Sábado, 25 de Maio, 2019
Memória

O papel de Otavio Frias Filho na história da crítica dos Media no Brasil

A história de vida do jornalista Otavio Frias Filho, cujo prematuro desaparecimento aqui referimos, “é representativa não só da valorização do jornalismo como instituição fundamental à democracia, como também da necessidade de crítica constante sobre os media e o fazer jornalístico”. A afirmação é da equipa do Observatório da Imprensa do Brasil, que recentemente celebrou com abundância de testemunhos a sua milésima edição digital, e agora presta justiça ao lugar que o director da Folha de S.Paulo teve nessa história.

O texto de apresentação recorda que, quando Alberto Dines criou nesse diário a coluna pioneira Jornal dos Jornais, Otavio Frias era um jovem de 18 anos que já escrevia editoriais e aprendia, com o pai e com Cláudio Abramo, “as intrincadas relações entre jornalismo e poder”.

Numa entrevista datada de 2013, em que Alberto Dines recebe no Observatório o então já director da Folha de S.Paulo, Otavio Frias Filho defende a coexistência de tendências políticas no mesmo jornal e admite que os governos “só enaltecem a Imprensa se forem elogiados”. O vídeo desta entrevista encontra-se acessível no texto que citamos, no Observatório da Imprensa  - com o qual mantemos um acordo de parceria -  abrindo o respectivo link.

“No meu entendimento, o Ombudsman dentro de um jornal, ou de uma televisão, de uma revista, funciona como um mecanismo de freio e contrapeso aos abusos de poder”, dizia Frias Filho a Alberto Dines, em Maio de 2013. A crítica que funciona, diz ainda, é a que incomoda. 

“Quando a Imprensa começa a noticiar aspectos que são vistos como desfavoráveis ou opiniões que incomodam por serem críticas, a reacção de todo governo, aí não importa se um governo de direita, liberal, de esquerda, é quase invariavelmente a mesma, que é uma reacção de defesa e, quando o governo tem força, de ataque”. (...) 

“Frias, mesmo dizendo-se um pessimista por convicção e prudência, faz um balanço dos mais de 30 anos de sua actividade como director editorial do grupo Folha para demonstrar sinais de uma evolução na vida pública brasileira e no planeta.” 

“Há menos guerra, menos ditadura, há mais liberdade de escolha, o Brasil experimentou uma melhora em termos institucionais, um progresso notável, económico, social”  - diz, para concluir que o jornalismo teve algum papel na obtenção de todas essas melhorias. 

Alberto Dines, antevendo o cenário disruptivo que iria se acentuar nos anos seguintes, sobretudo pelas novas formas de circulação e produção de informação na sociedade midiatizada, quer saber do entrevistado qual o cenário possível para o jornalismo. Otavio Frias Filho recorre a uma boutade atribuída a Xico Sá: “Jornalismo é que nem barata, não acaba nunca”. (...)

 

 

O texto citado, no Observatório da Imprensa

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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