Terça-feira, 23 de Outubro, 2018
Media

Desinformação e queda das fontes de receita ameaçam o jornalismo

Duas ameaças principais pesam sobre um jornalismo independente e livre, que tome a sério a sua responsabilidade de esteio da democracia: uma é a chegada maciça e quase mesmo o domínio, no espaço mediático, do fenómeno da desinformação deliberada; a outra é o desmoronar das fontes tradicionais de receita dos meios de comunicação, que emigraram para as plataformas digitais  - onde se juntam, precisamente, os dois problemas. É esta a reflexão inicial de Victoria Prego, presidente da Asociación de la Prensa de Madrid  - com a qual mantemos um acordo de parceria -  no texto de apresentação da edição número 36 de Cuadernos de Periodistas.

A maioria dos trabalhos aqui publicados trata desta questão e das suas possíveis soluções, apontando, sobretudo, para um esforço de captação de assinantes.

“Andamos há anos à procura da fórmula que garanta a sobrevivência de um jornal, impresso ou digital”  - afirma a autora. “E pelo que vemos das experiências vividas nos meios dos EUA, parece que a mais bem sucedida é a de cobrar ao utente para lhe oferecer conteúdos. A sua tradução mais imediata é a implementação das assinaturas.” (...) 

Tendo citado o exemplo de The New York Times, em que estas já garantem dois terços das suas receitas, Victoria Prego lembra que não é evidente que em todos os lados se possa apostar em exclusivo por esta fórmula, porque os utentes, “lamentavelmente habituados a receber informação completamente gratuita”, podem não estar dispostos a pagar agora. 

“Neste ponto é irrecusável a necessidade de fidelizar o ‘cliente’, oferecendo-lhe produtos  - notícias, análises, artigos de opinião, uma exclusividade -  que o levem a sentir-se parte de uma comunidade de interesses a que valha a pena pertencer.”  

“Na Espanha, onde a maioria dos media se afoga economicamente a pouco e pouco, há alguns exemplos de êxito entre os diários digitais de informação geral, mas o problema está longe de ficar resolvido.” (...) 

Sobre a desinformação intencional, a autora cita o caso recente ocorrido com a Cambridge Analytica, que levou o fundador e director executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, a ser chamado a contas perante uma comissão do Senado dos EUA e, posteriormente, perante o Parlamento Europeu. 

Zuckerberg repetiu até à exaustão as suas desculpas pelo abuso dos dados dos utentes do Facebook e pelo uso fraudulento da informação que circula nas suas redes, “dirigida a grupos previamente seleccionados, que podem tornar-se susceptíveis de ser empurrados em determinada direcção”. 

“Muitos I’m sorry, mas nenhuma explicação sobre como se permite que sucedam estas manipulações, nem ainda que vai o Facebook fazer para impedir que se repitam tais casos.” (...) 

A solução proposta é a de “fomentar entre os cidadãos uma atitude céptica perante o bombardeamento de imagens, notícias e dados que lhe chegam constantemente aos terminais”. E introduzir nos programas educativos “uma formação para a destreza na detecção de falsidades”. (...)

 

O artigo citado, na íntegra, em Cuadernos de Periodistas

Connosco
Jornalista e historiador de Macau vencem Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia Ver galeria

O Júri dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos pelo Jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, escolheu, por unanimidade, na primeira categoria, o trabalho "Ler sem limites", da jornalista Catarina Brites Soares, publicado no semanário Plataforma, em Macau.

Na categoria Ensaio, atribuída este ano pela primeira vez, foi distinguido o original do historiador António Aresta, de Macau, intitulado "Miguel Torga: um poeta português em Macau".
A Acta do Júri destaca, no primeiro caso, que Catarina Brito Soares  consegue desenhar com o seu texto “uma panorâmica das leituras mais frequentes em Macau, com um levantamento de livros e autores que circulam livremente no território, incluindo alguns que, por diferentes razões, têm limites de acesso fora da RAEM”.
O semanário Plataforma Macau é publicado em Macau, em português e chinês. 

Na categoria Ensaio, o Júri deliberou, também por unanimidade, atribuir o Prémio ao trabalho de António Aresta, considerando tratar-se de “uma narrativa consequente sobre a visita histórica do grande poeta a Macau, com passagem por Cantão e Hong Kong”.

Universidades apoiam e investem no jornalismo de investigação Ver galeria

A sociedade necessita de um jornalismo de investigação que fica caro, e esta necessidade “chega num momento de grande tensão financeira para uma indústria maciçamente perturbada pelas novas tecnologias e alterações económicas”.

“Acreditamos que este tipo de jornalismo, em defesa do povo americano, é mais importante do que nunca na presente cacofonia de informação confusa, contraditória e enganadora, já para não falar de cepticismo  - ou por vezes rejeição absoluta -  dos factos.”

Esta reflexão é assinada por Christopher Callahan e Leonard Downie Jr., docentes na Universidade Estatal do Arizona, sobre a criação de dois centros de ensino de jornalismo de investigação, um na Universidade referida, outro na de Maryland. Tendo em conta a “proliferação de centros de reportagem de investigação independentes, sem objectivo de lucro, em grande parte financiados por [mecenato] filantrópico”, as universidades “estão prontas a assumir funções de liderança neste novo ecossistema de jornalismo de investigação”  - afirmam no seu texto.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Opinião
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Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

Trump contra o jornalismo
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