null, 24 de Março, 2019
Media

Novos quiosques de jornais em Paris passam no exame

Está em marcha a renovação dos quiosques de venda de jornais em Paris, com a implantação de modelos que procuram fonecer mais espaço e luminosidade, possibilitar novos serviços e garantir uma exposição mais legível dos títulos apresentados. “Acabaram as revistas encavalitadas umas nas outras”. O objectivo é fazer regressar os clientes e animar as vendas graças a estes espaços mais acolhedores. Segundo Le Figaro, "os primeiros resultados são positivos".
Quando começaram a aparecer na capital francesa, em Abril deste ano, os novos modelos aprovados  - de aceitação pública nem sempre unânime -  os pontos de melhoria tinham a ver com o espaço interior, mas também com a possibilidade de os seus proprietários poderem acrescentar ao negócio principal, o da venda de Imprensa por exemplar, outros produtos, como a recarga de telemóveis, os passes turísticos e bilhetes para museus e espectáculos em Paris.

Segundo uma reportagem de Les Echos, no princípio de Maio, “a área de trabalho (caixa e espaço pessoal) foi aumentada em 25%; a abertura do quiosque foi simplificada, fazendo-se agora em cinco minutos, por contraste com a meia hora bem medida de antigamente; um dispositivo de aquecimento, um pavimento isolante e vidraças amovíveis permitem um melhor isolamento térmico”. 

Para além do conforto, a grande novidade foi a informatização do serviço, com a possibilidade de uma consulta pelo computador permitir conhecer a cada momento a quantidade dos exemplares ainda disponíveis para venda. 

Depois de muitos debates, os primeiros novos protótipos foram apresentados em Março de 2017, e a modernização começou a ser aceite. Antes disso, no entanto, o apego aos antigos quiosques de estilo “haussmanniano” ainda suscitou uma vaga de protesto com 60 mil assinaturas de parisientes indignados. 

Mais informação em  Les Echos  e no site do CPI

Connosco
O jornalismo entre os "apóstolos da certeza" e a "política da dúvida" Ver galeria

Há uma grande diferença entre um jornalismo “de elite” e aquele que vive dependente do clickbait. Há uma grande diferença, temporal, entre o que se faz hoje e o que se fazia há poucos anos  - tratando-se de tecnologia digital, “o que aconteceu há cinco anos é história”. E há uma grande diferença entre entender o que está a acontecer aos jornalistas e entender o que os jornalistas acham que lhes está a acontecer.

A reflexão inicial é de C.W. Anderson, que se define como um etnógrafo dedicado a estudar o modo como o jornalismo está a mudar com o tempo. Foi co-autor, com Emily Bell e Clay Shirky, do Relatório do Jornalismo Pós-Industrial, em 2012, na Universidade de Columbia. O seu trabalho mais recente é Apóstolos da Certeza: Jornalismo de Dados e a Política da Dúvida, livro em que analisa como a ideia de jornalismo de dados mudou ao longo do tempo.

Cidadão dos EUA, C.W. Anderson é hoje professor na Escola de Jornalismo da Universidade de Leeds, no Reino Unido. A entrevista que aqui citamos foi publicada no Farol Jornalismo, do Medium, e reproduzida no Obervatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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