Sexta-feira, 5 de Junho, 2020
Fórum

O perigo de instrumentalizar a Rede para uma "guerra digital"

A relação entre os poderes instituídos e o novo poder das redes sociais passou por diversas fases. Houve um tempo em que alguns governos temeram a voz do povo na Internet, e fenómenos como as Primaveras Árabes, que derrubaram regimes instalados, levaram ao bloqueio destas plataformas. “Mas agora muitos governos descobriram que é mais útil intoxicar nas redes sociais do que proibi-las. E os trolls encarregam-se do resto.”

É esta a reflexão inicial do jornalista e empreendedor no meio digital Miguel Ossorio Vega, que faz uma síntese do ocorrido neste terreno nos últimos anos, chamando a atenção para o que considera serem os maiores perigos da ciberguerra em curso.

“As redes sociais são um mundo paralelo, mas com importantes ligações com a vida real. Quando nasceram, prometiam ser um espaço de encontro para levar às suas últimas consequências a liberdade de expressão, e o certo é que, durante muito tempo, foram vistas com receio por regimes de duvidosa reputação democrática, precisamente porque amplificavam as mensagens da dissidência.” 

Foi por esse motivo que muitos países as bloquearam ou proibiram, depis de terem visto “o seu verdadeiro poder no mundo real, com as Primaveras Árabes”. Mas alguns governos acabaram por ceder perante as redes sociais, enquanto tratam de “intoxicar o ambiente”. 

O autor recorda as eleições presidenciais de 2016, nos EUA, como o ponto alto do debate sobre as “notícias falsas” e a sua proliferação pelas redes sociais, “graças a exércitos de robots e de trolls”. Muitos adolescentes sem nada a perder ganharam rios de dinheiro “vendendo mentiras no Facebook ou no Twitter”. 

Recorda também que, em 2008, Barack Obama “soube tecer uma campanha acertada nas redes sociais, para captar votos, que o ajudaram a chegar à Casa Branca”. Outros imitaram a sua estratégia, mas “centrando-se mais em desacreditar os oponentes do que em construir junto das pessoas”. 

“Esse descrédito acabou por se converter na dinâmica habitual destas plataformas, onde a humilhação, o insulto e o linchamento público se converteram na arma habitual de vários governos, por meio de peritos em redes sociais, para silenciar as vozes críticas.” (...) 

O autor apresenta ainda, no seu texto, um trabalho recente da Bloomberg, onde se descreve como “exércitos de trolls actuam sob a cobertura do governos e partidos políticos para turvar as redes sociais e conseguir votos ou firmar as suas ideias”: 

“O populismo encontrou nestas plataformas o caldo de cultura perfeito para cristalizar. E nem sequer precisa de gastar muito dinheiro, porque muitos radicais estão disponíveis para colaborar de graça, pelo bem da sua causa. Outros fazem-no a troco de benefícios do governo.” (...) 

“Nas redes sociais está em curso uma guerra digital muito mais perigosa: a que desacredita o sistema para criar uma nova ordem dirigida por radicais sob a promessa de devolverem às massas a liberdade supostamente roubada pelo establishment. Uma estratégia efectiva sem planos de futuro, a não ser o do poder imediato a qualquer preço.”

 

O texto citado, na íntegra, em Media-tics, cuja imagem também incluimos, e a reportagem da Bloomberg

Connosco
Inteligência artificial inventa "robots" na China e Rússia mas não substitui papel do jornalista Ver galeria

A inteligência artificial está a ser introduzida em todos os sectores e os “media” não são excepção, recorda um editorial do jornal indiano “Policy Times”.

As redacções estão a adoptar sistemas automáticos para verificar factos, encontrar fontes, transcrever entrevistas, e detectar plágios.

Além disso, empresas de tecnologia, como a Microsoft, estão a dispensar os seus jornalistas, substituindo-os por sistemas artificiais, programados para redigir artigos com base em notícias já publicadas.

A equipa que desenvolvia o “site” não escrevia artigos originais, mas exercia controlo editorial, publicando conteúdos e manchetes, para que estas se adequassem ao perfil da plataforma.

Na China e na Rússia, a automatização está, ainda, mais avançada, agora que alguns canais já colocaram “robots” a apresentar os telejornais. Apesar de inovadora, esta iniciativa foi mal recebida pelo público, que estranhou não ter um humano a estabelecer uma “ponte” entre a informação e os cidadãos.


Como o “Monde” desenvolveu um “lifeblog” durante a emergência Ver galeria

Perante a pandemia e o risco de isolamento, muitas publicações desenvolveram novos projectos e adoptaram diversas ferramentas para estabelecer contacto com as audiências, mas, talvez a iniciativa do “Le Monde” tenha sido a mais ambiciosa.

Durante 83 dias, sem interrupções, os jornalistas do “Monde” desenvolveram um “lifeblog”, com actualizações ao minuto, e com um “chat” aberto, onde os leitores deixaram as suas dúvidas e sugestões.

A audiência média diária foi de um milhão.

Findo o projecto, a equipa do jornal preparou um artigo para explicar a fórmula adoptada para o desenvolvimento do “lifeblog” mais longo da  sua história.

De acordo com o jornal, o projecto contou com a colaboração de  45 jornalistas, incluindo correspondentes sediados no estrangeiros.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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O paradoxo mediático
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas