Sábado, 17 de Novembro, 2018
Media

Quando o jornalista tem de mudar de "chip" para fundar um meio digital

No novo ambiente criado pela revolução digital, encontrar um modelo de negócio sustentável para o jornalismo continua a ser uma questão em aberto  - que foi discutida, uma vez mais, numa vídeo-conferência promovida pela International Journalists’ Network. A jornalista brasileira Priscila Brito, fundadora do site Negócio de Jornalista, esteve presente e conta que, em dado momento, uma das participantes mencionou que “uma etapa importante para se obter sucesso nessa tarefa é mudar o chip”:

“Ou seja, é preciso parar de pensar exclusivamente como jornalista e incorporar a lógica dos negócios.”

"É um processo que pode gerar resistência enorme a quem vem programado com o chip de jornalista  -  afinal, aprendemos que editorial e comercial devem (ou deveriam) estar tão separados como devem (ou deveriam estar) Igreja e Estado."

A partir daqui, Priscila Brito sugere outras imagens: é como saltar de uma viatura em movimento para outra que também se move. De repente, estamos no “encontro de duas fronteiras, e não há como levar um potencial negócio adiante sem essa troca de chip, que não necessariamente significa [apagar] os limites das fronteiras, mas coordená-los”. 

“Quanto mais demorada essa troca for, pior. Eu só percebi que precisava de trocar o chip um pouco tarde no processo de desenvolvimento do Festivalando, site do qual sou co-fundadora, às custas de muita energia e tempo investidos sem retorno.” (...) 

Da sua participação na vídeo-conferência, a autora que citamos recolhe experiência de outros a quem pôs esta mesma questão e, “se serve de consolo, vi que não fui a única a fazer a transição um pouco tarde ou com certa dificuldade”. 

“Mais importante que isso, porém, foi ver que as respostas convergiram todas para uma mesma direcção: é preciso acima de tudo aprender, estudar. Também faz parte do processo não oferecer resistência ao mundo dos negócios e agir, colocar ideias em prática.” (...) 

Três exemplos que apresenta: o primeiro de Fabiola Torres, co-fundadora e editora do site peruano OjoPúblico

    

“No início (do OjoPúblico), só pensávamos nas reportagens, nas fontes. Não nos importávamos com negócios, com impacto. Hoje entendemos que é importante planear, ter estratégias, desenvolver projectos.” 

“A minha recomendação para fazer a troca de chip é não ter medo de ter que aprender algo novo do zero. Inevitavelmente, este é um ambiente no qual estamos sempre aprendendo. Também não espere [até] o seu produto ficar perfeito. Apenas faça, e faça logo.” 

O segundo de Larry Ryckman, editor do site norte-americano The Colorado Sun

“Faça o que tem que ser feito. Aprenda os objectivos do negócio, entenda como uma empresa funciona, lance mão do marketing nas redes sociais. É bom quando se aprendem coisas novas e para mim foi uma parte divertida do processo.” 

O terceiro de Alan Soon, co-fundador do site The Splice Newsroom, especialmente focado em países asiáticos: 

“Acredito que estamos na era de ouro dos media, apesar de tudo. Temos nas nossas mãos as condições para aprender como as pessoas se informam, como usam tecnologia. O ambiente também é favorável para aprender sobre negócios, startups, pois temos muito mais ferramentas e serviços à nossa disposição. Dez anos atrás, eu não teria conseguido criar um negócio como fiz hoje, menos provável ainda que conseguisse isso 15 anos atrás.” (...)

 

O texto de Priscila Brito, na íntegra, no Negócio de Jornalista.

Mais informação no International Journalists’ Network, que traduziu para inglês o artigo original, e contém o link para a vídeo-conferência

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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As notícias falsas e a internet
Francisco Sarsfield Cabral
As redes sociais são, hoje, a principal fonte de informação, se não mesmo a única, para imensa gente. O combate às “fake news” tem que ser feito, não pela censura, mas pela consciencialização dos utilizadores da net. Jair Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil graças à utilização maciça das redes sociais. A maioria dos jornais brasileiros de referência não o apoiou, o...
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