Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

Avaliar o impacto dos Media para além do efeito dos "clics"

Grande parte da crise que afecta os media provém do seu afastamento em relação aos leitores. A jornalista Naimid Cirelli, de Cosecha Roja, e Sebastián Auyanet, da edição em língua espanhola do website Now This, expuseram a necessidade de uma relação mais próxima, assente em novos modos de medir o impacto sobre a audiência, que não se fique pelos clics e pelas views.

“O que propomos é que as relações, no jornalismo, sejam avaliadas como as relações pessoais”  - defenderam. A sua intervenção ocorreu durante o II Encontro Latinoamericano de Jornalismo Empreendedor e Inovador, realizado entre 31 de Julho e 1 de Agosto de 2018 em Lima, Peru.

O essencial do método que expuseram contém-se em cinco questões fundamentais:

  1. – Tenho uma audiência ou uma comunidade? O primeiro ponto a definir é se nos dirigimos a uma ou a outra. Uma audiência é um público de massa, uma comunidade é um público concreto. Não é melhor um do que o outro. Mas, se aquilo que temos é uma audiência, é importante ter em conta que, quando se fazem projectos jornalísticos, nem sempre trabalhamos com a sua totalidade.
  2. – Não há uma forma única de medir a relação com o leitor. Há duas e são ambas válidas. A maneira clássica é a que procura o número de views, de visitas, ou de prémios de jornalismo conquistados. A segunda é a relacional, que parte de perguntas como: O meio [considerado] sabe escutar? Comporta-se com honestidade? Está presente quando tem de estar para a comunidade? E como reage quando falha, ou comete um erro?  - segundo Sebastián Auyanet.
  3. -  O envolvimento não é um número. Devemos evitar a identificação ou o compromisso do leitor com o meio (engagement) usando métricas para audiências de massa. Será uma mentira e não vai contribuir para um futuro sólido do projecto. (...)
  4. -  É preciso criar conteúdo relacional. Conseguiremos isso se pensarmos nos leitores como ponto de partida para gerar conteúdo jornalístico. Naimid Cirelli citou como exemplo a iniciativa da Cosecha Roja (da Argentina) de criar um mapa digital da Primeira Greve Internacional de Mulheres em 8 de Março de 2017, que chegou a contar com informação de 200 manifestações em muitas cidades diferentes e foi divulgada fundamentalmente pela comunidade deste meio.
  5. -  É preciso que a comunidade se aproprie dos conteúdos. Entender que estão a trabalhar com outras pessoas, e que é uma vitória que estas se sintam donas dos conteúdos, foi uma aprendizagem dos jornalistas da Cosecha Roja [é dado um exemplo concreto conseguido]. (...)

Mais informação no site da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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