Terça-feira, 23 de Outubro, 2018
Media

Ética do jornalismo lusófono será debatida em Coimbra

“Ética e deontologia do jornalismo no espaço lusófono  - Pactos globais pela qualidade da informação”  é o título abrangente do V Colóquio Internacional de Comunicação, Jornalismo e Espaço Público, a realizar no Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra nos dias 13 e 14 do próximo mês de Novembro. Está aberta a chamada para comunicações (Call for Papers), tendo como datas principais o dia 10 de Setembro, como limite para aceitação de propostas de comunicação, e de 1 a 5 de Outubro para comunicação das decisões de arbitragem.
Os eixos temáticos deste congresso serão: A. - Novos pactos normativos para um jornalismo em transformação. B. - Profissão, modelos, experiências e reptos da governance do jornalismo. C. - A qualidade da informação na Cosmopolis global.

Segundo o texto de apresentação, que aqui citamos, as mutações contemporâneas do ecossistema mediático são “uma prática colectiva” e global, que coloca novos desafios éticos, políticos e societais. “Alguns autores consideram que, não obstante os debates suscitados, estamos ainda num campo relativamente virgem em termos de teorias éticas.”

 

“Do ponto de vista do jornalismo, enfrentamos o desafio de realizar um aggiornamento normativo, com implicações éticas, deontológicas, reguladoras e socioprofissionais evidentes. O desafio talvez já não seja o de apenas fazer os ajustamentos necessários, mas o de criar um novo pensamento, capaz de enfrentar os novos reptos comunicativos para a era da globalização, que se tornou uma parte da nossa realidade quotidiana.” 

“A chamada para comunicações para o V Colóquio Internacional de Comunicação, Jornalismo e Espaço Público, assume este desafio como uma reflexão teórica instigante, procurando perspectivá-lo a partir do campo da Lusofonia, que inclui realidades de África, da América, da Ásia, da Europa e da Oceania.” (...) 

A Comissão Organizadora é composta por Ana Teresa Peixinho, Carlos Camponez, João Miranda, Joaquim Fidalgo, Leonel Brites e Madalena Oliveira. 

A Comissão Científica inclui Carlos Camponez, Joaquim Fidalgo, João Figueira, Leonel Brites, Madalena Oliveira, Manuel Pinto, Paulo Martins, Rogério Christofoletti, Samuel Lima e Sandra Marinho.

 

Mais informação no site do Ceis20  e no ObjEthos – Observatório da Ética Jornalística do Brasil

Connosco
Jornalista e historiador de Macau vencem Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia Ver galeria

O Júri dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos pelo Jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, escolheu, por unanimidade, na primeira categoria, o trabalho "Ler sem limites", da jornalista Catarina Brites Soares, publicado no semanário Plataforma, em Macau.

Na categoria Ensaio, atribuída este ano pela primeira vez, foi distinguido o original do historiador António Aresta, de Macau, intitulado "Miguel Torga: um poeta português em Macau".
A Acta do Júri destaca, no primeiro caso, que Catarina Brito Soares  consegue desenhar com o seu texto “uma panorâmica das leituras mais frequentes em Macau, com um levantamento de livros e autores que circulam livremente no território, incluindo alguns que, por diferentes razões, têm limites de acesso fora da RAEM”.
O semanário Plataforma Macau é publicado em Macau, em português e chinês. 

Na categoria Ensaio, o Júri deliberou, também por unanimidade, atribuir o Prémio ao trabalho de António Aresta, considerando tratar-se de “uma narrativa consequente sobre a visita histórica do grande poeta a Macau, com passagem por Cantão e Hong Kong”.

Universidades apoiam e investem no jornalismo de investigação Ver galeria

A sociedade necessita de um jornalismo de investigação que fica caro, e esta necessidade “chega num momento de grande tensão financeira para uma indústria maciçamente perturbada pelas novas tecnologias e alterações económicas”.

“Acreditamos que este tipo de jornalismo, em defesa do povo americano, é mais importante do que nunca na presente cacofonia de informação confusa, contraditória e enganadora, já para não falar de cepticismo  - ou por vezes rejeição absoluta -  dos factos.”

Esta reflexão é assinada por Christopher Callahan e Leonard Downie Jr., docentes na Universidade Estatal do Arizona, sobre a criação de dois centros de ensino de jornalismo de investigação, um na Universidade referida, outro na de Maryland. Tendo em conta a “proliferação de centros de reportagem de investigação independentes, sem objectivo de lucro, em grande parte financiados por [mecenato] filantrópico”, as universidades “estão prontas a assumir funções de liderança neste novo ecossistema de jornalismo de investigação”  - afirmam no seu texto.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Opinião
Como está o papel?
Manuel Falcão
Durante muitos anos a imprensa – jornais e revistas – captava a segunda maior fatia do investimento publicitário, logo a seguir à televisão, que sensivelmente fica com metade do total do bolo publicitário. Mas desde o princípio desta década a queda do investimento em imprensa foi sempre aumentando e, agora, desceu para a quinta posição, atrás, por esta ordem, da TV, digital, outdoor e rádio. Ao ritmo a que...

Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

Trump contra o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
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