda que, quando Alberto Dines criou nesse diário a coluna pioneira Jornal dos Jornais, Otavio Frias era um jovem de 18 anos que já escrevia editoriais e aprendia, com o pai e com Cláudio Abramo, “as intrincadas relações entre jornalismo e poder”.

Numa entrevista datada de 2013, em que Alberto Dines recebe no Observatório o então já director da Folha de S.Paulo, Otavio Frias Filho defende a coexistência de tendências políticas no mesmo jornal e admite que os governos “só enaltecem a Imprensa se forem elogiados”. O vídeo desta entrevista encontra-se acessível no texto que citamos, no Observatório da Imprensa  - com o qual mantemos um acordo de parceria -  abrindo o respectivo link.

“No meu entendimento, o Ombudsman dentro de um jornal, ou de uma televisão, de uma revista, funciona como um mecanismo de freio e contrapeso aos abusos de poder”, dizia Frias Filho a Alberto Dines, em Maio de 2013. A crítica que funciona, diz ainda, é a que incomoda. 

“Quando a Imprensa começa a noticiar aspectos que são vistos como desfavoráveis ou opiniões que incomodam por serem críticas, a reacção de todo governo, aí não importa se um governo de direita, liberal, de esquerda, é quase invariavelmente a mesma, que é uma reacção de defesa e, quando o governo tem força, de ataque”. (...) 

“Frias, mesmo dizendo-se um pessimista por convicção e prudência, faz um balanço dos mais de 30 anos de sua actividade como director editorial do grupo Folha para demonstrar sinais de uma evolução na vida pública brasileira e no planeta.” 

“Há menos guerra, menos ditadura, há mais liberdade de escolha, o Brasil experimentou uma melhora em termos institucionais, um progresso notável, económico, social”  - diz, para concluir que o jornalismo teve algum papel na obtenção de todas essas melhorias. 

Alberto Dines, antevendo o cenário disruptivo que iria se acentuar nos anos seguintes, sobretudo pelas novas formas de circulação e produção de informação na sociedade midiatizada, quer saber do entrevistado qual o cenário possível para o jornalismo. Otavio Frias Filho recorre a uma boutade atribuída a Xico Sá: “Jornalismo é que nem barata, não acaba nunca”. (...)

 

 

O texto citado, no Observatório da Imprensa

Connosco
História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

"Jornalismo de soluções" como mito ou alternativa Ver galeria

Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

O Clube

É tempo de férias. E este site do Clube Português de Imprensa (CPI) não foge à regra e volta a respeitar Agosto,  como o mês mais procurado pelos seus visitantes para uma pausa nos afazeres. Suspendemos, por isso,  a  actualização diária,  a partir do  fim de semana. 

Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


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