Quinta-feira, 21 de Março, 2019
Media

Avaliar o impacto dos Media para além do efeito dos "clics"

Grande parte da crise que afecta os media provém do seu afastamento em relação aos leitores. A jornalista Naimid Cirelli, de Cosecha Roja, e Sebastián Auyanet, da edição em língua espanhola do website Now This, expuseram a necessidade de uma relação mais próxima, assente em novos modos de medir o impacto sobre a audiência, que não se fique pelos clics e pelas views.

“O que propomos é que as relações, no jornalismo, sejam avaliadas como as relações pessoais”  - defenderam. A sua intervenção ocorreu durante o II Encontro Latinoamericano de Jornalismo Empreendedor e Inovador, realizado entre 31 de Julho e 1 de Agosto de 2018 em Lima, Peru.

O essencial do método que expuseram contém-se em cinco questões fundamentais:

  1. – Tenho uma audiência ou uma comunidade? O primeiro ponto a definir é se nos dirigimos a uma ou a outra. Uma audiência é um público de massa, uma comunidade é um público concreto. Não é melhor um do que o outro. Mas, se aquilo que temos é uma audiência, é importante ter em conta que, quando se fazem projectos jornalísticos, nem sempre trabalhamos com a sua totalidade.
  2. – Não há uma forma única de medir a relação com o leitor. Há duas e são ambas válidas. A maneira clássica é a que procura o número de views, de visitas, ou de prémios de jornalismo conquistados. A segunda é a relacional, que parte de perguntas como: O meio [considerado] sabe escutar? Comporta-se com honestidade? Está presente quando tem de estar para a comunidade? E como reage quando falha, ou comete um erro?  - segundo Sebastián Auyanet.
  3. -  O envolvimento não é um número. Devemos evitar a identificação ou o compromisso do leitor com o meio (engagement) usando métricas para audiências de massa. Será uma mentira e não vai contribuir para um futuro sólido do projecto. (...)
  4. -  É preciso criar conteúdo relacional. Conseguiremos isso se pensarmos nos leitores como ponto de partida para gerar conteúdo jornalístico. Naimid Cirelli citou como exemplo a iniciativa da Cosecha Roja (da Argentina) de criar um mapa digital da Primeira Greve Internacional de Mulheres em 8 de Março de 2017, que chegou a contar com informação de 200 manifestações em muitas cidades diferentes e foi divulgada fundamentalmente pela comunidade deste meio.
  5. -  É preciso que a comunidade se aproprie dos conteúdos. Entender que estão a trabalhar com outras pessoas, e que é uma vitória que estas se sintam donas dos conteúdos, foi uma aprendizagem dos jornalistas da Cosecha Roja [é dado um exemplo concreto conseguido]. (...)

Mais informação no site da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano

Connosco
Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

Quando há leitores menos interessados na independência do jornal Ver galeria

Mais de 33 mil leitores do jornal espanhol eldiario.es  são assinantes, o que significa que pagam 60 euros por ano para ler os mesmos textos que são lidos de graça por oito milhões de pessoas por mês, sem pagarem um cêntimo.

“Supõe-se que o fazem por convicção, por apoio a um projecto digital que pertence exclusivamente a jornalistas, sem grandes empresas ou bancos entre os accionistas. Sem um grupo mediático por detrás.” (...) “Supõe-se que o fazem porque, graças a esse dinheiro, existe uma plataforma mediática independente que tem orgulho na sua independência e que aposta em conteúdos de qualidade.”

No entanto, quando eldiário.es publicou uma revelação embaraçosa para uma ministra do Governo do PSOE, houve quem suspendesse a assinatura, acusando o jornal de estar “a fazer o jogo da direita”.

O que remete para a pergunta que faz o título do artigo sobre uma entrevista que Ignacio Escolar, fundador e director do jornal referido, fez ao jornalista Iñaki Gabilondo: “E se os leitores não quiserem media livres?”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
A realidade choca. Um trabalho de investigação jornalística, publicado no Expresso,  apurou que Portugal tem 95 políticos a comentar nos media. É algo absolutamente inédito em qualquer parte do mundo, da Europa aos EUA. Nalguma coisa teríamos de ser inovadores, infelizmente, da pior maneira. É um “assalto”, que condiciona a opinião pública e constitui um simulacro de pluralismo, já que  o elenco...
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