Quarta-feira, 16 de Janeiro, 2019
Media

Avaliar o impacto dos Media para além do efeito dos "clics"

Grande parte da crise que afecta os media provém do seu afastamento em relação aos leitores. A jornalista Naimid Cirelli, de Cosecha Roja, e Sebastián Auyanet, da edição em língua espanhola do website Now This, expuseram a necessidade de uma relação mais próxima, assente em novos modos de medir o impacto sobre a audiência, que não se fique pelos clics e pelas views.

“O que propomos é que as relações, no jornalismo, sejam avaliadas como as relações pessoais”  - defenderam. A sua intervenção ocorreu durante o II Encontro Latinoamericano de Jornalismo Empreendedor e Inovador, realizado entre 31 de Julho e 1 de Agosto de 2018 em Lima, Peru.

O essencial do método que expuseram contém-se em cinco questões fundamentais:

  1. – Tenho uma audiência ou uma comunidade? O primeiro ponto a definir é se nos dirigimos a uma ou a outra. Uma audiência é um público de massa, uma comunidade é um público concreto. Não é melhor um do que o outro. Mas, se aquilo que temos é uma audiência, é importante ter em conta que, quando se fazem projectos jornalísticos, nem sempre trabalhamos com a sua totalidade.
  2. – Não há uma forma única de medir a relação com o leitor. Há duas e são ambas válidas. A maneira clássica é a que procura o número de views, de visitas, ou de prémios de jornalismo conquistados. A segunda é a relacional, que parte de perguntas como: O meio [considerado] sabe escutar? Comporta-se com honestidade? Está presente quando tem de estar para a comunidade? E como reage quando falha, ou comete um erro?  - segundo Sebastián Auyanet.
  3. -  O envolvimento não é um número. Devemos evitar a identificação ou o compromisso do leitor com o meio (engagement) usando métricas para audiências de massa. Será uma mentira e não vai contribuir para um futuro sólido do projecto. (...)
  4. -  É preciso criar conteúdo relacional. Conseguiremos isso se pensarmos nos leitores como ponto de partida para gerar conteúdo jornalístico. Naimid Cirelli citou como exemplo a iniciativa da Cosecha Roja (da Argentina) de criar um mapa digital da Primeira Greve Internacional de Mulheres em 8 de Março de 2017, que chegou a contar com informação de 200 manifestações em muitas cidades diferentes e foi divulgada fundamentalmente pela comunidade deste meio.
  5. -  É preciso que a comunidade se aproprie dos conteúdos. Entender que estão a trabalhar com outras pessoas, e que é uma vitória que estas se sintam donas dos conteúdos, foi uma aprendizagem dos jornalistas da Cosecha Roja [é dado um exemplo concreto conseguido]. (...)

Mais informação no site da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano

Connosco
Como os tablóides britânicos condicionaram debate sobre o Brexit Ver galeria

A Imprensa tablóide britânica tem uma longa tradição eurocéptica e eurofóbica, incluindo a promoção de várias “cruzadas” sobre “Euro-mitos” e o uso de títulos muitas vezes grosseiros. Jornais como The Daily Mail, o Sun ou The Daily Express, “foram muito activos a retratar o Reino Unido como vítima da conspiração ‘cosmopolítica’ de Bruxelas que, segundo alguns títulos, iria obrigar o Parlamento a banir as tradicionais cafeteiras ou lâmpadas eléctricas, ou obrigar as senhoras britânicas a devolverem antigos brinquedos sexuais, para se ajustarem às regras da UE”.

O modo como usaram e abusaram do termo “povo” desempenhou um papel crucial no modo como conseguiram “condicionar o debate sobre o referendo do Brexit em torno de dinâmicas tipicamente populistas”. A reflexão é de Franco Zappettini, docente de Comunicação e Media na Universidade de Liverpool, recentemente publicada no Observatório Europeu de Jornalismo.

Será o jornalismo o primeiro ou o segundo "rascunho da História"? Ver galeria

Segundo a citação tornada famosa, o jornalismo é apenas “o primeiro rascunho tosco da História”. Hoje, ultrapassado em velocidade e abundância de material por toda a desinformação que nos chega pela Internet, já nem isso consegue: o “primeiro rascunho”, agora, vem nas redes sociais, cheias de boatos e teorias de conspiração. E os nossos meios de fact-checking não conseguem ganhar a corrida.

“Fazer fact-checking a Donald Trump, por exemplo, é como ligar um detector de mentiras a um artista de stand-up comedy.”
E combater a desinformação pela Internet “é como disparar uma metralhadora contra um bando desordenado de pássaros.”

As imagens citadas são de James Harkin, director do Centre for Investigative Journalism, e a sua sugestão resume-se numa pergunta:

"Por que não tentarmos restaurar a nossa autoridade fazendo menos, mas com mais profundidade e contexto? O resultado seria um tipo mais lento de jornalismo, que assenta na acumulação de detalhes e aponta para as verdades escondidas por baixo. Esta nova abordagem ao jornalismo já está no ar e podemos chamar-lhe segundo rascunho."
O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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Opinião
Sobre a liberdade de expressão em Portugal
Francisco Sarsfield Cabral
O caso da participação num programa matinal da TVI de um racista, já condenado e tendo cumprido pena de prisão, Mário Machado, suscitou polémica. Ainda bem, porque as questões em causa são importantes. Mas, como é costume, o debate rapidamente derivou para um confronto entre a esquerda indignada por se ter dado tempo de antena a um criminoso fascista e a direita defendendo a liberdade de expressão e a dualidade de...
O panorama dos media
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