Terça-feira, 23 de Outubro, 2018
Media

ERC prepara directiva sobre cobertura jornalística de desastres

O Conselho Regulador da ERC aprovou um Guia de Boas Práticas para a cobertura jornalística de incêndios florestais e outras calamidades, visando uma informação rigorosa, não especulativa e não sensacionalista, regida pelas normas da profissão e pelo seu Código Deontológico. O texto foi aprovado por unanimidade, sendo ainda anunciado que a ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social está a preparar “uma directiva mais exaustiva sobre estas temáticas”.

O regulador dos media refere que tem, “ao longo dos seus 12 anos de existência, recebido diversas queixas e participações sobre a cobertura jornalística de incêndios florestais e outras calamidades em programas de informação e/ou espaços de opinião na Imprensa, rádio, televisão e Internet”. 

Em declarações à Lusa, o vice-presidente da ERC, Mário Mesquita, disse que este Guia surgiu depois da “análise do processo interno” da cobertura dos incêndios no ano passado.  

O documento “sublinha o papel dos media no alerta e informação ao público e recorda que as práticas jornalísticas adoptadas neste tipo de circunstâncias se devem pautar por um tratamento informativo rigoroso e isento, garantindo o cumprimento das normas ético-legais próprias da actividade jornalística e o respeito pelos direitos fundamentais dos visados”. 

De acordo com o Guia, “o tratamento jornalístico de calamidades deve assegurar escrupulosamente os deveres de rigor, abstendo-se da formulação de juízos especulativos, da divulgação de factos não confirmados e garantindo o respeito pela presunção de inocência, não devendo a escolha editorial das imagens a transmitir ignorar o seu possível efeito mimético”, bem como “deve ser privilegiado” o recurso “a fontes oficiais de informação”, sem prejuízo da sua verificação/confrontação com outras, “nomeadamente quanto ao número e identidade de mortos, desaparecidos ou feridos”. 

Entre os 10 pontos do Guia consta ainda que “o recurso a transmissões em direto deve ser ponderado em função do valor informativo das imagens, evitando-se o seu prolongamento ou constante repetição”, como também os media “devem abster-se de recolher imagens e declarações de vítimas, familiares ou pessoas em manifesto estado de vulnerabilidade psicológica, emocional e física, independentemente do consentimento dado pelas mesmas”, e deve ainda ser garantido “o direito à imagem das vítimas, mesmo ‘post mortem’, assegurando a sua privacidade”. (...) 

Segundo o Observador, que aqui citamos, Mário Mesquita disse que o próximo passo é avançar com uma “consulta com os vários regulados, instituições da sociedade, do Estado, como a protecção civil”, contributos esses que serão plasmados numa directiva. Esta será um “processo participado”, onde se incluem todos os intervenientes, garantiu.

 

Mais informação no Observador  e em M&P

Connosco
Jornalista e historiador de Macau vencem Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia Ver galeria

O Júri dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos pelo Jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, escolheu, por unanimidade, na primeira categoria, o trabalho "Ler sem limites", da jornalista Catarina Brites Soares, publicado no semanário Plataforma, em Macau.

Na categoria Ensaio, atribuída este ano pela primeira vez, foi distinguido o original do historiador António Aresta, de Macau, intitulado "Miguel Torga: um poeta português em Macau".
A Acta do Júri destaca, no primeiro caso, que Catarina Brito Soares  consegue desenhar com o seu texto “uma panorâmica das leituras mais frequentes em Macau, com um levantamento de livros e autores que circulam livremente no território, incluindo alguns que, por diferentes razões, têm limites de acesso fora da RAEM”.
O semanário Plataforma Macau é publicado em Macau, em português e chinês. 

Na categoria Ensaio, o Júri deliberou, também por unanimidade, atribuir o Prémio ao trabalho de António Aresta, considerando tratar-se de “uma narrativa consequente sobre a visita histórica do grande poeta a Macau, com passagem por Cantão e Hong Kong”.

Universidades apoiam e investem no jornalismo de investigação Ver galeria

A sociedade necessita de um jornalismo de investigação que fica caro, e esta necessidade “chega num momento de grande tensão financeira para uma indústria maciçamente perturbada pelas novas tecnologias e alterações económicas”.

“Acreditamos que este tipo de jornalismo, em defesa do povo americano, é mais importante do que nunca na presente cacofonia de informação confusa, contraditória e enganadora, já para não falar de cepticismo  - ou por vezes rejeição absoluta -  dos factos.”

Esta reflexão é assinada por Christopher Callahan e Leonard Downie Jr., docentes na Universidade Estatal do Arizona, sobre a criação de dois centros de ensino de jornalismo de investigação, um na Universidade referida, outro na de Maryland. Tendo em conta a “proliferação de centros de reportagem de investigação independentes, sem objectivo de lucro, em grande parte financiados por [mecenato] filantrópico”, as universidades “estão prontas a assumir funções de liderança neste novo ecossistema de jornalismo de investigação”  - afirmam no seu texto.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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