Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
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O perigo de instrumentalizar a Rede para uma "guerra digital"

A relação entre os poderes instituídos e o novo poder das redes sociais passou por diversas fases. Houve um tempo em que alguns governos temeram a voz do povo na Internet, e fenómenos como as Primaveras Árabes, que derrubaram regimes instalados, levaram ao bloqueio destas plataformas. “Mas agora muitos governos descobriram que é mais útil intoxicar nas redes sociais do que proibi-las. E os trolls encarregam-se do resto.”

É esta a reflexão inicial do jornalista e empreendedor no meio digital Miguel Ossorio Vega, que faz uma síntese do ocorrido neste terreno nos últimos anos, chamando a atenção para o que considera serem os maiores perigos da ciberguerra em curso.

“As redes sociais são um mundo paralelo, mas com importantes ligações com a vida real. Quando nasceram, prometiam ser um espaço de encontro para levar às suas últimas consequências a liberdade de expressão, e o certo é que, durante muito tempo, foram vistas com receio por regimes de duvidosa reputação democrática, precisamente porque amplificavam as mensagens da dissidência.” 

Foi por esse motivo que muitos países as bloquearam ou proibiram, depis de terem visto “o seu verdadeiro poder no mundo real, com as Primaveras Árabes”. Mas alguns governos acabaram por ceder perante as redes sociais, enquanto tratam de “intoxicar o ambiente”. 

O autor recorda as eleições presidenciais de 2016, nos EUA, como o ponto alto do debate sobre as “notícias falsas” e a sua proliferação pelas redes sociais, “graças a exércitos de robots e de trolls”. Muitos adolescentes sem nada a perder ganharam rios de dinheiro “vendendo mentiras no Facebook ou no Twitter”. 

Recorda também que, em 2008, Barack Obama “soube tecer uma campanha acertada nas redes sociais, para captar votos, que o ajudaram a chegar à Casa Branca”. Outros imitaram a sua estratégia, mas “centrando-se mais em desacreditar os oponentes do que em construir junto das pessoas”. 

“Esse descrédito acabou por se converter na dinâmica habitual destas plataformas, onde a humilhação, o insulto e o linchamento público se converteram na arma habitual de vários governos, por meio de peritos em redes sociais, para silenciar as vozes críticas.” (...) 

O autor apresenta ainda, no seu texto, um trabalho recente da Bloomberg, onde se descreve como “exércitos de trolls actuam sob a cobertura do governos e partidos políticos para turvar as redes sociais e conseguir votos ou firmar as suas ideias”: 

“O populismo encontrou nestas plataformas o caldo de cultura perfeito para cristalizar. E nem sequer precisa de gastar muito dinheiro, porque muitos radicais estão disponíveis para colaborar de graça, pelo bem da sua causa. Outros fazem-no a troco de benefícios do governo.” (...) 

“Nas redes sociais está em curso uma guerra digital muito mais perigosa: a que desacredita o sistema para criar uma nova ordem dirigida por radicais sob a promessa de devolverem às massas a liberdade supostamente roubada pelo establishment. Uma estratégia efectiva sem planos de futuro, a não ser o do poder imediato a qualquer preço.”

 

O texto citado, na íntegra, em Media-tics, cuja imagem também incluimos, e a reportagem da Bloomberg

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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E lá se foi mais um daqueles Artistas geniais que tornam a existência humana mais suportável… Guillermo Mordillo era um daqueles raríssimos autores que não precisam de palavras para nos revelarem os aspectos mais evidentes, e também os mais escondidos, das nossas vidas – os alegres, os menos alegres, os cómicos, os ridículos, até os trágicos -- com um traço redondo, que dava aos seus bonecos uma vivacidade...
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“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
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Ago
Composição Fotográfica
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Ago
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27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
16
Set