Terça-feira, 21 de Agosto, 2018
Media

ERC prepara directiva sobre cobertura jornalística de desastres

O Conselho Regulador da ERC aprovou um Guia de Boas Práticas para a cobertura jornalística de incêndios florestais e outras calamidades, visando uma informação rigorosa, não especulativa e não sensacionalista, regida pelas normas da profissão e pelo seu Código Deontológico. O texto foi aprovado por unanimidade, sendo ainda anunciado que a ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social está a preparar “uma directiva mais exaustiva sobre estas temáticas”.

O regulador dos media refere que tem, “ao longo dos seus 12 anos de existência, recebido diversas queixas e participações sobre a cobertura jornalística de incêndios florestais e outras calamidades em programas de informação e/ou espaços de opinião na Imprensa, rádio, televisão e Internet”. 

Em declarações à Lusa, o vice-presidente da ERC, Mário Mesquita, disse que este Guia surgiu depois da “análise do processo interno” da cobertura dos incêndios no ano passado.  

O documento “sublinha o papel dos media no alerta e informação ao público e recorda que as práticas jornalísticas adoptadas neste tipo de circunstâncias se devem pautar por um tratamento informativo rigoroso e isento, garantindo o cumprimento das normas ético-legais próprias da actividade jornalística e o respeito pelos direitos fundamentais dos visados”. 

De acordo com o Guia, “o tratamento jornalístico de calamidades deve assegurar escrupulosamente os deveres de rigor, abstendo-se da formulação de juízos especulativos, da divulgação de factos não confirmados e garantindo o respeito pela presunção de inocência, não devendo a escolha editorial das imagens a transmitir ignorar o seu possível efeito mimético”, bem como “deve ser privilegiado” o recurso “a fontes oficiais de informação”, sem prejuízo da sua verificação/confrontação com outras, “nomeadamente quanto ao número e identidade de mortos, desaparecidos ou feridos”. 

Entre os 10 pontos do Guia consta ainda que “o recurso a transmissões em direto deve ser ponderado em função do valor informativo das imagens, evitando-se o seu prolongamento ou constante repetição”, como também os media “devem abster-se de recolher imagens e declarações de vítimas, familiares ou pessoas em manifesto estado de vulnerabilidade psicológica, emocional e física, independentemente do consentimento dado pelas mesmas”, e deve ainda ser garantido “o direito à imagem das vítimas, mesmo ‘post mortem’, assegurando a sua privacidade”. (...) 

Segundo o Observador, que aqui citamos, Mário Mesquita disse que o próximo passo é avançar com uma “consulta com os vários regulados, instituições da sociedade, do Estado, como a protecção civil”, contributos esses que serão plasmados numa directiva. Esta será um “processo participado”, onde se incluem todos os intervenientes, garantiu.

 

Mais informação no Observador  e em M&P

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