Sábado, 6 de Junho, 2020
Media

Avaliar o impacto dos Media para além do efeito dos "clics"

Grande parte da crise que afecta os media provém do seu afastamento em relação aos leitores. A jornalista Naimid Cirelli, de Cosecha Roja, e Sebastián Auyanet, da edição em língua espanhola do website Now This, expuseram a necessidade de uma relação mais próxima, assente em novos modos de medir o impacto sobre a audiência, que não se fique pelos clics e pelas views.

“O que propomos é que as relações, no jornalismo, sejam avaliadas como as relações pessoais”  - defenderam. A sua intervenção ocorreu durante o II Encontro Latinoamericano de Jornalismo Empreendedor e Inovador, realizado entre 31 de Julho e 1 de Agosto de 2018 em Lima, Peru.

O essencial do método que expuseram contém-se em cinco questões fundamentais:

  1. – Tenho uma audiência ou uma comunidade? O primeiro ponto a definir é se nos dirigimos a uma ou a outra. Uma audiência é um público de massa, uma comunidade é um público concreto. Não é melhor um do que o outro. Mas, se aquilo que temos é uma audiência, é importante ter em conta que, quando se fazem projectos jornalísticos, nem sempre trabalhamos com a sua totalidade.
  2. – Não há uma forma única de medir a relação com o leitor. Há duas e são ambas válidas. A maneira clássica é a que procura o número de views, de visitas, ou de prémios de jornalismo conquistados. A segunda é a relacional, que parte de perguntas como: O meio [considerado] sabe escutar? Comporta-se com honestidade? Está presente quando tem de estar para a comunidade? E como reage quando falha, ou comete um erro?  - segundo Sebastián Auyanet.
  3. -  O envolvimento não é um número. Devemos evitar a identificação ou o compromisso do leitor com o meio (engagement) usando métricas para audiências de massa. Será uma mentira e não vai contribuir para um futuro sólido do projecto. (...)
  4. -  É preciso criar conteúdo relacional. Conseguiremos isso se pensarmos nos leitores como ponto de partida para gerar conteúdo jornalístico. Naimid Cirelli citou como exemplo a iniciativa da Cosecha Roja (da Argentina) de criar um mapa digital da Primeira Greve Internacional de Mulheres em 8 de Março de 2017, que chegou a contar com informação de 200 manifestações em muitas cidades diferentes e foi divulgada fundamentalmente pela comunidade deste meio.
  5. -  É preciso que a comunidade se aproprie dos conteúdos. Entender que estão a trabalhar com outras pessoas, e que é uma vitória que estas se sintam donas dos conteúdos, foi uma aprendizagem dos jornalistas da Cosecha Roja [é dado um exemplo concreto conseguido]. (...)

Mais informação no site da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano

Connosco
Inteligência artificial inventa "robots" na China e Rússia mas não substitui papel do jornalista Ver galeria

A inteligência artificial está a ser introduzida em todos os sectores e os “media” não são excepção, recorda um editorial do jornal indiano “Policy Times”.

As redacções estão a adoptar sistemas automáticos para verificar factos, encontrar fontes, transcrever entrevistas, e detectar plágios.

Além disso, empresas de tecnologia, como a Microsoft, estão a dispensar os seus jornalistas, substituindo-os por sistemas artificiais, programados para redigir artigos com base em notícias já publicadas.

A equipa que desenvolvia o “site” não escrevia artigos originais, mas exercia controlo editorial, publicando conteúdos e manchetes, para que estas se adequassem ao perfil da plataforma.

Na China e na Rússia, a automatização está, ainda, mais avançada, agora que alguns canais já colocaram “robots” a apresentar os telejornais. Apesar de inovadora, esta iniciativa foi mal recebida pelo público, que estranhou não ter um humano a estabelecer uma “ponte” entre a informação e os cidadãos.


Como o “Monde” desenvolveu um “lifeblog” durante a emergência Ver galeria

Perante a pandemia e o risco de isolamento, muitas publicações desenvolveram novos projectos e adoptaram diversas ferramentas para estabelecer contacto com as audiências, mas, talvez a iniciativa do “Le Monde” tenha sido a mais ambiciosa.

Durante 83 dias, sem interrupções, os jornalistas do “Monde” desenvolveram um “lifeblog”, com actualizações ao minuto, e com um “chat” aberto, onde os leitores deixaram as suas dúvidas e sugestões.

A audiência média diária foi de um milhão.

Findo o projecto, a equipa do jornal preparou um artigo para explicar a fórmula adoptada para o desenvolvimento do “lifeblog” mais longo da  sua história.

De acordo com o jornal, o projecto contou com a colaboração de  45 jornalistas, incluindo correspondentes sediados no estrangeiros.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas