Sábado, 17 de Novembro, 2018
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O perigo de instrumentalizar a Rede para uma "guerra digital"

A relação entre os poderes instituídos e o novo poder das redes sociais passou por diversas fases. Houve um tempo em que alguns governos temeram a voz do povo na Internet, e fenómenos como as Primaveras Árabes, que derrubaram regimes instalados, levaram ao bloqueio destas plataformas. “Mas agora muitos governos descobriram que é mais útil intoxicar nas redes sociais do que proibi-las. E os trolls encarregam-se do resto.”

É esta a reflexão inicial do jornalista e empreendedor no meio digital Miguel Ossorio Vega, que faz uma síntese do ocorrido neste terreno nos últimos anos, chamando a atenção para o que considera serem os maiores perigos da ciberguerra em curso.

“As redes sociais são um mundo paralelo, mas com importantes ligações com a vida real. Quando nasceram, prometiam ser um espaço de encontro para levar às suas últimas consequências a liberdade de expressão, e o certo é que, durante muito tempo, foram vistas com receio por regimes de duvidosa reputação democrática, precisamente porque amplificavam as mensagens da dissidência.” 

Foi por esse motivo que muitos países as bloquearam ou proibiram, depis de terem visto “o seu verdadeiro poder no mundo real, com as Primaveras Árabes”. Mas alguns governos acabaram por ceder perante as redes sociais, enquanto tratam de “intoxicar o ambiente”. 

O autor recorda as eleições presidenciais de 2016, nos EUA, como o ponto alto do debate sobre as “notícias falsas” e a sua proliferação pelas redes sociais, “graças a exércitos de robots e de trolls”. Muitos adolescentes sem nada a perder ganharam rios de dinheiro “vendendo mentiras no Facebook ou no Twitter”. 

Recorda também que, em 2008, Barack Obama “soube tecer uma campanha acertada nas redes sociais, para captar votos, que o ajudaram a chegar à Casa Branca”. Outros imitaram a sua estratégia, mas “centrando-se mais em desacreditar os oponentes do que em construir junto das pessoas”. 

“Esse descrédito acabou por se converter na dinâmica habitual destas plataformas, onde a humilhação, o insulto e o linchamento público se converteram na arma habitual de vários governos, por meio de peritos em redes sociais, para silenciar as vozes críticas.” (...) 

O autor apresenta ainda, no seu texto, um trabalho recente da Bloomberg, onde se descreve como “exércitos de trolls actuam sob a cobertura do governos e partidos políticos para turvar as redes sociais e conseguir votos ou firmar as suas ideias”: 

“O populismo encontrou nestas plataformas o caldo de cultura perfeito para cristalizar. E nem sequer precisa de gastar muito dinheiro, porque muitos radicais estão disponíveis para colaborar de graça, pelo bem da sua causa. Outros fazem-no a troco de benefícios do governo.” (...) 

“Nas redes sociais está em curso uma guerra digital muito mais perigosa: a que desacredita o sistema para criar uma nova ordem dirigida por radicais sob a promessa de devolverem às massas a liberdade supostamente roubada pelo establishment. Uma estratégia efectiva sem planos de futuro, a não ser o do poder imediato a qualquer preço.”

 

O texto citado, na íntegra, em Media-tics, cuja imagem também incluimos, e a reportagem da Bloomberg

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

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O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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As notícias falsas e a internet
Francisco Sarsfield Cabral
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